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Spcine inaugurada em São Paulo

Nº 149 – Março 2015

por Fernando Moura

REPORTAGEM

Com o lançamento de vários editais foi inaugurada formalmente a Spcine, Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo, uma companhia pública de fomento ao audiovisual paulista que terá um orçamento anual de mais de R$ 65 milhões com a gestão e os investimentos compartilhados entre as três esferas de governo (municipal, estadual e federal), o que é um de seus diferenciais

ASpcine terá sua sede na Praça das Artes, em São Paulo, funcionará como um escritório de desenvolvimento, financiamento e implementação de programas e políticas para os setores de cinema, TV, games e web, afirmou Alfredo Manevy, diretor-presidente da empresa pública.
Ele disse à Revista da SET que a empresa tem como objetivo reconhecer e estimular o potencial econômico e criativo do audiovisual paulista e seu impacto em âmbito cultural e social.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad afirma que a Spcine será uma alavanca cultura na cidade

Os principais eixos de atuação da Spcine são os seguintes: inovação; criatividade e acesso (elaboração e apoio à ações de desenvolvimento criativo e inovação aplicada a novas tecnologias, formatos, linguagens e empreendedorismo no setor; além da formação, capacitação e requalificação profissional).
O foco da Spcine será, ainda, no desenvolvimento econômico com a promoção do desenvolvimento do mercado de audiovisual rumo a um cenário de sustentabilidade econômica; integração e internacionalização, já que a Spcine “deve estimular as coproduções, atração de produções estrangeiras, exportação do conteúdo audiovisual paulista e o intercâmbio cultural e de talentos”, afirma Manevy.
A empresa é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura, por meio da Ancine (Agência Nacional do Cinema).
Participaram da cerimônia o Ministro da Cultura, Juca Ferreira; o secretário de Cultura do Estado de SP, Marcelo Mattos Araújo; o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; o presidente da Ancine, Manoel Rangel; o secretário de Cultura do município, Nabil Bonduki; o secretário interino de Cultura do município, Guilherme Varella; e Alfredo Manevy, que foi apresentado como diretor-presidente da Spcine.
O Ministro da Cultura disse na sua apresentação que a Spcine”é uma empresa porosa” e aberta para os produtores culturais. “O que fizemos na Spcine e na Secretaria de Cultura de São Paulo como um todo foi fruto de diálogo amplo.”

“Estou saindo da prefeitura, indo para o Ministério, mas é a mesma batalha, a mesma luta pela construção de um país com uma estrutura cultural,” afirmou Juca Ferreira

Ferreira se despediu da prefeitura de São Paulo, onde foi Secretario de Cultura, e idealizou a Spcine. “Estou saindo da prefeitura, indo para o Ministério, mas é a mesma batalha, a mesma luta pela construção de um país com uma estrutura cultural forte com direito de acesso de todos os brasileiros e o fortalecimento de uma economia cultural”.
Para o novo Ministro da Cultura – que está neste cargo pela segunda vez, foi Ministro entre 2008 e 2010 no segundo governo Lula – uma das prioridades da sua gestão será a Cinemateca Brasileira. “Estou empenhado, como prioridade absoluta do Ministério, em recuperar a credibilidade da Cinemateca, que tem um papel importante no audiovisual brasileiro. Investimos R$ 105 milhões na Cinemateca [durante sua primeira gestão à frente do MinC]. Fizemos com que chegasse a ser a quinta melhor do mundo. Compramos equipamentos de primeira. A Cinemateca tem cumprido sua função. Obras importantíssimas do cinema brasileiro foram recuperadas”.
Ele disse ainda que o Estado tem uma responsabilidade na regulação e no fomento ao audiovisual. “Mas precisamos ampliar a rede de cinemas e expandir a formação, a rede de técnicos. O arranjo produtivo de cinema pode se desenvolver para que tenhamos uma complexidade em que todos ganham, a exemplo de outros países”, explicou o ministro. Manoel Rangel afirmou, em mais uma participação enérgica, que “a criação da Spcine demonstra o quanto é necessária a articulação de políticas públicas para o audiovisual no âmbito dos Estados e das capitais, de maneira que haja ainda mais espaço para a diversidade das produções e dos talentos locais”.


