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O futuro da TV discutido em São Paulo

Nº 146 – Out/Nov 2014

por Fernando Moura e Francisco Machado Filho*

REPORTAGEM

A 26º edição do Congresso SET discutiu o futuro do broadcast brasileiro e mundial. Nesta segunda parte da cobertura relatamos as novas formas de captação 4K e 8K, a migração definitiva das emissoras do SD para o HD, além da cobertura satelital do país nos grandes eventos esportivos, e como o Brasil se prepara para elas. Ainda, falamos de rádio e Close Caption.

Ocongresso da SET deu especial importância às novas formas de captação de vídeo, por isso, as tecnologias 4K e 8K estiveram em destaque. Para isso, profissionais de vários cantos do mundo discutiram o futuro destes formatos, seus workflows e os equipamentos necessários para a sua implantação.
A palestra “Produção 4K/ 8K”, moderada por Celso Araújo (SET), gerou muito expectativa nos congressistas mostrando que o futuro da indústria caminha para formatos em 4K e 8K. Para Araújo, é muito importante mostrar os avanços e estabelecer a evolução do 4K, a sua aplicação na área de produção, os avanços para a produção ao vivo e as influências nas mudanças no mercado de produção e distribuição de conteúdo criadas devido aos novos formatos.
Matthew Goldman (SMPTE/Ericsson) disse na palestra que “o que torna o UHDTV uma experiência de visualização envolvente” é a forma como ela é captada e como é visualizada. Algumas discussões afirmam, segundo Goldman, que a solução está no afastamento correto, em relação à tela, para melhor visualização e percepção da alta qualidade da resolução do UHDTV, o que demandaria que este fosse maior do que as telas comuns para os espaços domésticos. Contudo, com essa tecnologia existem muitas outras considerações mais importantes do que a resolução da imagem para uma experiência de profunda imersão do telespectador.
Na palestra “trabalhando com workflows desde 4K até 6K nativos”, Gustavo Brunser (ADOBE) afirmou que “para a empresa está claro que a TV está mudando” para uma “plataforma network”, e um exemplo disso é o youtube que já tem um “workflow completo em 4K na internet” por isso “na Adobe percebemos que muitos clientes estão começando a criar o workflow nativo em 4K e precisamos fornecer isso” e ter um “suporte nativo neste formato”.
Brunser explicou como é possível ingestar e editar, em formato nativo, imagens em 4K nos sistemas da marca, e quais os seus principais benefícios para a indústria. “O importante de trabalhar em formato nativo é não perder qualidade”.

O evento reuniu especialistas dos Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina

Para continuar com o conteúdo sobre 4K, Gustavo Marra (ATEME) trouxe exemplos de como é possível transportar os conteúdos gerados na conferência “HEVC & Conteúdo entrelaçado para Broadcast”. Um exemplo disso “foi a Copa do Mundo que foi transmitida em HEVC, que permite compressão suficiente para poder transmitir de 15 a 25 megabits”.
O HEVC “foi pensado para vídeo progressivo, mas que este tipo de codec pode ser utilizado em sistemas HD em entrelaçado que ainda são mais de 75% de produção”. De acordo com Marra, este “codec reforçou o H.264/ HEVC e já temos padronização para distribuição, estamos esperando o que vai passar com a contribuição”.
Em outra palestra, representantes da TV Globo, NHK, RNP e NTT contaram em primeira pessoa como foi realizada a transmissão via IP dos jogos realizados na Copa do Mundo com tecnologia 8K.
A palestra “Produção 8K, um salto para o futuro na transmissão da Copa 2014”, moderada por José Dias (TV Globo) trouxe a São Paulo os detalhes das transmissões em 8K realizadas pela NHK no Brasil e Japão durante a última Copa do Mundo.

