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O PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TV E USO DE METADADOS

SMPTE
O PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TV E USO DE METADADOS
OS METADADOS PODEM SER IMPORTANTES NA PRODUÇÃO DE TV, AINDA MAIS QUANDO ALIADOS AS PRINCIPAIS TECNOLOGIAS. NESTE ARTIGO SÃO ABORDADAS SUAS PRINCIPAIS FUNÇÕES DURANTE O PROCESSO DE PRODUÇÃO.
Por David Rayers
Em cada etapa do processo de produção, os metadados a serem coletados e usados têm diferentes características. O possível processamento dos metadados está listado para as principais etapas do processo de Produção de TV, com a indicação dos benefícios e custos em cada ponto. Alguns dos formatos dos metadados que são adequados e otimizados para broadcasting são brevemente descritos e as principais tecnologias – XML, MXF e AAF, estão identificadas. Uma tabela do processo de Produção é usada para mostrar como podemos armazenar e usar os metadados em cada etapa.
No processo de Produção de TV, a informação é coletada, processada, apresentada e distribuída tanto pela TV quanto pelos Sistemas de Informação. Esta informação, atualmente conhecida como metadados, requer administração eficiente para se tornar um importante elemento de redução de tempo, custos e esforços, onde a Produção agora tem que criar e entregar o produto para mais canais de distribuição do que no passado. Os metadados podem cobrir uma larga faixa de usos, portanto é útil dividí-los em categorias de acordo com a sua aplicação:
Metadados Técnicos ou Essenciais – Descrevem as características técnicas do próprio produto (por exemplo, largura da imagem e taxa de amostragem do vídeo). Esta informação é normalmente inserida diretamente no produto (vídeo e áudio) e tem sido processada desta forma por décadas. Esse não é o principal objetivo deste artigo, já que estamos experimentando processá-los como arquivos MPEG e streams do tipo SDI.
Metadados de Composição – Descrevem como várias partes de um programa foram agrupadas para formar uma saída completa. O melhor exemplo é a lista de decisão de edição – Edit Decision List – EDL.
Metadados de Produção ou Descritivos – Fornecem as informações de negócios sobre o programa e descrevem os artistas, scripts, staff, direitos, etc. Atualmente, este metadado é coletado informalmente pela maioria dos broadcasters. No futuro, um processo agregando estes dados eficientemente terá alto potencial para redução de custos.

Etapa por etapa do processo de Produção de Programas
Em cada etapa do processo de produção, os metadados podem ser coletados e possivelmente reutilizados. Cada ponto de coleta pode ser tratado como uma despesa, e isto precisa ser implementado sem traumas tanto quanto possível pelo staff de produção. Cada ponto de reutilização representa uma economia, pois ao acabarmos com a reentrada de dados, os erros serão reduzidos e será fornecida mais informação aos produtores de forma a auxiliá-los.

Comissão
Uma comissão surge quando um produtor convence a emissora de TV a financiar a transformação de uma idéia em um programa real. A comissão é muito importante na coleta de metadados para produção, pois agrega informações como o título do trabalho, identificação dos produtores, nomes de possíveis contribuintes, gênero e script inicial. Também pode ter descrições financeiras e de Direitos Autorais que serão aplicáveis ao restante do processo de produção do programa.
Em um departamento de produção, a gravação e o desenvolvimento de tais idéias raramente usa alguma tecnologia além da caneta e papel. Entretanto, alguns conceitos dos programas podem ser apresentados aos representantes em um formato ideal para tomada de decisão. Se este é o caso, o melhor formato para manusear metadados está nas tecnologias TI, como recursos da Internet ou pacotes proprietários de processamento de palavras. Em nossa busca para captura de metadados, precisamos importá-los a partir destas técnicas, armazenando-os em formatos processáveis.
O objetivo da coleta de metadados é criar um documento único que mostre toda comissão. Finalmente, como objetivo de longo prazo, isto pode ter o status de um documento legal, de modo que as técnicas de codificação de metadados devam ter as características exigidas, como segurança e assinatura.

