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SET faz maior Congresso de sua história

Congresso SET 2009

A Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) realizou entre os dias 25 e 28 de agosto, no Centro de Convenções Imigrantes, em São Paulo, o maior congresso de sua história, que contou com 47 sessões distribuídas em cinco salas, 40 moderadores, 180 palestrantes, e a participação de mais de 1.400 congressistas. Com grande sucesso também foram realizadas a Broadcast & Cable e a FIICAV.
A cerimônia de abertura aconteceu na manhã do dia 26, em mesa composta por diversas personalidades. A presidente da SET, Liliana Nakonechnyj, abriu a solenidade destacando a importância do evento na valorização dos profissionais de engenharia de televisão. Lembrou que além do congresso, a SET tem cumprido uma ampla agenda de seminários, cursos e eventos regionais, sempre com esse objetivo. Liliana lembrou ainda do sucesso das vendas dos conversores para sinal digital no mercado brasileiro com mais de 1,6 milhões de unidades vendidas. “Para o consumidor, há aumento da diversidade e um consequente barateamento”, disse ela, referindo-se à queda de até 50% nos preços que giram em torno hoje em dia de R$ 300,00.
Por fim, Liliana lembrou ser grande o desafio das convergências da mídias domésticas e que esse é um trabalho que deve ser conduzido por todos, referindo-se sobretudo às entidades representadas na cerimônia. Além da presidente da SET, fizeram parte da mesa Daniel Pimentel Slaviero, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert); Cícero Lucena, membro da comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado Federal; Alexandre Annenberg, superintendente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA); Frederico Nogueira, presidente do Conselho Deliberativo do Fórum SBTVD; João Carlos Saad, presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA); Manoel Rangel, superintendente da Agência Nacional do Cinema (Ancine); e Ara Apkar Minassian superintendente de Comunicação de Massa da Anatel, além do vice-presidente da SET, Olímpio José Franco.
O presidente da Ancine, Manoel Rangel, destacou a busca da entidade em criar condições para aprofundar as parcerias, enquanto Annenberg, da ABTA, falou sobre interatividade como a possibilidade de os telespectadores terem uma experiência mais rica em ver TV. João Carlos Saad, falou sobre a importância de o evento da SET ser um fórum apolítico e apartidário. “É um segmento onde todos se entendem”, disse ele, lembrando que a CONFECOM – Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação, confirmada para dezembro, é um excelente momento para que o setor de radiodifusão esteja unido em torno de todos os seus interesses.
O presidente da Abert, Daniel Slaviero, por sua vez, externou sua convicção na força do setor de radiodifusão brasileiro e no avanço das novas tecnologias, lembrando que os conteúdos estarão presentes nos diferentes aparelhos e que o padrão brasileiro de TV digital já avança no continente. Aliás, na seqüência, Frederico Nogueira, do Fórum SBTVD, foi o responsável por confirmar a adesão da Argentina ao padrão nipobrasileiro de TV digital e destacou que o Fórum é incansável na divulgação de produtos brasileiros do setor.
O representante da Anatel, Ara Minassian, afirmou que esse é grande momento da radiodifusão brasileira e que é cada vez maior a responsabilidade do setor perante os consumidores. Último a falar, o senador Cícero Lucena, que representou o presidente da CCT, senador Flecha Ribeiro, disse que a TV digital rompe com o unilateralismo da TV de massa. “O céu é o limite”, acentuou, lembrando que é importante manter o esforço de garantir a exploração comercial das novas tecnologias.

O Congresso SET 2009 teve um dia adicional relativamente às edições anteriores e apresentou um nível ímpar de conteúdo técnico, com profundidade e abrangência não atingidos em outros congressos da área, nem mesmo os congêneres que ocorrem em outros países. Juntou o compartilhamento de experiências com a discussão sobre novos caminhos tecnológicos, aspectos técnicos com aspectos estratégicos e de mercado.

