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“Se fosse um país, a TV por Assinatura brasileira seria a 13a. nação do mundo”

REPORTAGEM – ABTA 2015

Nº 154 – Set/Out 2015

por Fernando Moura, em São Paulo

 

Em um ano de crise econômica e social, a ABTA 2015 mostrou que as operadoras de TV por Assinatura continuam fortes, mas que o crescimento já não é exponencial. Um dos dados mais significativos do encontro é que 18,4% das residências brasileiras conectadas, o fazem de forma clandestina. Governo brasileiro afirma que o crescimento do setor é de vital importância

Depois de vários anos com um crescimento de quase dois dígitos ao ano no número de novos clientes, o mercado de TV por Assinatura se encontra em um momento de impasse, já que a base de assinantes, que vinha crescendo bem acima da evolução do PIB nos últimos anos, estacionou nos primeiros meses de 2015.
O crescimento do número de assinantes de TV por Assinatura foi de 0,4% no primeiro trimestre de 2015. Comparado ao mesmo período de 2014, o crescimento chega a 6,7%. Em maio de 2015, o setor contava com 19,72 milhões de assinantes, o que significa mais de 63 milhões de telespectadores, “Se fosse um país, a TV por Assinatura no Brasil seria a 13a. nação do mundo,” afirmou.
Oscar Simões, presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura durante a cerimômia de inauguração do evento.

A sessão de abertura, “As políticas setoriais e os desafios atuais” contou com a presença de Manoel Rangel (Ancine), Juca Ferreira (Min. da Cultura), Oscar Simões (ABTA), João Rezende (Anatel) e Luiz Azevedo (MiniCom)

Assim, disse Simões, a receita operacional bruta de TV por Assinatura, considerando mensalidade, adesão, banda larga, serviços On-demand, no primeiro trimestre de 2015, foi de R$ 7,7 bilhões. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, aumentou 8%. Se forem considerados empregos diretos e indiretos gerados pelas operadoras, a força de trabalho cresceu 6,3% no trimestre e 23,5% em relação ao mesmo período de 2014.
Esse crescimento e os registrados nos anos anteriores, fez que desde 2010, a TV paga passou do 6° para o 3° lugar entre os meios de comunicação mais consumidos pelos brasileiros, ultrapassando os jornais, revistas e o rádio, afirma um estudo da Target Group Index.
Simões apresentou, ainda, o cenário deste mercado que depois de dobrar o número de assinantes de 10 milhões para aproximadamente 20 milhões de domicílios entre 2010 e 2014, começou a sentir os efeitos da crise econômica nos últimos meses, sem acréscimo na base de assinantes. No entanto, a TV por Assinatura também é o meio que mais cresce em consumo. Foi o meio que mais cresceu nos últimos 5 anos (CAGR de +13%), ultrapassando o rádio em 2014, número mais que significativos na ótica de Simões.

Oscar Simões afirma que a receita operacional bruta de TV por Assinatura no primeiro trimestre de 2015, foi de R$ 7,7 bilhões

TV pirata
Um dos maiores concorrentes das operadoras de TV no Brasil são as conexões clandestinas, por isso, a ABTA encomendou um estudo a H2R Consultoria, denominado “Pesquisa sobre furto de Sinal. Resultados comparativos 2014-2015,” onde se estabeleceu que dos 22.768.478 domicílios conectados com serviços de TV Paga, 18,4% são clandestinos. De fato, afirmam os responsáveis pelo estudo realizado em 16 cidades, de seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina com 1.750 pessoas entrevistadas, que o furto de sinal alcançou em 2015, 4.553.136 domicílios conectados de forma clandestina, o que representa um aumento de 8,6% com respeito a 2014.
Simôes disse à Revista da SET que com estes dados se confirma que os clandestinos “são a terceira maior operadora de TV paga do país” o que é um problema gravíssimo. “Estamos com um problema de prioridades, lidamos com 64 milhões de brasileiros em mais de 20 milhões de residências e o Estado parece só se preocupar com os nossos problemas, mas não se preocupa com 4.55 milhões de usuários ilegais no país. Esse ponto parece não ter interesse”.

