• PT
  • EN
  • ES

Oportunidades para Start Ups na TV Digital

A adoção do SBTVD-t por 11 países da América Latina atende ao maior requisito das start ups que é o da escalabilidade, palavra chave para o investidor. Outro dos ponto é o T-commerce, operações de compra e venda pela TV Digital, o futuro do e-commerce.

Nº 148 – Jan/Fev 2015

por José Carlos Aronchi

ARTIGO

 movimento das empresas “start ups” já é uma realidade na economia digital. As start ups são, na maioria, empresas com produtos e serviços inovadores, com possibilidade de crescimento rápido. Porém, para ganhar mercado, o empreendedores necessitam de investimento e orientação de gestão, caso contrário estão sujeitas ao fracasso.

Com a digitalização, os produtos e serviços de telecomunicações estão de portas abertas para soluções inovadoras.
O ponto de encontro desses empreendedores inovadores está em eventos voltados para o público que procura fazer uma ideia virar negócio. São meetings, pitchings, espaços de coworking, aceleradoras, que passam a compor o cenário do empreendedorismo digital.
Só no início de 2014, três grandes eventos foram promovidos para alavancar as start ups. A Campus Party, no Expo-Center Norte em São Paulo; o Demoday da Aceleratech, na ESPM/SP; e o Sebrae Startup World na Feira do Empreendedor de São Paulo, somaram cerca de 250 mil pessoas focadas em inovação nos mais diversos segmentos. Além disso, o MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio anunciou, em janeiro de2014, as 12 aceleradoras habilitadas para o ciclo de 2014 do programa Start-Up Brasil, que vão impulsionar as novas empresas para o mercado nacional e internacional.

Potencial inovador da TV digital
Apesar de não se limitarem ao setor de tecnologia, a maioria das start ups estão focadas no segmento de TICs – as tecnologias de informação e comunicação.
Porém, ainda há poucas soluções apresentadas para o mercado inexplorado da TV digital. Elas limitam-se a aplicativos, sem a conexão com o mercado mais amplo de produtos e serviços abertos pelo grande potencial inovador do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre, o SBTVD-t.

A adoção do SBTVD-t por 11 países da América Latina atende ao maior requisito das start ups que é o da escalabilidade, palavra chave para o investidor. Um produto ou serviço para a TV digital brasileira pode vislumbrar o mercado latino-americano e é exatamente essa larga escala que os investidores anjo procuram para alocar seu capital de risco.
Para falar a linguagem desse mercado, e fazer a ideia virar um produto ou serviço, o ideal é focar o plano de negócios da start up em uma das principais funcionalidades que integram o ISDB-Tb, o padrão de transmissão adotado e desenvolvido pelo Brasil. A interatividade, mobilidade, multiprogramação e alta definição, definem as quatro principais características que podem ser consolidadas por negócios inovadores e lucrativos. Este é o impulso necessário para alavancar toda a cadeia de negócios da indústria, comércio e serviços em TV digital.
Definição do modelo de negócio da Start Up O primeiro passo para a start up atuar consiste em definir qual é o problema que o produto ou serviço vai resolver para os consumidores ou clientes. A partir daí é definir qual o modelo do negócio e como ele será rentável.
No segmento de TV Digital na principal funcionalidade do SBTVD, a interatividade, os problemas estimulam a criatividade e a inovação dos novos empreendedores.

O middleware Ginga continua sendo a bandeira do sistema que foi desenvolvido com código aberto para possibilitar novos aplicativos que promovam a integração com o conteúdo. Focar o a solução para a interatividade é um dos mais promissores mercados na TV Digital.
A interatividade dá ainda ao usuário a possibilidade de ser um gerador de conteúdo, enviado informações, fotos e vídeos para as emissoras ou mesmo para plataformas que se alimentam desse tipo de conteúdo. Aplicativos que organizem essa experiência são ainda limitados e podem remunerar tanto o desenvolvedor quanto o usuário.
Por outro lado, o T-commerce, operações de compra e venda pela TV Digital, reconhecida como a futura plataforma para o E-commerce, é um mercado praticamente inexplorado. Jogos para download e o cloud gaming são aplicativos de interesse e escalabilidade garantidas, visto que estes serviços já fazem sucesso em outras plataformas e ainda carecem de soluções para a tela grande de televisão.
Em outro mercado, os fabricantes das Smart TVs, conectadas à internet, desenvolveram aplicativos que já estão embarcados nos aparelhos, porém mantém uma store que permitem aos desenvolvedores apresentarem novos projetos de soluções. LG e Sansung estão entre os fabricantes que avaliam e investem em novas aplicações.

