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Quatro emissoras revelam processo de digitalização

*Raphael Bontempo

Rede Vida
Emissora de perfil diferente da maioria das TVs comerciais do Brasil – por sua orientação católica – a Rede Vida se moveu rápido e conseguiu colocar no ar, em caráter experimental, o sinal digital em maio de 2008, apenas para a região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. O definitivo entrou oficialmente no ar um ano depois. Para a capital paulista entrou no ar no final de agosto passado, sendo que a emissora já obteve a consignação para mais nove outras capitais (Salvador, Fortaleza, Vitória, Goiânia, Belém, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte.).

O processo de digitalização da Rede Vida – das 450 estações retransmissoras, 244 serão digitalizadas nos próximos quatro anos – deverá consumir em torno de R$ 11 milhões, segundo informa o engenheiro Paulo Tukiama. Na aquisição do transmissor (Telavo), antena (slot, da Ideal), conversores de sinal, codificadores HD (Tandberg), codificador one seg (Envívio) e multiplexador (EI-TV), usados na fase experimental foram investidos R$ 750 mil. Tukiama ressalta que a prioridade da emissora é “investir na consolidação da implantação das estações retransmissoras digitais”. Já os equipamentos de estúdio (controle mestre da Grass Valley; conjunto de up-link para transmissão em HD da Xicom e Tandberg), produção de conteúdo (câmeras HD e switchers de edição da Sony; ilhas de edição em HD da Macintosh; mesa de áudio digital da Yamaha, unidade móvel totalmente em HD) exigiram investimentos de R$ 5 milhões.

Readequação da parte elétrica
Pelo menos não foram necessárias muitas mudanças na infraestrutura para a implantação dos equipamentos digitais. “O prédio da nossa geradora é relativamente moderno e amplo”. A exceção se deu na parte elétrica, cuja planta foi readequada, e na rede de fibra ótica interna, que também sofreu mudanças para aumentar a capacidade de tráfego de vídeo entre estúdios e controle mestre para 3 Gbps.

A própria equipe de engenharia iniciou o processo de digitalização para a capital paulista há quatro anos, quando a estação retransmissora de São Paulo foi montada em uma nova infraestrutura, com abrigo dimensionado para receber os transmissores (Rohde & Schwarz), analógico (30 kW) e o futuro digital (9 kW), antena de retransmissão painéis banda larga da Kathrein, e o combinador analógico/digital da Teracom. A distribuição do sinal digital em HD (DVB-S/2) é feita pelo satélite Star One C2 – que já transmite o analógico para estações retransmissoras e antenas parabólicas de todo o Brasil.

TV Aratu
Primeira emissora de TV a transmitir em cores na Bahia, a TV Aratu, afiliada do SBT em Salvador, é a segunda mais antiga do estado. A “emissora do galinho”, como ficou conhecida ao longo de sua trajetória, iniciou o processo de implantação do projeto de digitalização em 2006, com aquisições de equipamentos da Apple para o setor de edição não linear.

Inicialmente foram seis máquinas com armazenamento central utilizando o servidor Xserver Raid. Neste período a equipe também adquiriu equipamentos de produção: quatro câmeras DSR-400 (DV-CAM) e VTs para ilha de edição que permanecem até hoje. No ano passado a TV Aratu cumpriu todos os itens necessários para conseguir operar em sistema digital.

Investir em produção
O gerente técnico, Erich Bittencourt, enumera os equipamentos adquiridos pela emissora: uma antena de oito fendas da Dieletric, 135 metros de cabo KMP do modelo mais flexível, 1 transmissor Harris 5 kW, todo redundante, 1 NetVx Harris ( Multiplex) com 2 placas HD , SD (one seg), TS, 1 Matrix 64×72, com placas Mult-view, dando capilaridade ao sistema, 9 roteadores para facilitar a operação nas ilhas e Controle Mestre. Na exibição do Controle Mestre, a TV Aratu possui um mesa Icon (Harris) toda redundante comutando SD e HD, com a possibilidade de até 4 inserções de logos animados. Também foram comprados três exibidores de 4 canais cada um, para HD e o SD. “Criamos uma ilha de transcrição para cópia de todos os materiais de agências e programas locais”, relata Bittencourt.

Um dos objetivos atuais é adquirir equipamentos de produção. “Temos apenas três câmeras HD,mas sendo down convertida para 4/3. Para os nossos programas locais seria necessário usar todos os equipamentos em HD. Daremos um passo importante para melhor aceitação de nossa programação”. Cerca de R$ 5 milhões foram investidos até o momento e R$ 3 milhões devem ser investidos para finalizar a etapa, segundo informa Bittencourt.

A implantação da edição não foi fácil, porque havia dois profissionais que tinham trabalhado ainda com quadruplex. “Mas em quatro meses eles se adaptaram e hoje nem imaginam a edição com VTs.”. A TV Aratu optou por preparar a própria equipe com treinamentos técnicos e com cursos de TV digital. “A Harris fez comissionamento para o nosso pessoal. Eu mesmo fui na fábrica deles e me preparei para montar o transmissor”.

No setor de energia a equipe da TV Aratu não encontrou problemas, pois a subestação da emissora está bem dimensionada, “contudo tivemos que comprar outro no-break , pois o que tínhamos não suportaria as duas cargas, a do analógico e do digital”, conclui Erich Bittencourt.

