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O SERVIÇO, A NAVEGAÇÃO E A AUDIÊNCIA

RÁDIO DIGITAL

O SERVIÇO, A NAVEGAÇÃO E A AUDIÊNCIA

Por Ronald Barbosa

No mundo atual, onde os serviços são oferecidos de todas as formas possíveis e imagináveis, percebe-se que esses mesmos serviços podem ser acessados também de todas as formas possíveis e imagináveis. É o que chamamos de serviços de um mundo globalizado.

Nem todos os serviços gozam do alcance da tecnologia para a sua execução, muito embora tenham evoluído enormemente nesses últimos anos. Alguns, gradativamente, vão sendo substituídos por outros que a tecnologia não apenas pode ser empregada, como também favorece a sua disseminação, entrega, distribuição ou qualquer outro nome que queiramos dar.

O mundo dos serviços também pode ser limitado pela linguagem e pela distância. Alguns, hoje em dia, acham que a distância nem tem sido um limitador tão proeminente. No entanto, sabe-se pela experiência, que o que está distante não é sentido tão profundamente.

Vemos pessoas que acessam a sua emissora de rádio ou TV preferida a quilômetros de distância e ficam felizes. Isso porque, descobrem uma forma de manter seu vínculo e audiência ao meio que lhe é familiar. Entretanto, nesses casos, não se tem uma recepção direta do ar, em razão da distância envolvida.

Frise-se que, quando não se procura manter a fidelidade ao seu programa favorito, mas aventura-se em outras línguas com programas de 2.500 formas diferentes, em 50 idiomas diferentes, vindas de 150 países diferentes, o cenário tende a piorar apesar da enormidade de opções que surgem diante do consumidor.

O idioma consiste ainda em um grande obstáculo, pois, por mais que se entenda uma língua diferente da sua, ouvir alguém em uma outra língua durante meia hora é o suficiente para desistirmos da fonte.

Quando se trata de música é um pouco diferente, pois podemos definir o gênero que queremos ou gostamos, para logo em seguida selecionar aquelas mídias que estão disponíveis.

Aparentemente, a banda larga facilita esse serviço on-demand se mantiver um padrão e respeitar uma uniformidade em todo o território de um país. É preciso ter em mente que isso pode fazer com que pessoas migrem de uma mídia para outra em uma velocidade muito alta. É o que chamamos de telecomunicação consolidada e veloz.

No Brasil, no interior particularmente, começam a ser visíveis pessoas com um computador com acesso à Internet, ainda que não seja com grande velocidade. Reconhece-se que essa conjuntura é capaz de criar condições de competição com o serviço de radiodifusão sonora na busca de informação.

O rádio sempre foi um veículo que, através do serviço de radiodifusão, transportava as pessoas para um mundo ao qual não pertenciam, bem como as levava para um conhecimento complementar, muitas vezes básico, além do entretenimento. Isso se mantém até hoje.

Apesar de surgirem novos serviços por satélite, por cabo, pela Internet, ou mesmo desvinculados de uma operadora, ou seja, apenas gadgets, os novos serviços nunca foram excludentes.

Quem pensasse que seria diferente estaria cometendo um grave erro de avaliação. Pois todos os novos serviços são individualistas em sua essência, mas não excludentes.

Uma vez que a filosofia do seu funcionamento, por exemplo, seria como se parássemos de olhar para o relógio da cidade que teoricamente informa a todos, para que buscássemos a informação da hora em outros meios consultados, mas que pertencessem sempre a alguém, não estando disponíveis a todos.

Até o nosso rádio deixou de ser o ponto de aglomeração das pessoas para ouvir notícias de determinado lugar. Antes, buscava-se notícias de longe através das ondas curtas, e também as notícias eram enviadas para longe, por meio das mesmas. No futebol isso ainda ocorre.

Pouco tempo depois, descobriu-se que uma programação local, para um público local seria aparentemente a melhor solução. Agora, a Internet permite novamente ter informações de longe e enviálas também para longe através da mesma rede. Nesse novo contexto, todos acham tudo bastante natural, pois os acessos às informações de outras culturas, ciências e tecnologias foram f a v o r e c i d o s pela Internet.

Apesar desse acesso a toda essa informação, isso nos leva a uma preocupação menor com pessoas, pobreza e direitos humanos. Os serviços se multiplicam, a competição se torna acirrada e já não há mais um campeão, o que sobrou foi uma pluralidade de ofertas.

O rádio deve ser inserido nesse cenário, porém, precisa ofertar graficamente sua informação como a mídia ou o veículo atual, pois aquela mídia que não tiver um determinado formato de apresentação comum, menu, na oferta de seu serviço e não puder permitir a navegação, não será reconhecida como mídia moderna. Isso o rádio entende, pois quem já não navegou procurando outra estação, ou outro programa?

Agora é possível navegar procurando uma estação que só transmita esporte, outra apenas notícias, outra apenas música clássica. Na verdade, não sabemos como será a base de programação do futuro, isso dependerá muito do modelo de negócio da época.

De qualquer forma, sabemos que a integração de estações de rádio pela digitalização facilitará o gerenciamento da programação, o intercâmbio de programas, o seu controle e a sua monitoração. Vale destacar que essa tem sido a preocupação de muitas emissoras para viabilizar esse tipo de operação.

Os modelos existentes de rádio, ver imagens, tendem a seguir uma padronização mundial, ou seja, diminutos em tamanho e envolventes com menus e guias eletrônicos de programação, sejam eles receptores fixos, móveis ou portáteis.

Nesse sentido, pode-se afirmar agora que o rádio continuará sendo a mídia popular, mas com um diferencial. Poderá trabalhar com o acréscimo de dados adicionais, avisando com alertas de perigo público iminente e uma mídia rica em diferentes formas de conteúdo que a tecnologia digital permite.

Assim, o rádio digital do futuro, para continuar sendo atraente para o seu público e continuar atingindo novos públicos, precisará investir, em baixo custo do receptor, em metadata, em audio digital como dados, títulos, artistas, fotos, acesso por IP sem fio, transmissão de dados adicionais, texto, informações de trânsito, ligando dados específicos colocados num programa e etc.

Porém há uma coisa que todos precisam ter na base de sua programação de áudio: ‘a locução’. Pois, quando se navegar e não se ouvir ninguém, um(a) locutor(a) sequer em seu aparelho, além de um equipamento de baixo custo, seguramente essa mídia não é o rádio.

Ronald é diretor de rádio da SET e diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). e-mail: ronald@set.com.br