Por exemplo, a TV digital, um dos assuntos âncora do SET 2009, foi amplamente discutida, com depoimentos práticos dos profissionais que já colocaram para funcionar sistemas de produção de alta definição, adaptaram suas plantas exibidoras e colocaram no ar sistemas de transmissão. Os desafios que começam a ser enfrentados agora e a busca por soluções mais eficazes para sua interiorização foram debatidos por emissoras e indústria. Na área de consumo, nova em nosso evento, foi apresentada a evolução dos produtos, que se multiplicam para o benefício do telespectador.

Desde a captação, passando pelo processamento e chegando à distribuição de conteúdo audiovisual, nenhuma etapa da cadeia foi esquecida. As tecnologias de ponta estiveram todas presentes, como por exemplo o 3D. A convergência digital foi tema de debates extremamente atuais. Além da tradicional participação de profissionais das emissoras, produtoras, das operadoras de telecomunicações e da indústria, a contribuição da academia foi marcante, não só por meio do Seminário Acadêmico-Científico, mas por sua participação ao longo de várias sessões e do workshop de Ginga, ministrado por seus criadores.

A presença internacional foi marcante, com participantes da maioria dos países da América do Sul. E, se em 2009 nosso congresso galgou mais um patamar na escala de excelência, isso se deve ao esforço voluntário dos profissionais que se dispuseram a organizá-lo e a atuar como moderadores e palestrantes. É com orgulho que agradeço e parabenizo a todos, em nome da SET.

*Liliana Nakonechnyj é presidente da SET


Nossa indústria passa por grandes transformações e o Congresso da SET em 2009 forneceu aos sócios e participantes respostas consistentes para as muitas questões que afligem os engenheiros da radiodifusão em meio a esse cenário de mudanças e convergência tecnológica. Em 2009, as mudanças introduzidas no programa do congresso permitiram ampliar a abrangência dos conteúdos discutidos como também a profundidade com a qual os assuntos foram tratados.
Grande responsável pelo sucesso foi a proposta da presidência da SET de iniciar o congresso com um dia de antecedência permitindo programar e realizar um número recorde de painéis e palestras, além da inclusão do tracking acadêmico cientifico e a estréia dos tutoriais. De terça a sexta-feira foram 47 painéis e mais de 150 palestrantes cobrindo praticamente todos os principais assuntos de alta relevância estratégica para a nossa indústria. O início do congresso na terça-feira permitiu também que os participantes pudessem programar melhor as palestras que desejavam assistir, pois os “trackings” por assunto foram melhor distribuídos na grade de programação. Ficou melhor também a agenda de visitas aos exibidores durante o período de funcionamento da feira. Outro indicador do sucesso do nosso evento foi a expressiva participação de palestrantes estrangeiros e a presença da delegação latino-americana que cresce a cada ano. Com a adoção do padrão Nipo-Brasileiro de TV digital pelos principais paises da América Latina temos uma grande oportunidade de transformar nosso congresso em um evento internacional. Qualidade não nos falta!
O sucesso da SET e dos nossos eventos depende fundamentalmente da ação voluntária dos sócios e da diretoria, que dedicam parte do tempo trabalhando pelo bem da indústria da radiodifusão. Muito importante também o comprometimento da equipe fixa de colaboradores da SET, que realizou um trabalho excepcional na gestão do evento. Como diretor de Tecnologia e responsável pelo conteúdo técnico do congresso tenho que ressaltar o brilhante trabalho realizado pelos coordenadores e moderadores dos 47 painéis. Aceitar a moderação de um painel no Congresso é uma demonstração de comprometimento com algo muito maior do que nossas empresas e nossos empregos; é um compromisso com o desenvolvimento da indústria como um todo e uma prova de cidadania e caráter solidário. Ser moderador de um painel é também um reconhecimento dos colegas da indústria ao talento e competência de cada um que aceitou esse desafio.
Para o ano que vem temos que persistir com esse processo de melhorias contínuas e os principais desafios são:
– Buscar a internacionalização do Congresso com temas e palestrantes que atraiam a atenção de participantes de toda a América Latina;
– Fechar a grade de programação com a confirmação dos palestrantes com maior antecedência, permitindo uma melhor divulgação do evento;
– Ampliar o intercambio com a universidade fortalecendo o tracking acadêmico cientifico;
– Promover um maior número de tutoriais hands-on com parceiros da indústria e universidades.

