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SET Norte, um ponto de refêrencia no Norte do país

Nº 149 – Março 2015

por Fernando Moura em Manaus (AM)

REPORTAGEM

O Regional realizou um balanço de um ano muito importante para o broadcast brasileiro com a realização da Copa do Mundo e com ela a produção e emissão de jogos em 4K por espectro e via satélite, ainda debateu a situação atual da TV Digital e o cronograma de desligamento. A Revista da SET esteve na capital amazonense e relata os principais tópicos de dois dias de debate intenso.

Oobjetivo do “SET Norte é ser um ponto de referência para os engenheiros que pretendem se atualizar conhecendo as tecnologias e as novidades do mercado”, disse Nivelle Daou Jr (SET/Fundação Rede Amazónica) na abertura do SET Norte 2014 realizado em Manaus, no Amazonas no fim do ano passado.
A edição 2014 do Regional Norte da SET, Seminário de Tecnologia de broadcast e novas mídias Gerenciamento, produção, transmissão e distribuição de conteúdo eletrônico multimídia, contou com a presença de mais de 200 participantes e foi transmitido ao vivo por streaming para todo o país.
A abertura da 16º edição do SET Norte contou com a presença do Vice-presidente de Tecnologia da Fundação Rede Amazónica, Nivelle Daou Jr (SET) e o Prof. Mário Costa, secretário general da Fundação Rede Amazónica.
Nivelle Daou Jr (SET/Fundação Rede Amazónica) disse ao presentes que a importância destes eventos é “trazer para o Amazonas as novas tecnologias. Cada dia mais os engenheiros de TV precisam estar mais perto das tecnologias IP, o que é muito importante, não adianta virar as costas.
Nos temos que forçosamente entrar no mundo de TI, já não há mais uma linha divisória. As empresas já trabalham em IP, não há mais uma separação clara do mundo da engenharia e do mundo IP por isso as nossas empresas têm de migrar para um convívio entre ambos os mundos”.

SET Norte 2014

Mais de 200 profissionais de diferentes médios de comunicação do norte do país participaram do SET Norte realizado na capital amazonense

Realizando um balanço do ano 2014, Daou Jr. afirmou que o país mostrou ao mundo que era possível “fazer uma Copa bonita, porque demostramos nossa competência técnica e mostramos ao mundo como se faz uma cobertura de um Mundial. Mostramos que temos capacidade de fazer grandes eventos e mostrar ao mundo o que podemos fazer, de fato tornamos o evento mais bonito”.
Refletindo sobre a situação atual disse que o negócio da TV aberta está “sofrendo mudanças, as novas gerações tem uma forma diferente de buscar informação e entretenimento.
Temos pensado muito em como é o nosso negócio. O governo está em uma campanha muito forte de 700 MHz para dar banda ao 4G, aí nos vamos perdendo frequência e canais, e nosso negócio vai perdendo espaço com as mudanças de hábitos. O que nós temos de fazer é encontrar as formas de aproveitar essas mudanças”.
Por isso, para o diretor do Regional Norte, Nivelle Daou Jr. é preciso estar atento. “Estamos na antevéspera do desligamento da TV Analógica e ainda falta muito para chegarmos a uma cobertura completa do sinal digital”.
De fato, segundo o executivo, “o SET Norte é um ponto de referência para que os engenheiros possam se atualizar trazendo as tecnologias e as novidades. Nestes dois dias vamos ter a oportunidade de fazer uma reciclagem e atualizar-nos”, afirmou.

SET Norte 2014

O diretor da SET Norte, Nevelle Daou afirmou que o negócio da TV aberta está sofrendo mudanças, as novas gerações tem uma forma diferente de buscar informação e entretenimento

Para finalizar a cerimônia de abertura, o Prof. Mário Costa, secretário general da Fundação Rede Amazónica disse aos presentes que “hoje estamos construindo um mundo melhor para as futuras gerações. No século XXI estamos mudando, em um mundo diferente, difuso, onde os paradigmas são diferentes. O negócio da TV hoje têm concorrentes diversos, já não sabemos exatamente onde está nosso concorrente. O que precisamos é pensar no mundo e tentar construi-lo pensando nos que virão”.

Medidas de campo da TV Digital
Francisco Peres (SET/ TV Globo) apresentou no SET Norte 2014 técnicas e procedimentos para análise dos parâmetros que norteiam a boa recepção digital, tanto One- Seg como Full-Seg.
Ele disse que para isso, é preciso medir MER, C/N, BER, e delayprofile, realizando medidas fixas e móveis. Das primeiras é preciso “ter mastros de 10 metros, antenas diretivas, com um carro de medida e uma equipe qualificada o que custa muito caro”.
Peres, ainda mostrou que para se obter a melhor qualidade nas medidas é preciso aferir os instrumentos e componentes utilizados na aquisição dos dados com “Network Analyzer” e “criar um ponto de aferição diária antes do início das atividades. Ainda terá que caracterizar minuciosamente os pontos para poder repeti-los em medições no futuro”.
Uma vez feito isso tudo, podemos ter uma metodologia em Radial, em “grid” ou mix dos dois. Em São Paulo, por exemplo, foi usado um planejamento em radial, em Belo Horizonte foi usado um planejamento em grid, e no Rio de Janeiro um mix dos dois. Peres afirma que após realizada a medição temos de realizar a conversão de potência para campo (E) que permitirá uma análise dos dados.