Um grupo seleto de mais de 1.600 profissionais discutiram as questões mais relevantes do setor intensamente durante um período de 4 dias

A mesa começou com a alocução de Gabriel Ferrareso (TV Globo) que explicou como e onde foram realizadas as apresentações em 8K realizadas pela NHK durante a Copa do Mundo. “Pessoas que não estão tão próximas das tendências do mercado perceberam a diferença e como ela muda a forma de assistir. Para nós, os testes foram um êxito”.
“Realizamos uma pesquisa e nela percebemos o que as pessoas querem e se um dia esta tecnologia virar realidade no país será muito bem aproveitada pelos telespectadores”, afirmou.
Leonardo Ciuffo, gerente de pesquisa e desenvolvimento da RNP, explicou como funcionou o sistema e como ela foi utilizada nas transmissões em 8K durante a Copa do Mundo realizada no Brasil. Isso porque, segundo ele, a parceria com a NHK começou em 2013.
Segundo Ciuffo, foi utilizada uma rede acadêmica pela sua escalabilidade e por sua experiência prévia em transmissões, como as de 4K realizadas em 2013. “A captação foi feita nos estádios em 8K pela NHK, entre o estádio e o IBC o sinal foi transportado pela rede da Telebras. Desde o IBC saiu o streaming 8K passando pelo Instituto de Física do Rio e utilizando algumas redes parceiras nos Estados Unidos para assim chegar ao seu destino em 8K”, afirmou.
Ciuffo disse que “foram enviados dois fluxos de vídeo simultâneo para assegurar que o sinal chegasse ao Japão”.
A seguir, Hiroyuki Okubo (NHK) abordou o desenvolvimento da tecnologia 8K (câmera, OB Van, codec, projetor, LCD) e a sua utilização durante a COPA 2014 para ser emitida no Japão. O engenheiro da televisão pública japonesa explicou os conceitos básicos da tecnologia SHV (Super HiVision) dando especial destaque ao áudio que funciona em 22.2ch e, “eleva a qualidade da recepção do telespectador”, além de trabalhar com Loudspeaker Frame Integrated na tela.
Okubo mostrou a evolução das câmeras 8K, entre a primeira construída em 2002 com 8M pixel x 4 sensores e 80 quilos até a última desenvolvida em 2013, que é portátil. “Cada dia evoluímos mais e estamos criando câmeras mais leves e com qualidade SHV” disse. E não é só, já desenvolvemos as interfaces para essas câmeras como decodificadores como o H.264 SHV e encoder para esta tecnologia.
“Trabalhamos com 3 câmeras 8K em uma unidade móvel 8K, mais dois 4K SSM com microfones esféricos especialmente desenvolvidos para o evento. Realizamos eventos em 4 cidades do Japão: Takushima, Osaka, Toyosou e Yokosama projetando os jogos para mais de 9 mil espectadores e a experiência foi muito bem-sucedida”.
Finalmente, Fujii Tatsuya (NTT) falou sobre a transmissão internacional da Copa em 8K entre o Rio de Janeiro e Tóquio explicando como foi feita a transmissão de mais de 18 mil quilômetros que separam as duas cidades feita por um IP muito robusto.

Palestra “Transmissão e distribuição: Satélites, Copa do mundo, Jogos olímpicos”, reuniu representantes de seis empresas do setor

Ainda tentou definir quais são os novos caminhos através da combinação das redes de pesquisa e educação para transmissão de 8K e trabalhou alguns conceitos da tecnologia de correção de erro (LDGM-FEC).
O streaming foi feito a 300 MBps depois de realizada a compressão para H.264. “Garantimos a confiabilidade da rede depois de muito trabalho, para isso tínhamos de ter diversos links de transmissão, um sistema de correção de erro e uma transmissão paralela com monitoramento constante”, disse Tatsuya.

Transmissões via satélite
O Congresso da SET dedicou um espaço importante da sua edição anual para debater as transmissões satelitais e as suas novas tecnologias.
A primeira palestra sobre o tema, “Transmissão & Distribuição. Tutorial: SNG, Drive-Away e Fly-Away na contribuição de TV via satélite”, moderada por José Raimundo Cristóvam (SET/UNISAT/UFF), abriu o Congresso na sala 12, na manhã do domingo 24 de agosto de 2014.
Nela ficou claro que investimentos consistentes e escolha de uma banda adequada podem ser fundamentais na hora de aliar qualidade e baixo custo, porque, segundo Cristóvam, “o grande desafio na produção de conteúdo externo em tempo real é baixar custos”.

