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SET Centro Oeste 2014 debateu o futuro da TV brasileira e as iniciativas governamentais no setor

Nº 148 – Jan/Fev 2015

por Fernando Moura em Brasília (DF) © Foto: Fernando Moura

REPORTAGEM

Dezenas de profissionais do setor se reuniram durante dois dias na sede da Anatel em Brasília para debater o futuro do setor, as novas normas e analisar novas tecnologias. Nesta reportagem a Revista da SET brinda um resumo deste importante evento da SET.

De esq. para a dir.: Flávio Resende (AVEC/DF); João Andrade (MiniCom); Emerson Weirich (SET/EBC) e Marconi Maya (Anatel) durante a cerimônia de abertura do SET Centro Oeste 2014

Os SET Regionais são cada vez mais importantes e concorridos. A iniciativa da SET e as suas diretorias regionais realizou 5 Congressos regionais no decorrer de 2014 com uma assistência importante de profissionais do setor e associados da entidade, a presença de representantes do governo e entidades reguladoras do setor e, contou com palestras das principais empresas da área levando as últimas novidades aos diferentes encontros. Realizado no Espaço Cultural da Anatel – SAUS, o SET Regional Centro Oeste, Seminário de Tecnologia de Televisão e Multimídias, Gerenciamento, Produção, Transmissão, Distribuição de Conteúdo Eletrônico Multimídia, Interatividade, Mobilidade debateu os principais tópicos do mercado na Capital Federal.
A cerimônia de abertura da edição 2014 do SET Regional Centro Oeste contou com a presença de João P. Andrade do Ministério das Comunicações; Marconi Maya da Anatel; Flávio Lara Resende, da Associação dos Veículos de Comunicação (AVEC/ DF); e teve a moderação de Emerson Weirich (SET/EBC).
No decorrer do evento, um dos principais palestrantes do Regional realizado em Brasília foi João P. Andrade do Ministério das Comunicações (MiniCom) quem ministrou a palestra “Consulta Pública sobre o regulamento de Loudness” na qual realizou uma analise da situação da Agência abordando temas de interesse como Loudness, Rádio Digital, Acessibilidade, Voz do Brasil, e publicidade em RADCOM (Rádios Comunitárias) e TVs educativas.
Andrade afirmou que é preciso saber: “Qual seria o ponto óptimo de regulação do Loudness, que é oferecer conforto para o usuário?”. Se o enfoque é a qualidade de percepção, o representante do Ministério pensa que “precisamos construir um enfoque que tenha em conta a percepção do usuário assegurando a mínima alteração do áudio na programação”, e nesse sentido ver como “a industria audiovisual pode trabalhar e nos aferir os valores que sejam iguais e assegurem ao usuário o conforto”.
O MiniCom teve “de regular de forma extemporânea o Loudness”, e por isso sabemos que “precisamos melhorar a regulação”, sendo que para isso “realizaremos uma consulta pública que possa vir a mudar a regra de Loudness. Uma regulação saida da conversa com o setor e com os usuários”.
Para ele a regulação atual tem de ser mudada porque não atende aos requisitos necessários “porque atendemos a demanda judicial com a criação da regulação, e agora precisamos atender as necessidades da industria audiovisual e dos usuários.
O que precisamos fazer e resinificar a regulação para que possa ser atendida por todos”.
Outro dos temas abordados por Andrade foi o futuro do Rádio Digital, e nesse sentido, o representante do MiniCom disse que “precisamos avançar no rádio digital com estudos. Para nós, ele tem vantagens por alcance e qualidade o que poderia dar maiores viabilidades de serviço em outras bandas de frequência”.
Sobre a Acessibilidade, se debateu quem deve regular este campo. “para nós no Ministério deveríamos ser nós a regular, sabemos que esta inadequada e precisamos mudar para poder haver uma mudança que haverá espaço para criticar o modelo atual e modifiquemos a regulação para aferir a norma”.
Para mudar a norma de acessibilidade “vamos fazer uma consulta pública que nos leve as mudanças necessárias para o setor”, afirmou Andrade ante uma pergunta da plateia, reforçando que “precisamos ter uma regulação que atenda aos usuários”.
Finalmente, Andrade disse aos presentes que é preciso regular e fiscalizar de melhor maneira as RADCOM e as TVs educativas para “ter uma regulação mais efetiva e eficiente” na inserção de publicidade nestes meios onde não pode ser incluída.

