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SET 2007 – IP

SET 2007IP

Soluções de engenharia e serviços adotados no Brasil
No Brasil, a tecnologia IPTV passa por vários testes e por questões de regulamentação e de conteúdo, pois ainda não é uma realidade no país.
Existem conceitos e métodos já estabelecidos para a TV sobre IP, mas muito se questiona quanto à concorrência com a TV digital. Na visão de Renato Cotrim, da Microsoft, haverá uma convivência pacífica. “Vejo como um sistema híbrido, que possui uma caixinha que transmite digital terrestre e pode fazer em IP também. Se quiser ver algo que todo mundo está vendo, isso é possível pelo digital terrestre e se quiser ver algum conteúdo antigo, pode usar o IPTV”, explicou. SET 2007 - IP
Sendo assim, a implementação da TV sobre IP necessita de uma infra-estrutura adequada. De acordo com as empresas representadas neste painel, para garantir a qualidade e disponibilidade de serviço, a rede que suporta os serviços vídeo, voz e dados, tem que evoluir e  transformar. Além disso, a exigência de banda é muito grande, o IPTV deve ser um serviço de altíssima disponibilidade. Há uma necessidade de convergência dos serviços, em não apenas oferecer os serviços isolados, mas sim, oferecê-los de forma conjunta, a partir do conceito de Triple Play, sem esquecer que a plataforma deve garantir níveis de qualidade de serviço e de segurança, fundamentais para o IPTV. Jefferson Nobile, da Alcatel/Lucent, fez uma reflexão deste assunto: “Não basta a rede suportar mecanismos de segurança, a operadora tem que mudar os processos. A rede permite fazer um monitoramento da qualidade de serviço, por usuário e por serviço e existem mecanismos que permitem fazer a monitoração, desde o nó de acesso até o halter de serviço”.
O engenheiro de aplicações, Rodrigo Vicentini, da Agilent, contou duas formas de atuação do IPTV, uma em broadcast, que permite o vídeo on demand, e a outra com a tipologia de unicast, que deve operar em 30 megas e permite, simultaneamente, três canais de TV, garantindo boa performance. Outras funções do IPTV ele define como sendo: oferecer várias câmeras ao mesmo tempo; compras pela TV; customização de bairro por conteúdo de marketing; controle de canais inteligentes; opção de atender ou não a um telefonema; possibilidade de voltar uma imagem perdida de um programa; e o karaokê on demand.

Redes
IP - RedesBart Utterbeeck, gerente geral de vendas da Newtec em São Paulo, abordou o tema “Aumento da eficiência das Redes IP através do GSE, utilizando as modulações VCM e ACM”. Utterbeeck destacou a capacidade do GSE (Generic Stream Encapsulation) de incrementar a eficiência na utilização dos satélites, bem como sua flexibilização. Além disso, descreveu o GSE como “um protocolo para encapsulamento eficiente de pacotes ‘Network layer’, acima de uma camada física genérica”. Ou seja, o GSE não depende da camada física. Ele ainda revelou a tendência em relação à convergência de alguns serviços. “O IP, por meio de um pacote comercial, permite reunir os serviços de voz, dados e vídeo através de uma só conexão, ou distribuição de conteúdos sendo feita através de novos meios, como o vídeo pelo YouTube e o áudio pelo Webcast ou Podcast”, explicou
Já para o diretor da Phase, Carlos Capellão, o tema a ser discutido foi a possível substituição do ASI pelo IP. O representante da Phase explicou sobre os streams MPEG e a conectividade dessa transmissão, através dos formatos tradicionalmente utilizados, como o ASI, PDH/SDH, os circuitos ATM, rádio (terrestre e satélite) e o IP (Ethernet), comentando sobre as qualidades de cada um deles. Indagado pelo mediador Francisco Perrotta, da SET e Star One, sobre como tecnologia IP atuará no sistema, Capellão afirmou que “os sistemas interligados de IP já existem, são correntes e haverá uma rápida migração dos headend para usarem IP internamente. O IP será usado na entrega de conteúdo para o assinante, na interligação entre instalações em IP e a tendência daqui pra frente é que ela seja predominante”.
Marcos Mandarano, da Comsat, evidenciou por meio de quatro exemplos a aplicação de IP em transmissões via satélite. Segundo ele, a Comsat é provedora deste tipo de solução e suas aplicações atuam na área de: Ensino à distância – combinar, através de uma plataforma multiserviço, um software de redes para promover a heterogeneidade e funcionar com servidores ligados ao satélite, comunicando-se com servidores ligados a Internet; Áudio IP via satélite – envio de conteúdos ao vivo ou gravados, e também de audiovisuais no mesmo sistema; Soluções de IPTV – solução diferenciada para acessar a Internet, recebimento de conteúdo, armazenamento, redistribuição, com baixo custo e IPTV na Propaganda Digital – um ponto central representado pela estação satélite, armazena conteúdos audiovisuais previamente e posteriormente distribui este conteúdo para os pontos de exibição, como locais públicos de grande circulação, ou em locais indoor. Essa informação é passada e exibida por meio de um playlist, para que o usuário seja influenciado a adquirir determinado produto.
Colaborou Alberto Deodato Seda Paduan