*Raymundo é diretor de Tecnologia da SET

A inclusão do seminário Acadêmico Científico no Congresso SET 2009 se mostrou novamente uma decisão amplamente positiva. Foram 16 painéis no último dia do evento que trouxeram inú- meras novidades. A contribuição dos pes- quisadores e profissionais do mundo da TV que compartilharam suas descobertas e seus trabalhos com o público de profis- sionais da TV brasileira é essencial para o desenvolvimento do setor. Ocorreram apresentações em diferentes áreas dentro do mercado de TV, por isso cada congres- sista se mostrou interessado e atingido por diferentes trabalhos. No geral, as contri- buições foram muito boas.
Uma das novidades foram os trabalhos na área de 3D, que apresentaram avanços significativos com experimentos de suces- so das equipes de pesquisadores brasilei- ros. Além disso, profissionais e empresas que atuam no mercado de telecomunica- ções mostraram aplicações de interativi- dade em TV digital, com implementação dos canais de retorno. Outro aspecto rele- vante foi a participação de profissionais de TV por assinatura que exibiram trabalhos nas áreas de DTH e CATV.
Cada apresentação trouxe uma particularidade na descoberta de novas técnicas ou até mesmo na utilização de técnicas já conhecidas, mas que foram aplicadas em outras áreas ou de forma aprimorada. Para 2010, a fim de aumentar mais ainda o interesse dos pesquisadores, podemos fazer as chamadas com maior antecedência, realocar os horários das apresentações ao longo de mais de um dia e alterar o dia das apresentações.

*Carlos é diretor de Ensino da SET


A SET 2009 discutiu temas estratégicos para o setor de radiodifusão brasileiro como a internacionalização do padrão nipo-brasileiro de TV digital – já adotado por cinco países na América do Sul –, os benefícios da mobilidade e da interatividade, as perspectivas da digitalização do rádio – na iminência de definição governamental –, e os desafios da convergência dos meios. Sob a liderança da presidente Liliana Nakonechnyj, a SET reuniu especialistas que lançaram luzes sobre o futuro do setor e abordaram muitas das soluções tecnológicas que teremos à disposição.

Em um período de crise internacional, os setores de audiovisual e de radiodifusão do Brasil mostraram sua vitalidade.

*Daniel Slaviero é presidente Abert


Empresários, tecnólogos, engenheiros, radiodifusores, comunicadores, curiosos… A 21ª edição do Congresso SET 2009 e da feira Broadcast & Cable atrai cada vez mais empresas que lidam com suporte às tecnologias de TV digital e interatividade. O evento trouxe no eixo de suas discussões uma demanda cada vez maior por informação, busca por soluções de modelos de negócios e discussões dos radiodifusores em torno dos desafios da interatividade na TV digital e das novas plataformas que permitem a convergência tecnológica dos meios digitais. Ou seja, percebe-se um aumento da quantidade de pessoas envolvidas com o assunto, que buscam informações e contribuem para a construção do conhecimento nestas áreas. Foi fácil perceber que a demanda de empresas que desenvolvem tecnologia e produtos para a radiodifusão aumentou muito em comparação aos anos anteriores.

Interatividade na SET 2009
A Feira Internacional de Tecnologia em Equipamentos e Serviços para Engenharia de Televisão, Radiodifusão e Telecomunicações do Congresso SET 2009 reservou um espaço direcionado à pesquisa e desenvolvimento em aplicações com interatividade demonstradas pelas empresas produtoras de conteúdos, fabricantes de conversores e universidades. No estande do Fórum SBTVD foram divulgadas as ações desenvolvidas e demonstrações do sinal digital em aparelho de TV em HD e conversores de sinal digital apresentando conteúdos interativos implementados e experimentados por emissoras e empresas produtoras de conteúdos para TV digital. Além da exposição do sinal digital em diferentes plataformas.
Nas experiências com interatividade evidenciadas durante a Feira estava aplicação Caminho das Índias, da Rede Globo, onde o usuário acessa informações sobre a novela, como: capítulos, fotos, resumo de cenas, acesso a produtos usados pelos atores para compra, perfil de personagens e enquete. Este aplicativo foi desenvolvido a partir do suporte da empresa TQTVD à Rede Globo, na codificação nas linguagens NCL e Java, segundo informações de David Britto da TQTVD.