SP Film Comission

Fernando Haddad, um dos grandes propulsores do projeto, afirmou que o mais importante da Spcine é o fato de ter juntado nele as três instâncias do poder público e permitido que a empresa pública conte com verba compartilhada. O total de R$ 65 milhões teve R$ 25 milhões do município, R$ 25 milhões do Estado e R$ 15 milhões da Ancine. “Se nós aportarmos os recursos que estão comprometidos e damos sustentabilidade ao projeto, essa empresa vai florescer”.
Marco Altberg, presidente da ABPITV se mostrou confiante e satisfeito com o lançamento oficial da Spcine. “Há anos esperávamos que São Paulo tivesse um polo audiovisual. Pensamos que é muito positivo e que sem dúvidas será um impulso muito forte ao setor que está crescendo graças à nova lei de TV paga e porque a indústria cinematográfica está cada dia mais consolidada no nosso país”.
Altberg disse à Revista da SET que a denominação Spcine é um simbolismo “que representa a arte audiovisual. “Nós participamos do início na criação da Spcine e ela apoiará muitos projetos audiovisuais, não só cinema na cidade. Só na cidade de São Paulo está a metade dos associados da ABPITV, isso é nada menos que 250 empresas, então é muito importante avançar para projetos públicos de fomento ao audiovisual”.

Manevy disse à Revista da SET que o escritório que viabiliza as filmagens na cidade de São Paulo renasce mais moderno e eficiente fazendo uso das tecnologias. “Reduziremos a burocracia e auxiliaremos produções nacionais e internacionais”.
O executivo explicou que o objetivo da Spcine é tornar a cidade de São Paulo “a mais simples do país para locações em externas” e com isso ajudar aos produtores audiovisuais a “usufruir da diversidade paulista”.

Juca Ferreira e Fernando Haddad afirmaram que o mais importante do projeto é a união dos três estamentos do Estado Brasileiro no apoio a Spcine

Ações de fomento ao audiovisual
Durante a inauguração foi lançado o primeiro pacote de ações conjuntas com a Ancine (Agência Nacional de Cinema) que contempla editais de mais de R$ 20 milhões em 6 linhas de investimento.
Destes, R$ 12 milhões são para produção de filmes de pequeno e médio porte e de alta performance; R$ 6 milhões para distribuição de filmes de pequeno e médio porte e de alta performance; e R$ 2 milhões para pilotos de séries de TV.
Durante a cerimônia, Manevy afirmou que nos próximos tempos serão lançados novos editais em parceria com a Ancine com foco em Televisão e Games que estão sendo elaborados e terão um montante total investido, nesta segunda etapa, de R$ 10 milhões.
Na solenidade, foi assinado um protocolo de intenções entre a Ancine e a Spcine, que prevê o lançamento de editais em parceria com o Programa Brasil de Todas as Telas, e com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA, um compromisso do Governo Federal de investir, por meio da Ancine, nas atividades da empresa. Foram anunciados R$ 20 milhões em investimentos, sendo R$ 10 milhões oriundos da Prefeitura de São Paulo e R$ 10 milhões do FSA. O montante será direcionado para a produção e distribuição de longasmetragens de relevância artística, produção e distribuição de longas de alta performance comercial, e produção de episódio piloto de obra seriada e formatos para TV.

Varias centenas de produtores, diretores e artistas participaram da cerimônia de inauguração da Spcine em São Paulo

Circuito SP de Salas de Cinema
Outro dos pontos relevantes da cerimônia de lançamento da Spcine foi a reafirmação, por parte do Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, da criação do Circuito SP de Salas de Cinema que, segundo ele, permitirá que todos os paulistas tenham a experiência do cinema indo a todas as regiões da capital paulista, por meio da ampliação da oferta de espaços de exibição. Para ele, sem a rede pública de salas de cinema não haverá sucesso da Spcine porque “sem um circuito público, não teremos a chance de fazer a produção chegar ao cidadão e ver o efeito transformador pela arte, que é o que esperamos”.