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SET 2007 – TV DIGITAL

SET 2007 – TV DIGITAL

Áudio e vídeo: conversão e processamento em tempos de TV digital
Estavam presentes para o painel, onde se discutiu sobre conversão e processamento de áudio e vídeo, representantes de empresas mundialmente reconhecidas pela tecnologia em equipamentos e serviços para engenharia: John Shike, da Snell Willcox; Christian Frenza, da Tandberg; Bruno Fleury, da Scientific Atlanta e Osamu Hashimoto, da NEC Corporation, sendo mediados por Raymundo Barros, da TV Globo.
A grande discussão e também dificuldade para as emissoras com a TV digital é a conversão da imagem Standard Definition para a High Definition. Não que isso possa trazer problemas que impeçam a sua inauguração em 2 de dezembro. Porém a transferência total de SD para HD será gradativa. O ISDB-Tb, baseado no padrão japonês, incorporará inovações tecnológicas criadas no Brasil.
Dentre elas, a aprovada tecnologia H264, que permite codificar e decodificar imagens. O H264, concorrente do MPEG2, permite colocar até oito canais num espaço onde cabia apenas um na TV analógica. Isso prova a viabilidade de uma das principais características da TV digital: maior diversidade de canais. Há 4 formatos de HDTV, mas os mais comuns são 1081i (resolução entrelaçada) e 720p (resolução progressiva). E as resoluções são classificadas em up converter e down converter.
Na TV digital cabem mais canais que na analógica, por causa da alta taxa de compressão, podendo existir mais canais em alta definição. Hoje, a resolução no Brasil é em torno de 500 linhas. Na alta definição, ela será de mil linhas, ou seja, o dobro. Além disto, a imagem poderá ser mais larga (widescreen – proporção 16 X 9) que a atual (proporção 4 X 3), eventualmente com um maior grau de resolução (alta definição) e um som estéreo envolvente (surround).
Colocando ponto a ponto podemos resumir os benefício da TV digital em áudio e vídeo:
• A digitalização dos sinais de áudio e vídeo possibilitará melhor qualidade de imagem, com maior imunidade a ruído e distorção;
• Melhor qualidade de som, com o tratamento do áudio, permite reforçar graves e agudos;
• Melhor aproveitamento do espectro radioelétrico proporcionando assim, maior robustez frente a interferências viabilizando recepção com menores valores de intensidade de campo, maior quantidade de informação transmitida na mesma faixa de freqüência;
• Flexibilidade na manipulação e enriquecimento do tratamento e edição dos sinais;
• Capacidade de transporte conjunto de múltiplos programas com vídeo, diversos áudios, texto e dados.
Colaborou Nicholas Herve – LSI/USP
Avanços em antenas e transmissores
A corrida para a TV digital já começou. Atos governamentais, intensa oferta de produtos combinado com planejamento estratégico das emissoras e trabalhos em curso para a re-adequação da planta de transmissão analógica, a fim de permitir o simulcast, são fortes indicadores de que a cidade de São Paulo irá assistir a inauguração da era digital no país. Com isso, a indústria de antenas de transmissão corre contra o tempo e a concorrência. Nesta palestra, mediada por Dante Conti, cinco empresas puderam expor as suas soluções para o sistema ISDB-Tb. SET 2007 - Tv Digital
Joseph Seccia, representante da Harris, trouxe a Fundação para Modulação Digital com Adaptação Corretiva. José Yugi Ito, da Nec, sugeriu alguns sistemas de transmissores: diagrama de bloco do sistema, transmissão via satélite e SFN transposer. Pela RFS, José Roberto Elias mostrou os sistemas irradiantes digitais, preocupado em atender às necessidades brasileiras e aproximar o consumidor desta nova tecnologia.
Com André Skalina, a Dielectric trouxe o sistema de antenas de multiestação, explicando desde suas funcionalidades básicas, até as melhores áreas de instalação. Skalina apresentou um novo painel UHF banda larga em polarização circular, para aplicação em instalações multiestação em grandes mercados. A polarização vertical irá melhorar a recepção em terminais fixos e em terminais móveis, entretanto irá requerer maior potência de entrada.
Finalmente, Carlos Fructuoso, da Linear, preocupou-se com o desenvolvimento para a implantação da TV digital, detalhando características e topologias de cada especificação para a transmissão do sinal digital. Com apresentação sobre os aprendizados e cuidados necessários para a implantação da TV digital em cada emissora, descreveu procedimentos necessários, detalhando a legislação vigente e apresentando o cronograma de implantação em todo o Brasil. Além disso, apresentou os trabalhos realizados para o estabelecimento das Normas Técnicas Brasileiras e as implantações já realizadas pela indústria brasileira de transmissores, confirmando que a TV digital abre muitas outras e, ainda, desconhecidas oportunidades de negócios em televisão.
Compressão e ergonomia de consoles
Apesar de toda evolução tecnológica voltada para o tratamento e transmissão de imagens, atualmente é o áudio que atrai as atenções, como fator relevante para a digitalização das comunicações.
Para José Cristovan Nascimento, da Unisat, o áudio será o diferencial para a TV digital e a demanda por sistemas de alta fidelidade, com emissões em 5.1 e integração da TV com home theaters, colocará o áudio como um elemento a ser aprimorado nas emissões de TV e rádio digital, deixando seu tradicional posto, no Brasil, de coadjuvante em relação à imagem. Além disso, Cristovan coloca o áudio como “a principal mídia”, levando em consideração que há, na audição, uma percepção aprimorada da realidade que, em consonância com a imagem, enriquece a produção.
Babazadeh Marcel, da Studer, discorreu sobre como construir e operar em consoles mais ergonômicos, que contribuiriam para a melhor produção digital e falou da tecnologia como interface entre a criatividade humana e sua produção, que permite a projeção de idéias numa máquina de fácil manuseio e simbolicamente coerente, para dar fluência às composições e mixagens do usuário, maximizando o trabalho, com funcionalidade, ergonomia, segurança (especialmente no ambiente online), baixo custo, tempo de desenvolvimento e bom aproveitamento da tecnologia disponível.
