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RECOMENDAÇÕES DA SET RELATIVAS AO SBTVD

DESTAQUE
RECOMENDAÇÕES DA SET RELATIVAS AO SBTVD
EM SINTONIA COM CENTROS DE PESQUISA QUE ESTUDAM OS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO, A ENTIDADE DECIDIU FAZER SUAS ORIENTAÇÕES ÀS EMISSORAS DE TV SOBRE O QUE CONSIDERA A MELHOR OPÇÃO TÉCNICA PARA A IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DIGITAL NO BRASIL.
Por Grupo SET de TV digital

Após a posse do atual Governo, ao assumir a pasta das Comunicações, o ministro Miro Teixeira chamou a si o tratamento do assunto TV digital que até então vinha sendo conduzido pela Anatel e lançou a proposta de desenvolvimento de um padrão brasileiro, o chamado Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD.
O SBTVD foi instituído por um decreto que constituiu dois comitês – Comitê de Desenvolvimento e Comitê Consultivo – e um grupo gestor. Cada um com um nível de responsabilidade no processo de análise, concepção, desenvolvimento e proposição desse sistema.
Foram envolvidos centros de pesquisa e universidades, que, organizados em consórcios, recebem verbas para desenvolvimento de projetos de partes do sistema. Os consórcios têm até o final de 2005 para finalizar seus projetos e apresentar seus resultados e propostas, e o governo tem emitido sinais de que tomará uma decisão em curtíssimo prazo.
Os dois blocos tecnológicos mais importantes são o de Modulação e o de Codificação de Vídeo.

Modulação – Por que BST-OFDM?
Modulação é o formato da transmissão propriamente dito. É ela que determina o nível de acesso às imagens e ao som – ou seja, se as imagens poderão ou não ser vistas e se os sons poderão ou não ser ouvidos em qualquer lugar, se podem ser captados por antena interna ou se será necessário o uso de uma antena externa. É ela, também, que pode permitir ou não que as imagens sejam captadas por um televisor em movimento ou por dispositivos móveis, como um telefone celular.
O que acontece na modulação analógica? Na modulação analógica, o vídeo transmitido vai degradando suavemente, à medida que os sinais vão se tornando mais fracos: começam a aparecer pontos brancos na imagem – os chuviscos – que vão se intensificando com o aumento da distância entre o receptor e a antena transmissora da estação. Quando os sinais são refletidos, ainda aparecem os “fantasmas” na imagem.
A modulação analógica não permite recepção em um televisor em movimento ou em dispositivo móvel ou portátil.
O que acontece na modulação digital? Na modulação digital, a degradação do sinal aparece na forma de quadrados na imagem e, à medida em que a degradação aumenta, a imagem fica congelada, ou então a tela fica preta, e ocorrem estouros no áudio. Além disso, dependendo da modulação digital utilizada, há possibilidade de recepção por dispositivos móveis e portáteis.
É justamente no suporte à mobilidade e à portabilidade de recepção que mais se diferenciam as tecnologias de modulação utilizadas nos sistemas norte-americano (ATSC), europeu (DVB) e japonês (ISDB-T).

Transmissão para recepção fixa
A capacidade de transportar bits (payload) para recepção fixa existe nos três sistemas, mas é um pouco reduzida no DVB, por conta de sua fraqueza em relação a fontes de ruído elétrico, tais como liquidificadores e motores de dois tempos.