Outra aplicação mostrada foi o Portal de Interatividade do SBT, implementado pela emissora, também sob a consultoria de codificação da TQTVD. A aplicação apresenta recursos como: Notícias, Não Percam, Enquetes e Promoção. A Rede Record, por sua vez, desenvolveu um aplicativo para o reality show A Fazenda, cujos recursos permitem o acesso a informações diárias das ações dos participantes, o perfil de cada participante e enquetes. Todas as aplicações demonstradas foram transmitidas por meio do sinal do ar que as próprias emissoras estavam enviando no momento da Feira. “No estande onde demonstrávamos os aplicativos de cada emissora, estávamos divulgando o nosso produto ‘carro-chefe’ que é o AstroTV, um middleware baseado na norma Ginga”, destaca David Britto, da empresa TQTVD.

A empresa HXD demonstrou duas das principais aplicações que implementou: a Turma da Mônica, parceria com a empresa Maurício de Sousa Produções, onde o usuário tem a oportunidade de acessar recursos que permitem ler o gibi, escutar histórias em quadrinhos e participar de brincadeiras e jogos com os personagens da turma da Mônica, como mostra a foto abaixo.

A segunda aplicação foi desenvolvida pela empresa HXD para a Caixa Econômica Federal e contém funções bancárias, como o acesso à conta, permitindo a movimentação bancária, simulação de empréstimos e informações sobre as agências. O interesse e mobilização no desenvolvimento de conteúdos com interatividade já é uma realidade no mercado de radiodifusão brasileiro e foi um dos aspectos que mais se destacou durante a realização da Feira Internacional de Tecnologia em Equipamentos e Serviços para Engenharia de Televisão, Radiodifusão e Telecomunicações do Congresso SET 2009.
No estande focado em P&D, o Telemídia – Laboratório de Sistemas Multimídia da PUC-Rio – demonstrou as duas maneiras de realizar a integração de dispositivos móveis com receptores de televisão digital para execução de aplicações interativas: a passiva e a ativa. Nas aplicações que utilizam dispositivos passivamente, o código NCL sinaliza que um determinado nó (conteúdo) de mídia deve ser exibido no dispositivo associado ao receptor de televisão (um celular, por exemplo), mas todo o processamento de decodificação da mídia é feito do lado do receptor. O dispositivo fica recebendo apenas a informação já processada e a exibe, por meio de áudio ou vídeo. Uma aplicação que exemplificou o uso dessa funcionalidade foi o “Jogo da Velha”. Nesta aplicação, os usuários conectados com celular recebiam as telas atualizadas da aplicação e podiam visualizar e interagir com o jogo, todos recebendo o mesmo fluxo. Já no caso da versão ativa da interação dos celulares com os receptores Ginga, a aplicação designa uma parte do código para ser executada no dispositivo que deve ter suporte à execução das aplicações Ginga. O celular, neste caso, precisa ter uma implementação do middleware, sendo por isso “ativo”. Neste cenário, cada dispositivo individualmente executa a porção da aplicação que lhe é delegada de maneira independente dos outros dispositivos.