SET Norte 2014

Por momentos o auditório do Studio 5 Centro de Convenções ficou pequeno para albergar aos participantes do SET Norte

As medidas móveis trazem novas perspectivas para análise da cobertura. Com elas, é possível conhecer toda a área de cobertura e saber onde colocar novos transmissores e Gap-fillers para melhorar a qualidade do sinal, o que não era possível de se fazer com a TV analógica. Com o objetivo de baratear os custos de um equipamento para medidas móveis, é possível usar um smartphone com receptor de TV Digital, por exemplo, que possui internamente “um computador, um decodificar ISDB-Tb e um GPS. É possível com isto, criar um programa android que permita fazer as medidas móveis.
Peres explicou que com o aplicativo é possível realizar medições “de um em um segundo, em diferentes pontos de umadeterminada cidade, por exemplo em Brasília contamos com 57441 pontos na cidade. Hoje por exemplo estamos colocando um reforçador de sinal em uma zona onde nunca houve TV analógica e agora terá TV Digital.
No Rio de Janeiro medimos mais de 70 mil pontos e nos próximos tempos colocaremos um Gap-filler que permitirá que uma região que nunca recebeu TV analógica, possa aceder ao sinal de TV Digital”.
O executivo da TV Globo explicou que este aplicativo permite ter milhares de pontos de medição mediante “medidas móveis realizadas com um carro que circula pela cidade com o aplicativo do Android gravando e medindo o tempo todo o sinal”.

SET Norte 2014

Francisco Peres deu uma aula técnica sobre como realizar medições de sinal de TV Digital

Peres ainda explicou ainda que as medidas em um ambiente de SFN requer cuidados e podem levar a erros de medida. Neste ambiente é importante que o “delay profile” seja medido nas condições de nível alto, MER alto, C/N alto e BER baixo. As medidas de “delay profile” feitas com MER baixo e BER alto podem conter erros de medida e representar problemas de sincronismo na SFN.

Migração de AM para FM
André Ulhôa Cintra (SET/ABERT) apresentou os resultados preliminares de estudos realizados para a Anatel relativos à migração da rádio AM para FM. A Onda Media (OM) “precisa migrar porque o sinal tem muito ruido e precisamos resolver esse problema. Mas migrar não é a solução, mas sim temos que olhar para ela como uma oportunidade”.
A mudança irá de 525-1705 KHz em OM para a faixa de 76-108 MHZ que será a nova faixa de FM onde hoje funcionam os canais 5 e 6 de televisão e deixará de ser utilizada pelo switch-off analógico”, mas para o consultor da SET/ABERT “será necessário tempo de adaptação de receptores”.
Ele afirmou que “neste momento estamos analisando e vendo como encaixar os canais e ver como será a cobertura. O que temos claro é que a cobertura da rádio FM é muito menor que a AM, mas em compensação as emissoras ganharão uma melhor qualidade de áudio recebido”.
O executivo explicou os detalhes do Decreto que permite a migração afirmando que neste momento a SET/Abert estão estudando a extensão da Faixa de FM, ela ira de 76 a 88 MHz (nos canais 5 e 6 de TV) que será “feita para todo o Brasil, mas será necessária apenas para os municípios em que o espectro esteja congestionado”.
Para isso, disse Ulhôa Cintra, que “se estão realizando estudos preliminares de viabilidade que estão tentando estabelecer premissas para os canais vagos e reserva do plano de FM; o canal 6 de TV e RADCOM; critérios de flexibilização; segundo adjacente e interferência de FI”.

SET Norte 2014

André Ulhôa Cintra explicou aos presentes os principais conceitos da migração da Rádio do AM para o FM

Na palestra o engenheiro mostrou aos presentes um software que “trabalha com uma matriz de influência” que mostra como estão os canais nas diferentes cidades e ver como é possível otimizar os canais disponíveis e encontrar lugares onde possam ser alocados futuros canais”, isso para mostrar que na cidade de Belém faltam canais para alocar. “Na próxima semana lançaremos uma consulta pública para alocação de canais nos Estados do Pará, Pernambuco e Paraíba”.
Ante uma consulta da plateia, André Ulhôa Cintra disse que “a faixa estendida foi utilizada em Salvador e Camaçari na Bahia, em um município do Ceará. Há mais cidades que precisaram de faixa estendida, mas precisamos de consulta pública para isso”.
Porque segundo Cintra, exceto os pedidos feitos pelas emissoras no Pará para migrar do AM para FM, que ainda estão sendo avaliados, todos os outros poderão ser atendidos.
“Foram 65 emissoras de seis estados – Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins – que se candidataram”, contabiliza. Ao todo, existem 92 rádios AM nesses estados. No Pará, 45 emissoras que transmitem em AM solicitaram a transição, tendo sido encontradas dificuldades na cidade de Belém, o que faz com que os pedidos feitos no estado mantenham- se sob estudos.