Planejamento
Quando uma comissão é aceita, elabora-se um plano antes das filmagens. Freqüentemente, o software proprietário já estará disponível para ajudar. O plano abrange staff, recursos, criação de uma descrição artística no formato de um storyboard e roteiro (script).
O objetivo da coleta de metadados é tomar este planejamento de dados, provavelmente a partir de um número de fontes e pacotes de software e inseri-los em um banco de dados único ou num folder de documentos. Não é necessário que todos os softwares sejam completamente interoperáveis, mas devem exportar os dados coletados em um padrão definido que possa ser reutilizado.
O objetivo do uso de metadados é criar um conjunto completo de informações sobre a comissão e disponibilizá-lo para a equipe de produção.

Captação
O dispositivo de captação é a câmera, mas efeitos de som, gráficos, slides, legendas e música podem ser adicionados. Em qualquer ponto da captura há uma oportunidade de se coletar metadados, que pode ser feita automaticamente. Um exemplo é o GPS (Global Positioning System – Sistema de Posicionamento Global) que pode ser usado para identificar tomadas pelas coordenadas geográficas dos locais em que foram realizadas. Outros metadados, como comentários do produtor e anotações, podem ser capturados somente pela entrada direta no momento da tomada. Podemos permitir aos produtores adicionar metadados depois, se desejado.
O objetivo da coleta de metadados é maximizar a automação das funções de captação. Secundariamente deve haver facilidades para adicionar metadados a partir de outras fontes, como PCs, telefones móveis, PDAS e outros dispositivos. Espera-se que este metadado seja inserido diretamente nas fitas ou referenciado a partir de uma fita para outra estrutura de dados, mantida de alguma forma ao lado de um computador. Neste ponto da cadeia, os metadados podem ser vistos como portáteis, carregando o conteúdo, já que um link direto para uma base central de dados não é considerado prático durante a tomada.
O objetivo do uso de metadados aqui é muito importante, porque pode ajudar consideravelmente na tomada. Já tendo o documento da comissão e o folder do planejamento, é preciso um procedimento para torná-los referência para a tomada. Como antes, é importante que este dado esteja em um formato padrão, de modo que possa ser lido em uma aplicação terceirizada e, possivelmente, inserido no conteúdo enviado a partir de câmera.

Ingest (1)
Nessa etapa, todas as fitas e outros coletores de conteúdo utilizados durante a tomada, bem como os novos metadados, são transferidos para dentro do ambiente de edição, supondo que os metadados de planejamento e de comissão já estejam no sistema. Mais metadados podem ser gerados e introduzidos por um operador, marcando sessões tecnicamente pobres, regiões para processamento especial ou para serem extraídos automaticamente. Um dos itens de metadados mais úteis que podem ser extraídos neste estágio é a mudança de tomada, que pode ser utilizada mais tarde na organização e também na edição. O potencial para o futuro na captura automatizada de metadados é enorme, pois poderemos usar toda força dos computadores de reconhecimento para marcar e rotular o conteúdo.

O objetivo da coleta de metadados é sua captura, descrevendo o processo de ingest – como a identificação da fita e do conteúdo – a partir do operador e, automaticamente, a partir de material ingerido.
Todos os metadados capturados e já inseridos ou associados com o material, devem ser apanhados aqui da mesma forma. No ato do ingest, ou imediatamente após, os metadados podem ser capturados diretamente pela análise do material, usando algoritmos computadorizados para reconhecimento de padrões.
A finalidade do uso de metadados é a identificação das fitas, de modo que o operador saiba exatamente, e sem ambigüidade, o que está sendo ingerido. O software de metadados pode ser planejado de forma a organizar o material de uma forma automática, deixando-o pronto para ser utilizado na pós-produção.

Logging – (Registro)
O registro é a etapa em que os produtores revisam o material adquirido e gravam seus possíveis usos. Espera-se que toda captura de metadados ocorrida até este estágio possa reduzir fortemente este custo. O objetivo de longo prazo é remover, no geral, a necessidade de um processo separado de registro.
A captura de metadados visa permitir aos produtores revisar e adicionar metadados sobre o que já tiver sido capturado.
Sua principal intenção de uso é fornecer uma quantidade suficiente de dados capturados previamente, de modo que o processo de registro seja significativamente mais rápido, mais simples e mais informativo.