Configurar um hardware com ergonomia também significa, para Babazadeh, respeitar os conhecimentos prévios do usuário e o que ele espera da nova tecnologia. Assim, mantém-se a funcionalidade e incrementa-se a utilidade. Neste sentido, as visualizações do delay time, left/right, freqüências de áudio, equalização e demais controles de níveis são simbolicamente associados aos códigos de cor comuns e que provocam familiaridade ao operador, como vermelho para filtros de equalização, verde para dinamics, amarelo para o pan e roxo para alarmes (quando algum ajuste atinge seu limite estipulado) e aplicações especiais.
Babazadeh considera, ainda, que não há equipamento ideal, pois sempre existem restrições mecânicas e elétricas, limitações nas dimensões dos grupos digitalizados, necessidade de espaço, devido conectores e custos. No entanto, o esforço valeria a pena diante da menor fadiga mental, durante longos períodos de trabalho, recursos WYSWYH (What You See is What You Heard), maior enfoque no trabalho criativo, maior flexibilidade nos controles e mesmo um fator de divertimento e livre experimentação na descoberta de novas formas de se relacionar com a máquina e produzir conteúdos.
Colaborou Flávio Archangelo – Metodista
Compressão MPEG4 – AAC
SET 2007 - Tv DigitalA escolha de uma adequada técnica de compressão de dados digitais é premissa para um modelo de radiodifusão, seja na configuração das emissões, como na construção de hardwares e softwares. O MPEG4 – AAC ganhou terreno nos últimos anos, sendo adotado pelo SBTVD, DRM, DVB, entre outros. Aproveitando-se deste acontecimento, o painel moderado por Rubens Ortiz, do Grupo Bandeirantes, discutiu os avanços desta tecnologia.
Mathias Bendhull, da Coding Technologies, tratou da caracterização técnica do AAC Plus, um padrão desenvolvido num processo colaborativo com especialistas de várias indústrias e que dispõe de um flexível sistema de licenciamento. Na família dos MPEGs, Mathias destacou a seqüência MPEG2 (Camadas 1, 2, 3/MP3), AAC e Spectra Band Replication (SBR); no MPEG4 as especificações AAC, HVXC, CELP, BSAC e Parametric Stereo. Entre os MPEG4 – AAC há o LC (baixa complexidade) e o HE (alta eficiência, o AAC plus).
Regis Rossi de Faria, da LSI/USP, aplicou as informações sobre o AAC ao SBTVD. Para ele, as vantagens do MPEG4 – AAC estão na boa relação qualidade/compressão, na flexibilidade de perfis, resoluções e taxa de bits, inclusão nas camadas de metadados, maior capacidade de transmissão de serviços, alta faixa dinâmica, seis canais de áudio, discriminação de fontes e baixo nível de ruído.
As formatações consideradas na entrada do codificador PCM de 16 a 20 bits, 32/44.1 ou 48 kHz, seriam: MPEG4 – AAC LC (Low Complexity) menor complexidade na compressão, portanto alta fidelidade; L2 AAC estéreo e L4 AAC multicanal (Hi-Fi); HE1 e HE2 com maiores compressões, porém ainda possibilitando boa qualidade de áudio a 160 kbps.
A legislação brasileira sobre TV digital estipula a exibição do DA (Descrição de Áudio) dos programas e transmissão principal em 2.0 estéreo ou 5.1, com possibilidade de redução. O sistema ainda contemplará canais adicionais (idiomas ou conteúdos de áudio alternativos) e configuração de metadados: serviços, tipos de stream, modo, volume de referência, qualidade de áudio, idioma.
Os avanços do MPEG incluem codificação unificada, tanto para áudio como vídeo, menores delays no AAC e áudio espacial surround orientado a objetos e fontes sonoras. Por outro lado, o MPEG serve como uma “base” para as melhorias, tornando os equipamentos “retrocompatíveis”: Bitstreams são reservados a futuros campos e funcionalidades, na atualização do formato com algum recurso adicional, o receptor apenas codificará esta novidade, mantendo a operação e interpretação dos elementos ao qual foi originalmente concebido.
Colaborou Flávio Archangelo – Metodista  e Alberto Deodato Seda Paduan
Consumo: produtos
Não há dúvidas quanto à infinidade de produtos compatíveis com a nova tecnologia, que serão disponibilizados pelas indústrias, SET2007 - TV digitalcom a proximidade do lançamento nacional da TV digital, em dezembro deste ano. Contudo, o mesmo ainda não se pode falar acerca da acessibilidade desses produtos pelo consumidor.
Basta acompanhar as novidades das empresas mais representativas do setor, como por exemplo, a Toshiba. Peritos na tecnologia em chips (Achips e Dchips), a empresa japonesa promete oferecer ao mercado internacional dispositivos como o TC9040 / TC9041-X, que operam em arquitetura mista com input em TSP, MPEG-2 e com decoder para áudio de DSP/HDMI, voltado a processadores multidigitais. Assim, será possível a integração com recursos já existentes, como os chips H164, e podem facilitar a funcionalidade das set-top boxes (como um modem de transmissão de ADSL, mas responsável pela transmissão digital), por meio de acoplagem entre sistemas. Por enquanto, a meta da Toshiba é trabalhar em modelos que façam essa integração (chip e set-top box). Mas para 2009, o foco será a padronização do emprego de tecnologias em chips, por sua interatividade em aplicativos e software. Nesse sentido, o Brasil deve ser o primeiro beneficiário, uma vez que o país adotou o mesmo sistema que os japoneses para a transmissão de TV digital (ISDB-T). Para os outros mercados, serão necessários ajustes de compatibilidade.
A TV Logic, por sua vez, traz opções em display em CRT, Plasmas e LCD, sendo esta última a tecnologia dominante para a era digital. Já a Samsung, além de monitores e televisores em alta definição e outros equipamentos em HDTV, apresenta set-top box, aparelhos já fabricados com a tecnologia digital embutida e produtos híbridos (como televisores digitais disponíveis em aparelhos de celular etc).
