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SET 2007 – RÁDIO DIGITAL

SET 2007RÁDIO DIGITAL

Transmissão digital FM, IP para transporte de áudio
Jay Martin, da Dielectric, tratou da metodologia para implementação do HD Radio em casos bem práticos, especialmente de SET 2007 - Rádio Digitalsistemas irradiantes. Para ele a proximidade de portadoras (analógica e digital) de uma mesma emissora – com informações distintas e mesmo nos canais adjacentes – impôs técnicas não convencionais de combinações. Ao radiodifusor cabe planejar cuidadosamente sua emissão para uma eficiente transferência de sinal, caso contrário, o resultado pode não ser adequado. Se estabelecido um bom isolamento, o uso de antenas separadas pode manter a consistência na cobertura. Para a amplificação e irradiantes comuns, deve-se avaliar as limitações de energia na planta. Foram analisados casos de cross coupling, que causam ondas estacionárias VSWR, antenas FMVeeScreen e métodos de filtragem, seja em simples ou múltiplas freqüências, com Band Pass Filters sintonizáveis através de toda banda. Jay Martin lembra a questão do isolamento: “Isolamento é fundamental para a aplicação bem sucedida da antena. Ela determina o funcionamento do sistema. Dispomos de soluções para cada planta”.
Jaques Sherique, do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), tratou de questões legais sobre o exercício da engenharia na radiodifusão que só pode ser desenvolvido por profissionais reconhecidos pelo Conselho, segundo a Lei 5194. Sherique adverte que a própria empresa de comunicação, independente de sua natureza, deve registrar o setor de engenharia, para conferir autorização e exercer atividades no ramo. Para o próprio Ministério das Comunicações (Portaria 160, de 09 de junho de 1987), a atividade de radiodifusão sonora e de imagens necessita, obrigatoriamente, de um responsável técnico.
Sherique orientou ainda, que os contratos de serviços de engenharia sejam sempre  reconhecidos oficialmente pela ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), que define quem são os responsáveis técnicos e garante um acervo ao profissional, que serve, inclusive, como currículo e tempo de serviço.
Os títulos profissionais também são regulados pelo Conselho Federal. Sherique comenta que devido a recente revisão da resolução 218, há uma nova disposição dos títulos com especialização em processamento de radiodifusão (em sinais, sons, imagens) e rádio comunicação (fixa ou móvel).
Para ele, a estrutura jurídica relacionada aos Conselhos afasta leigos e eventuais irresponsabilidades nas atividades profissionais, bem como mantém um sistema que não recebe contribuição oficial, mas é gerido pela própria classe.
Perspectiva Brasil: onda média
SET 2007 - Rádio DigitalO Brasil dispõe do segundo maior parque de radiodifusão sonora do mundo. São mais de 7.000 emissoras das mais distantes cidades com programações variadas, audiências cativas e diferentes receitas. Todas em algum momento passarão por um processo de digitalização das suas transmissões. Diferente de outros setores das telecomunicações, onde há maior flexibilidade sobre a tecnologia aplicada em uma banda, na radiodifusão há necessidade de padronização. A escolha por um modelo de digitalização, realizada pelo poder público federal, é conjugada a critérios técnicos e preocupações sociais, políticas e econômicas.
Para André Barbosa, da Casa Civil da República, a decisão pelo modelo a ser adotado precisa levar em consideração a dimensão e características da radiodifusão nacional, sua história e estrutura, em contraposição ao modelo europeu de poucas emissoras e redes majoritariamente públicas ou estatais, facilitando a administração e aceitação por modelos como o DAB.
Acácio Costa, da Mix TV, releva a necessidade de uma rápida decisão, avaliando o estágio tecnológico atual ao invés das probabilidades do futuro, observando toda cadeia de produção do setor, tal como a viabilidade de receptores para o consumidor final. Fomentador da aliança para o rádio digital. Acácio comentou sobre os 25 eventos regionais sobre o tema, a carta de responsabilidades mútuas com a iBiquity e trabalho junto a Eletros para viabilizar a produção e distribuição de receptores no Brasil, estimada em três meses logo após a decisão governamental, num universo de 150 milhões de aparelhos.
Jackson Souza, da Telavo, defende o consórcio entre todas indústrias eletrônicas de rádio digital para transferir tecnologia num único centro produtor e gerar maior “agilidade na produção e no licenciamento”. Ele também destacou a necessidade de um mecanismo financeiro que suporte o setor, seja na construção de receptores, como na renovação do parque difusor (grande parcela com transmissores antigos e valvulados).
Roberto Pinto Martins, do Ministério das Comunicações, considera 2007 como o “ano da radiodifusão digital no Brasil”, um período de grandes decisões. Para Martins “o governo não se furtará a dar apoio aos radiodifusores” e será necessário um financiamento mais adequado para acelerar a digitalização, incluindo tanto o setor produtivo como o da importação. Ele também orientou os engenheiros e técnicos para que relatem não só os acertos, mas também os problemas que podem ter ocorrido nos testes de transmissão digital para uma balizada decisão governamental.
Status mundial: indústria de receptores
Ronald Barbosa, da SET/Abert, expôs pontos importantes quanto ao funcionamento do rádio digital no Brasil. Segundo ele, para ser lançada a proposta do rádio digital, assim como na TV, uma lista foi submetida ao Ministério da Indústria e Comércio e ao Ministério da Fazenda, através do Comex, e está aguardando uma posição. “A indústria de receptores, no Brasil, tem apresentado soluções no sentido de viabilizar, nos locais da transmissão, a possibilidade de disponibilização dos receptores num prazo máximo de três meses, a contar pela data de publicação, pelo Governo brasileiro, do padrão do rádio digital”.
Scott Stull, vice-presidente da IBiquity, comentou sobre recentes esforços técnicos para viabilizar receptores mais portáteis. Para ele a concepção do HD flui para um sistema que vai além da qualidade de áudio, incentivando nos testes a emissão do Program Service Data (PSD, semelhante ao RDS) com nomes de canções, artistas, identificações e múltiplas possibilidades para publicidade. Entre os demais recursos a serem explorados estão o Electronic Programm Guide, o Store and Play para futuras audições em interconexão com iPods, o Navigation System, disponibilizando o estado do tráfego para o receptor do carro, serviços por assinatura (acesso condicional) com programas especializados em canais adicionais, ou ainda o Buy Button, com o ouvinte registrando no rádio o desejo de adquirir um conteúdo então transmitido pela estação. Por intermédio de algum intermediador, como o iPod, a informação é transferida do receptor para a Internet, efetivando a compra.
Fernando Monetti, também da IBiquity, considera que o HD Radio afetará a forma de como recebemos o rádio, sendo uma resposta às demais tecnologias que competem com o setor. Sobre a ocupação espectral e interferências mútuas, Monetti exemplificou o caso de Baltimore, onde três emissoras estão muito próximas, em termos de canalização sem interferências mútuas, o mesmo caso das estações WPCG (95,5 MHz), WWIN (95,9 MHz) e WHUR (96,3 MHz). Ao tratar dos estágios finais de emissão, Monetti adverte que os transmissores de AM devem ser lineares para que os excitadores possam trabalhar com HD, além da largura de 40 kHz necessária para êxito da emissão digital. Em FM existem várias combinações (Low Level, Mid Split Level e High Level) e o Spaced Combined Dual Input para trabalhar com diferentes transmissores e antenas em emissão híbrida.
Os textos desta seção tiveram a colaboração de Flávio Archangelo – Metodista