Iluminação para os olhos ou para a câmera?
Ricardo Kauffmann (ENERGIA) deu uma aula aos participantes do SET Norte com uma visão geral sobre iluminação e LED. A palestra /aula sobre iluminação onde se debruçou sobre o LED Full Espectro e como cada dia mais é preciso utilizar a luz indicada na hora de realizar uma produção.
Kauffmann explicou os fundamentos da luz, e como a temperatura de cor é fundamental na hora de captação de vídeo, porque “não basta ter todas as cores, elas devem ser continuas e niveladas”.
“A lâmpada incandescente acabou, já foi proibida a sua produção no Brasil e nos próximos anos será proibida a sua venta no país. Por isso temos de começar a pensar em outras soluções melhores e que gastem menos energia”, afirmou em Manaus.

SET Norte 2014

Os participantes do Regional Norte ficaram esclarecidos sobre as diferenças e virtudes da iluminação LED na palestra de Ricardo Kauffmann da Energia

Kauffmann disse no Centro de Convenções Studio 5 em Manaus que a eficiência, a qualidade e a durabilidade do LED já foi comprovada, e já são uma opção viável para as emissoras e produtoras de TV. “Hoje estamos propondo LED com 98% de Color Render Index (CRI) que é a medida da precisão de como uma fonte de luz ilumina um objeto. Essa medida é baseada na percepção do olho humano, sobre um conjunto de cores definidos pelo chat Macbeth”.
A seguir, Kauffmann explicou o que é um Lúmen, “uma medida do fluxo luminosos de uma luminária”, enquanto o Lux é uma medida de iluminamento.
Do ponto de vista prático de iluminação é o que interessa, pois mede a quantidade de luz que chega numa superfície num objecto, num cenário etc. A especificação correta das luminárias deveria ser o iluminamento, ou seja, a quantidade de luz, ou melhor, de Lux e o diagrama de irradiação”.
No seguimento da palestra, Kauffmann falou sobre a evolução do fosforo nos principais produtores de tecnologia com este insumo que se tornou fundamental para a produção de luminárias. “É preciso repetir aqui que senão tiver uma boa iluminação não terá uma boa imagem, por este motivo pensamos que é preciso migrar para dispositivos com alta fidelidade de luz”.
Kauffmann disse que em 2013, foi desenvolvido pela EBU o Television Lighting Consistency Index (TLCI) um parâmetro pensado em função da sensibilidade dos sensores das câmeras de vídeo. Assim, esta recomendação da EBU é um novo processo de avaliação destinados a televisão, incluindo aí cinema e fotografia que utilizam os mesmos censores. O TCLI é consequência de um software desenvolvido pela EBU que tem a finalidade de comparar uma luz de referencia criada pelo software com a luminária que você quer comparar, o “seja, estamos tentando iluminar para a câmera e não para o olho humano”, disse.

SET Norte 2014

Armando Ishimaru (LEADER INSTRUMENTS) explicou que em uma ambiente de produção é um desafio conciliar as exigências artísticas e técnica avaliando a qualidade do vídeo em um monitor forma de onda

O desenvolvimento do LED está avançado, “cada dia temos produtos melhores e com mais qualidade. Em 2015 a Energia lançará luminárias com qualidade CRI 98 oferecendo ao mercado luminárias com a melhor qualidade”.
No fim, Kauffmann disse a plateia que esta na hora de investir para mudar a iluminação, para ser coerente é necessário pensar que é preciso investir em iluminação LED Full Spectrum. Insistir com lâmpadas incandescentes, ou muda para um dispositivo como o LED porque não há nada no horizonte que possa cumprir essa função em uma TV Digital.

A influência da luz na qualidade de vídeo
Com câmeras cada dia mais precisas e com maior qualidade é preciso ajustar a captação do vídeo e ter ferramentas para trabalhar com a luminância, um trabalho muitas vezes subjetivo, afirmou Armando Ishimaru (LEADER INSTRUMENTS) quem trouxe ao SET Norte 2014 questões relacionadas com a iluminação e como está afeta a qualidade do vídeo captado pelas emissoras de TV.
Para ele, em uma ambiente de produção “é um desafio conciliar as exigências artísticas e tecnicas avaliando a qualidade do vídeo em um monitor forma de onda que é a referência para os técnicos, mas nem sempre para o pessoal artístico que tem o fotômetro como referência para medição de luz. Muitas vezes a avaliação torna-se subjetiva recaindo sobre um monitor de vídeo que nem sempre é um monitor de grau de referência”.
“Nossa preocupação é produzir da melhor maneira na produção, na ponta e inicio do processo para maximizar os recursos evitando perdas ou custos adicionais na produção e pós produção. Para isso maximar as funcionalidades dos equipamentos para obter os melhores resultados com uma rápida configuração das conexões físicas e com formatos que tenham relação de aspecto e confirmação dos protocolos”, disse Ishimaru. Assim, afirmou o executivo “precisamos monitorar e analisar o Gamut para assim sabermos que cores vamos captar e como o meu vídeo vai ser captado. Ainda realizar ajustes de foco, com avaliação dos níveis de exposição e controle da iluminação do set”.
Para facilitar a obtenção de resultados precisos e eficientes, disse Ishimaru que a “Leader criou ferramentas intuitivas para operadores, com formação não técnica, que são: 5 Barras, CineLite, CineZone e CineSearch, pilares para uma produção perfeita.” Assim, uma das soluções em vídeo pode ser o “CineZone, una novo método de ajuste de luminância. Este sistema ajusta níveis de referência de luminância ajudando aos cinegrafistas e produtores na hora da captação de imagem”.
Nesse sentido, o executivo disse que o CineZone pode ser um excelente método de ajuste de luminância durantes as filmagens, trabalhando com o “diafragma que dará a profundidade de campo. Com este sistema podemos medir em forma de onda o nível de luminância de cada parte da imagem e fazer o ajuste mediante o sistema”.
Outro dos recursos apresentados pelo executivo da Leader Instruments é o CineSearch, uma funcionalidade que serve “como referência ajustável dos níveis de luminância da imagem captada”. Ainda, foi apresentado o CineLite, que serve para definir luminância em porcentagem e “ter controle da sua produção quando com a mesma câmera se podem melhorar os resultados do vídeo captado”.