O desafio agora é definir quais serão as estratégias de negócio para o lançamento desses produtos. O problema dessa gama de produtos, por certo, não será a disponibilidade do serviço, mas sim a aquisição e, para encarar esse desafio, as empresas vão ter que avaliar quais produtos vão despontar no mercado, bem como estudar suas relações entre os custos de fabricação e os benefícios de negócio e comercialização. Além disso, ainda terão que enfrentar o vilão dos altos preços de consumo. Portanto, a alternativa em debate, em uma conjuntura como essa, permeia elaborar e adequar às condições de negociação e mercado, analisando formas de subsídios, tornando-os mais acessíveis.
O que o mercado nos aponta, por hora, é a crescente e vertiginosa oferta de produtos apropriados para a tecnologia digital; contudo, a descoberta desse novo mercado e suas características de negócio apenas serão definidas ao longo do processo de gestão e comercialização.
Colaborou Gil Barros – LSI/USP
Como fica a convivência de aspectos 4X3 e 16X9
Às portas da nova era digital, adequar o formato de imagem analógico (SD-4.3) para o digital (HD-16.9) por meio de um processo de conversão de vídeo, tornou-se uma preocupação indispensável para as emissoras e os profissionais da área. E, neste sentido, solucionar problemas como esse exige não apenas infra-estrutura, mas também criatividade.
Neste cenário, Luís Eduardo Leão, SET e TV Alterosa, apresentou o ARC (Aspect Ratio Converter), detalhando o up converter e o down converter, respectivamente definidos para a conversão do aspecto 4:3 para 16:9 e 16:9 para 4:3. Segundo Luís, os formatos possíveis para down converter são: Letter box – definido como sendo duas barras superiores, que reduzem 25% da imagem; Center Crop – que efetua cortes na imagem reduzindo também 25% da imagem; Crop – com Pan Scan horizontal; Full Anamorphic – que distorce a imagem em 25%; Blend 1 – representado pela utilização do formato Letter Box com Crop, eliminando 12,5% da imagem; e Blend 2 – definido como sendo a utilização do Letter Box, Crop e 6% do Anamorphic.
Para up converter, os formatos existentes, segundo Luís, são: Side Panels – definidas como sendo duas barras laterais reduzindo 25% da imagem; Tilt e Pan Scan; Anamorphic; Blend 1 – definido como sendo Side Panel e Crop, formatando a imagem para 14:9; Blend 2 – representado pela utilização de Side Panels, Crop e 7% do Anamorphic, distorcendo a imagem 7%.
Um dos casos de uso relatado por Luís foi a utilização do código AFD (Active Format Descriptor), inserido no MPEG vídeo stream. Para ele, esta seqüência de bits é responsável por transmitir informações sobre o formato e área útil do vídeo, permitindo, assim, que as emissoras, ao invés de utilizarem o sistema de sinalização, utilizem o código AFD para o controle do tempo da mudança de formatos, de maneira mais precisa e transparente para o usuário.
John Shike, da Snell Wilcox, além de descrever outros formatos de vídeo, apresentou as principais preocupações das conversões de aspectos, definidas como sendo a latência de processamento da imagem, redução de ruído e soluções integradas de custo efetivo. Segundo John, um dos grandes problemas é a transformação de vídeo com varredura progressiva para entrelaçada e a solução para este problema é a utilização de filtros.
Além disso, foram apresentados resultados de testes efetuados com os diferentes formatos de vídeo e a definição dos formatos para up converter e down converter, que o SBT irá adotar para as transmissões de TV digital, enfatizando que a emissora irá utilizar o Letter Box e o Crop, respectivamente definidos para conversão 16:9 para 4:3 e 4:3 para 16:9.
Colaborou Rafael Herrero – LSI/USP
Fazendo acontecer
SET 2007 - Tv DigitalPara ilustrar a implantação da TV digital no Brasil, o congresso trouxe três setores da sociedade tecnológica para debater: as emissoras, fabricantes de receptores e o Governo. Coordenada pela representante da SET e TV Globo, Liliana Nakonechnyj, a palestra mostrou normas, prazos, custos e benefícios das transmissões.
Marcada para inaugurar no final deste ano, a nova tecnologia já está em fase experimental em pelo menos três, das cinco emissoras de televisão. Porém, todas estão unidas para orientar o consumidor com os preparativos da chegada desta novidade.
Representando a Linear, Carlos Fructuoso disse que o nosso país está frente a um enorme desafio, dentre os quais estão os locais de instalação de antenas – por conta da grande área territorial brasileira, a dificuldade é muito maior se compararmos com o Japão – colocação de gap fillers, estudo e definição das normas.
Para Fructuoso, a primeira coisa a ser feita é estudar novas tecnologias e aceitar que nem tudo que era plena verdade na era analógica, permanece na digital. “Precisamos abrir a mente para a novidade, com novas oportunidades de negócio”, diz Fructuoso, enquanto explica as inovações do ISDB-Tb, como a interatividade, a transmissão móvel e o simulcast, entre outras.
Em nome da TV Record, José Marcelo Amaral falou sobre o módulo de mercado, do Fórum de TV Digital. Uma das maiores novidades da TV digital é a interatividade que ela traz, o que faz o mercado de aparelhos eletrônicos se tornar ainda mais competitivo. Só que para atenderem as expectativas e atingirem os consumidores, as empresas precisam atender às futuras demandas: cronograma de implantação; pesquisa de mercado; harmonização com as empresas de TV por assinatura e o mercado de TELECOM; e medidas de desoneração.
Pela Samsung, Benjamin Sicsu disse que os primeiros protótipos de receptores já estão em testes, num tempo quase recorde: oito meses após o lançamento do primeiro decreto de implantação da TV digital no país. Com a chegada da TV digital, antes da definição do padrão brasileiro, a indústria se viu dividida por quais tecnologias optar. Hoje, com o padrão ISDB-Tb estabelecido, proporcionou uma maior competitividade, onde a líder de mercado não possui nem 12% da fatia total.
O secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Martins, mostrou a pressa do Governo nesta inclusão digital, sendo incisivo em mostrar que o país vai ter uma tecnologia própria e com incentivo de financiamento, sem ser elitista. Por fim, Roberto Martins confirmou a revisão de ferramentas de direitos autorais no sistema de televisão digital, devido a um mal entendido no seu funcionamento e falou sobre a necessidade de determinação das questões de harmonização da TV digital aberta com as TVs públicas.