Professor José Cristóvam abriu a primeira sessão que discutiu o trabalho externo na cobertura de eventos em tempo real

A efemeridade da tecnologia de transmissão e recepção via satélite, segundo Cristóvam, requer muito mais que investimento, mas principalmente planejamento. A determinação das escolhas disponíveis será determinante na hora de colocar o projeto em execução. “De um lado você quer o melhor, mas quer pagar o preço de cachorro-quente, isso não existe”, ressaltou ao apontar que os investimentos devem ser consistentes.
Ainda segundo Cristóvam, devido ao valor agregado das transmissões em tempo real, tanto para o jornalismo, como demais coberturas externas (musicais, esportivas etc.), a tecnologia tem evoluído junto com as ferramentas de recepção. “Seja firme, não aceite soluções de prateleiras. Milagres não existem. Não há como fugir de uma análise meticulosa caso a caso”, destacou.
Bart Van Utterbeek da NewTec, falou sobre as diferenças das transmissões via satélite por banda C, banda KU e banda KA. “Quando cheguei ao Brasil, todos diziam que a banda KU não funcionava por aqui”, disse apontando que atualmente a banda é utilizada, e para escolher a mais viável é preciso conhecer as necessidades de cada situação.
“A banda C é mais robusta, tem uma cobertura maior, mas requer antenas maiores”, destacou e reforçou que a banda KU é bem aceita na transmissão de conteúdo jornalístico. “São transmissões de alta potência, exigem antenas menores e a área de cobertura é razoavelmente grande”, enfatizou. Quanto à banda KA, o palestrante destacou que ela é uma solução compacta, mas é muito susceptível a queda em caso de precipitação de chuva. “Ela geralmente é usada para que o repórter mantenha a comunicação com o estúdio”, exemplificou.
Esta seria uma solução de baixo custo, segundo o que apontou Utterbeek.
O palestrante ainda destacou que a produção de conteúdo para diversas plataformas, como por exemplo para TV, portais e aplicativos de segunda tela, tem exigido formas de conexões mais eficientes dos meios de produção.
O último palestrante da sessão, Alex Pimentel (SET/ Casablanca ON LINE/IBRASAT) descreveu as preferências do mercado brasileiro na demanda de broadcast nos últimos eventos ocorridos no país.
“Nós tínhamos várias expectativas para os últimos eventos ocorridos no Brasil como, por exemplo, as manifestações durante a Copa, a falta de capacidade da fibra ótica e satélite, um congestionamento na rede de dados, e logicamente um congestionamento nas cidades-sede do mundial”, relatou Pimentel e ainda acrescentou que não houve manifestações significativas, não faltou banda em satélite, e também os congestionamentos não ocorreram. De acordo com ele, os recursos disponíveis para a viabilização de transmissão broadcast foram usados em sua integralidade.
Para melhorar as transmissões de broadcast, Pimentel lembrou que estão sendo instalados nas áreas comuns de eventos pontos de fibra ótica. “Praças, praias, alguns pontos mais comuns, o profissional chega, se conecta e faz a sua transmissão, mas o satélite ainda permanece em grandes eventos, e cada vez mais em situação de back-up. O satélite tem uma facilidade maior de trabalho, ou uma solução mais rápida para qualquer problema por queda de sinal”, finalizou.
A palestra “Transmissão e distribuição em ISDB: Como transmitir sinais de TV Digital com qualidade?”, moderada por Vanessa Lima Oliveira (SET/Pro Television), abordou a dificuldade de interiorização da TV Digital no Brasil e os custos para a implantação do sinal.
O palestrante Yuri Pontes Maciel, da Universidade Prebisterana Mackenzie, apresentou uma pesquisa acadêmica sobre a facilidade de desenvolver rapidamente, de maneira confiável, transmissores, receptores e moduladores baseados em software.
Se antes o hardware era responsável pela maior parte do processamento de dados, a partir desse modelo pesquisado pelo palestrante, o software é o responsável pela parte mais crítica do processamento. “Isso faz com que qualquer um possa desenvolver um sistema de transmissão, não sendo necessário ter conhecimento da programação, mas bastando ter consciência sobre o processo e a finalidade”, destacou.
E se uma das preocupações são os custos para o desenvolvimento de produtos de qualidade na transmissão, Maciel destacou que em seu projeto ele utilizou uma plataforma de desenvolvimento livre, o que significa zero de gasto com software. “Eu tive que me esforçar um pouco mais pra conseguir desenvolver, eu consegui chegar no propósito que a gente queria. Mas por ser software livre é mais difícil encontrar manuais e muitas informações vão para os fóruns especializados”.
Para Keith Pelletier (Dielectric LLC), a qualidade na transmissão está diretamente ligada à antena emissora do sinal. Pelletier apresentou trabalhos realizados em Nova York e no Estado da Carolina do Norte, na construção de duas antenas potencializadas para que atenda à nova demanda do mercado, de custo viável, e com alcance satisfatório. “Para televisão digital é importante que tudo seja feito de forma confiável, com bons fabricantes. Além disso, o design da antena tem que ser simples e eficiente” enfatizou.
Mesmo tendo iniciado as operações há mais de cinco anos no Brasil, a TV digital ainda não conseguiu ocupar o interior do país. Sobre esse assunto Glenn Zolotar (Hitachi Kakusai Linear) disse que “a qualidade do sinal depende de vários fatores. Desde a geração até a recepção. Falar em qualidade com muito dinheiro pra investir é fácil, o X da questão é fazer isso a um preço que seja acessível ao radiodifusor. Gerar e transmitir com qualidade e baixo custo”.