Edição
Nessa etapa ocorre uma pequena captura de metadados de produção, pois todo processo de edição está concentrado na captura de metadados de composição. Espera-se que todos os metadados associados com a tomada e com os clips individuais sejam preservados, de modo transparente, durante o processo de edição.
Em alguns casos, não é possível produzir, sem ambigüidade, as operações de corte e inserções. Há um debate sobre como os metadados, nesta circunstância, podem ser preservados de forma útil.
O objetivo de sua captura é produzir dados suficientes de composição (EDL) para representar precisamente a estrutura artística do programa.
Nessa etapa, o objetivo do uso de metadados é disponibilizar aos produtores qualquer informação derivada dos dados capturados previamente, que possam ajudar no processo criativo de edição.

Arquivo
O arquivamento é o principal processo para a reutilização de metadados, pois os arquivos são a base para uma pesquisa detalhada. A captação de metadados não apenas realça a pesquisa, mas também remove alguns dos custos e incertezas que os arquivistas podem ter ao catalogar o material.
Aqui, o objetivo do uso de metadados é fazer pesquisas e reutilizar o material arquivado de modo simples e eficaz.

Playout – Retirada dos dados(2)
Os metadados já são muito usados em playouts, pois em todas as produções são exigidos documentos descrevendo detalhes de transmissão, direitos e informações sobre pagamento. Enquanto isto já está automatizado, a coleta de dados ainda não está e, portanto a capacidade de alimentar a vasta maioria dos dados a partir dos primeiros estágios de produção irá reduzir os esforços e erros.
O objetivo da coleta de metadados é construir um arquivo informando quando e onde o material foi usado.
O objetivo do uso de metadados é pegar os já existentes referentes à negócios para preencher os documentos necessários para a administração do playout. Os futuros formatos de distribuição poderão usar diretamente os metadados. Por exemplo, sinopses, scripts e detalhes de atores, formam a base em um website. As partes dos metadados descrevendo a produção poderão ser irradiadas para as transmissões da TV Anytime(3).

Possibilidades dos formatos de metadados
Os bons sistemas de computação são construídos usando uma estrutura de camadas, portanto nesta discussão, não precisamos considerar níveis mais baixos como redes e transporte, que devem ser padronizados. Há uma série de técnicas usadas para representar metadados. As de maior interesse são: XML (eXtensible
Markup Language – Linguagem de uso estendido ), UMID (Unique Material Identifier – Identificador de Material Único), MXF (Material eXchange Format – Formato para troca de material), e AAF (Advanced Authoring Format – Formato Avançado de Autoração).
UMID, MXF e AAF são projetadas para e pela indústria de broadcasting e são otimizadas para suas aplicações. A XML é uma técnica de TI, de uso geral, para representar dados e tem sido muito explorada nos padrões MPEG-7 e MPEG-21 para descrever mídias, mas não está ainda otimizada ou compatível para metadados em broadcast. Na teoria, é possível usar MPEG-7 e MPEG-21 para transportar dados através da cadeia de broadcast, mas requer um trabalho adicional para representar inteiramente os conjuntos de metadados de broadcast que descrevem seus negócios.

XML
XML é um padrão que permite representar dados em um formato que é facilmente trocado em arquivos ou pela Web. As partes interessadas na troca ainda precisam concordar com o seu conteúdo e formato. Portanto, apenas resolve a codificação e a formatação, mas não os projetos e os problemas de compatibilidade. Várias ferramentas XML para codificação e processamento estão disponíveis para escritores de software e projetistas para Web. Algumas vantagens são sua relativa simplicidade, o fato de ele ser aberto e ter um bom suporte. As desvantagens são ser ineficiente em banda passante e ter área reduzida para armazenamento.
Os documentos XML podem ser convertidos no formato binário denominado BiM, o qual pode resolver alguns problemas de eficiência.

UMID
UMID é um rótulo padronizado para conteúdo. A idéia é que ao invés de intercalar os metadados diretamente com o conteúdo, ele atue como pesquisador de um número identificador (basicamente um ponteiro em um banco de dados –ID) dos metadados. A vantagem é que não há necessidade e, pode também não haver espaço, para manter os metadados diretamente em uma fita ou em um stream de dados. A desvantagem é que são necessários softwares relativamente sofisticados para serem operacionalizados em muitos pontos da cadeia de broadcast se UMIDs forem usados. Ainda não está claro se este tipo de base de dados sofisticada é uma possibilidade prática em uma cadeia de broadcast real e o UMID pode ser melhor explorado, inicialmente, dentro de subsistemas menores como “captura para ingest“.