Colaborou Laisa Costa – LSI/USP
Infra-estrutura: preparação
Assis Brasil, SET e Videocom, moderou a palestra sobre a preparação da infra-estrutura da TV digital. O que os participantes puderam acompanhar foi a exemplificação de como configurar o novo sistema com robustez e conhecer os parâmetros da instalação. A aplicação dos sistemas existentes, o mercado potencial de equipamentos, a conseqüente prestação de serviços, a geração de uma nova infra-estrutura industrial, os compromissos de isonomia e reciprocidade tecnológica e a expectativa dos usuários brasileiros em relação à TV digital são os pontos-chave da discussão sobre o sistema adotado em nosso país.
SET 2007- Tv DigitalEntre os palestrantes estava João Paulo, com uma amostra de codificação do canal e do modulador ao padrão ISDTV. Antes de o sinal ser enviado ao modulador, este passa por um outro codificador que:
• cuidadosamente adiciona redundância na informação, a fim de que seja possível a correção de possíveis erros, tornando o sistema mais robusto ao ambiente de propagação;
• os parâmetros que determinam o esquema de codificação de erro vêm do meio de propagação tais como: taxas de cruzamento de níveis, tempo de desvanecimento. Estes parâmetros serão vistos com detalhes no módulo de propagação;
• taxa de saída do codificador é de 22.8 Kbps;
• a codificação de canais que transmitem dados é bem mais robusta devido à natureza da mensagem transmitida;
• os canais de controle também apresentam codificação diferente, dando níveis de proteção, dependendo da prioridade da mensagem;
Ronaldo Kascher, que trabalha para a segurança do sistema, com blindagens eletromagnéticas dentro da forma estrutural de instalação de rádio e TV, na Kascher Eng., falou que as técnicas são blindagens de ambientes, para a proteção humana contra campos eletromagnéticos; blindagens de equipamentos, para proteção contra campos externos; e blindagens de cabos, para proteção dos condutores.
Valderez Donzelli, SET e AD&TEC, enfatizou os cuidados com a adesão do sistema digital, com dimensionamentos e parâmetros correlatos. Pela flexibilidade móvel e temporal do sistema digital é preciso perceber as influências das condições ambientais e ruídos urbanos no funcionamento do sistema. Os cenários tecnológicos, a produção para a TV digital, o planejamento para a migração digital, infra-estrutura e serviços para uma rede horizontal, foram outros pontos destacados por Valderez.
Por último, Mario Rotondaro, RF Telavo, analisou as principais diferenças e similaridades entre as duas transmissões. Na transmissão analógica, são utilizadas ondas eletromagnéticas contínuas, análogas aos sinais originais. Já na transmissão digital é utilizada uma corrente de bits, em código binário, ou seja, a mesma linguagem digital dos computadores, dos CDs, dos DVDs e do celular. A tecnologia digital converte tudo em bits, som, voz, ruídos, imagens, fotos, gráficos, textos.
Medidas de incentivo à implantação da TV digital
Com a aproximação do início das transmissões digitais no Brasil, as emissoras sentem a necessidade de investimentos em equipamentos de produção e transmissão de conteúdo, para disponibilizarem o sinal digital com toda a infra-estrutura necessária, sem prejudicarem a estrutura analógica, que permanecerá em funcionamento por mais algum tempo. No entanto, esses investimentos custam caro e, por esse motivo, o painel moderado por José Marcelo Amaral, da SET e TV Record, mostrou opções de financiamentos e linhas de crédito, como formas de incentivo à implantação da TV digital no Brasil.
O Programa de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (PROTVD), do BNDES, foi uma das opções demonstradas, por contribuir para a implementação da TV digital e fortalecer as empresas brasileiras durante o período de transição, através de linhas de financiamento para a indústria e empresas de radiodifusão nacionais. Além disso, o PROTVD viabiliza a participação de empresas brasileiras no fornecimento de equipamentos, promove o desenvolvimento de softwares e a produção audiovisual de conteúdo.
Para produtores independentes foi apresentado o PROCULT (Programa de Apoio à Cadeia Produtiva do Audiovisual), também do BNDES, que permite investimentos em produção, distribuição, exibição e infra-estrutura. Este programa foi desenvolvido tendo em vista a dificuldade que produtores independentes têm para chegar à grade de programação e busca ampliar a produção e aquisição de conteúdo HDTV.
A questão de desoneração de investimentos foi abordada por José Nilvan, da Globo, que informa que a redução de carga tributária nas importações é uma questão muito importante nessa fase de migração de tecnologia, já que será necessário um alto volume de investimentos, para que seja possível implementar todo o sistema de TV digital no país. “Se unirmos os impostos de importação, IPI, ICMS, PIS e Cofins, podemos chegar a uma carga efetiva de 60% do valor do produto, ou seja, é um valor muito alto, que onera o custo final da aquisição dos equipamentos. Essa carga tributária, para o setor de radiodifusão, não gera crédito fiscal, pelo contrário, integra o custo final dos produtos e compromete os investimentos”, explica.
Segundo Nilvan, o setor de radiodifusão conseguiu desoneração de PIS e Cofins, na tributação sobre importações de máquinas e equipamentos sem similar nacional no país e isenção de ICMS, até 31/12/09, para aproximadamente 50 produtos de rádio e televisão. Além disso, houve a concessão de regime ex-tarifário especial para desoneração de transmissões de TV digital em UHF e VHF, até 31/12/08. “A concessão de incentivos fiscais para o setor permitirá que as emissoras produzam conteúdo digital e estimulem a demanda pelos novos receptores, agindo favoravelmente na arrecadação fiscal da União e dos Estados”, constatou.
Já a indústria de recepção, representada por Benjamin Sicsu, da Samsung, reclamou a diminuição de cargas tributárias, pois, segundo ele, para a indústria de recepção ainda não houve incentivos, o que tem aumentado o custo de produção e, conseqüentemente, o preço final dos produtos.