Mais de 200 profissionais participaram do SET Centro Oeste realizado no Espaço Cultural da Anatel em Brasília

TV 2020: O futuro da TV Conectada
Aguinaldo Boquimpani (SET) explicou as principais tendências e o futuro da TV conectada à Internet. Para ele, os maiores desafios passam por definir, entre muitas coisas quais são as tendências atuais da indústria de televisão levando em conta a conexão da TV com a Internet? O que muda na descoberta de conteúdo, navegação e entrega do conteúdo? E é preciso “absorver os novos comportamentos, comportamentos das novas gerações e precisamos entender as novas tendências”, afirmou Boquimpani e assegurou que os usuários hoje entram em diferentes devices ao mesmo tempo, por isso, é preciso integrar a mobilidade, “múltiplas telas integradas.
Para isso precisamos integrar o broadcast e o broadband em um mesmo ambiente”.
Boquimpani disse que os radiodifusores precisam entender os novos pensamentos sobre como a inovação tecnológica podem impactar positivamente a integração entre TV e Internet e assim como integrar a crescente oferta de conteúdo on-line/ on-demand e a expansão das novas telas ao ambiente da TV.
Para ele o futuro esta no “padrão IBB (Integrated Boradband & Broadcast) que esta sendo desenvolvido pela ITU” e que esta sendo estudado pela SET que esta tentando “promover a integração de serviços broadband com broadcast e desta maneira aumentar o potencial de oferta de serviços em relação aos serviços possíveis nos sistemas alternativos.
Ainda mais, porque este padrão pode ser usado em qualquer padrão ou canal de distribuição de TV Digital – terrestre, cabo, satélite ou IPTV”.
O pesquisador da SET mostrou alguns exemplos de implantações de IBB no mundo e quais são as principais características de como o padrão funciona. Boquimpani destacou as aplicações da HbbTV desenvolvidas na Europa e o sistema Freetime que esta sendo utilizado no Reino Unido.
Ainda falou sobre o sistema Hybridcast que se utiliza no Japão, uma versão padronizada pelo Open IPTV Forum Japan que adere aos padrões IBB que trabalha com serviços web que ficam a cargo do provedor de serviços.
Entre os principais exemplos mostrados por Boquimpani estiveram os serviços Hybridcast integrados com VOD e realização de integração com 2º tela desenvolvida pela emissora pública japonesa NHK e já esta sendo utilizado no Japão.

Aguinaldo Boquimpani (SET) fez um balanço da TV atual e os desafios dos radiodifusores para 2020

No Brasil existe “uma versão do ginga utilizada pela EBC no Projeto Brasil 4D é um exemplo de extensão do Ginga aderente ao Padrão IBB da ITU e temos opção de avançar no mundo broadcast” disse o pesquisador que coordena o “Grupo de Estudos SET IBB”.
Para ele o padrão IBB define uma plataforma que pode integrar serviços de radiodifusão com uma variedade de serviços de distribuição de conteúdo e interatividade via broadband”.
Assim, o Ginga-IBB é uma “proposta de plataforma que estende e evolui o Ginga implementando todos os principais cenários requeridos pelo padrão IBB”.

A TV na internet das Coisas
Salustiano Fagundes (SET/HXD) partilhou com os participantes do SET Centro Oeste 2014 as suas reflexões sobre o futuro da TV. Para ele as TVs cada dia estarão mais conectadas, tendo claro que a TV foi um dos últimos devices a ser conectado a internet, mas agora isso esta acontecendo de uma forma “inevitável”.