Ainda no estande de P&D, o Lavid – Laboratório de Aplicação de Vídeo Digital da Universidade Federal da Paraíba também demonstrou aplicações Ginga. Foram mostradas aplicações de educação, telejornalismo e jogos com soluções inusitadas de uso da interatividade. Uma das novidades para a aplicação de jogos foi a apresentação de um protótipo de controle remoto com um sensor que capta os movimentos do usuário, com objetivo de facilitar a usabilidade e dinâmica da interação. Uma das aplicações demonstradas se baseou no conceito de vídeo jogos, propondo aspectos que estimulam as disputas dos usuários no contexto de realidade ampliada e simulada. Para isso, foi integrado ao receptor de televisão um controle remoto com sensor acelerômetro, o Sun Spot. A aplicação de telejornalismo mostrou dois recursos interativos, o primeiro foi um quadro para o programa onde pessoas que têm familiares desaparecidos têm a oportunidade de divulgar fotos e informações sobre eles. A segunda aplicação contou com um recurso onde as pessoas enviam mensagens e sugestões para o telejornal. Para a área de educação, foi apresentada uma aplicação desenvolvida no contexto do projeto BEACON (http://www.beacondtt. com), que exploraeducação a distância direcionada aos jovens do ensino médio que estão em processo de preparação para o vestibular.
Mais que uma feira empresarial, a Broadcast & Cable mostrou-se uma excelente possibilidade de as companhias de radiodifusão acompanharem in loco pesquisas de ponta que estão sendo desenvolvidas na academia e abrir portas para a integração entre mercado e universidade. “O momento agora é de se desenvolver novas tecnologias, aproveitando que já existem outras tendências se estabelecendo no mercado, como TV3D, integração com ambientes multimídia e distribuídos”, apontou Carlos Eduardo Batista, doutorando da PUC (Telemídia) e expositor da feira. Os pesquisadores do Lavid (UFPB), em parceria com os pesquisadores do Telemídia (PUC), ofereceram a um grupo de participantes do congresso uma oficina sobre o middleware Ginga. Na oficina, foi apresentada a segunda versão do Open Ginga (Ginga em código aberto) já com a implementação do Java DTV, que democratiza o acesso a tecnologia Ginga-J.

Mural das Discussões
No cenário das discussões propostas durante o Congresso SET 2009, estiveram presentes nos debates as principais temáticas que instigam e inquietam os radiodifusores e pesquisadores que trabalham com TV digital, convergência, interatividade e modelo de negócio. Martin Bonato, da empresa Brasvideo, participou do painel “Jornalismo: Estudo de Casos: Novos workflows”. Em sua fala tratou de novas dinâmicas e mudanças operacionais no trabalho do jornalista com a TV digital. Ele apresentou softwares que podem ser administrados por jornalistas, que permitem decupagem em baixa-resolução, edição em alta resolução e arquivos near-line, que proporcionam um acesso maior e custo baixo; softwares que possuem recursos como Ingest simultâneo de múltiplos canais, gravação simultânea de múltiplos dispositivos, interface gráfica web, controle de matrizes externas e gravação. Tais recursos permitem a visualização direta do computador do jornalista, edição em corte seco e criação, inclusão de metadados, informação de arquivo e publicação em alta resolução.
Rafael Pereira, da Globo.com falou do Omneon Media Gride & Final CUT Pro (near-line), que permite edição em alta resolução, edição de forma colaborativa, segurança total devido à tecnologia de réplica e Content Servers, que fornecem ao cliente a localização do doc original (Content Directors). Enquanto no Easy CUT- Viz RT quanto maior a quantidade do sistema, maior a banda. A edição pode ser feita direta no PC do jornalista, possui um baixo custo por licença, possibilita uma edição de corte seco e efeitos básicos de vídeo, inclusão de voice over direto do PC do nalista, exportação de EDL para Final CUT e adição de metadados. Na estrutura peer to peer (P2P) a intençãoé aproveitar a conectividade dos vizinhos. Para Pereira, os desafios de distribuir vídeos em larga escala envolvem escalabilidade, tolerância às falhas e o consumo de recursos.
Já Reinaldo Fagundes, da Labone System S/A, no painel “Internet: Consumo de vídeos da Internet, tendências e tecnologias” tratou da “experiência satisfatória” do encoding. Segundo ele os codec’s mais utilizados para vídeo web hoje são: Windows Media 9 e VC – 1 On2 vP6/Sorenson e para mobile: L263/3GPP(150 kbps) e H264(150 kbps). De acordo com ele, o H.264 consolidou- se recentemente como opção natural para os meios interativos e existem dezenas de softwares encoders H.264, com diferentes capacidades. Fagundes defendeu que o ambiente social maximiza a experiência de consumo de mídia e citou algumas “métricas internas/ métricas sociais” existentes como: medição da audiência, duração e tempo de exibição. Por meio de “editores”, os administradores conseguem identificar os vídeos mais acessados nas redes sociais.