Medidas digitais: técnicas
SET2007-Tv DigitalO profissional da área de radiodifusão dispõe de diversas medidas digitais para a implantação da TV digital. Para tanto, criou-se um painel para abordar, de forma didática, as técnicas existentes no mercado.
Cristiano Akamine, da Universidade Mackenzie, definiu o que é um modulador ISDB-T, falou sobre a versão brasileira ISDB-Tb, que se baseia na norma japonesa ARIB STD-B31 V1.6. Arakime revelou que o número de canais, as máscaras de emissão terrestre e a inclusão de decalagem nos canais, foram as especificações encontradas na norma japonesa que precisariam ser alteradas para a operação do padrão ISDB-T, dentro do aspecto brasileiro. Conforme as alterações efetuadas, o padrão de modulação foi definido como uma variação do padrão japonês e identificado com o acrônimo ISDB-Tb, em função de possuir toda especificação de modulação idêntica, porém com alterações para o espectro brasileiro.
Marco Antônio de Souza Pinto, da Rohde & Schwarz do Brasil, levantou o diagrama de blocos de um transmissor de TV padrão ISDB-Tb e descreveu os componentes críticos na transmissão, como amplificadores e filtros, que provocam distorções não-lineares e lineares, impactando, assim, na área de cobertura de uma emissora. Outros pontos interessantes apresentados pelo palestrante foram os parâmetros de teste de um sistema de transmissão digital de TV, como MER, amplitude e fase, medição das máscaras, diagrama de constelação, potência de entrada e saída e espúrios na faixa de freqüência.
O engenheiro William Sakata, da Agilent Technologies, apresentou o setup de medidas de um transmissor RF com carga de 50 ohms, power metter e analisador de espectro e explicou o maker, como alternativa para sinais de banda estreita; a medida representa a potência da emissora que se espalha além dos 5.7 MHz úteis, podendo interferir em canais adjacentes caso esteja fora dos limites que a norma estabelece; a medida de CCDF (Complementary Cumulative Distribuition Function) efetuada nos filtros e que ajuda a verificar os problemas no espalhamento e espúrios do sinal da emissora; e valor de HPA, que verifica a taxa de erros.
Já Marcio Mathias, da Anritsu Eletrônica, explicou a utilização das medidas BER (Bit Error Rate) e MER (Margin Error Rate), como forma de aplicação na TV digital. Para ele, o parâmetro MER, representado em valor de dB, é definido como a variação dos símbolos dentro do diagrama de constelação. Essa variação é transparente para o usuário e influencia na área de cobertura da emissora que está transmitindo o sinal. Já a medida BER, definida como 2.10^4 antes do bloco Reed Solomon, tem como principal influência o multipercurso, causando problemas na recepção para o usuário.
Para finalizar Mathias, ressaltou que “o mais importante das medições é que ela seja feita em tempo real, e não de uma forma amostrada, pois a amostra indica o que já aconteceu e não o que está ocorrendo no momento”.
Colaborou Rafael Herrero – LSI/USP e Alberto Deodato Seda Paduan
Recepção de sinais: cuidados
Para garantir a qualidade da recepção de sinais em HDTV, itens como componentes, cabos, conectores, posicionamento de antenas, além de processamento e distribuição de sinais de TV digital devem ser considerados.
Neste intuito, foram apresentados testes de transmissão e recepção de sinais digitais de TV, padrão ISDB-T, efetuados na cidade São Paulo, pela Universidade Mackenzie. Para os testes foram transmitidos 12 segmentos para terminais fixos e um segmento para terminais móveis, que resultaram numa base de dados importante para análise em laboratório. Segundo Ricardo Franzen, do Mackenzie, os principais resultados obtidos nos testes em campo foram as degradações do sinal recebido, em função dos inúmeros multipercursos e interferências existentes na cidade, problemas na recepção móvel em locais fechados, grande variação da intensidade do sinal, em função do direcionamento da antena para o transmissor e níveis da potência do campo de 49 dBuV/m, na recepção em set-top box sem multipercurso.
Foram apresentados, também, as condições e problemas na recepção digital, que poderiam acarretar em perda na qualidade da imagem nas casas dos usuários. Os principais problemas na recepção digital citados são os sistemas de distribuição de antena nas casas e domicílios, equipamentos fora das especificações definidas pela norma, problemas em cabos, divisores de freqüência e definição de um método para instalação de antena UHF para recepção de sinal digital de TV.
A partir daí, foram levantadas muitas alternativas, como por exemplo a instalação de painéis digitais UHF, separados dos painéis atuais VHF+UHF já instalados; órgão para certificação de equipamentos importados; utilização de cabos coaxiais RG6 ou RG11 para as novas instalações de antenas; especialização de profissionais para instalação de antenas e cabeamento nas casas dos usuários.
Uma das avaliações apresentadas pelos palestrantes foi um levantamento efetuado em 100 prédios de 5 regiões da cidade de São Paulo, para verificação do sistema de distribuição, instalação das antenas coletivas, cabos e divisores. Os resultados não foram positivos, pois as instalações de má qualidade poderiam prejudicar a recepção de sinal pelo set-top box, o que gerou a conclusão de que deve existir uma normatização e métodos de instalação de antenas, objetivando a melhor qualidade de sinal na TV do usuário.
Colaborou Rafael Herrero – LSI/USP
Produção em multicanal
A crescente oferta de produtos em 5.1 apresenta um desafio ao radiodifusor: Como produzir, mixar e aproveitar os recursos de uma comunicação multicanal? Para Carlos Roncoli, da TV Globo, que coordenou o painel, esta realidade “assusta”, pois houve um descompasso entre a evolução tecnológica da digitalização do áudio (originária da década de 80) com  a realidade do broadcast.
Apesar de filmes e outras mídias já estarem configuradas para 5.1, ainda há espaço para a experimentação e a adaptação. A exemplo dos demais especialistas em áudio que passaram pelo evento, Roncoli foi categórico ao afirmar que “a grande revolução da TV digital será o áudio”, com grande campo de aplicações desde a dramaturgia até os esportes, onde os microfones poderão estar dispostos em diferentes posições do estádio, entre comentaristas e o próprio locutor, trabalhando especialmente com a dimensão sonora do espetáculo.