Preços dos pacotes de serviços
Uma nova pesquisa anual da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentada na ABTA 2015, demonstra que os preços dos pacotes básicos continuam abaixo da média mundial. Pelo quarto ano consecutivo, afirma o estudo, o valor da mensalidade básica no Brasil caiu. Desta vez da posição 30ª para a 33ª entre os mercados pesquisados. Enquanto a média mundial para o pacote básico é de US$ 39,89, a média brasileira é de US$ 19,49. No ano passado, o valor médio do pacote básico no Brasil era de US$ 22,34.
O estudo comparou os preços dos pacotes básicos em 49 países, que englobam mais de 75% do PIB mundial. A Fipe utilizou o Índice Big Mac (BMI), publicado pela revista The Economist, que avalia o poder de compra de diversas moedas, de acordo com o custo do mesmo lanche em cada país.
“Os resultados obtidos apontam que tanto o preço por canal no Brasil quanto o preço do pacote básico continuam abaixo da média mundial. Assim, notamos que neste setor em que a tarifa não é regulada, a disciplina imposta pelos mercados às operadoras tem sido suficiente para manter o preço da televisão por assinatura no Brasil alinhado com a realidade internacional” afirma o estudo.
A análise da Fipe afirma, ainda, que com a desvalorização do Real entre 2014 e 2015, o poder de compra das moedas estrangeiras o da moeda doméstica aumentou, implicando em menores custos para os pacotes nacionais quando convertidos em dólares. Entretanto, “devemos observar que a desvalorização do Real encarece os pagamentos aos fornecedores estrangeiros de conteúdo, que são um dos principais componentes de custo das operadoras”.
Nessa situação, o estudo revela que o preço médio do canal pago adicional no Brasil é 272 centavos de dólar (utilizando com base o BMI), o que coloca o Brasil em 32º lugar (de 49 países) no ranking de preço de canais pagos de televisão por assinatura. Este valor encontra-se abaixo do preço médio mundial de canal pago adicional (1,14 dólar).

O olhar do governo
A presença do governo na ABTA 2015 foi destacada, o que marca a importância do setor para o Estado. Durante os três dias de feira e congresso, ficou claro que continua a aposta governamental na geração de conteúdos audiovisuais para garantir as percentagens impostas pela Lei do Audiovisual, e que o aumento dos assinantes das operadoras é importante para o governo federal.

Manoel Rangel afirmou que a economia do audiovisual chegou em 2012 ao do PBI, continuando acima da indústria do turismo, editorial e farmacêutica. “Acreditamos na capacidade de geração de riqueza do setor”

No painel de abertura do evento, “As políticas setoriais e os desafios atuais”, Manoel Rangel, presidente da Ancine, afirmou de forma veemente que “nosso setor enfrentou o desafio de mudar mesmo sabendo que haveria problemas, e construímos um consenso para um novo marco regulatório” que é o que rege o setor neste momento.
Ele disse que o setor está atravessando dificuldades e dando os primeiros sinais de retrocesso, mas isso não problemático para um setor que cresceu como o modelo chinês. Por isso, afirma, “é necessário repensar a melhor estratégia é reduzir custos em um setor que precisa grandes investimentos em fibra óptica”.
O executivo se perguntou se o setor deve rever a estratégias e os planos de investimentos e se acautelar é a melhor escolha, já que desde a sua visão, este é um setor com a pujança que deve enfrentar os desafios e procurar soluções.
Finalmente, Rangel disse que um dos objetivos da Ancine e das operadoras deve passar pelo aumento de assinantes. “Ainda não chegamos a 50% dos brasileiros, nós não devemos contentar-nos com a parcela atual. Não podemos perder-nos no meio do nevoeiro. A Ancine continuará trabalhando em sinergias para que o mercado de TV por assinatura continue a crescer no país”.
O presidente da Anatel, João Rezende subiu o patamar. “Acreditamos que todos os conflitos são positivos para o crescimento do serviço de TV Paga no Brasil. O desejo de todos nós é um Brasil com 70% de residências com TV paga”.
Rezende disse que a Agência Nacional de Telecomunicações trabalha sempre com a iniciativa de incentivar a competição, e que neste momento, o mercado, embora, tenha sinais de estagnação, é um mercado inovador que saberá avançar e encontrar soluções.