Tiago Ramazzini, do provedor “Terra, no painel “Convergência: Plataformas Tecnológicas para Broadband TV” deu enfoque aos projetos do grupo, que utilizam o conceito de Redes Sociais, e à parceria com a empresa Samsung. A empresa financia uma proposta do Terra que idealiza uma rede entre pessoas, ferramentas sociais (fotologs, facebooks, videologs) e telas. Ramazzini demonstrou alguns projetos e produtos, como o Portal Terra, que dá espaço ao usuário-repórter e o Terra TV, carro-chefe da empresa, que oferece vídeos e uma plataforma sonora em que onde o usuário pode baixar músicas. Ele ainda citou o Media Boss, que oferece acesso gratuito de conteúdos nas telas de elevador. O Terra é um dos provedores de conteúdo para a TV da Samsung, que pode ser conectada direto à internet. Dentre as principais vantagens do provedor estão: novos widgets, interatividade, conteúdos (últimas notícias e previsão do tempo), interface/navegação fácil e intuitiva o fornecimento gratuito de conteúdos. Ramazzini informou que até dezembro deste ano o Terra concluirá um novo modelo de negócios para o provedor e para o desenvolvimento de audiência dentro dos widgets.
Ainda neste painel, Marcelo Azambuja, da Globo.com, falou da Broadband TV e da importância dos widgets – componentes que podem ser levados de um site para serem colocados em outros espaços, como em uma rede social, por exemplo. Tais links inseridos se tornam janelas abertas para outras ferramentas. “É importante massificar quando tiver alguma aplicação que justifique a interação. Porque talvez o telespectador não queira se dar ao luxo de apertar o botão para saber se existe widget”, alertou Azambuja. Ele lembrou que vivemos numa época de disputa de atenção do usuário (com a sobreposição da utilização das mídias), sendo, por isso, necessário se construir modelos estratégicos para atrair a atenção do público. Ele ressaltou a importância da inclusão de redes sem fio para que a internet possa ser incluída na TV e informou que 98% dos usuários da internet têm Adobe Flash Player instalado em seus PC’s.