Na produção haverá maior preocupação com a sincronia dos takes, closes, elementos da imagem em si com os dados sonoros, pois se a imagem não acompanhar e não se correlacionar claramente com o som reproduzido, o telespectador não compreenderá a informação.
Roncoli considera que nem todo conteúdo televisivo deva ser produzido em 5.1, mas que haverá uma demanda ou mesmo exigência do público por áudio de alta qualidade, a partir do momento que a TV digital brasileira, com dispositivos aptos a 5.1 estiverem no mercado, o que exigirá a educação do telespectador, para trabalhar e se habituar com as possibilidades de audição multicanal e diferentes serviços.
José Augusto Mannis, da IA/Unicamp, declarou que, ao contrário do estéreo, onde há níveis sonoros interferentes e conflito entre informação principal e informação de fundo, o 5.1 confere maior inteligibilidade onde a localização não é só de amplitude e fase, mas de situação física do transdutor. A voz, por exemplo, não poderá estar em um único canal, mas sim combinada, provocando sutilezas na audição. Ainda é possível trabalhar, não apenas com dados adicionais, mas também subtrair e trocar de posição informações para obter uma nova experiência sonora.
A temática da distribuição multicanal foi abordada por Miguel Raton, da Roland, que apresentou as tecnologias para difundir o multicanal por redes Ethernet e comparou os diferentes sistemas, levando em consideração as resoluções, latência, número de canais, compatibilidades e suas topologias nos estúdios e gravações ao vivo.
Gabriel Benites, da Shure, tratou da caracterização das ondas eletromagnéticas, dos ruídos e fontes de interferência que impossibilitam a cobertura com microfones sem fio em grandes eventos. Benites avaliou que os emissores devem estar mais distantes entre si, utilizando diferentes receptores, cujas freqüências devem ser previamente calculadas, além de utilizarem antenas a ¼ de distância comutada, com interpretação digital MARCAD, que seleciona qual antena o microfone sem fio é melhor captado, evitando variações do sinal.
Colaborou Flávio Archangelo – Metodista
Produção em HDTV
A produção em HDTV já é o padrão vigente na maior rede brasileira de TV e está em fase de implementação em outras redes no Brasil. Novelas, por exemplo, podem ser produzidas em HDTV e convertidas ao formato SD para transmissão analógica convencional. Quanto à recepção, o aparelho de TV deve ter um módulo que sintoniza e trata os dados digitais. Televisões analógicas podem receber transmissões digitais, através de um set-top box que converte o fluxo digital em sinal analógico. Set-top boxes para TV aberta não estão ainda disponíveis (nem nos Estados Unidos), provavelmente atrasados por questões de proteção e modelos de interação.
Há basicamente três tipos de transmissão de TV digital: satélite, cabo e terrestre. No Brasil, a TV aberta, que é estratégica para o país, tem transmissão terrestre. O sistema a ser adotado no Brasil deve atender a esta característica. A banda de transmissão terrestre no Brasil é de 6MHz, o que permite uma taxa de transmissão de aproximadamente 20 Mbps. A TV digital possibilita uma variedade de combinações de uso da banda de 6 MHz. Nesta banda, usando o padrão de compressão MPEG, é possível a transmissão de vídeo com a qualidade máxima do padrão HDTV, o que equivale a transmitir um único programa.
O avanço da produção tecnológica implica um maior fluxo de trabalho e exploração de novas mídias interativas. Para ilustrar esta transformação no mercado, Tiago Ribeiro, engenheiro de software da Apple, destacou a importância no aceleramento da aproximação do usuário com o conteúdo. “A tecnologia digital dá oportunidade de acessar essas novas mídias, trazendo a TV para dentro dos bolsos dos consumidores”, diz Ribeiro. A preocupação está no armazenamento, tanto de tamanho quanto de segurança.
Porém, não foi pensado que atualmente vivemos numa sociedade em conflito: como se pode atingir o usuário da tecnologia digital, se temos duas gerações simultaneamente – Geração 1.7 x Geração 5.4? A Geração 1.7, com idade média de 55 anos, capaz de assimilar menos de dois canais de interação. Em contrapartida temos a Geração 5.4, classificada como Young People Generation, capaz de assimilar mais de 5 canais. Hoje a TV perdeu seu público e encontra desafios para atraí-lo novamente. Usar a interatividade será o instrumento para tal.
Planejamento e regulamentação
SET2007 - Tv DigitalJayme Carvalho Neto, do Ministério das Comunicações, falou sobre o Grupo Permanente para Estudos Técnicos (GPET), definido pela portaria 450, como parte da Secretaria de Comunicação Eletrônica do Ministério e que tem como objetivo estudar e definir a normatização de novas tecnologias para comunicações eletrônicas. O grupo está trabalhando na revisão das normas para a TV analógica (está 70 % concluída) e na especificação da normatização das emissoras para TV digital (trabalho em estágio inicial).
Alexandre Guilherme Lobão, da Anatel, apresentou o SIGAnatel, ferramenta desenvolvida e disponibilizada gratuitamente pela Anatel – através do site – para análise da viabilidade de um canal. Na tela do aplicativo, o usuário entra com uma série de dados, como localização, canal e outros e o aplicativo calcula a viabilidade de implementar uma estação para emitir sinais, no dado canal, naquela região. No entanto, o usuário deve, antes, fazer um cadastro gratuito no site. O processamento ocorre nos servidores da Anatel. O software é útil para emissoras que desejam instalar uma transmissora em um determinado local.
André Cintra, da ALUC, discutiu o planejamento de canalização de TV digital. O planejamento foi feito considerando cidades com pelo menos uma geradora, ou 100 mil habitantes. O estudo realizado inicialmente em capitais brasileiras, apresentou suas próprias particularidades e dificuldades, de acordo com a localização, relevo, disposição das transmissoras e influência de outras cidades.
A alocação dos canais digitais foi feita para as emissoras e retransmissoras hoje existentes e estas têm um prazo para solicitar ao governo a autorização para o uso do canal alocado. Se isso não for feito no prazo, estas deverão esperar o próximo período de alocação definido pelo governo.