O Arquivo MXF e o formato Stream
O MXF é o formato para troca de arquivos e também uma maneira de juntar, em um único arquivo, metadados e essência. Também é projetado para ser enviado como stream. A grande vantagem é que o trabalho completo – metadados com essência – pode ser transportado como um todo através ou entre sistemas ou mesmo entre arquivos de streams. Também podem ser transferidos por FTP (File Transfer Protocol – Protocolo de Transferência de Arquivos); na realidade, qualquer técnica existente e conhecida de manuseio de arquivos pode transportar MXF. É provável que este formato se torne a tecnologia- chave no broadcast.

O Formato de Arquivo AAF
O AAF descreve o trabalho que está sendo realizado como uma composição e permite links com muitas trilhas de diferentes essências intermediárias, junto a uma rica descrição de metadados. Sua principal função é transportar uma plena, mas talvez incompleta, composição entre editores e outros dispositivos.

O Modelo de Dados
A função de modelo de dados descreve totalmente os conjuntos e entidades que produziram os metadados, da mesma forma que quaisquer relações e regras de processamento. É um resumo em que se descrevem os dados, mas não se especifica como esta descrição é implementada. Um dicionário que define os atributos individuais e rótulos para os valores, como os adesivos do XML freqüentemente acompanham os modelos de dados para uma implementação em particular.

Arquivamos valores ou referências?
Os valores dos metadados podem ser colocados diretamente em um arquivo ou documento. Alternativamente, uma referência (por exemplo, o UMID) pode ser inserida, de modo que o decodificador leia a referência e busque o resultado, usando outro sistema de base de dados. A vantagem do valor é ser completo e direto, pois nenhuma outra base de dados é exigida para localizar o resultado. A vantagem de uma referência é permitir que o valor seja administrado, verificado e corrigido em um ponto central. Por exemplo, se um determinado nome e endereço for incluído em um arquivo como metadado e posteriormente mudar de lugar, a referência pode atualizá-lo, mas o valor não. É importante que, ao projetar um sistema, fique claro que este procedimento é correto para a aplicação sob consideração.

Complexidade e ilhas dos metadados
Como descrito anteriormente, os metadados tornam-se mais eficientes quando usados para trocar informações entre as etapas de produção.
Algumas vezes é sugerido que todas as etapas do processo de broadcast sejam comunicadas através de uma rede e base de dados comuns para se atingir o objetivo dos metadados. Em muitos casos isto não é pratico, pois abranger toda a base de dados pode ser muito complexo e de difícil administração. Particularmente, isto acontece quando a coleta de metadados é remota, a partir de um estúdio central, tal como uma tomada, mas também em uma organização de grande porte, com muitas premissas, que devem ser estabelecidas para o trabalho de uma forma autônoma, autocontida. Por isso, em muitos casos, sugere-se que os metadados sejam colocados em um pacote tipo MXF e transportados diretamente com a essência para a próxima etapa do processo. Tal simplicidade de concepção é importante para introduzir o manuseio de dados complexos em uma organização que também é complexa. A tabela mostra como os metadados podem ser descritos em cada etapa do processo de produção.

Conclusão
Listamos os tipos de metadados que podem ser coletados em cada parte da cadeia de produção e apresentamos um exemplo de como isto pode ser codificado em um sistema de padrão aberto. Em alguns lugares, o metadado é arquivado diretamente (por valores) e em outros, uma referência ou ponteiro deve ser buscado em uma tabela ou banco de dados. Os principais formatos de metadados para aplicações em broadcast são XML, MXF e AAF.

Nota do Tradutor
1 – Ingest – A tradução fica difícil porque o termo já se popularizou no mundo operacional. Em alguns pontos foi traduzido como ingerir. Ingest é melhor entendido no meio técnico como “alimentação”.
2 – Playout – Palavra nova, até em inglês. Surgiu da união das palavras Play e out – um verbo frasal que significa acabar, sair de algum lugar, sair etc, daí a idéia de usar retirada de dados que estão prontos.
3 – TV Anytime – É um Fórum constituído de grandes organizações em todo o mundo para desenvolver especificações gerais que habilitem Áudio-Visual e outros serviços de mercado de massa. Usam plataformas abertas de consumo para fazer armazenamento local. O site é www.tv-anytime.org