TV Gazeta
A exemplo da Rede Vida, a capixaba TV Gazeta deu os primeiros passos no caminho da digitalização seguindo um planejamento que teve início em maio de 2008. A primeira meta foi listar os projetos de transmissão e estúdio, além de construir o statement of work. A equipe da emissora iniciou a cotação de preços com os fornecedores e a isenção de taxas e impostos concedidas pelo governo favoreceu a importação dos aparelhos.

Foi contratada uma empresa de assessoria e montagem de sistemas de TV, com a função de ajudar na construção e montagem da planta digital. Carlos Henrique Benfica, gerente técnico da emissora, lembra que inicialmente foi feito o projeto de ambientação do local onde seriam instalados os equipamentos. “Construímos uma central técnica com sistema de refrigeração do tipo utilizado em datacenters e com redundância total. Toda a infraestrutura elétrica da área de operações foi elaborada com dupla alimentação e duplo fornecimento de energia”.

No parque de transmissores foi instalada uma nova torre autoportante de 72 metros de altura e construída uma nova sala para abrigar os transmissores de TV digital com sistema de climatização dedicado. “Instalamos um novo grupo gerador e dois no-breaks para alimentação individual”, conta José Carlos Beltrame , gerente de Transmissão da emissora.

Equipamentos digitais
A TV Gazeta adquiriu dois transmissores Harris, modelo Atlas ISDB-TB com potência de 2,5 kW cada, combinados por switchless combiner, fornecendo uma potência total de 5 kW com sistema de resfriamento a líquido. Houve aquisição de antena principal, fabricada pela norte-americana ERI; slot de seis fendas com polarização elíptica e uma antena reserva fabricada pela Transtel, com slot de quatro fendas e polarização horizontal.

A emissora comprou no-breaks de 40 kVA da APC modelo Smart UPS. Foi adquirido um grupo gerador Stemac de 180 kVA, uma Rede de links digitais bidirecionais, com duplicidade, interligando estúdio transmissor, composta de: 2 rádios TRuepoint em 7,5 e 11 GHz, com capacidade de payload de 155 Mbps; 4 antenas ValuLine alta performance de diâmetro de 0,6 m e sistema NetVx composto de enconders, decoders MPEG e multiplexador. Também houve ampla aquisição de aparelhos para produção e para central técnica.

A TV Gazeta também pretende adquirir, em 2010, as câmeras de estúdio em HD, para realizar a transmissão dos telejornais em HD. “Foram investidos R$ 8,5 milhões até o momento”, conta Beltrame.

A equipe foi treinada por meio de aulas ministradas pelos próprios fornecedores; pelo Inatel e também por meio de treinamentos realizados pela Uniglobo. E o maior desafio foi instalar a nova planta no mesmo ambiente no qual estava sendo operado o canal analógico.

TV Jangadeiro
A TV Jangadeiro, de Fortaleza, nasceu com uma ambição clara: transmitir programação de qualidade sem abrir mão da raiz cearense. Afiliou-se ao SBT há 11 anos, o que ampliou o panorama de audiência das programações locais. Seguindo esta travessia próspera, a equipe técnica da emissora esboçou os primeiros estudos para ingressar na era digital, em outubro de 2007, avaliando o conceito operacional a ser adotado e as etapas a serem priorizadas.

No ano seguinte foram realizadas adaptações no sistema existente para receber os novos equipamentos, como explica o gerente técnico responsável Esdras Miranda. “Fizemos reformas estruturais na sala dos transmissores e projetos da nova subestação”. Nas vésperas da primeira transmissão digital, em maio de 2008, a equipe havia concluído 90% do planejado.

Mudanças para o digital
O orçamento para a digitalização remodelou a infraestrutura física para agregar novos equipamentos, assim como o projeto de refrigeração das salas do transmissor e a Central Técnica. Também houve reforço na torre para receber o sistema irradiante. Entre os equipamentos adquiridos, estão o transmissor, encoder e multiplexer, da Harris 10 kW (dual 5+5), equipamento totalmente redundante. Já as antenas ficaram por conta da Dieletric, “Elas atendem ao conjunto das características de cobertura, dimensões e peso que necessitávamos”, explica o gerente.

Na Central Técnica foi investido em matriz, distribuidores, processadores e multiview. A TV Jangadeiro optou por uma única Central Master de exibição e adquiriu a Iconmaster em HD e SD da Harris. Esdras explica os critérios para definir a captação em HD. “Em virtude de já existirem equipamentos no formato DVCAM na época do investimento, optou-se em adquirir câmeras Sony HVRS270, que captam em HDV e operam num conceito híbrido de fita e cartão de memória, o que nos dará subsídios de migração gradativa ao tapeless”, detalha Miranda. Para edição dos conteúdos em HD foram adquiridas ilhas MacPro, placa de vídeo AJA Kona LHi, com os softwares Final Cut Studio e Adobe CS4 Production Premium.

Toda a parte de montagem de rack, cabeamento e diagramação do projeto foi realizada pela equipe da TV Jangadeiro sob orientação dos fabricantes, segundo explica Miranda. Um engenheiro foi enviado à fábrica da Harris para fazer o treinamento do transmissor digital. “É importante que o gestor do projeto esteja bem assessorado pelos setores de compras, importação e contabilidade da empresa para que se tenha continuidade e controle das contas do projeto”, finaliza.

* Raphael é repórter da Revista da Set – raphael@ embrasec.com.br, com Pedro Livio

Correção:
Na matéria ‘TV’s Digitalizando da Edição 111, a foto inferior na página 7 corresponde aos equipamentos da TV Liberal, e não à TV Sorocaba conforme anunciava a legenda.
Revista da SET
 ANO XXI – N.112 – JAN/FEV 2010