Qualidade ótica nas produções audiovisuais
Celso Araújo (SET/Fujinon-Trevisan) deu uma aula magistral sobre sensores no SET Norte 2014 explicando minuciosamente como estes funcionam e fez recomendações para assegurar uma captura de imagem incontestável.

SET Norte 2014

Celso Araújo deu uma aula magistral sobre lentes e profundidade de campo em Manaus

Ele colocou toda sua experiência em evidência depois de décadas de trabalho na Rede Globo e fez uma análise da ruptura tecnológica dos sensores.
Araújo começou sua fala com as diferenças que existem entre os sensores e a sua profundidade de campo. Isso pelo FFD “Flange Focal Distance”, e o problema físico das lentes que provoca que algumas câmeras tenham pouca profundidade de campo.
A seguir, o engenheiro fez um exame de questões sobre a profundidade de campo discutindo abertura do diafragma, distância focal, distância do assunto e tamanho do chip. Em broadcast, onde se utilizam câmeras de 2/3”, disse Celso Araújo, se usa o conceito de 35 mm “porque era o tamanho do negativo digital” e com eles “o tamanho dos chips que permite estabelecer o tamanho real da imagem.
Araújo disse que hoje em dia algumas câmeras com chip grande são contraproducentes para a produção de ficção porque estes têm tanta “profundidade de campo que todos os planos estão em foco e isso não é bom, por exemplo, na produção de uma novela”.
Sobre lentes, Araújo explicou quais os atributos que contribuem para o desempenho geral de uma imagem, que são as múltiplas deficiências que prejudicam o comportamento geral de uma imagem, que são, entre outras, “as cinco aberrações de Seidel que são as aberrações esféricas, o coma, o astigmatismo, curvatura de campo, e as distorções. O grande desafio das empresas é com o 4K e 8K e melhorar as distorções focais”. Mas não são só deficiências, disse Araújo, também têm atributos que são de luminosidades.
No fim, Araújo fez um paralelo entre a operação de vídeo versus o controle da exposição (o negativo digital) e finalizou a palestra/aula com algumas orientações sobre lentes grande angular, normal e Tele, “BOKEH”, uma palavra japonesa que representa áreas que estão fora de foco.
“Hoje temos dois tipos de lentes, as anamórficas e esféricas, hoje usamos as primeiras que comprimem na captura e descomprimem na hora da exibição”. Para ele há três tipos de lentes, a grande angular, a lente normal e telefoto. As lentes grande angular espalham as imagens para fora de forma que estas possam caber no quadro então a imagem vai espalhar. “Segundo a lente que utilizemos, teremos um resultado”.

O futuro das transmissões satelitais no Brasil
André Malvão (EMBRATEL/STAR ONE) abordou as principais aplicações dos satélites na área de broadcasting, os novos lançamentos de satélites e as novas tecnologias que surgem como promissoras no futuro próximo.
Malvão explicou que neste momento um dos principais objetivos da empresa é a expansão dos serviços na América Latina, sendo que o foco da empresa está na banda C, com contribuição e distribuição de enlaces de televisão com alta disponibilidade, conexões do tipo “long-haul” para operadoras de telecomunicações; e a banda Ku para uso em DTH e redes VSAT. A banda Ka é utilizada para acessos banda larga e novas aplicações de televisão.
Após uma apresentação geral da empresa, o gerente de contas da Embratel/Star One afirmou que o lançamento do Satélite Star One C4 no início de 2015, “aumentará a capacidade em Banda Ku, onde opera o DTH da Claro TV, do grupo Embratel”.
O C4 terá uma expectativa de vida útil de 15 anos e terá 48 transponders em Banda Ku esperando-se que seja utilizado para DTH no Brasil.
Outro dos satélites abordados ao pormenor foi o STO – C3 e as suas principais características. Ainda, Malvão falou e explicou quais serão os principais serviços que brindará o satélite D1 que será lançado proximamente.
O executivo afirmou que os principais propulsores no mercado satelital são, entre outras coisas, a transmissão com tecnologia 4K e o crescimento da demanda das operadoras de DTH no país.