O Ministro da Cultura, Juca Ferreira afirmou que o Governo deve ter uma política pública que aponte para um audiovisual mais forte

Luiz Azevedo, secretário executivo do Ministério das Comunicações (MiniCom) afirmou que este momento de estagnação é “um pit stop, voltaremos a crescer a partir do próximo ano. Com a lei do Audiovisual criamos as possibilidades de crescimento, agora precisamos articular as condições para consolidar as produções locais, regionais e nacionais”.
Referindo-se a um pedido antigo da ABTA, que tem a ver com a falta de isonomia, um desafio que segundo explicou Oscar Simões, passa pela concorrência assimétrica com novos meios de distribuição de vídeos, os chamados OTT (Over-The-Top). Azevedo disse que o governo caminha para encontrar uma solução. “Tenho certeza que precisamos encontrar o equilíbrio que faça que a TV paga e a OTT paguem o mesmo, sejam isonômicas”.
Juca Ferreira, ministro da Cultura afirmou que a indústria e o governo 2015brasileiro devem concentrar os seus esforços em 4 desafios estratégicos. “Primeiro vencer o gargalo da exibição. O segundo é seguir trabalhando na aprovação da diversidade e produção de conteúdo independente, e regular os serviços de VOD (Vídeo por demanda) e OTT. O terceiro desafio é o tratamento dos direitos autorais, e finalmente, fortalecer institucionalmente desde o Estado o setor com maiores condições para a Ancine e Secretaria do Audiovisual, além de uma maior integração com Estados e municípios dialogando para atingir bons resultados”.
Assim, afirmou o Ministro, é preciso dar a SAV e a Ancine as condições de serem eficientes e eficazes no exercício de suas atribuições, garantindo que os órgãos estatais possam regular e fomentar os serviços audiovisuais com as melhores condições para os cidadãos e com a menor burocracia possível para as empresas.
Ferreira, ainda, disse que o audiovisual brasileiro já tem uma das políticas setoriais mais robustas do mundo. “É preciso reconhecer também que o fortalecimento do papel do Estado como regulador e fomentador, quando feito de forma equilibrada – como é o caso do serviço de acesso condicionado –, tem efeitos altamente positivos, proporcionando um círculo virtuoso de desenvolvimento em parceria com o setor privado, garantindo que o principal beneficiado seja o cidadão brasileiro”.

CEOs de América Móvil Brasil, AMX Brasil e Oi participaram de uma das sessões mais concorridas da ABTA 2015 que se realizou em São Paulo

O olhar dos CEOs das operadoras
Uma das sessões mais esperadas da ABTA 2015 foi “O presente e o Futuro da TV paga” onde alguns CEOs das principais operadoras brasileiras debateram sobre como a indústria brasileira de TV por assinatura e banda larga entraram em um novo ciclo, onde o planejamento, a viabilidade e a análise de oportunidades de investimento enfrentam um cenário econômico e regulatório mais desafiador.
Nesse marco, o presidente da América Móvil Brasil, José Félix, afirmou que a crise do setor é passageira e a empresa enxerga nela oportunidades para crescer. “O desafio é continuar crescendo acreditando que sempre temos mais para fazer. Estamos ignorando o cenário econômico atual. Estamos aprendendo nos momentos de dificuldade”.

O número de canais pagos em HD saltou de oito em 2010 para 73 em 2014. E o tempo dedicado pelos brasileiros à TV por Assinatura também aumentou 50% em quatro anos: de 2:11 horas em 2010 para 3:07 horas em 2014

O executivo afirmou que com a fusão da empresa a estratégia de operadora ficou mais clara, “as pessoas frequentemente me questionavam qual era o papel da Net e da Claro, hoje o papel está mais claro, é uma mudança importante porque todo a força de vendas, a comunicação interna flui mais fácil”.
Ele ainda disse que com a fusão “entraremos em outros nichos de mercados, agora prepararemos a Claro TV para que ela concorra com outros mercados com novidades muito importantes e assim consigamos ter uma reversão e voltar a ganhar assinantes. As três empresas buscaram sinergias sem cortar custos, queremos juntar as três empresas e as suas lideranças para sermos mais competitivos ainda, porque existe muito espaço, com crise e sem crise para a gente crescer”.