Lucas Soussumi (ABPITV) afirmou que o Brasil nos próximos anos estará entre os 10 primeiros países do mundo em produção audiovisual

Para Fagundes a produção de TVs continua a crescer, sendo que entre 45 e 80% do portfólio de fabricantes já começaram a perceber o diferencial que agrega valor para os consumidores, para ele, “entre 2016/2017 a produção de SmarTVs representará aproximadamente 100% do portfólio dos fabricantes”.
“Na Copa as Segundas Telas dos principais canais de TV que transmitiram os jogos disponibilizaram aplicativos. As interacções sobre os programas televisivos nas redes sociais têm tido crescimento exponencial”, disse.
Assim, o jogo Brasil x Alemanha foi o jogo mais comentado na historia das redes sociais, sendo que no Facebook teve mais de 200 milhões de comentários. Para o executivo da HXD, “estamos começando a viver na era da Internet das Coisas. Em 2015 mais de 25 bilhões de dispositivos estarão conectados à nuvem, aumentando o poder de processamento e trazendo novas possibilidades de interações entre pessoas e negónegócios.
Áreas como telecomunicações, energia, meio ambiente, logística, segurança entre outras já utilizam os progressos alcançados nos últimos anos com as tecnologias relacionadas a Internet das Coisas – georreferencia, robótica, biometria, big data e nuvem”.
Para ele, “com a televisão cada vez mais conectada, a forma como nos divertimos e nos informamos também vai ser impactada pela criação de novos formatos de aplicações que podem expandir as fronteiras da experiência interativa”.
Para Fagundes quem não “inova vai ter serias dificuldades de continuar sendo líder de mercado. O radiodifusor tem de se preparar para as mudanças. Estamos assistindo ao começo do fim. A TV não vai desaparecer, vai ser resinificada, reformada”, disse.
Fagundes encerrou a sua palestra com um apelo a plateia dizendo que “estamos pensando e fazendo a nova televisão, ainda não sabemos o que será e como, mas temos claro que temos de começar a construi-la agora. Com certeza ela não vai sobreviver se continua na mesma área de conforto, chegou a hora da mudança”.
De todas formas, Fagundes afirma que isso em um país de proporções continentais e com tantas diferenças de rede, sinal, capilaridade, banda larga etc., “as coisas vão acontecendo simultaneamente, aos poucos as diversas partes da sociedade se vão juntando. De uma forma ou outra as tecnologias irão se desenvolver e sabemos que iremos conviver com diferentes acessos durante um tempo”.

StartUps e TV Social
A palestra de André Terra (QUAL CANAL) teve como eixo as mudanças dos negócios e como as pequenas empresas podem ajudar aos radiodifusores.

Salustiano Fagundes (SET/HXD) afirma que é imperativo que as emissoras pensem em uma mudança do seu modelo de negócio

Denominada “TV 2020: Digital, social e multiplaforma – StartUps: o que é? Como funciona? Como elas podem ajudar os broadcasters?”, Terra explicou aos presentes o que é uma StartUp e como elas podem ajudar aos radiodifusores brasileiros. Para Terra é importante que as StartUps possam envolver-se com outras empresas e “estas empresas precisam saber como elas podem melhorar seu negócio”.
“O grande desafio da TV é mudar, e mudar rapidamente. O desafio pelo modelo de negócio faz que seja mais complicado investir e inovar. Por exemplo, nós desistimos de trabalhar com a primeira tela, é triste, mas faz parte do mercado. Estamos apostando na segunda tela. As TVs quase não investiram em interatividade no país, por isso mudamos o foco e passamos a trabalhar com a interatividade na Segunda Tela. A interatividade de TV está no Facebook e o Twitter”, disse.
Ele explicou como é possível fazer o monitoramento de redes sociais.
“Penso que o maior desafio é a própria TV. Enxergamos que a TV não morre, só muda como tem mudado a experiência e como o telespectador se relaciona com ela”.

