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Parcerias e futuro

O Congresso SET 2013 foi a primeira oportunidade de Gordon Smith vir ao Brasil representar a Associação Americana de Radiodifusores. O presidente e CEO da NAB deixou claro que não estava somente fazendo uma visita formal. Smith participou de três paineis, discursou na cerimônia de abertura e ainda recebeu dezenas de broadcasters no estande de sua associação logo na entrada do evento.

Nº 136 – Setembro 2013

Por Flávio Bonanome

Entrevista Gordon Smith

Avisita do ex-senador é sintoma claro da nova postura da SET na busca por parcerias ao redor do mundo, buscando unificar as agendas das inúmeras associações de broadcasters. Sobre este tema, Smith também é bastante otimista “quanto mais integrarmos o broadcast em vários países, mais teremos impacto em nossos governos e mais bem sucedidos seremos em chegar ao espectador”, afirma.
Em meio à sua apertada agenda, Gordon Smith arranjou um tempinho para receber a revista da SET e nos concedeu um agradável bate-papo onde abordou os principais temas concernentes ao mercado e suas atualidades.

Revista da SET: Como sabemos que é sua primeira vez aqui no Congresso SET, vamos começar contextualizando as coisas. Há muitas diferenças entre o mercado Brasileiro e o Americano de broadcast. O que você acha que a NAB pode agregar para nós?
Gordon Smith
: Podemos partilhar nossas experiências na transição analógico-digital e ajudar a evitar alguns erros nos desafios que nós tivemos. E eu acho que podemos ajudá-los a pressionar o governo para que os reguladores contemplem o futuro. Eles precisam ver um futuro que inclua Braodcast e banda larga. Minha experiência com o governo americano é que muitos não vêem a diferença e muitos outros vêem o broadcast como o Ontem e a banda larga como o amanhã. A verdade é que ambos são essenciais e ambos precisam ser providos suficientemente, por que sem os dois, o futuro fica minguado para as pessoas, tanto nos EUA como no Brasil. Estamos um pouco à frente na estrada e vocês podem aprender por nossa oportunidade.

Revista da SET: O Brasil vive um cenário onde a radiodifusão ainda está um pouco atrasada em relação à outros países, mas a banda larga tem tecnologia equiparável. Isso é um grande desafio?
Smith: Eu sou frequentemente perguntado se as pessoas preferem ver TV na hora que quiserem ou se querem ver TV ao vivo. A resposta é: elas querem ambos. A Banda Larga pode prover conveniência na agenda das pessoas, mas há muitas coisas que as pessoas querem ver ao vivo, principalmente eventos esportivos, situações de emergência, ou furos notíciosos. E não há substituto para a tecnologia broadcast, por que a banda larga não é confiável como uma transmissão broadcast.
Então minha mensagem para os braodcasters e o governo brasileiro é: não cometam o erro de ver o futuro como um contra o outro. Precisa ser ambos.

Revista da SET: As companhias de telefonia e internet aqui no Brasil parecem exercer um maior poder do que os radiodifusores, logo possuem um lobby muito forte no Governo. isso também acontece nos EUA?
Smith: Sem sombra de dúvida. Estamos sendo minados financeiramente pelas empresas de telefonia. Mas, os legisladores em Brasília vão cometer um grave erro para a população do país se eles verem o futuro excluindo broadcasting, por que a banda larga nunca terá a arquitetura para trazer conteúdo em vídeo para as massas. Não dá para comparar fazer vídeo 1 para 1 contra 1 para todo mundo. E há outra coisa que eles precisam pensar. As companhias de telefonia móvel querem que as pessoas vejam TV por meio deles e querem lhe cobrar por isso. Broadcasting vem ao espectador gratuitamente, ao vivo, localmente e especialmente em grandes eventos. “Free is better than a Fee” (De graça é melhor do que pago).
Então, se os legisladores decidirem que vão deixar
as telefônicas cobrar todo mundo pela televisão, eles
terão um protesto muito maior no futuro.

Revista da SET: Certo, mas há outro lado. A Televisão
é gratuita por causa dos anunciante. E se os anunciantes começarem a ver a banda larga como um investimento melhor do que televisão?
Smith: Aqui novamente eu acho que nosso caso pode servir de exemplo para o Brasil. Não há questionamento que alguns investimentos em publicidade acabaram indo para a banda larga. Mas os números ainda dizem claramente que o broadcast é tem um melhor retorno.
Se você olhar para os 10 programas mais assistidos nos EUA, 9 são de broadcast. Então, no fim das contas, os anunciantes vão colocar seu dinheiro para onde os olhos estão virados. Na banda larga o investimento em publicidade é diferente. Eles não tem a abrangência da televisão. Eu digo, quando eu estou com meu iPad e um anuncio pula na minha frente, eu me livro dele. Não preciso nem saber o que é. É preciso de muita publicidade em banda larga para penetrar na cabeça do consumidor .

Revista da SET: Você acredita que há uma tendência do broadcast ser cada vez ser mais orientado para esportes e notícias e o entretenimento ficar na banda larga?
Smith: Mais uma vez depende do quão grande o programa de entretenimento é. Se é um programa popular, e milhões de brasileiros vão assistir, o sistema da banda larga não vai conseguir suportar. O broadcast pode fazer isso sem nenhum aumento de uso do espectro. Então um pequeno programa, pode ser, um programa popular, nem pensar.

Revista da SET: Mudando um pouco de assunto, costumamos ouvir que toda a tecnologia para eventos esportivos vai ser inovado pela copa do mundo e as olimpíadas. Estes eventos mudarão como broadcast faz esportes. Isso é real para o mercado americano ou você acredita que os EUA já tem a tecnologia para o futuro?
Smith: Sim. Por que eu acho que 4K é um grande futuro. Haverá uma grande puxada do lado do consumo. A próxima geração de televisores vendidos, já vai estar pronto para 4K. O que significa mais produtores de conteúdo comprando câmeras 4K. Vai levar um tempo, mas eventos como a Copa e Olimpíadas vão direcionar a compra dos consumidores. É como o ovo e a galinha, eu acho que Sony e alguns outros neste campo farão muita propaganda, e isso fará diferença. Você viu o 8K?

Revista da SET: Sim, eu vi na NAB no estande da NHK…
Smith: Então, para mim, é como se 4K e 8K fossem meio que um 3-D sem óculos. As pessoas vão amar e vão comprar. Se você pensar onde nós passamos nosso tempo, a maioria dele é trabalho, grande parte dormindo e o resto é comendo e assistindo. E queremos o melhor e pagamos por isso. Pelo menos nos EUA é assim.

Revista da SET: Quais os próximos passos para que a NAB e a SET se tornem mais próximas?
Smith: Acho que eu estar aqui é uma evidência que queremos estar mais próximos à SET e ABERT. Queremos ter uma integração maior em trocar o que temos. Acho que nós queremos isso por que desejamos que os brasileiros continuem a ir para a NAB. Vocês queremos isso por que desejam aprender com nossos erros. Nós temos uma comunidade de interesses entre os broadcasters do brasil e dos EUA.

Revista da SET: Acredita que essa aproximação possa criar alguma forma de aliança global de associações?
Smith: Eu particularmente sou um cara internacional. Estive no comitê de relações internacionais do Senado e eu acho que braodcasting faz o mundo um lugar menor e melhor. Menor por que estamos cientes uns dos outros. Melhor que estamos entendendo uns aos outros. E quanto mais integrarmos o braodcast em vários países, mais teremos impacto em nossos governos e mais bem sucedidos seremos em chegar ao espectador sob qualquer circunstância.

Flávio Bonanome
Redação Revista da SET