Update sobre 4K e infra-estrutura de emissoras de Televisão em IP
O futuro é a gravação e preservação do arquivo em 4K com uma padronização do codec SMPTE 2022 afirmou Enio Arruda (SONY). O executivo levou a Manaus uma visão das tecnologias de 4K e os benefícios desta forma de captação explicando aos presentes as diferenças comparativas que se estabelecem com a produção em 4K, entre elas como em pós-produção se trabalha com imagens mais limpas e de maior qualidade.
Para ele, o futuro está na preservação do arquivo que “grava em 4K, entrega em HD e a resolução passa a ser uma tendência”. Arruda explicou os parâmetros e diferenciais da tecnologia 4K (UHDTV) e como a marca já desenvolveu um workflow completo para trabalhar com esta tecnologia.
O executivo da Sony explicou como foram feitas as transmissões em 4K da última Copa do Mundo Brasil 2014 e como esta foi produzida.
Outro dos temas abordados por Arruda foi o Optical Disc Arquive (ODA) e como este sistema de arquivamento da Sony pode ajudar as emissoras a armazenar os conteúdos produzidos por elas e nesse sentido, explicou as diferenças de codec e com eles, as “diferenças de qualidade de codec e com eles as taxas e tamanhos de arquivos que podem ser guardados”.
Arruda afirma que o ODA é um sistema de arquivamento que pode “manter a informação por pelo menos 50 anos, mantendo a qualidade da tecnologia. É verdade que a tecnologia tende a evoluir, mas podemos garantir essa durabilidade”.
Para Arruda, a utilização das mídias depende das necessidades do radiodifusor, por isso a empresa sabendo que com as novas tecnologias de captura como o 4K geraram maior quantidade de bits e com isso maior necessidade de capacidade de arquivamento, já se trabalha em discos com maiores capacidades.
“A infraestrutura IP é essencial com tecnologia 4K, sem ela fica muito difícil o trabalho e até o monitoramento dos sinais” por isso, disse Arruda, é necessário pensar em estruturas IP nas emissoras.
“Com a tecnologia IP posso conter em um cabo os quatro sinais que precisam ser comportados para transmitir um sinal em 4K. A tendência é que no futuro as emissoras migrem para stwitchers baseados em IP que possam ser gerenciados mediantes roteadores”, disse.

SET Norte 2014

Fredy Litowsky da Harmonic, afirmou que em TV somos bem mais conservadores com respeito a virtualização, mas nas áreas de TI neste momento temos mais de 70% do trabalho virtualizado

Para Arruda o problema atual é encontrar o padrão da banda base para a tecnologia 4K, por isso “a Sony trabalha nessa definição para facilitar o trabalho das emissoras”. De fato, ele explicou que o SMPTE padronizou a transmissão dos pacotes com o codec SMPTE 2022. O que fizemos foi “unificar os 10 fabricantes que façam esforços para unir e padronizar as tecnologias tentando publicar no SMPTE uma compressão chamada LLVC (Low -latency vídeo codec) que viabilize a transmissão 4k em uma rede de 10G.
Um compromisso que a Sony assume e que possa ser utilizado e não gere problemas na transmissão em 4K”.

Infra-estrutura de vídeo: Evolução e tendências
A virtualização e a compressão de vídeo podem ser uma opção para o futuro das emissoras de TV que hoje dependentes tanto do hardware disse Fredy Litowsky (Harmonic) para quem as mudanças da engenharia de TV estão mudando a televisão. “Hoje as maquinas se comunicam mediante o protocolo SDI. O que esta mudando é esse protocolo”.
A proposta da Harmonic é que as emissoras de TV caminhem para uma infra-estrutura virtualizada de vídeo que trabalha com quatro camadas físicas, que são importantíssimas para dar suporte a gestão dos recursos da camada física que se avança para as virtual machines onde as aplicações são desenvolvidas no ambiente virtual.
“Em TV somos bem mais conservadores com respeito a virtualização, mas nas áreas de TI neste momento temos mais de 70% do trabalho virtualizado, por isso acreditamos que o futuro das empresas de broadcasting passem por esta transformação para serviços na nuvem, seja ela privada ou pública”, afirma Litowsky.
Para o executivo o futuro passa por uma “integração funcional que inclua no sistema virtualização, compressão que se juntam para rodar os aplicativos necessários para que uma emissora de TV possa funcionar. Tudo isso funcionando dentro de uma infra-estrutura virtualizada de vídeo que integre todos os equipamentos da emissora”.
A estrutura estará “alinhada e integrada”, a partir, de “um grupo de funções designadas para trabalhar mediante a “functional integration”.
Assim, no mundo virtualizado, o ambiente de compressão é mais simples trabalhar em um ambiente de TI do que em um chipset, porque esses chipsets dedicados perderão em relação ao desenvolvimento de software, que é feito de maneira transparente e que pode ser integrado.
Desta forma, a virtualização passa, entre outras coisas, por “blade services” que permitem uma alta capacidade de processamento de vídeo, “mas teremos de esperar um pouco para isso, porque as transmissões não são imediatas, no primeiro momento haverá equipamento que possa conviver com equipamentos conectados por SDI e por IP”.