Antena Digital de Brasília
Flávio Lara Resende da Associação dos Veículos de Comunicação (AVEC/ DF), fez uma apresentação interessante no SET Regional Centro Oeste 2014. Ele explicou como foi realizado o trabalho de instalação da “Antena Digital de Brasília” construída na cidade para que as emissoras tivessem as suas torres de transmissão do sinal digital em um só local. A Antena foi construída com base em um projeto de Óscar Niemeyer.
“O que fizemos foi chegar a um consenso e por isso construímos a antena digital. Inicialmente iríamos comprar um terreno e construir essa torre. Mais tarde descobrimos que comprar não seria possível, porque os terremos eram do TerraCap (Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal) ou tomados. Nesse momento fomos ao governo e conseguimos uma sessão para as emissoras”.
“Formamos um consórcio e pensamos em comprar a antena através da AVEC, mas acabou por ser construída pelo governo”, explicou Resende a plateia e disse que “foi feita com muita demora, e com alguns problemas”.
No fim do percurso, explicou Resende, “nos temos uma única antena na mesma operação com as seis emissoras.
Esta foi comprada na Alemanha e tem sete posições. Esta antena acabou por ser um exemplo para o Brasil, um exemplo de união, mas foi difícil, pois passamos por um processo longo e complicado para trazer o equipamento ao país”.

Felipe Andrade disse aos presentes que o objetivo da AVID é conectar todos as partes do sistema produtivo a partir de uma única plataforma desenvolvida pela companhia

Para Resende, o mais interessante do projeto é a possibilidade de criação de um lugar-comum para todas as emissoras do Distrito Federal mostrando que “a ideia de juntar todo o mundo num mesmo espaço, sem privilegiar ninguém é viável.
Agora as emissoras estão começando a mudar-se para a torre”.
“Quando se tem um projeto de este tipo com empresas tão diferentes e se concretiza, isso mostra que quando o projeto beneficia a todos é possível de realizar. Nos gostaríamos que isso se possa estender a outras localidades e com isso avançar a outras cidades compartilhando equipamento e gerando economia e, não só, sendo mais sustentáveis”.

Conteúdo brasileiro independente em todas as telas
A palestra “Conteúdo brasileiro independente em todas as telas” proferida por Lucas Soussumi (ABPITV) trouxe o lado da produção audiovisual ao Regional Centro Oeste. O integrante da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão, parceira da SET, afirmou que “o audiovisual brasileiro passa por um processo de grandes mudanças econômicas e tecnológicas.
A facilidade de acesso aos serviços de banda larga, TV Paga e o desenvolvimento de tecnologias permitiu que grande parte da população tivesse acesso ao conteúdo brasileiro produzido pelas produtoras independentes”.

Alberto Santana (Ross Video) afirmou aos presentes que o 4K já é a tecnologia consolidada e com muito boas formas de utilização

Para ele, a regulamentação da TV Paga, os investimentos públicos e privados, o desenvolvimento de novas tecnologias e a relação dos canais com as empresas produtoras independentes são fatores e oportunidades que influenciam o crescimento exponencial da presença do conteúdo brasileiro independente em todas as telas.
Ele explicou que o mercado audiovisual está com um “crescimento anual de 9% chegando aos 71 bilhões de dólares ate 2017 colocando o Brasil entre os 10 primeiros países do mundo”, mas “hoje faltam profissionais no setor que possam atuar no mercado”.
Ainda mostrou cases de sucesso no país como o Peixonauta que já foi exibido em 65 países, e afirmou que o maior desafio do setor é afirmar a arquitectura de financiamento do setor.

Mídias digitais nos processos de produção
A palestra de Felipe Andrade (AVID), tentou desvendar a “Evolução das mídias digitais e impactos nos processos de produção e jornalismo”.
Para Andrade é essencial analisar os processos atuais de produção e jornalismo, comparando a necessidade crescente de audiência em novas mídias, exemplificando algumas possíveis soluções de trabalho colaborativo em “cloud” sobre uma plataforma aberta.
O executivo afirma que a tendência do mercado broadcast é a aglutinação de marcas e empresas que levem no futuro a ter menos players concentrando mais produtos e desenvolvendo novas soluções.
Assim, para ele, a base de todo esse processo esta no “gerenciamento dos conteúdos” porque mudou a velocidade e as diferentes dinâmicas da indústria porque “a demanda é por mais conteúdos e mais telas” sendo que a indústria broadcast é muito fragmentada porque “temos centenas de fornecedores de tecnologia, uma situação que deverá mudar no futuro com menos players fornecendo soluções mais completas”.
Andrade disse que o Jornalismo Moderno deve buscar por novas historias em varias frentes de trabalho com um audiência fragmentada entre múltiplas plataformas com menos profissionais, mas os jornalistas “precisam das mesmas ferramentas tanto no estúdio como no campo”.
Uma vez explicado isso, Andrade disse aos presentes que o objetivo é “conectar todos as partes do sistema produtivo a partir da plataforma MediaCentral que pode ajudar a melhorar o funcionamento das emissoras e dar maior versatilidade” aos trabalhos em jornalismo com aplicações para iPhone. De fato, Andrade disse que a “única forma de funcionamento dessa plataforma é que funcione de forma aberta em diferentes sistemas operacionais, possibilitando conexão remota com as ferramentas da Avid”.
Assim, com o MediaCentral podemos ter uma “aplicação customizável via web com interface e Mobile, revisão, busca, edição e logging; edição intuitiva; revisão de cenas ou sequências em campo usando aplicações móveis no iPhone, iPad ou Android”.