Em busca de um modelo de negócio…
No painel “O Futuro da Mídia”, mediado por Roberto Franco (SET/SBT), foram apontados aspectos relevantes na era digital como emergência, convergência, divergência e até submergência de meios. Ele observou que a tendência é obter um mercado fragmentado, de acesso simplificado, seguindo o modelo A3 (anything, anywhere e anytime) e forecasts de novas tecnologias. Franco citou duas pesquisas: uma da Fundação Getúlio Vargas, que indica que o Brasil possui 40 milhões de PC’s, e outra do Ibope Nielsen, constatando que 44,5 milhões de brasileiros têm acesso à internet.
No mesmo painel, Alexandre Annenberg, presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), observou que o “telespectador/usuário/assinante” é quem define os caminhos que serão traçados, “antes era uma massa ‘amorfa’, nós desconhecíamos o telespectador como indivíduo.” Conforme o presidente, a convergência traz a interatividade, o que torna “mais intensa” a relação entre o fornecedor de serviço e o usuário. Mas Annenberg ressaltou que o modelo de convergência precisa seguir novos princípios, como a universalização da banda larga (que acredita ser o instrumento que permitirá o Brasil dar um grande salto). Para ele, a riqueza da convergência deve ser vista através de várias plataformas, não significando que uma vai prevalecer à outra. Ele avaliou que a relação de multiplicidade envolve multiusuários e multiplataformas e, por isso, é importante para obtenção de conteúdos disponíveis.
Ainda nesta mesa de discussão, Antônio Carlos Valente, presidente da TeleBrasil, retratou “A convergência e o futuro da mídia”. Ele informou que a empresa TeleBrasil atualmente possui um investimento de 12,3 bilhões de Euros em P&D, quando a receita anual é de 58 bilhões de euros. Ele divulgou a pesquisa “Geração interativa Ibero-América”, realizada pela Fundação Telefônica em parceria com a Universidade Navarra (Espanha), entre 2007 e 2008 (www.educarede.com.br), para identificar as características que configuram a geração interativa no Brasil e em outros seis países da América Latina. A pesquisa concluiu que no Brasil há maior penetração de acesso à internet em casa, menor penetração de acesso à TV a Cabo, preferência pela TV em comparação a videogames e que a internet é a maior concorrente da TV. Segundo a pesquisa, quase metade dos adolescentes (46%) declararam que assistem TV mais de 2h por dia, durante todos os dias da semana. No Brasil, leia-se São Paulo, porque o recorte da pesquisa foi feito em São Paulo, navegar pela internet supera assistir TV. “A tendência de consumo da mídia coloca o cliente no comando, acessando conteúdo”, ressaltou Valente. Ele informou que as Redes IP de alta capacidade são as mais preparadas para a convergência tecnológica, porém necessitam de grandes investimentos, que têm de ser rentabilizados, tais como: novas fontes de receitas – modelo de distribuição de conteúdos multiplataformas, alianças entre provedores de conteúdos e de serviços, liberdade nos modelos de negócio, estimulando massificação dos serviços, e flexibilidade regulatória.
O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaveiro, observou que 74% da audiência do Brasil estão em canais abertos e que o Broadcast continuará sendo relevante como veículo de comunicação de massa, sendo que será a Internet a plataforma por onde passarão vários serviços. “No futuro da mídia há mais oportunidade do que risco”, assegurou.
Luiz Lara, presidente da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), citou a frase de Henry James, que diz: ‘Quem converge é o consumidor’. Segundo Lara, o consumidor consome cada mídia de forma diferente e ele não compra somente tecnologia, mas entretenimento, produtos, e outros serviços. “Nós somos multimídia e multiantenados. Nós somos atores em cena aberta, porque nós poderemos fazer conteúdos de forma diferenciada”, observou.
Em seu discurso, por sua vez, Walter Vieira Ceneviva, vice-presidente da Band, reforçou que o one seg está em terminais móveis e é um segmento individual totalmente gratuito. Segundo ele, o consumo de TV é crescente tanto em quantidade quanto em tempo, sendo assim, o importante é “assegurar que o Brasil seja um player na produção de conteúdos e determine a distribuição desses conteúdos”.

Interatividade e as Novas Oportunidades
O painel “Interatividade: Aplicações Interativas. Novas Oportunidades”, mediado por Carlos Fini, da SET e TV Globo, mostrou perspectivas e aspectos técnicos da interatividade, convergência de mídias e interação entre dispositivos. Toshihiko Yamakami, da empresa Access, discorreu sobre a integração de dispositivos com o mundo real, a oportunidade de novos negócios e a customização do serviço. Para ele, o usuário quer mais opções e ser mais livre para navegar por cada canal, sendo importante, por isso, a projeção do acesso facilitado. “Um clique fácil que motiva as pessoas de uma forma conveniente, principalmente no Japão, um mercado enorme a ser explorado”, sugeriu. O expositor defendeu uma melhor combinação das tecnologias de interatividade para que todos sejam beneficiados, tanto empresas como telespectadores. O importante, segundo ele, é interagir, seja com “uma máquina que vende Coca-Cola, interagir entre dados, com pessoas” e que cada vez mais surjam novas tecnologias para integração, a ponto de se considerar 100% dos telefones celulares disponíveis em serviços. Para Yamakami, tudo isso gera “oportunidade de novos negócios”, entretanto, ele lembrou que interatividade requer algumas restrições, como segurança e privacidade do usuário final. “O broadcasting digital vai cobrir muitas mídias cruzadas e integradas.”
O engenheiro Salustiano Fagundes, da HXD Interactive TV, em sua exposição, no mesmo painel, ponderou os aspectos técnicos da exibição da interatividade, convergência de mídia e os modelos de uso de interatividade propostos para as emissoras. Segundo ele, novos hábitos de consumo são criados e surge uma geração que consome vários tipos de mídias simultâneas, o que Fagundes denominou de “multivergentes”. Ele apontou para importância de as empresas correrem atrás das tendências do mercado. “O mercado se auto-regula, se não corremos atrás. É momento de agregar novos players para o fortalecimento do ecossistema. Estamos no momento de fazermos experimentos”, assinalou Salustiano.