Keith Pelletier (Dielectric LLC) ressaltou que a qualidade da transmissão está diretamente ligada ao design da antena

Cobertura satelital nos Jogos Olímpicos Rio 2016 Um mês depois da finalização da Copa do Mundo Brasil 2014, as empresas do setor adiantam perspectivas favoráveis para transmissão dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Isso porque os resultados da transmissão da Copa do Mundo de 2014 foram positivos e porque as empresas estimam lançar cerca de 10 satélites para a cobertura dos Jogos Olímpicos e atender toda a demanda específica do evento.
A palestra “Transmissão e distribuição: Satélites, Copa do mundo, Jogos olímpicos”, moderada por José Raimundo Cristovam (SET/UNISAT) focou em resultados da transmissão da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 e na apresentação de expectativas para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Fizeram parte representantes de seis empresas provedoras de sinal de satélite – EUTELSAT, HISPAMAR, INTELSAT, SES, EMBRATEL Star One, e TELESAT Brasil – a discussão foi bastante específica sobre as capacidades de transmissão.
“Alguns anos atrás viemos com uma discussão sobre um possível problema em transmissão satelital durante a transmissão da Copa, e todos os grandes eventos que aconteceram provaram o contrário”, afirmou José Édio Gomes, diretor de operações da HISPAMAR.
Lincoln A. Oliveira, diretor geral da EMBRATEL Star One, complementa: “Tivemos um tráfego muito grande de dados e não vimos ninguém reclamando sobre problemas de comunicação, mostrando o sucesso de todo o investimento”.
Quanto aos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, Estevão Ghzioni, diretor para a América do Sul da INTELSAT, explica que “o evento é localizado, mas a imensidade de jogos acontecendo ao mesmo tempo exige uma demanda de banda muito alta e aí que está a importância do investimento nos satélites”. Além disso, “não é só vídeo que é importante nas olimpíadas, mas sim toda a rede de telecomunicações”, aponta Oliveira.
A palestra “Produção – Projeto Olimpíadas”, moderada por José Amaral (Rede Record), discutiu os vários aspectos logísticos e tecnológicos da transmissão das Olimpíadas que se realizarão no Rio de Janeiro.
O primeiro a expor foi John Pearce (OBS – Olympic Broadcasting Services), explicando a importância da organização da OBS para a transmissão bem-sucedida dos jogos olímpicos.
Ao longo das últimas edições do evento, a transmissão tem evoluído em qualidade e sofisticação. Nos Jogos Olímpicos Londres 2012, quase 100% do tempo de competição foi transmitido ao redor do mundo e mais de mil câmeras foram usadas.
Para isso, foi necessário um extenso trabalho de planejamento e logística.
“O nosso trabalho é importante porque milhares de pessoas assistem aos jogos pessoalmente, mas milhões e até bilhões de pessoas acompanham o evento pela televisão”, Pearce explicou.
Para os jogos no Rio de Janeiro, a OBS espera transmitir todo o evento em Full HDTV, áudio surround 5.1 e dispor de quase todas as câmeras com High Motion.
Márcio Rossini (Embratel) focou sua palestra na infraestrutura que a Embratel terá que construir no Rio de Janeiro para que as transmissões possam ser feitas. Segundo ele, um dos maiores obstáculos a ser superado é a logística geográfica do evento, que irá contar com venues de competição espalhadas por quatro regiões diferentes da cidade.
“Cada uma [das regiões] coloca desafios diferentes para a Embratel no trabalho de prover infraestrutura”, disse. Para lidar com esse desafio, o projeto para as olimpíadas deverá contar com mais de 300km de fibra óptica, além de uma estrutura forte para oferecer os links urbanos, domésticos e internacionais. A estrutura deve, assim como na Copa do Mundo deste ano, estar preparada para transmitir qualidade 4K de contribuição. Para falar sobre a possível parceria com a Panasonic para dar suporte à operação de transmissão das Olimpíadas, Neil Ugo (Panasonic) explicou quais são as tecnologias que a empresa está disponibilizando no mercado e quais são suas aspirações para o futuro. O destaque da empresa no momento são as câmeras com tecnologias wireless, que podem não só gravar o conteúdo em cartão 2P, mas também fazer o upload dele em proxy através de Wi-Fi ou LTE/4G.

