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Preocupação com interferências domina debate sobre uso da faixa de 700 MHz para 4G

Audiência pública no Senado marcada por preocupações da SET sobre a interferência na recepção de TV Digital

Representantes do Ministério das Comunicações afirmaram na quarta-feira, 29 de abril, durante audiência pública sobre o aguardado leilão da faixa de frequência de 700 MHz, que a pasta tem tomado todas as precauções necessárias para garantir a convivência entre o sinal de TV Digital e a internet móvel de quarta geração (4G).

A expectativa do governo é a de que, com as normas que serão estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), seja possível solucionar todos os casos em que possa haver interferência entre os dois serviços. A partir de 2 de maio, o edital vai estar disponível para consulta pública por 30 dias na página da agência na internet. O uso da faixa de 700 MHz para o 4G já acontece em outros países, entre eles Estados Unidos e Japão. Segundo a Anatel, essa faixa permite que o sinal do serviço tenha alcance maior e propagação melhor do que a faixa de 2,5 GHz, primeira a ser leiloada para prestação do 4G no Brasil, em junho de 2012. Outra vantagem é a menor necessidade de antenas.
A possibilidade de interferência do 4G sobre a transmissão da TV Digital é a principal preocupação de empresas de radiodifusão. As emissoras de TV querem adiar o leilão até que todas as hipóteses de interferência do sinal sejam solucionadas.

Filtros
Entre os instrumentos para mitigar essas interferências, a proposta de regulamento cita uma distância mínima entre as antenas transmissoras e os aparelhos receptores, alterações em antenas, mudança da potência dos sinais emitidos e a instalação de filtros nos aparelhos.
Mas, segundo a diretora de Tecnologia da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), Ana Eliza Faria, as medidas previstas pela Anatel podem não ser suficientes para impedir interferências do sinal do LTE (Long Term Evolution), que no Brasil é chamado de 4G.
“É um momento de temor para os técnicos envolvidos porque, embora tenhamos aqui declarações reiteradas de que a gente não vai ter a cobertura da televisão afetada e a qualidade da TV aberta afetada quando da introdução dos serviços de LTE, a gente sabe que essas etapas de preparação que são fundamentais estão sendo encurtadas e isso traz a insegurança técnica,” disse Ana Eliza.
André Felipe Seixas Trindade, engenheiro de Sistemas de Comunicação da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABRATEL), disse que, até atingir o objetivo do leilão, várias etapas complexas deverão ser vencidas. “Elas envolvem o planejamento da TV Digital, a universalização, a preparação das cidades para mitigação das interferências e o planejamento para a instalação do LTE ,” acrescentou Trindade.

Limpeza da faixa
De acordo com a secretária de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patrícia Ávila, a própria “limpeza da faixa de 700MHz”, com a redistribuição de canais de TV, diminuirá os casos de interferências com o sinal de 4G. Para licitar a faixa, os canais de 2 a 13 e 52 a 69 serão realocados entre os números 14 e 51.
“O compromisso do ministro Paulo Bernardo é a realização da licitação somente depois de concluído o replanejamento dos canais e identificadas e definidas as ações para os problemas de interferência. Isso deve garantir que o edital saia correto,” disse Patrícia..