Transmissão simultânea para recepção fixa e para portátil pessoal
A modulação utilizada no ATSC não permite a transmissão simultânea de vídeo para receptores fixos e dispositivos portáteis, dentro do canal de 6MHz da emissora.
Nos Estados Unidos e nos países que adotaram o sistema americano, a transmissão para dispositivos portáteis será feita por outro sistema de modulação, em outro canal.
A modulação do DVB permite a transmissão simultânea para receptores fixos e portáteis, mas privilegia a portabilidade, reservando para ela um mínimo de 4 Mbps.
Essa excessiva alocação de capacidade para recepção portátil no DVB impõe pesada limitação de payload à transmissão para a recepção fixa, que fica restrita a aproximadamente 10Mbps.
Desde 1998, há operações DVB-T com serviço somente para receptores fixos. Na Europa e nos EUA, há projetos de canais com programação exclusivamente para receptores portáteis no modelo de TV paga, com estréias previstas para 2006.
A modulação do sistema ISDB permite utilizar taxas de 440kbps para recepção portátil, suficientes para a transmissão de um ou dois programas de baixa resolução, ao mesmo tempo em que assegura a transmissão de 18Mbps para recepção fixa.
São 8Mbps a mais do que o DVB oferece. Além disso, a modulação BST-OFDM é tão robusta que permite que os 18Mbps originalmente destinados às casas das pessoas possam também ser recebidos em carros.

Recomendação do grupo SET de TV digital
Com base nas análises acima descritas, recomendamos às empresas de televisão o apoio à adoção da modulação BST-OFDM no SBTVD.

Codificação de vídeo – Por que MPEG-4?
A codificação de vídeo é o tratamento do sinal do estúdio para entregá-lo ao transmissor. Inclui a compressão do sinal. Quanto maior a compressão, maior quantidade de informação poderá ser transmitida pelo canal modulado.

MPEG-2
A tecnologia de codificação de vídeo MPEG-2 já tem mais de dez anos e está completamente amadurecida, já mostrando sinais de esgotamento de desenvolvimento tecnológico. Todos os países do mundo que já iniciaram a implantação da TV digital terrestre, incluindo Estados Unidos, Inglaterra e Japão, adotaram o MPEG-2.

MPEG-4
A tecnologia de codificação de vídeo MPEG-4 está em fase inicial. Seus primeiros circuitos integrados (CI) ainda estão em lançamento. Entretanto, o MPEG-4 Parte 10 representa o futuro e parece adequado para um país que está em fase de discussão de seu padrão. O MPEG-4 apresenta um ganho de eficiência de 50% com relação ao MPEG-2.

Como fixa definimos recepção em aparelhos maiores, dentro de casa. Como móvel, definimos recepção em veículos. Como portátil, definimos recepção em aparelhos pessoais.

Isto significa que, utilizando-se o MPEG-4, será possível dobrar o número de programas no canal, mantendo a mesma qualidade em cada um ou, então, transmitir um único sinal em HDTV com muito mais qualidade.
Os grandes sistemas de DTH do mundo, como a Direct TV, nos Estados Unidos e a BskyB, na Inglaterra, estão lançando serviços de alta definição em MPEG-4, e todos os projetos europeus de transmissão em alta definição na Europa prevêem o uso de MPEG-4 HD. Há notícias de que o sistema de TV digital terrestre da China também utilizará MPEG. As operadoras de telecomunicações deverão utilizar o MPEG-4 HD, nos serviços de áudio e vídeo em banda larga que se preparam para iniciar ao redor do mundo. Com estas implementações, haverá a massificação dessa tecnologia, essencial para a redução dos custos dos receptores para os consumidores.
É de se esperar que haja um pequeno incremento nos preços do set-top box apenas no início da implantação da TV digital no Brasil, com o uso de MPEG-4, tendendo a convergir com os preços dos componentes MPEG-2 HD, nos próximos anos.

Recomendação do grupo SET de TV digital
Com base nas análises descritas, recomendamos às empresas de televisão o apoio à adoção da tecnologia de codificação de vídeo MPEG-4 parte 10 no SBTVD.

Observações finais
Os consórcios que trabalham no SBTVD e estão coerentes com as posições aqui recomendadas pela SET são:
• Tema Modulação: consórcios liderados pala Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) e pelo INATEL (MG)
• Tema Codificação de vídeo: consórcio liderado pela USP (SP).

Resumindo, as recomendações da SET, em sintonia com os centros de pesquisa acima citados, apontam para o SBTVD com as seguintes tecnologias na sua implementação:
• Modulação BST-OFDM, utilizada no sistema Japonês ISDB-T
• Compressão e codificação de vídeo MPEG-4 Parte 10