Uma nova visão sobre os switcher de produção
Em sua primeira apresentação em um SET Regional, Alberto Santana (ROSS VÍDEO) trouxe a Brasília a visão da empresa na palestra “Plataforma Carbonite, uma nova visão de switcher de produção”. Para ele, hoje os“switchers” são mais do “que uma mesa de mistura, senão uma plataforma de produção.
Isso, segundo o executivo porque é preciso pensar em uma nova perspectiva no conceito de desenho, implementação e operação de switcher de produção.
Hoje “há inovações nos frames, variedades de painéis físicos e virtuais, flexibilidade de configuração e novos recursos. Integração e controle de câmeras robóticas, mesa de áudio, Playout, GC, streaming e NRCS em fluxo MOS, permitindo automação randômica baseada em scripts”.
Santana disse aos presentes que nas emissoras atuais, o que é necessário definir é “quais os recursos que possui cada switcher e com ele ter acesso a diferentes serviços sejam ele qual for”.
“O que temos feito e mudar o mercado e encontrar alternativas diferenciais que agreguem valor ao produto, por isso consideramos o switcher uma plataforma,” porque, a partir dela “podemos desenvolver diversas operações dentro de uma emissora”, disse Santana.
Para o executivo da Ross Video, o que é “preciso é definir em que tipo de emissora será montado o Carbonite e segundo isso, pode ser escolhido o modelo ideal que pode ir desde pequenos estudos a grandes centros de produção e até unidades móveis de produção de todo tipo”.
Santana explicou as funcionalidades dos switchers Carbonite em 4K e como estes sistemas podem ajudar na implantação deste novo formato de vídeo. “Trabalhando em 4K reduzimos o número de entradas, mas garantimos o trabalho em este formato”, afirmou Santana referindo- se a linha de produtos Carbonite da Ross Video.

Para Roberto Silva (Harmonic) o futuro para por infraestruturas virtualizadas de vídeo baseadas em plataformas IP

Workflow e infraestrutura digital
Na palestra “uma sugestão de workflow e infraestrutura digital” ministrada por Roberto Silva (HARMONIC), este reflexionou sobre as infra- estruturas virtualizadas de vídeo que já estão baseadas em plataformas IP.
Silva explicou o conceito de virtualização e suas camadas. A virtualização têm quatro camadas físicas, que são importantes para dar suporte a gestão dos recursos da camada física que se avança para as virtual machines onde as aplicações são desenvolvidas no ambiente virtual.
Para o executivo o futuro para pela virtualização do vídeo assumindo que é preciso ter um software-center com blades servers e virtualização que “compartilhará todos os recursos” porque a virtualização que nos traz a economia de escala do ambiente de TI, a compressão que permite fazer mais com menos e a função de integração, que é trazer as funções sequencias a nosso fluxo de trabalho ao sistema.
Silva explicou que são usados blades servers porque estes reduzem os custos por porta, o número de conexões, espaço e consumo de energia, além de que a infraestrutura de TI oferece um menor custo de manutenção e gerenciamento.