SET Norte 2014

Para Salustiano Fagundes os serviços de vídeo por Internet são “complementares” ao serviço de TV no mundo

Resumindo, com esta virtualização, o trabalho dos fabricantes, disse o diretor regional da Harmonic Brasil, será trabalhar em software que gerem soluções e plataformas para ser utilizadas pelas emissoras, e os equipamentos das “emissoras deixaram de ser estruturas discretas e proprietárias para ser estruturas integradas e virtualizadas”.
“O hardware é uma questão de indústria, não é de fabricante. A indústria está tendendo para o TI, no futuro não haverá diferenciação entre pessoal de TV e pessoal de TI, por que quando o ambiente virtualizado estiver mais desenvolvido eles se integrarão”, afirmou.

O Espectro de Frequências Satelitais
Romildo Lucas (TELESAT) começou a sua palestra afirmando que “existem mais de 1.000 satélites operacionais (base 2012) e cerca de 50% dedicados às comunicações, com receitas da indústria global de satélites que triplicaram desde 2001 com crescimento médio: 10% ao ano”.
O diretor de vendas no Brasil da Telesat explicou que a empresa é pioneira em banda Ka, “com o lançamento do primeiro satélite em Band Ka do mundo”. Falando da frota que existe no Brasil, afirmou que Anik F1 / Anik G1 trabalham com redes VSAT e Backbone; o Estrela do Sul 2 que trabalha com distribuição regional TV, ensino à distância, e TV Corporativa; e o Telstar 12, utilizado para transmissões internacionais (Europa/Americas), e DTH.
Lucas anunciou no SET Norte que a empresa lançará em 2016 um novo satélite, o Telstar 12 Vantage – 150 W que trabalhará em Banda Ku, e terá reuso de frequência de Banda Ku e Banda Ka utilizando tecnologia HTS (High Througput Satellites) que é a reposição de spot com maior capacidade e potencia de irradiação do satélite a partir de “um gateway instalado na região” que permite o “reuso de frequência com EIRP´s típicas de 50~60dBW, com largura de faixa disponível em Banda Ku de 500 a 750 MHz”.
O Telstar 12 Vantage terá cobertura no Brasil e nas Américas com destaque para as regiões andinas e da América Central com reusos de Banda Ku. O reuso de frequência também poderá ser feito em Banda Ka que terá alta densidade de potência com multiplicação dos spots.
O reuso de frequência, explicou Lucas, “para haver um reuso teremos uma comutação simultânea no satélite que vai transmitir para os diferentes gateways marcados na região”.

Validação de conteúdo em um ambiente de fluxos digitais
A indústria atual caminha para um mundo global onde o mundo broadcast já não é só TV senão que envolve diversas tecnologias para trabalhar em prol do futuro, afirmou Eliésio Silva Junior (Videodata/ Tektronik) quem tentou mostrar a plateia como distribuir e otimizar ferramentas de medidas em plantas digitais. Para ele, hoje é preciso que os profissionais da indústria tenham controle desde a captação e ingest de conteúdos em banda base, passando pelos workflows sem fita, até a chegada ao expectador, “é fundamental garantir a preservação da qualidade em cada etapa do processo”.

SET Norte 2014

Eliésio Silva Junior encantou a plateia do SET Norte com uma excelente explicação das transformações das emissoras para sistemas baseados em redes IP

Para isso, disse ele, “é necessário o uso de ferramentas e métricas adequadas, que permitam a identificação e imediata solução de problemas”.
A apresentação abordou as mais recentes ferramentas de análise de sinais em banda base, as soluções de controle de qualidade de arquivos de mídia e correção de Loudness, e a monitoração de infraestrutura de transporte de vídeo comprimido para contribuição e distribuição de sinais.“
O futuro no mundo broadcast precisa ter como parceiros empresas que trabalhem com uma visão de workflow e de plataformas, já não há uma visão individual, mas sim uma visão macro que vai da criação do conteúdo até a emissão e recepção”.
Assim, duas filosofias de trabalho são fundamentais na indústria atual, estas são segundo Silva, QoS e QoE, além da banda base de vídeo que “é a base da qualidade do vídeo”. Eliésio Silva Júnior explicou aos presentes que o futuro “da indústria passa por estruturas IP, e esse processo já esta sendo desenvolvido, mas temos sempre que pensar que o mundo digital com infra-estruturas broadcast é necessário estar muito atento a possíveis gargalos para os quais é preciso mudar o perfil dos profissionais que trabalham nas emissoras. De fato, todos os engenheiros de broadcast precisam ter conhecimento de TI, ou seja, precisa surgir profissionais que conheçam os dois mundos com conhecimentos do mundo broadcast e de TI”.
E mais, disse Silva, o mundo broadcast e os seus engenheiros que precisam “saber de como trabalhar com estruturas muito condensadas por meio de workflows que sejam gerenciados e verificados com tecnologias dedicadas”.
O executivo afirmou no fim da sua palestra que no futuro as infra-estruturas serão em IP, mas “que haverá um espaço de transição onde haverá um mix de SDI como IP. Precisamos criar um novo profissional de broadcast que possa trabalhar em este novo mundo, um mundo que cada vez é mais digital”.

