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Proposta para o Sistema de Alerta contra desastres naturais é discutida pelo Fórum SBTVD

INFRAESTRUTURA CRÍTICA

Depois da catástrofe ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, o setor de radiodifusão está cada vez mais empenhado em exercer sua função de alerta dentro do Grupo de Telecomunicações do Plano Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas. Entre as iniciativas de prevenção está a parceria entre o Fórum SBTVD e o governo brasileiro para viabilizar a adoção da norma japonesa EWS no sistema brasileiro de TV digital com o objetivo de enviar alertas à população quando houver previsão de enchentes, deslizamentos de terra e ciclones.

Segundo o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, a proposta ainda está em fase de planejamento dentro dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, Integração Social, Cidades e Casa Civil, e sendo discutida paralelamente junto ao Fórum SBTVD. “Por enquanto estamos debatendo sobre os melhores meios de implantar o sistema. A ideia é que os alertas sejam enviados a televisores e celulares integrados com conversores digitais”, explica.

E como ficariam as regiões que ainda não tem sinal digital? De acordo com a engenheira Ana Eliza Faria e Silva, coordenadora do módulo técnico do Fórum, “nas regiões que ainda não tem sinal digital haverá a necessidade de se criar outras formas de aviso de emergência. As atividades relacionadas ao Fórum Brasileiro de TV Digital são as emissões terrestres em formato digital e atualmente a chegam a mais de 1/3 de população brasileira e é esperado que a cobertura alcance 70% da população nos próximos 36 meses. Portanto, as limitações geográficas da TV digital e do sistema de aviso de emergência da radiodifusão digital são decrescentes nos próximos anos”.

A forma de como serão transmitidos esses alertas e quem os enviaria ainda não foram definidos. Mas a princípio, conforme explica Ana Eliza, os alertas partiriam de orgaorganismos governamentais, a serem definidos, dotados de sensores para a previsão dos desastres naturais, e de autoridade para alertar a população. “Eles seriam emitidos conforme determinação destes organismos e o papel da TV digital é simplesmente deixar passar essa informação sem interferir no sinal”, diz.

Adaptações das Normas
As Normas Brasileiras de TV Digital estão baseadas nas normas japonesas, especialmente, no que diz respeito ao subsistema de transmissão. De acordo com André Barbosa, “o principal desafio para se adotar a norma japonesa no Brasil é o fato de ela estar toda estruturada para atender às necessidades do Japão. Ou seja, emitir alertas para terremotos, tsunamis e outros fenômenos naturais que não temos aqui”.

Conforme Ana Eliza, o Sistema Brasileiro de TV Digital adicionou ao padrão japonês inúmeras inovações, mas também se utilizou de diversas tecnologias desenvolvidas para o Japão. Entre elas está a sinalização de aviso de emergência Emergency Warning Broadcasting System (EWBS). Ele engloba um conjunto de sinalizações que permite o acionamento automático de receptores de televisão digital que estejam em modo de espera para o aviso de uma emergência. Essa sinalização presente na camada de transporte permite que os celulares ou televisores com receptor de TV digital embutido possam ser ligados sem que isso represente um ônus excessivo em termos de consumo de energia. O sistema também permite a inclusão de descritores para informar o tipo da catástrofe natural – enchentes, terremotos, furacões – e a sua intensidade – alta, média ou baixa. Sistemas complementares em informação de texto ou o próprio vídeo da emissora poderiam se encarregar das informações complementares.

“Como os tipos de emergência são diferentes no Brasil e no Japão será necessário definir códigos específicos para o Brasil. Também é pertinente observar que o acionamento dos receptores se dá apenas nas regiões afetadas. Assim, a sinalização das regiões brasileiras e sua forma de endereçamento nas tabelas da camada de informação de serviço precisarão ser adaptadas para refletir a geografia brasileira. Embora as mesmas sinalizações da norma japonesas estejam presentes nas normas brasileiras, sua implementação requer a designação dos organismos governamentais para prover as informações antecipadamente e indicar as áreas a serem avisadas. A infraestrutura de radiodifusão deverá se adaptar para ser um sistema transparente a fim de garantir o não bloqueio do sinal na cadeia de distribuição do sinal e dessa forma assegurar a transmissão da sinalização na área devida,” alerta Ana Eliza. Iniciativas do Fórum.

As especificações básicas já existem e estão presentes nas Normas ABNT NBR 15601, e ABNT NBR 15603-2. A informação complementar está sendo discutida no âmbito do Fórum Internacional ISDB-T para uma harmonização regional da América Latina no tratamento do tema. Essas informações deverão ser incluídas nas Normas Brasileiras de TV Digital na forma de um Guia de Implementação, ainda sem data para ser publicado.

Devido a grande adesão de outros países da América Latina ao sistema nacional de TV digital, durante a reunião do Fórum ISDB Internacional, que aconteceu em Santiago, no Chile, nos dias 28 e 29 de março, o tema também foi discutido. O evento teve a finalidade de harmonizar e padronizar as especificações do standard em todos os países que adotaram a tecnologia nipo-brasileira.

 

 

Gilmara é editora da Revista da SET. E-mail: gilmara@gelinska.com