Nilson Fujisawa (Line UP) afirmou no Regional realizado em Brasília que o futuro das emissoras passa por redes de fibra óptica

Para concluir, Silva disse que com a virtualização o desenvolvimento de uma emissora passa entre outras coisas pela instalação de “blade services” que permitem uma alta capacidade de processamento de vídeo.

Fibra óptica: infraestrutura para trafego de sinais
Integrações de equipamentos em unidades móveis ou emissoras através de sistemas de interconexão foram apresentadas por Nilson Fujisawa (Line UP) na palestra: “Adequação da infraestrutura para trafego de sinais via fibra óptica”.
A palestra começou com um vídeo da Reidel, um das marcas distribuídas no Brasil pela LineUP/Comtelsat, mostrando as vantagens do Mediornet que funciona com fibra óptica.
Isso porque a ideia de Fujisawa foi mostrar a plateia as vantagens dos sistemas baseados em fibra óptica permitindo redução de custos; redução de quantidade de cabo; o transporte de múltiplos sinais; o isolamento elétrico; imune a interferência electromagnética e largura de banda maior.
Fujisawa disse que as suas maiores desvantagens são as de um investimento maior a curto prazo (infraestrutura, ferramentais e treinamento); cabo frágil, cuidados especiais de manuseio; e que necessita mais proteção no cabo e conector.
Para ele, escolher fibra óptica ou cabo coaxial, depende do peso da infraestrutura, o custo total do investimento e dependerá da utilização que seja dado a estrutura. Isso porque para o diretor da LineUp é preciso ter em contar as conexões elétricas e as conexões ópticas das emissoras.
Fujisawa recomendou aos presentes que a fibra óptica tem a vantagem de ser agnóstica a utilização, não envelhece e transcenderá as mudanças tecnológicas atuais.

As palestras do SET Centro Oeste realizado em Brasília tiveram plateia quase completa nos seus dois dias de Congresso

Disse, ainda que a segurança será muito maior com sistemas baseados em anéis ópticos que possibilita maior distância entre local das antenas e as emissoras, por exemplo.

Redes de transmissão Digital para Interiorização
A forma de avançar com a implantação da TV Digital nas cidades do interior foi debatido por Glenn Zollotar (Hitachi Kokusai Linear) quem mostrou quais os principais desafios da interiorização da TV Digital. Para ele, o “Brasil vive hoje o desafio de expandir a cobertura da TV digital no interior, e diante deste cenário” é preciso “ter alternativas para os radiodifusores”.
Zollotar apresentou conceitos, possibilidades e soluções tecnológicas compactas que podem viabilizar a implantação de sistemas de distribuição de sinais e a transmissão digital, “para o que denominamos “a Interiorização Digital”.
Ele disse aos presentes que as emissoras querem utilizar a banda satelital já disponibilizada para o sinal MPEG-2 utilizado no analógico, e “esta banda na maioria dos casos é de 6 MHz. A questão é que para conseguir isso teremos que comprimir bastante a taxa do vídeo HD e os custos serão altos”.
E nesse sentido foi mostrada a banda necessária no satélite, uma banda variável segundo a taxa de dados que seja disponibilizada. O executivo da Hitachi Kokusai Linear explicou os custos e as formas de emissão.
Assim, uma das soluções apresentadas por Zollotar foi o BTS comprimido que utiliza banda de 6MHz no satélite, aceitando que “a qualidade do sinal HD estará abaixo dos padrões usados nas transmissões terrestres das geradoras”.

SET Centro Oeste debate as novas normas regulatorias da Anatel para o setor

Outra opção mostrada por Zollotar, seria a distribuição terrestre, sendo que pode ser feita em “SFN com recepção terrestre usamos um GAP FILLER, onde a degradação é praticamente nula, existe uma alta tolerância à realimentação e é um sistema estável com eco até 5dB positivos”.
Ainda, explicou Zollotar, que pode usar-se micro-ondas BTS, onde a transmissão é feita com equipamentos com entradas ASI para TS (188bytes) ou BTS (204bytes), Modulação OFDM. Saída em banda L (1 a 1,5 GHz) e entrada de 10 MHz externo”.
O executivo falou dos sistemas de rádio por IP que permitem uma modulação adaptativa, gerenciamento via IP através de interface WEB e SNMP, com equipamentos com quatro portas Gigabit Ethernet dedicadas para tráfego, duas portas Ethernet dedicadas para gerência, switch layer 2 que trabalha com VLAN e QoS, e limitação de taxa nas portas de tráfego.