Sistemas de roteamento avançados e fluxos de sinais baseados em IP

António Rosa (Imagine Communication) mostrou aos presentes as mudanças tecnológicas para IP e como a Imagine se posiciona frente a esta nova tendência. “Acreditamos que a tecnologia de software se tornarão realidade nos próximos tempos, por isso devemos mudar para IP, porque a transição está começando a modificar instalações no mundo todo onde os pontos de convergência dependem das necessidades de workflow” disse Rosa.

SET Norte 2014

Para António Rosa (Imagine Communication) é preciso ampliar os formatos e workflows de produção utilizando a mesma base de infra-estrutura

Para ele, hoje “cada parte da instalação está se movendo para infra-estrutura “COTS (Commercial Off-the-Shelf)”, onde o radiodifusor possa usar equipamentos de diferentes fornecedores diminuindo os custos”.
Assim, frente aos SDW (Software de definição de workflow) a engenharia se torna menos responsável por requerimentos de programação gerando ações mais significativas. “A tendência é migrar para o IP, onde o roteamento será feito totalmente em IP”.
Com esta nova forma de trabalho, é possível “flexibilizar e envolver requerimentos sem re-cabeamento com canais com mercados diferentes sendo exibidos em dias diferentes ou partes do dia. Podemos realizar streaming para as regiões e localidades com custos muito menores. Ainda, ampliar os formatos e workflow de produção utilizando a mesma base de infra-estrutura”, conclui Rosa. Como outros palestrantes, Rosa disse que o SDI continuará existindo nas emissoras, e que a transição será lenta. “O SDI não esta morto, porque ele atende muito bem e está presente em todas as emissoras. O que vai acontecer é que teremos por um tempo nas emissoras estruturas hibridas onde o SDI e o IP conviverão”.

Análises de cobertura de sistemas de transmissão digital
Ramiro Frugoli Franco (IDEAL ANTENAS) realizou uma exaustiva análise de cobertura de sinais. “Precisamos realizar análise de cobertura como um todo, contrastando a polarização utilizada na antena com o público- alvo a ser atingido” começou Franco.
O palestrante explicou os tipos de coberturas e polarizações: sejam horizontais, verticais, circulares e elípticas. “Quando falamos de polarizações circulares ou elípticas, que hoje são utilizadas por antenas de transmissão de FM e TV Digital falamos de transmissões robustas”.
Outro dos temas abordados por Franco foram as antenas e quais são as necessidades na instalação. Ele disse que segundo o lugar e o tipo de onda que deve ser transmitido “se pode escolher o sistema de torre, que tipo de instalação colocar e como. Cada caso e um caso e isso pode-se calcular mediante um estudo de campo”.
Porque, comentou Franco, com “a mesma antena podemos ter diferentes sistema de irradiação. Cada instalação é diferente, por isso as formas de instalação só podem ser definidas após um estudo”.
Assim, Franco afirma que a análise de cobertura depende de polarização circular e elíptica; transmissão de FM e TV Digital; reflexão e multi-percurso e maior variedade de recepção, sendo que de todas a principal é a polarização.

SET Norte 2014

O SET Norte foi transmitido de forma integral por streaming para computadores e dispositivos móveis com sistema operativo iOS ou Android, um esforço da Fundação Rede Amazônica

Para exemplificar que cada “caso é um caso”, Franco mostrou com base em situações reais encontradas ao longo de projetos já concluídos, em implantação ou na fase de planejamento como estes podem dar problemas. “Necessitamos estudar passo a passo cada um dos projetos, e segundo a cobertura utilizar o equipamento correto”, finalizou. Novos meios de contribuição ao vivo A palestra “novos meios de contribuição ao vivo”, de Armando Ishimaru (JVC) mostrou a evolução dos meios de comunicação com o advento da micro-onda, satélite, telefonia móvel e mais recentemente as redes IP que encurtaram as distâncias e o tempo para uma matéria sair ao ar.
“Com isso a pressão sobre a equipe de jornalismo por rapidez é cada vez maior requerendo equipamentos com melhor mobilidade e conectividade”. A palestra mostrou como os chips de celulares permitem a contribuição e por isso, hoje é possível emitir com banda 4G, por isso a JVC desenvolveu uma solução com a mais avançada tecnologia em captação de imagem integrada à tecnologia IP e de telecomunicações em uma câmera compacta de alto rendimento capaz de fazer um streaming ou ftp in loco a qualquer parte do mundo. “Tudo sem nenhum formato proprietário”.
A seguir, o executivo da JVC explicou a diferença dos sensores e como a empresa escolheu sensores CMOS de 1/3” com 12-bit readout com 1920×1080 ( x3) com sensibilidade (F11 com @2000 lux), e uma iluminação mínima de 0.15lux no modo loLux.
Assim, segundo Ishimaru, a tendência é ter câmeras mais leves que permitam facilmente a contribuição ao vivo diretamente de uma camcorder porque afinal, cada dia mais, o que importa e enviar as imagens e permitir que o “jornalismo avance ao vivo”.
De fato, para o executivo em jornalismo o que “prima é a versatilidade e mobilidade. Com as câmeras GY-HM650/ GY-HM850/GY-HM890 temos interface USB para adaptadores Wi-Fi, adaptadores para cabos RJ45 de rede, modens 3G ou 4G LTE. Podemos fazer que a câmera seja um cliente FTP, que seja um servidor web com acesso por qualquer browser com endereço IP, monitoramento e controle de Zoom e gravação, com clip thumbnails preview, edição de metadata e configuração de rede”, entre outras aplicações.
Para o executivo da JVC no Brasil a questão é que o mercado vai por dois caminhos, para dos mundos, para o mundo da qualidade como para a mobilidade. “Hoje abrimos o leque da qualidade e a indústria e conseguimos oferecer patamares diferentes. A tecnologia é muito dinâmica, por isso cada um opta por um espaço, porque existe mercado para todos e consumidores para todos”.