Soluções para plataformas
A possibilidade de se consumir conteúdo de mídia em qualquer lugar trouxe o conceito de anywhere, anytime, anyscreem. Produtos e serviços que apresentem soluções para o problema da mobilidade tem um amplo mercado, tanto para hardware quanto para software.

A segunda tela já é uma realidade em mais de 60% do público nos Estados Unidos de América, o que significa que assistir televisão é uma atividade conjunta com outras plataformas mobile.
Start ups de conteúdo encontram na multiprogramação o principal argumento de venda de serviços. Apesar de suspensa para emissoras comerciais, a autorização para as emissoras públicas transmitirem em um canal HD – com alta definição, ou em até 4 canais SD, multiplica a necessidade de conteúdo. Isso abre caminho para conteúdos customizados, segmentados e especializados.
O T-Learning, a Educação a Distância pela Televisão, uma das mais aguardadas soluções educacionais do novo sistema digital, abre possibilidades para start ups de vários segmentos: aplicativos de jogos educativos, conteúdo interativo, telas de interface com o curso, e os formatos mais tradicionais de videoaulas, documentários, palestras on-line. Retoma-se o problema da interatividade, que é imperativa para o sucesso do T-learning na TVD.
A legislação aproveitou as funcionalidades do SBTVD-t para ampliar as exigências de acessibilidade do conteúdo para pessoas com deficiência visual e auditiva.

Start ups que trazem soluções de audiodescrição, legendagem, closed caption, janela de Libras e também hardware de reconhecimento de voz para legendagem já estão ganhando mercado e exportando soluções brasileira para o mundo.
Muitos outros produtos e serviços para a cadeia de negócios gerada pela TV Digital ainda carecem de fornecedores de soluções que abrem espaço para start ups.
A ampliação do oferecimento de conteúdo, por exemplo, abre campo para soluções de gerenciamento e busca de conteúdo que são chamados de MAM – Midia Asset Manager. Esse conteúdo necessita de monitoramento e métrica de audiência, para avaliar o comportamento e a resposta do consumidor. Isto tem tirado o sono tanto de radiodifusores, que precisam comprovar audiência, quanto de publicitários que precisam de dados seguros para dirigir investimento em mídia. Start ups que tragam soluções para análise de audiência tem, seguramente, compradores locais e internacionais.
O cronograma de suspensão das transmissões analógicas, chamado Switch-off, o apagão analógico, também dá abertura para outras start ups de hardware, que passam a focar na HDTV, a TV de Alta Definição. A montanha de receptores de televisão com tubo e hardwares de armazenamento e transmissão aponta para a necessidade de soluções do problema de aproveitamento, já que nem tudo é lixo eletrônico. Aliás, lixo mesmo são as ideias que não são aproveitadas para negócio nesta onda de start ups.

Se quiser mais informações, pode consultar em:
Livro: A Startup Enxuta, de Eric Ries. Editora Leya Brasil. R$ 40,00
Série de vídeos do Sebrae-SP: Investimento Anjo para micro e pequenas empresas inovadorashttps://www.youtube.com/playlist?list=PLdP-PjIBedXk54 bw9hEDONgdGBk8yTJx5
Inovar para crescer: Empresários brasileiros na NAB https://www.youtube.com/playlist?list=PLdP-PjIBedXm2 HnjX7yy4l8NaENqdyUkj

José Carlos Aronchi. Jornalista e doutor em Comunicação ECA/ USP. Professor da FACCAMP e consultor na Unidade Desenvolvimento e Inovação do Sebrae-SP. Foi o coordenador do espaço Sebrae Startup World, na Feira do Empreendedor do Sebrae-SP.