Luiz Navarro da Star One acredita que o 4K possa trazer novas linhas de negócio a empresa

As posições dos satélites da Star One no Brasil
Aplicações na área de broadcasting, os novos lançamentos de satélites e as novas tecnologias do setor debatidas em Brasília por Luiz Tadeu Navarro (STAR ONE) quem abordou a cobertura satelital da estatal brasileira, as principais aplicações dos satélites na área de broadcasting, os lançamentos e as novas tecnologias que surgem como promissoras no futuro próximo de um setor que não para de crescer no Brasil.
Um dos principais objetivos da empresa, disse Navarro, é a expansão da empresa para “América Latina” sendo que o foco da empresa está na banda C, com contribuição e distribuição de enlaces de televisão com alta disponibilidade, conexões do tipo “longhaul” para operadoras de telecomunicações; e a banda Ku para uso em DTH e redes VSAT. A banda Ka é utilizada para acessos banda larga e novas aplicações de televisão.
Um das novidades trazidas a Brasília por Navarro foi que o lançamento do Satélite Star One C4 está previsto para o terceiro trimestre de 2014 e que este dispositivo “aumentará a capacidade em Banda Ku, onde opera o DTH da Claro TV, do grupo Embratel”.
O C4 terá uma expectativa de vida útil de 15 anos e terá 48 transponders em Banda Ku esperando-se que seja utilizado para DTH no Brasil.
Outro dos satélites abordados ao pormenor foi o STO – C3 e as suas principais características.
Navarro afirmou que o 4k e o 8K serão grandes propulsores de mercado no país. Para ele, a empresa avançará e crescerá se consegue aquisições de posições orbitais, definição do artefato e cumprimento das metas; contratação do satélite e com capacidade de vendas que permitam financiar o equipamento e com isso possa ser “feito o planejamento da reposição. “No país temos um crescimento vegetativo de afiliadas e emissoras que vão migrando de SD para HD e por isso precisamos de mais capacidade para poder cobrir as expectativas do mercado”.

Eliezer Reis (SNEWS) afirmou que a empresa está prevendo o futuro a curto prazo onde as emissoras farão a convergência de mídia

Porque automatizar as emissoras?
Eliezer Reis (SNEWS) apresentou a palestra “SNews, sistema de Newsroom”. E colocou uma pergunta a plateia: “Porque automatizar?”. Para ele o que interessa é pensar nas pessoas e como elas se adaptam e trabalham com a tecnologia.
Para Reis no mundo atual a TI já não é o mais importante, porque automatizar é simples, o que “deve ser feito é fornecer tecnologia alinhada as pessoas.
Elas devem fazer parte do processo de mudança”.
O executivo afirmou que as empresas têm de trabalhar com quatro conceitos básicos, que tem a ver “com saúde financeira, gestão, pessoas e inovação, e as empresas e os desenvolvedores de tecnologia tem de pensar nas pessoas.”
Para ele “automatizar” é tirar o que há de melhor dos processos e das pessoas. “Antes as emissoras faziam muita coisa manualmente. Mas tarde chegou a impressora e muita coisa mudou. Hoje trabalhamos de forma integrada com uma base de dados que permite o c o m p a r t i l h a – mento dos conhecimentos”.
Reis afirma que o futuro passa pela integração dos processos das emissoras com processos que passam por vários ambientes de trabalho, sendo que a “tecnologia deve adaptar-se as pessoas e não o contrario”.
O “amanhã é um pouco incerto”, afirmou. “Estamos prevendo o futuro a curto prazo onde as emissoras farão a convergência de mídia.
O que precisamos pensar é como desenvolver soluções de híper-conexão”.
De fato, disse Reis, a “produção já poderia ser unificada. Como será o futuro é difícil prever, o que temos claro é que haverá convergência” e “precisamos ver como criar parceiros e automatizar e melhor o mundo do jornalismo e da engenharia”.