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Sincronismo de midias e suas tecnologias

Como os tablets estão se tornando parte essencial da experiência de assistir TV.

Nº 135 – Agosto 2013

Por Tom Jones Fonte: techzulu.com e Audible Magic

ARTIGO

Os tablets estão se tornando uma verdadeira commodity nas casas em todo o mundo, e isto obviamente tem levantado um grande interesse não só dos broadcasters, mas também de todos os provedores de conteúdo. As razões para isso são muitas: dispositivos sempre conectados que podem fornecer informação quantificada e qualitativa em tempo real sobre os hábitos desses espectadores; a capacidade destes dispositivos de permitirem estender a experiência do usuário além do programa de TV, fortalecendo assim o engajamento do telespectador e o mais importante aumentando o valor do “canal/operadora” para o cliente e com isso fazendo a diferença sobre seus concorrentes.
Pegando carona nessa vertente começam a surgir novos aplicativos chamados de “Sync-to-TV”. A sincronização para TV refere-se a um aplicativo desenvolvido para a segunda tela (neste caso um tablet) que reconhece um programa transmitido através de um aparelho de TV e lança módulos interativos na segunda tela correspondente com a programação. Alguns desses aplicativos para segunda tela foram implantados pelos estúdios Disney em seus Blu- Ray, como: Bambi, Rei Leão, Tron e mais recente Jonh Carter, com uma ampla gama de recursos interativos. Também canais como Fox atrelaram seus principais seriados a essa possibilidade de sincronização.
Como desenvolvedores, engenheiros e técnicos se perguntam o que está por trás da tecnologia de sincronismo? Como os tablets, smartphones reconhecem o conteúdo que esta passando na TV e o sincronizam?
A verdade é que todos esses aplicativos usam diferentes tecnologias para o reconhecimento automático de conteúdo (do inglês: Automated Content Recognition- -ACR) a idéia aqui é falar um pouco das duas principais técnicas utilizadas para fazer isso.

The Audio Watermaking (Detecção de marca d’água de áudio)
Essa técnica não é nova e, na verdade, é muito utilizada para proteção de conteúdo (DRM), pois consiste no processo de incorporação de informações para um sinal (por exemplo, áudio, vídeo ou imagens) de uma maneira que é difícil de remover. Se o sinal é copiado, então a informação também é realizada na cópia. Um sinal pode levar várias marcas d’água diferentes ao mesmo tempo, o que se torna cada vez mais importante para habilitar a proteção de direitos autorais e de propriedade de verificação. Uma das técnicas mais seguras de audio watermarking é a SSW: Spread Spectrum Audio Watermaking (do inglês: Espalhamento do Espectro de áudio). Spread Spectrum é uma técnica geral para a incorporação de marcas d’água que podem ser implementadas em qualquer domínio das transformações da frequência ou no domínio do tempo.
As técnicas de sincronismo de conteúdo aproveitam- -se dessa característica do Spread Spectrum e analisam a faixa de áudio para revelar posições no sinal onde, considerando as características de sinais de mascaramento da audição humana, podemos esconder alguns “códigos digitais” sem afetar a qualidade do som do original.
A principal vantagem desta técnica é que, se você é um canal broadcaster ou um provedor de conteúdo, pode criptografar os dados de reconhecimento que está injetando no fluxo, tornando os visíveis apenas para seus próprios apps. Geralmente a injeção de dados ocorre em intervalos curtos (com 2 segundos ou menos), então essa técnica proporciona uma boa precisão de tempo de reconhecimento, o que é um fator critico quando se trata de sincronismo de conteúdos muito curtos, como comerciais por exemplo.
A desvantagem fica por conta da necessidade da largura de banda disponível que não é tão grande (apenas alguns bytes para cada segmento de áudio) o que pressupõe que a técnica pode ser prejudicada por longos períodos de silêncio, (chamados de “not acústico”) onde não se pode injetar nenhum código de reconhecimento.

The Fingerprints (As impressões digitais)
Essa outra técnica consiste em tomar uma assinatura (também conhecido como “impressão digital”) da faixa de áudio dos conteúdos de vídeo transmitidos e armazená-los em um banco de dados. O dispositivo cliente leva o mesmo tipo de impressão digital de áudio em curto espaço de tempo (algo entorno de 5 a 10 segundos) e envia para o servidor que, em seguida, procura na coleta de impressões armazenadas e retorna o ID de conteúdo quando ele é encontrado.
A principal vantagem dessa técnica é que não há necessidade de ser o proprietário do conteúdo que ira ser analisado, por isso esta é uma maneira perfeita para construir apps de sincronismos quando não se é um canal de TV ou um estúdio de cinema. Mas como tudo na vida ela também tem inconvenientes: como a necessidade de uma infraestrutura de servidores enorme para comparar as assinaturas de uma grande gama de conteúdo que se queira sincronizar, (é como se tivesse uma grande biblioteca de impressões de áudio, uma para cada tipo de conteúdo que se quer sincronizar: shows, filmes, comerciais, etc), uma fórmula muito utilizada é ter acesso com antecedência do conteúdo, gerar as assinaturas antes da transmissão e endereça-las ao banco de dados de áudio, o que torna essa técnica muito complicada para reconhecer eventos ao vivo.
Seja lá como for, em ambos os casos, tudo depende de uma plataforma sólida e robusta para gerenciar os conteúdos que serão sincronizados com os apps instalados nos dispositivos, e esse é o ponto mais desafiador nos projetos de segunda tela. Gerenciar o tempo que a aplicação leva para reconhecer o conteúdo que esta sendo transmitido e retornar com “match´s” corretos, caso contrário toda a experiência de engajamento estará perdida.
Por fim, não será necessariamente a melhor tecnologia que ira ganhar, geralmente o vencedor é o serviço que encontra a interseção entre: tecnologia, comportamento do usuário e usabilidade (que proporcionara melhor experiência ao usuário) , pense nisso quando for desenvolver seu próximo app para segunda tela.

Eng. Ton Jones Moreira
é consultor para a Tecsys do Brasil, membro do fórum SBTVD, membro da diretoria de ensino da SET e membro do IPV6 Task Force Brazil.