TV Globo, NHK, RNP e NTT contaram em primeira pessoa como foi realizada a transmissão via IP dos jogos produzidos na Copa do Mundo com tecnologia 8K

Em termos de qualidade de vídeo, a nova Varicam 35 é um equipamento de dois módulos que capta em 4K quando os dois estão juntos, mas pode ser usada com um só módulo, gravando em qualidade HD e se tornando mais portátil. Além disso, a Panasonic pode oferecer todos os equipamentos necessários para a montagem de um sistema de controle de câmeras.
Por fim, Benjamin Mariage (EVS) falou sobre a estrutura que a EVS ofereceu trabalhando em parceria com a OBS nos Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Sochi, na Rússia. Entre as várias contribuições, foram destacados os servidores XT3, disponibilizados tanto para OBS quanto para emissoras detentoras de direitos de exibição do evento. Além disso, uma ferramenta Live Logging permitiu que 30 emissoras licenciadas fizessem busca do conteúdo produzido através de clientes que utilizavam palavras-chaves para facilitar o processo. Por fim, Mariage falou sobre o sistema de armazenamento usado pela OBS para guardar em tape todo o conteúdo produzido nas últimas edições de jogos olímpicos, o Tape Library Management System.
Após todas as apresentações, José Amaral ainda questionou os palestrantes sobre as inovações que devem ser trazidas para os Jogos Olímpicos Rio de Janeiro 2016. “Ainda faltam dois anos, então não dá para garantir muita coisa, mas queremos trabalhar ainda mais com câmeras de High Motion e talvez avaliar o uso de drones, que já exploramos em Sochi”, esclareceu Pearce.

Casas conectadas
Um dos principais utilizadores de satélites no Brasil são as operadoras de TV por assinatura. Assim, atentas aos novos hábitos dos espectadores, estas apresentaram soluções para uma distribuição eficiente por satélites, casas conectadas e aplicativos de conteúdo e programação.
A TV por Assinatura tem obtido índices favoráveis de crescimento no Brasil para atender as novas demandas dos assinantes, vem buscando soluções na transmissão de conteúdos no sistema DTH e na utilização de aplicativos de conteúdo, redes sociais, programação e etc., adequados a cada perfil de assinante.
César do Amaral (Claro TV) apresentou o uso e demanda dos satélites na oferta de TV paga e internet utilizando-se, principalmente, da banda Ka. A seguir, Christoph Limmer (Eutelsat) demonstrou o sistema Smart LNB visando a integração dos mundos IP e broadcast. O sistema prevê enviar via antenas parabólicas padrão do sistema DTH as mesmas funções da TV terrestre: a TV linear, conteúdo das Smart TV’s , TV social, video on demand, múltiplas telas e múltiplos dispositivos, aplicações de segunda tela e mais.
A previsão do sistema Smart LNB estar disponível no mercado é de 12 ou 18 meses.
Therry Martin (Nagra) apresentou o futuro dos aplicativos na TV por Assinatura, que segue o mesmo padrão que vem sendo apresentado pelas emissoras de TV broadcast e que oferecem uma enorme gama de serviços se utilizado com os dispositivos existentes hoje no mercado (smartphones e tablets). Estima-se que haja no mercado mundial 2 bilhões destes dispositivos em uso.
Ao final da sessão Andreza Dorta (ST) apresentou as inovações que vem acompanhando as novas tendências de uso e consumo de conteúdo audiovisual e games e as casas conectadas. Ambientes informatizados com servidores próprios que distribuem o conteúdo pelos diversos ambientes e dispositivos de cada casa.