Oi Play, novo serviço de TV Everywhere da Oi TVA

Thierry Martin, VP da Nagra para o Sul da América Latina afirmou que as atualizações do Connectware OpenTV 5 traz novas funcionalidades para aplicativos em HTML5, user interface e whole-home PVR, o que aumenta a satisfação do cliente e o ARPU, e diminui o churn. A companhia francesa, apresentou ainda, de soluções de multiscreen e proteção de conteúdo demonstram como as operadoras podem utilizar o OTT para criar novos modelos de negócios

A Oi lançou na ABTA 2015, o Oi Play, um serviço que disponibiliza ao cliente o acesso, em qualquer device, a 30 canais lineares e a todo conteúdo das bibliotecas das programadoras, e o Pen VR, um dispositivo que permitirá gravar conteúdo dos canais através de um pen drive conectado ao set-top box da Oi TV e o serviço de conteúdo on demand por controle remoto, que permite ao cliente alugar filmes com um único clique.
O Oi Play é um serviço extra da operadora que não tem custo adicional para o consumidor e oferece programação ao vivo e on demand. Com a nova funcionalidade, os clientes da Oi TV podem assistir ao conteúdo de diversos programadores onde e quando quiserem, por qualquer dispositivo (smartphone, tablet ou PC) com conexão à internet.

Hugo Marques, consultor de Engenharia da Cisco, disse à Revista da SET que a companhia apresentou na exposição a solução Cisco VideoGuard Everywhere DRM, uma plataforma que combina mecanismos de criptografia e proteção de direitos autorais. A solução estende com segurança o serviço de TV por Assinatura para laptops, tablets e smartphones. Além de evitar a reprodução ilegal do conteúdo, afirma o executivo, abre novas fontes de receita, sincronizando o consumo de vídeo para o oferecimento de pacotes premium

No primeiro momento, o Oi Play disponibilizará o acesso a onze aplicativos, com 30 canais lineares e ao conteúdo das bibliotecas, para os clientes que tiverem a emissora em seu pacote e que estejam cadastrados no portal de relacionamento Minha Oi. Os aplicativos são: Telecine Play, Globosat Play, Premier Play (PFC), ESPN Watch, Esporte Interativo, Sexy Hot Go, Fox Play, Cartoon Go, TNT Go, Space Go e Combate Play. Numa segunda fase, a companhia lançará o Oi Play com um portal inovador, inédito no Brasil, que faz a curadoria do conteúdo das aplicações, com busca por gênero, canal e audiência.
“A Oi aposta na convergência para reforçar seu posicionamento de empresa mais completa de serviços de telecomunicações e foca na Oi TV como âncora de sua estratégia de rentabilização. Hoje, sem dúvida alguma, a Oi TV é a melhor oferta de TV por assinatura do mercado, com qualidade de imagem superior, maior quantidade de canais em HD já no pacote de entrada, além de parceria exclusiva com a Rede Globo em mais de 3 mil municípios do país. Com o lançamento do serviço Oi Play, complementamos nossa atual oferta de programação linear, com o que há de melhor em conteúdo não linear de nossos parceiros”, afirma Bernardo Winik, diretor de Varejo da Oi.

Elemental apresentou na ABTA 2015 soluções de software para a distribuição e contribuição de streaming, incluindo soluções para transporte de vídeo em 4K com medidas de segurança ajustadas aos tempos e aos perigos da pirataria, afirmou à Revista da SET, Sérgio Silva de Elemental

Bernardo Winik, diretor de Varejo da Oi, afirmou que o serviço de conteúdo on demand por controle remoto estará disponível a partir de novembro sem custo adicional para o cliente, possibilita a compra de conteúdo do Oi Filmes com um único clique, e ainda permite futura utilização em aplicações interativas