Para concluir…
O middleware Ginga está consolidado como um padrão brasileiro. Algumas empresas estão anunciando para o fim deste ano ou primeiro semestre do ano que vem o início das vendas de produtos com o middleware Ginga embarcado. Para tanto, falta o fechamento do trabalho de padronização que ainda não foi concluído. Além do fechamento e publicação do texto final da norma Ginga, os especialistas do Fórum também trabalham na definição de testes de conformidade. A definição de testes padronizados é importante para evitar que o consumidor adquira produtos que não implementam as funcionalidades essenciais previstas no padrão. Não basta colocar o produto à disposição do mercado e dizer que o produto é Ginga, ele tem que realmente obedecer ao que está previsto na norma, oferecendo suporte a todas as aplicações desenvolvidas e transmitidas pelos radiodifusores. Mas o que recebe atenção especial nas discussões é o modelo de negócio para TV digital, sendo uma grande preocupação para os radiodifusores, principalmente na questão entre a necessidade de manter a oferta de distribuição de conteúdos na TV aberta e gratuita e o custo de produção de conteúdos com interatividade e, futuramente com a multiprogramação. Busca-se uma equiparação e sustentação dos gastos e ganhos de produção com a publicidade que, no modelo atual, ampara a gratuidade do acesso e os lucros na receita do mercado de radiodifusão.
Durante a feira foi feito o lançamento do livro “Programando em NCL 3.0”, de autoria dos professores Luiz Fernando Gomes Soares e Simone Diniz Junqueira Barbosa, publicado pela Editora Campus-Elsevier. O livro é um documento que serve de base para todos os interessados em aprender a programar usando a linguagem NCL, uma linguagem declarativa nova que faz parte do padrão Ginga. Aqueles que trabalham com o assunto até agora tinham tutoriais, documentos acessíveis por meio de internet e documentos científicos, mas agora têm um livro com uma linguagem mais didática que ajuda bastante no processo de aprendizagem e disseminação desta nova tecnologia.
Segundo o professor Luiz Fernando Soares, o livro fala da linguagem (NCL) que representa a democratização na produção de conteúdos, porque não exige que o desenvolvedor de aplicações seja um especialista. O livro desmistifica o uso da linguagem para a produção de aplicativos para televisão, mostrando que é muito fácil de ser utilizada por não especialistas. A maior vantagem é que o NCL permite o exercício da inclusão digital e social, onde as pessoas, inclusive aquelas de baixa renda, podem desenvolver seu próprio conteúdo. “Você pode desenvolver aplicações sem precisar ser um engenheiro de software, sem precisar ser um grande web designer ou produtor de conteúdo. É uma linguagem declarativa, de alto nível de abstração, bastante acessível. É quase como se você estivesse escrevendo o que deseja de uma apresentação na sua linguagem natural”, salientou o professor Luiz Fernando Soares.
Soares anunciou em sua palestra no congresso que existem recursos específicos para construção de conteúdos colaborativos para que se possa utilizar o NCL em comunidades, quer seja para o desenvolvimento dessas aplicações, quer seja para o consumo dessas aplicações em ambientes distribuídos e de cunho social. “A rede social pode ter abrangência muito pequena que pode ser dentro da própria casa. Os próprios familiares, por exemplo, podem interagir por meio do mesmo programa de TV, sugerir seu sistema de recomendação e até fazer atividades lúdicas em comum. Isso pode ser expandido exatamente para uma comunidade maior que formaria as Redes Sociais. O que a gente vem mostrar nessa feira é que com o uso de múltiplos dispositivos de exibição isso é perfeitamente é viável e o Ginga é o único que provê isso”, declarou o professor.
Revista da SET – ed. 109