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Sinal Digital – Cenário da TV Digital nas Américas: “Um olhar para fora do Brasil”

Nº 131 – Março 2013

Por Tom Jones Moreira

ARTIGO

Decidi tirar um pouco os olhos do umbigo (Brasil) e olhar como o advento da TV Digital tem afetado outros países nas Américas como um todo, e descobri que na América Latina, por exemplo, a TV Digital Terrestre (TDT) tem desempenhado um papel de expansão levando a TV para locais onde antes não havia, enquanto nos Estados Unidos, entre outras coisas, tem dado mais opções para as minorias de baixa renda e causando um efeito chamado de “cort cutting “(do inglês: corte do cordão umbilical) que é o abandono das assinaturas de TV paga pelas famílias de baixa renda.
O último relatório do Business Bureau, apresentado no terceiro trimestre de 2012 projeta um total de 2,5 milhões de lares recebendo TDT até final de 2013, além de prever que em 2016 esse numero será superior a 5 milhões na América Latina, excluindo o Brasil, onde o avanço está acontecendo de forma diferente.
No entanto, ao contrário do que acontece com a queda das assinaturas de TV a cabo nos EUA, na América Latina o quadro é outro: a TV paga mostra taxas de penetração mais elevadas, não só em grandes mercados como o Brasil, México , Argentina ,mas também nos novos players, como Chile, Colômbia, Peru, Equador e Venezuela. Em um nível mais abrangente, vemos os índices de penetração oscilarem de 30% a 80%. Uma outra pesquisa realizada pela Informa Telecom na região, constatou que as receitas de TV paga devem chegar a US$ 29,9 bilhões em 2017, mais de quatro vezes a receita de US$ 6,7 bilhões gerada em 2005. Em 2011 o cabo analógico gerou US$ 6,5 bilhões, contra US$ 7,7 bilhões do DTH. E esse aumento continuou em 2012 onde gerou uma receita de US$ 9,97 bilhões , comparado a US$ 10,08 bilhões do DTH.
Mas a TV Digital Terrestre também é uma tecnologia em ascensão na América Latina, novamente excluindo o Brasil, (veja o quadro resumo sobre o nosso pais, no final da matéria) o país com mais canais em TDT é o México, onde o serviço está em operação desde 2004: com um total de 34 canais , seguido pela Argentina, que, desde 2010 (quando foi lançado, em nível nacional), tem 31 canais incorporados à sua grade ( 9 deles com cobertura em HD). Já no Chile, onde os 21 canais que estão sendo transmitidos em TDT ,continuam em regime experimental , e devem esperar até que um projeto de lei estabeleça todos os requisitos e obrigações para serem aprovados definitivamente. No Panamá, começou a funcionar a TDT em 2011 e já são transmitidos 13 canais. Na lanterna com menos canais, estão o Peru, a Colômbia, a Bolívia e o Equador.
Enquanto isso, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Uruguai aguardam a fase de definição. O mesmo ocorre com a Costa Rica que está em fase de testes desde março de 2012 onde nenhum canal esta sendo transmitido de forma definitiva. Por fim, a Venezuela, que apesar de ainda não ter transmissão sinais de digitais, assegura que dará início a 8 canais do Sistema Nacional de Meios Públicos, e 4 canais comunitários ou canais privados.

América do Norte
Após a transição para o digital nos Estados Unidos, concluída em junho de 2009, um revigorado novo nicho de mercado tem surgido: A TV Digital Over The Air (OTA-D). De acordo com uma pesquisa realizada pela GFK Media em 2012, o número de americanos com acesso a este serviço aumentou de 46 milhões para 54 milhões.
O publico principal é constituído por uma minoria de jovens de famílias de baixa renda, apontou um levantamento também realizado em 2012 que descobriu que 17,8% dos lares americanos usam apenas televisão Over The Air Digital , sendo que 15% desses 17% ,começaram apenas a dois anos atrás. A GFK estima que mais de 20,7 milhões de domicílios, representam 53,8 milhões de consumidores que recebem sinais OTA-D, o que aponta um “pequeno”, mas crescente grupo de famílias que tem cancelado o seu serviço de TV por assinatura, representando cerca de 6% dos domicílios com TV, ou seja, 6,9 milhões de domicílios que abandonaram o cabo e agora recebem apenas sinais OTA-D. Em 2011, esse percentual havia sido de 4%. Alguns grupos minoritários são mais dependentes deste serviço: 28% das famílias asiáticas (25% em 2011), e 23% dos lares afro-americanos (17% em 2011). Enquanto os latinos, somam 26% dos domicílios (23% em 2011) que migraram para o Broadcast, com um percentual crescente de 33% nos lugares onde o espanhol é a língua nativa (eram apenas 27% em 2011). Desse total as minorias representam 44% das famílias, quando em 2011 eram de 40%. O relatório aponta que as famílias chefiadas por adultos jovens são mais propensas a escolher OTA-D. Sendo 24% deles com idade entre 18 e 34 anos, quando comparado a 17% entre 35 e 49 e 15% com 50 anos ou mais. Aqueles com baixa renda, também optam por este tipo de TV: 26% das famílias com renda inferior a US $ 30.000 por ano em comparação com 11% das famílias com renda anual de US $ 75.000 ou mais.
Existem dois elementos que devem ser levados em conta para o desenvolvimento do OTA-D nos Estados Unidos, o primeiro é a necessidade da FCC (A Comissão Federal de Comunicações que regula as comunicações interestaduais e internacionais por rádio, televisão, cabo e via satélite em todos os 50 estados americanos) em eliminar o espaço em MHZ para transportar as plataformas de telefonia 4G,LTE, o que levou os proprietários de estações a investirem em seus empreendimentos e saírem da zona de conforto, pois passaram a sentir medo de perder suas concessões e serem removidos do espectro. Em segundo a crise econômica, que obrigou muitas das famílias a cancelarem gastos não prioritários como a TV por assinatura.