Colaborou Eduardo Carvalho – LSI/USP
SET 2007 - Tv DigitalISDB-Tb: perguntas e respostas
Com o objetivo de esclarecer dúvidas que ainda pairam no ar, quando o assunto é TV digital, o painel interativo moderado por Euzébio Tresse, da SET, reuniu especialistas do módulo técnico do Fórum de TV Digital, que respondem pelas normas técnicas. Temas como certificação de produto, segurança, middleware, acessibilidade, a portaria 1220, referente a portabilidade e estratégias para garantir a transmissão e a recepção de TV digital de qualidade, bem como orientação do comércio e da população para essa nova fase da TV brasileira, foram discutidos pelos engenheiros, que tomaram como compromisso moral o dever de defender a população.
Tresse lembrou que todos os interessados em participar do Fórum, inclusive os não-sócios da SET, poderão participar, bastando apenas querer colaborar com a TV digital. Além disso, afirmou acreditar que a TV digital vai entrar no ar com muito mais robustez que o Pal-M. “O Pal-M cumpriu o seu papel, fez sua parte comercial, a televisão brasileira hoje é um sucesso no mundo, mas ainda tem conceitos que são obscuros, mas na TV digital nós não vamos deixar isso acontecer”, vislumbrou.
Um dos temas que gerou grande debate falou sobre certificação de produto. Segundo os participantes da mesa, a Anatel certifica equipamentos que utilizam rede de telefonia, ou espectro, que são bens públicos e, certamente, irá homologar transmissores, estações e interfaces, como set-top boxes ou televisões, que utilizem a rede pública com um modem, ou hardware GSM. No entanto, se a certificação for para equipamentos receptores sem interface, estes continuarão sem certificação, pois não existe obrigatoriedade.
O Fórum, dentro do módulo de promoção, irá instituir um selo para certificar os televisores que estiverem dentro da norma. Será uma espécie de autocertificação, onde a indústria de recepção assinaria um termo, comprometendo-se a seguir estas regras. Este selo terá valor, a partir do momento que a mídia, através de folhetos e campanhas, passar a explicar as vantagens dos produtos que o contêm, como compatibilidade e funcionalidades implementadas, ou seja, será possível comprar um set-top box de uma marca, para ligar numa TV de outra marca. Esta certificação será voluntária e agregará valor ao produto.
Para aplicações, não existe certificação. O que as emissoras devem fazer é garantir que suas aplicações funcionem quando forem para o ar, o que quer dizer que as funcionalidades das aplicações são de inteira responsabilidade das emissoras. Já o middleware precisa de certificação, mesmo que seja autocertificação, adquirida através de testes de conformidade.
Padrão brasileiro: normas
Para o mediador Paulo Henrique, diretor de engenharia da TV Globo, o Brasil foi corajoso ao adotar, isoladamente, um padrão de TV digital que só estava em funcionamento no Japão e ainda se propor a melhorá-lo. “O Brasil terá a melhor TV digital do mundo, com um pouco da tecnologia japonesa, americana e européia”, completou Paulo Henrique.
Abordando especificações das normas customizadas do sistema de transmissão digital brasileiro, o painel tratou do trabalho do módulo técnico do Fórum Brasileiro de TV Digital – associação que já conta com 85 membros – onde coordenou especificações e as harmonizou com as normas japonesas (ARIB). O Fórum trabalhou com a premissa de especificar apenas o necessário, aproveitando-se do que já estava especificado pelo padrão japonês.
Foram definidas sete frentes de normas, das quais algumas sofreram nenhuma ou pouca alteração em relação à japonesa, como é o caso da modulação e uso do espectro, que tiveram apenas que ser adequados às premissas do decreto que implantou a TV digital no Brasil:
Norma 01 – ocupa-se com a Transmissão ISDB-Tb. Trazendo um conceito de adaptação dos canais digitais dentro da banda já existente;
Norma 02 –  trata da Codificação de Áudio e Vídeo. A N02 escolhe as especificações do serviço a ser prestado, diferenciando os portáteis dos restantes;
Norma 03 – se responsabiliza pela Multiplexação e Informações de Serviços. A multiplexação adere ao padrão japonês ISDB, mas também se preocupou com a nacionalização do sistema de informações;
Norma 04 – debate as obrigatoriedades de Serviços dos Receptores de Tecnologia Digital. A intenção é garantir as funcionalidades essenciais desta era: aderência aos padrões internacionais, inovação às grades internacionais, além de bom desempenho e robustez do sistema;
Norma 05 – traz a Gestão de Direitos e Segurança. Estruturada em três volumes, esta norma prevê a proteção e regras de uso do conteúdo, mais as regras de uso de aplicativos executáveis, o que coíbe qualquer tentativa de pirataria ao SBTVD;
Norma 06 – trata do Middleware. A TV interativa prevê o suporte para facilitar o acesso: com requisitos de suporte a sincronização, ao uso de múltiplos dispositivos, a adaptação ao conteúdo, da apresentação e às aplicações cidadãs (inclusão social);
Norma 07 – Canal de Interatividade da SBTVD. Funcionalidade que permite a troca de informações entre aplicações de TV digital e servidores presentes na rede, admite grande número de soluções tecnológicas, inclusão de novas tecnologias, além de dar ao usuário a liberdade em optar a tecnologia que lhe é mais apropriada.
O que há de diferente
A codificação de áudio e vídeo é inédita no padrão brasileiro, usando o padrão H.264 em diferentes níveis e perfis. Para a transmissão fixa, será usado o H.264 – nos formatos 480i, 480p, 720p e 1080i e na taxas de quadros 25, 30, 50 e 60 Hz. As taxas 25 e 50 Hz foram adotadas apenas para que o padrão possa ser usado em diferentes países, mas no Brasil não serão usadas. Já a compressão de áudio será MPEG-4 AACa 48 kHz.
O que será requisito obrigatório

Para os receptores foram definidos alguns requisitos mínimos e outros opcionais. Será mandatório, por exemplo, suportar o formato de vídeo especificado para o padrão nacional. Mas questões como a possibilidade de upgrade do software ou a existência de controle remoto com suporte a interatividade para os receptores móveis são opcionais.