Phelippe Daou: “No Amazonas temos guerreiros que querem honrar o desenvolvimento da região”

O empresário afirmou que os encontros da SET em Manaus colocaram a região no mapa do desenvolvimento da TV no país.

Phelippe Daou, presidente da Fundação Rede Amazónica fez questão de estar na inauguração do SET Norte e deu as boas vindas aos presentes. O empresário de grande trajetória no norte do país disse que “sente e sabe que desde que a SET faz encontros regionais em Manaus, conseguimos integrar a Amazónia ao Brasil, e mostrar que somos pessoas que queremos integrar a radiodifusão da região ao resto do país”.

SET Norte 2014

O empresário Phelippe Daou fez questão de participar do SET Norte por considerá-lo fundamental para o desenvolvimento da radiodifusão no norte do país

“Somos uma empresa que tem compromisso com a região, um compromisso de pioneirismo e de fazer do negócio uma opção, mas pensando nos telespectadores”, por isso disse o empresário, precisamos “dar a prova antes do resultado, não pensamos em resultados, pensamos no bem de todos. Cada dia há uma nomenclatura, estamos vivendo no mundo dos aplicativos, tudo se faz pelo celular e cada dia é mais necessário que a SET informe as novidades para estarmos atentos”.
De fato, afirma Daou, “hoje abrimos o pote do milagre, cada dia tem uma novidade, cada aplicativo de celular é mais moderno e deixa obsoletos os anteriores. Peço a vocês que divulguem que nestes confins do Brasil temos todo o interesse de acompanhar o modernismo, a modificação, as novas inversões para conseguir fazer cada ano uma compensação do abandono que durante muitos anos houve na região”.
“Aqui temos guerreiros que querem honrar o desenvolvimento da região. Nos estamos nos desenvolvendo para amanhã não sermos maiores que o Brasil, mas sim ser uma parte do Brasil que honra o Brasil”, finalizou.
O empresário afirmou que os encontros da SET em Manaus colocaram a região no mapa do desenvolvimento da TV no país.


Desligamento analógico e GINGA

Aguinaldo Silva (SET/TPV Technologies) explicou aos participantes do SET Norte os pormenores do switch-off, discorrendo sobre normas e regulamentação de como será operacionalizado o desligamento da TV analógica. No início da palestra, Silva explicou o que foi feito com a Argentina uma reunião para poder integrar o Ginga.
Segundo o palestrante as reuniões com a Arsat (Empresa Argentina de Soluções Satelitais) permitiram harmonizar as normas entre os dois países dentro do padrão ISDB-Tb e com isso “realizar testes de conformidade para ser testados pela Argentina. Por isso fizemos 66 testes para certificação de set-top boxes em Buenos Aires”. Silva falou sobre o “tratamento de legado com aplicações adaptativas que se adaptem as características e variações de middleware de cada receptor de TV digital.
Essa foi a vitória mais importante que temos. Hoje foram atualizadas as normas de acordo com a ABNT. Assim, no Fórum Internacional ISDB-T é possível que o conselho assessor de SATVD aprove as mudanças e assim estas não fiquem só entre o Brasil e a Argentina, e sim para todos os países que escolheram o padrão nipo-brasileiro de TV digital.” Outro dos temas abordados por Silva foi o switch-off e, nesse tempo, o palestrante fez algumas perguntas a plateia: Qual a dimensão do legado analógico? Como atender a demanda prevista já para 2016? De que forma o acesso a tecnologia poderia ser facilitado para a população no primeiro momento?
Aguinaldo falou sobre o legado analógico e que “ainda hoje temos entre 50 e 53 milhões de aparelhos de TV analógicos e 42 milhões de aparelhos com Ginga embarcado até final do 2015 quando começa o apagão analógico e que independentemente do apagão a industria terá de continuar construindo aparelhos analógicos e digitais para suportar a demanda dos clientes brasileiros”.
O executivo falou sobre interferência e o que a indústria de produção de televisores esta fazendo para chegar ao switch-off em condições. Afirmou que os principais pontos de debate entre os fabricantes de TVs, das emissoras e o governo é saber que TVs vamos fabricar pela realocação de canais; como será feito o rescan periódico nos aparelhos e nas emissoras e ver quais serão as contramedidas para mitigação de interferências no sinal de TV Digital.
Para finalizar a palestra Aguinaldo avançou sobre o problema de seleção de canais sequencial passando por todos os canais lógicos. Assim, a multiprogramação esta com um tratamento diferenciado entre emissoras comerciais e públicas.