De volta a America Latina
Panamá e Colômbia são os únicos no território da América Latina que aderiram ao DVB-T .
Os possíveis motivos estão na facilitação oferecida pelas empresas européias de colaborarem com transferência de tecnologia e co-produção de conteúdo. A Ibermedia é um programa de apoio a co-produções, desenvolvimento e treinamento para filmes e documentários, e anunciou em 2012 o apoio de cinco projetos entre o Panamá e a Colômbia. Também em abril de 2012 inauguraram o Primeiro FÓRUM EGEDA para a Industrial Audio Visual IBERO-AMERICANA, o que comprova o grande investimento e suporte que o padrão europeu tem dado a esses países.

*Não inclui o Brasil.

Esta programado para março de 2013, que o Panamá terá cobertura digital para a maioria de sua população. Atualmente o Panama conta com parcos 10 canais, tanto públicos (SERTV) e privados, sendo cinco deles em HD.
Já a Cobertura na Colômbia superou os 25% da população com uma oferta de 7 canais nacionais sendo apenas 2 deles em HD. Em busca de uma cobertura total, existem planos de implantação de um conteúdo de serviço TDT por satélite (projeto chamado de TV social via satélite) que irá provavelmente ser acompanhado pela concessão da antena de recepção para as famílias menos favorecidas, seguindo os exemplos já implantados pelos governos da Venezuela e da Argentina, que estão distribuindo Set Top Box dentro de seus programas públicos de Inclusão Digital.
Os broadcasters estão se modernizando, migrando seus estúdios analógicos para a digitalização completa (lembrem-se que estamos olhando o cenário da America Latina e não do Brasil), e dessa forma eles vão desempenhar um papel significativo no consumo de TDT na América Latina, onde chegamos a um terreno pantanoso, no qual os Broadcasters enfrentam a TV a Cabo, de uma forma nunca vista antes, com sinal HD ,e conteúdo local de boa qualidade (co-produzidos por europeus e afins) somados a reality shows e series de TV no horário nobre. Forçando pela primeira vez as empresas de TV A cabo a se modernizarem e se digitalizarem para não passarem pela saia justa de verem seus assinantes com uma imagem gratuita em alta definição, contra uma imagem paga, analógica e chuviscada. Claro que a grade de canais ainda é um forte atrativo mas em um mundo de TV´s conectadas ,povoado por OTT´s, isso não é mais um diferencial inalcançável para os assinantes, quer eles estejam nos Estado Unidos ou na Colombia, e que sempre irão proteger seu suado dinheiro a todo custo, investindo naquilo que lhes agregue mais valor. Para se ter uma idéia disso segundo DATAXIS o mercado de OTT na América Latina respondeu por US$ 334 milhoes de dollares em 2012 e deve chegar a US$ 4.000 milhões em 2017.
A sorte esta lançada e o premio aos vencedores será toda a fidelidade dos usuários.
O melhor Sistema para a América Latina Ainda que o sistema sofra algum preconceito, com notícias, ora criticando o preço dos conversores, ora criticando o tempo de adoção da nova tecnologia. A realidade é que o padrão ISDBTB é o mais completo e o mais adequado a realidade da América Latina, pois só ele consegue oferecer tantas funcionalidades para os usuários de forma completamente gratuita. Ao comprar um conversor seja ele integrado ou não, o usuário esta levando para casa um dispositivo com uma das tecnologias mais avançada do mundo.
Quanto aos que acham que a adoção do sistema é muito lenta, basta olharem para o processo de transição da TV em preto-e-branco para colorida e verão que isso levou mais de vinte anos para acontecer. E que a TV digital tem tido a melhor curva de adoção quando comparada a outros aparelhos seja o vídeo cassete, o DVD, ou até mesmo o CD Player. Isso tudo graças ao esforço e interesse conjunto de fabricantes e das emissoras de televisão em adiantar o cronograma definido pelo Ministério das Comunicações. De acordo com a Anatel, em maio 2012, 89.2 milhões de pessoas (o equivalente a 46,80% da população brasileira) estão cobertas pela TV Digital. Ao todo são 31.3 mil domicílios, em 508 municípios.
Ainda que pese sobre esses números o tempo de implantação, (pouco mais de 6 anos (29 de Dez. 2007)) e a aparente demora de mais canais chegarem a determinadas cidades, ainda assim estamos na liderança de uma transformação significativa dos meios de comunicação em massa, assegurando a população de uma pais com dimensões continentais que sua inforamação, entreterimento e conhecimentos estão na vanguarda da América Latina.
Em São Paulo, a primeira capital a receber o sinal no pais. ,a cobertura atinge 95% da região metropolitana. Essa quase totalidade se deve a instalação de Gap Fillers ,que são reforçadores de sinal e funcionam como amplificadores para cobrir áreas de sombra, onde antes o sinal não chegava devido a condições topográficas. Com o fim das áreas de sombra e a antecipação das transmissões nas principais capitais os consumidores só tem o que comemorar.
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TV Digital em las Americas – Prensario Internacional
www.foroegeda.com
www.tda.gob.ar/