Na questão segurança foram definidas três normas: uma com encriptação do conteúdo transmitido, que só será adotada caso haja uma legislação específica; outra para interfaces, permitindo que as pessoas assistam ao conteúdo ao vivo com resolução máxima; e outra para ferramentas adicionais, como cartões de segurança, mas que ainda não foram aprovadas.
O canal de retorno poderá se dar por qualquer plataforma existente. Os set-top boxes poderão ter portas de rede, modem, ou ainda Wi-Fi, GPRS, conforme a opção do fabricante.
Ginga

Outra novidade é o middleware Ginga. O middleware nacional será compatível com softwares desenvolvidos para os middlewares dos padrões internacionais, assim como os softwares desenvolvidos para o Ginga também rodarão nos internacionais. A grande diferença é no uso de memória e processamento do sistema brasileiro, muito mais racional que os modelos internacionais.
Os middlewares adotados nos três sistemas internacionais são mais pesados, pois agregaram diferentes linguagens de programação, muitas vezes duplicando funções.
Colaborou Eduardo Carvalho – LSI/USP
Transmissão de TV: multiplex ISDB-T
Frisando a Norma 03 do sistema de TV digital, Carlos Fini mediou a palestra sobre multiplexação, lembrando que o multiplex (MUX) deve estar aderente aos padrões do ISDB, além da nacionalização do sistema de informações. A principal função do MUX é organizar as informações de áudio, vídeo e dados, mapeando todos os sinais e os enviar corretamente aos receptores. Ele possui muitas possibilidades de entrada simultânea de diversos sinais e vários formatos. Além de organizar, ainda gera todas as tabelas necessárias e controla várias funções dos sistemas. Controla e configura o modulador e insere pacotes nulos, para manter o BTS com 32,5 Mbps.
Os três palestrantes trouxeram a idéia de informar a respeito dos diferentes aspectos sob a ótica dos fabricantes japoneses, nacionais e das universidades que participaram dos testes e apoiaram a decisão do padrão brasileiro. Foram convidados Cristiano Akamine (Mackenzie) e Takeshi Fukuhara (NEC), além de Carlos Fructuoso para mostrar o trabalho que a Linear desenvolve nesta área.
Akamine comparou os multiplexers entre o sistema japonês (ISDB-T) e o sistema brasileiro (ISDB-Tb). Num diagrama, mostrou que o sinal digital, ao sair do estúdio, passa primeiro por um sistema de codificação e compressão, segue para o MUX e REMUX e finalmente chega ao transmissor. Passando para as diferenças, trouxe os encoders MPEG-2 e o H.264, o PES (Packetized Elementary Stream) do encoder MPEG-2/H.264; o cabeçalho do PES; o TS (Transport Stream) do PES que é usado para transmissão e armazenamento; do cabeçalho do TS e de suas características.
Na seqüência, Carlos Fructuoso falou sobre o tema “Funcionalidades e Especificidades do Multiplexador ISDB-Tb”. Deu, primeiramente, a ênfase em dizer que o MUX ISDB-Tb é a grande novidade da TV digital, já que traz diversas possibilidades de operações e entradas simultâneas de muitos sinais e vários formatos. Além de “multiplexar” esses sinais, o MUX ISDB-Tb ainda gera todas as tabelas necessárias e controla as várias funções do sistema transmissor, inclusive o modulador. Por outro lado, para funcionar corretamente, o receptor tem que receber informações precisas do modo de operação e essas informações são introduzidas no sinal pelo MUX.
Takeshi Fukuhada fez rápidas descrições do Transport Stream do Multiplexer ISDB-T, sobre os sistemas em geral e das mais importantes funções no design do sistema.
Colaborou Alberto Deodato Seda Paduan
Mobilidade e portabilidade
SET2007 - Tv DigitalEm um mundo globalizado e dinâmico, a convergência de mídias desponta como tendência operacional e comportamental. O que torna tal afluência possível são as inúmeras tecnologias de mobilidade e portabilidade que ainda permitem a prestação de diversos serviços, de modo individual e personalizado.
O Digital Vídeo Broadcast – Handheld (o DVB-H) que funciona à base de protocolo IP/DC, por datacasting, cria camadas de aplicação com os dados de vídeo e áudio e, em seguida, faz um processo de encapsulamento, por meio de multiplexação. Dessa forma, o sistema trabalha com rajadas de dados, que operam de forma sincronizada, até chegar à modulação, na seqüência do entrelaçador, e, de fato, na codificação dos dados. “O resultado é um bom desempenho, qualidade de áudio e vídeo e um tempo razoável de recepção móvel dos dados”, garante Diego Gará Caetano, da TVA.
Já a mobilidade e portabilidade oferecidas pelos japoneses, com o modelo ISDB-T, apresentam uma flexibilidade de disposição do sinal, segundo a largura de banda, alternativa maior aos usuários de multicanal. O dispositivo oferece até serviços de emergência digital, como os avisos de terremotos, aplicado em parceria com emissoras, mesmo em túneis e metrôs. Em pouco tempo, “essa tecnologia vai ser oferecida tanto em televisores, monitores, veículos, celulares e DVD players”, afirma Yoshiki Maruyama, da TV Asahi.
Por fim, a rápida aquisição de canais, maior diversidade de freqüência na recepção móvel, rede de transmissão e prestação de serviço ficou a cargo do MediaFLO. Sua demodulação de canal foi feita para se processar apenas o conteúdo de interesse, o que ganha em tempo de delay e uso da bateria. “Seus sistema foi desenvolvido para ser uma plataforma de informação, entretenimento e prestação de serviços capaz de operar junto com qualquer outro tipo de serviço”, explica José Luciano Vale, da Qualcomm.
E, seja por tais tecnologias ou pelas convergências dos serviços por elas prestados, o que fica no quesito mobilidade e portabilidade está em quanto o Brasil poderá se beneficiar com a importação dessas e de outros dispositivos compatíveis ao sistema ISDB-T, corroborando não apenas para a implantação do sistema digital no país, como promovendo mais ensejo aos usuários brasileiros, por meio de dispositivos mais acessíveis.
Colaborou Gil Barros – LSI/USP