Brasil: destaque mundial em conteúdo por usuários
SET 2007 - IPO avanço da Internet trouxe consigo grandes mudanças na forma de acesso a conteúdos. Neste sentido, o painel moderado por Antônio Maia abordou o papel do Brasil em relação à contribuição de conteúdo na Internet por usuário. É sabido que esta tendência representa uma ameaça para a TV digital, pois permite o reaproveitamento do conteúdo gerado pela TV para outros meios de distribuição, pela facilidade das pessoas produzirem seus conteúdos e os disponibilizarem.
Outra constatação é a mudança de comportamento dos usuários, pois atualmente o que se observa é o acesso ao conteúdo. Os usuários estão mais criteriosos, querem um conteúdo mais dinâmico, já não aceitam mais conteúdos estáticos. Os usuários buscam alternativas de conteúdo, seja de publicidade ou conteúdos audiovisuais. Esse fenômeno cria uma tendência, onde o  usuário não aceita informações impostas e passa a buscar sua própria informação.
Alex Paulino, da Promon Engenharia, definiu o conceito Web 2.0 relacionado à Internet. Segundo ele, os usuários não usam mais a Internet para busca de informações, mas também contribuem para o conhecimento dela em relação ao conteúdo em termos de acesso e informação. Paulino ainda revela que existe aproximadamente 12 milhões de horas em conteúdo na Internet, sendo que o YouTube representa um pouco mais de 60% de todo o conteúdo audiovisual disponível na Internet e, por ser um gigante, merece respeito e atenção. Com relação à transmissão de conteúdo, Paulino afirma: “Hoje existem três grandes classificações para a transmissão, sendo o peer-to-peer, que é a distribuição do vídeo de usuário a usuário e representa o modelo de oferta normalmente baseado em receita de publicidade; o IPTV, que é um serviço de TV oferecido por operadoras de telefonia, tais como assinatura e vídeo on-demand; o CDN, que é a distribuição do vídeo centralizado via servidor”.
Seguindo nas definições técnicas, Douglas Camargo, consultor da Flash Vídeo Adobe, destacou a tecnologia Flash Vídeo, enfocando no mercado, recursos de conversão de formatos, tipos de transmissão e cálculo de banda. Camargo, fez uma comparação entre o YouTube e o Blinkx (novo no mercado e que permite ao usuário indexar o áudio do filme e o transformar em texto). Finalizando, Camargo reforça a capacidade do Flash em rodar em multiplataformas e afirma, em primeira mão, que a atualização do Flash Palyer 9, deverá ser lançado em novembro deste ano e dará suporte para H.264, para o vídeo e HE-AAC (formato de áudio sucessor do MP3) para o áudio, além do vídeo em tela cheia com aceleração por hardware.
Colaborou Alberto Deodato Seda Paduan
TV na Internet
A vinculação de conteúdo multimídia – vídeo e música – e entretenimento são tendências da Internet. A diminuição dos custos associados, bem como o fenômeno da difusão da Internet, movido pelo barateamento do serviço de banda larga no país, levaram à popularização da mídia na web.
Neste contexto, Alex Paulino, da Promon Engenharia, falou sobre o conceito de CDN (Content Delivery Network), ou Web 2.0, presente em sites como Youtube, Orkut, My Space e Flickr, que denomina uma mudança de paradigma, onde o usuário passa a participar da produção de conteúdo. “O usuário deixa de utilizar a Internet apenas para visualizar e-mail, fazer pesquisas, buscar notícias e a previsão do tempo e começa a gastar muito mais tempo ouvindo rádio, assistindo TV e participando da produção de conteúdos”, explica. Esta mudança de paradigma pode gerar um problema para redes ADSL, porque exige banda igual, ou maior que a disponível para download, para a execução de upload, o que levaria a alterações na infra-estrutura da rede. SET 2007 - IP
Foram abordadas, também, questões de fornecimento de vídeo através de serviços Peer-to-Peer – troca de conteúdo entre usuários na Internet, onde a máquina de cada usuário passa a ser um servidor. O Kazza é um exemplo de serviço de distribuição de conteúdo peer-to-peer lançado na Internet.
Segundo Alex, a tendência mundial revela que o usuário só aceitará o IPTV como ferramenta de entretenimento, se puder personalizar o conteúdo, tendo em vista que o IPTV promoverá serviços com qualidade igual ou superior ao cabo, ou satélite. Além disso, serviços IPTV devem permitir o acréscimo de funcionalidade aos produtos, de acordo com a maturidade e as necessidades do mercado.
Um dos exemplos de TV na Internet no Brasil é a ALL TV, que oferece conteúdo 24 horas e permite ao usuário a possibilidade de interação direta e ao vivo com o apresentador. No exterior, o Joost se destaca por contar com grandes nomes da indústria de radiodifusão, para geração de conteúdo e por atingir mais de 1 milhão de usuários em menos de 1 ano de seu lançamento. Além disso, o Joost armazena conteúdos em canais específicos, o que chamou a atenção de empresas publicitárias, que identificaram a possibilidade de fazer publicidade, para um grupo característico, dentro de cada canal.
A questão da segurança também foi apresentada, no sentido de evitar perdas por publicidade e violação de direitos autorais, devido à infinidade de possibilidades de alteração e cópia de conteúdo pelo usuário. Para resolver esse problema, devem ser pensadas soluções que controlem o acesso ao conteúdo e à publicidade.
Colaborou Moacyr Bezzani Neto – Metodista