Ciro Noronha (SET/TV Globo) explicou as vantagens e desvantagens dos padrões de vídeo sobre IP

Estruturas IP debatidas ao pormenor
As estruturas baseadas em IP são uma tendência cada vez mais clara na indústria, por isso, o Congresso SET 2014 deu muita atenção ao tema. A palestra “Tutorial: saiba tudo sobre o DVB-S2X, conheça o MPEG-H e avalie os prós e contras de cada protocolo de vídeo sobre IP”, moderada por Liliana Nakonechnyj (SET/ Rede Globo), debateu os diversos padrões de transmissão de vídeo sobre IP que impõem uma escolha cuidadosa observando caso a caso e a demanda específica de cada cliente.
Três palestrantes abordaram o tema que vem sendo cada vez mais utilizado na entrega de conteúdo audiovisual por parte das emissoras de televisão e serviços de OTT.
O palestrante Ciro Noronha (SET/TV Globo) abordou as diferentes opções nos padrões de transporte de vídeo sobre IP. Afirmou que “há uma grande oferta de padrões para transporte de vídeo sobre IP atualmente”, e que o grande desafio é saber “como escolher o melhor?”

Ressaltou que essa escolha depende de cada caso, ou é de acordo com a demanda específica de cada cliente, pois cada formato tem vantagens e desvantagens e que uma escolha equivocada poderá comprometer a experiência do usuário. Basicamente a transmissão por IP se baseia na perda aceitável de informação em cada pacote enviado. Noronha analisou os padrões UDP e TCP e suas utilizações e limitações.

Leonel da Luz (Grass Valey) fez uma introdução ao problema de congestionamento aplicado aos sistemas tapeless, através da abordagem analítica da Teoria das Filas e numérica da Simulação para o dimensionamento das redes em sistemastapeless

Afonso Carrera (Fraunhofer ISS) também abordou a transmissão sobre IP, mais especificadamente a entrega de conteúdo em áudio, 3D, Surround etc., conteúdo presente principalmente em produções cinematográficas e esportivas. Carrera abordou o decoder MPEG-H que possui uma melhor qualidade com menor perda de bitrates. Dentre as vantagens, o MPEG-H suporta estéreo e multicanal, possui codificação eficiente e está preparado para o 8k e todos os sistemas como 2.0, 5.1 etc.
Finalizando a sessão, Gerard Faria (Teamcast) apresentou palestra com o tema: os mistérios do DVB-S2x. Formato em desenvolvimento na Europa que está sendo desenvolvido para atender às novas demandas da TV Ultra HD (4Ke 8K) a TV Híbrida e a mobilidade.

Sistemas Tapeless
A crescente demanda de uso dos sistemas tapeless está causando congestionamentos nas redes corporativas de emissores e produtoras audiovisuais. Isso pode representar baixa produtividade e elevação de custos. Diante disso, a palestra “Gerenciamento: dimensionamento de redes para sistemas tapeless”, moderada por Sério Tadeu Guaglianoni (SET/MEGA TV/MIX TV/ MIX FM), discutiu o tema.
Como dimensionar o tamanho necessário de uma rede para atender a utilização de sistemas tapeless nas emissoras de televisão? Esta tarefa geralmente é definida pela necessidade de cada emissora aumentandose o tamanho da rede de acordo com a demanda. Essa norma, porém, gera mais problemas do que soluções.
Essa foi a percepção que se pôde fazer com a apresentação de Leonel da Luz (Grass Valey) na primeira palestra dessa sessão. Luz enumerou os principais causadores dos congestionamentos nas redes criadas sem planejamento e estudo anterior: o excesso do tráfego de chegada demora do atendimento, dimensionamento inadequado, falta ou abandono das regras de uso e novas demandas.
A proposta da Grass Valey se baseia em estudos reais sobre os modelos já implantados ou estudos matemáticos tendo como base a teoria das Filas e os estudos de probabilidade.
Darso Pasquale (AD Digital) também abordou a questão do gerenciamento e dimensionamento das redes apresentado sua tipologia híbrida de uso dos protocolos de armazenamento e recuperação dos arquivos digitais. Os cálculos sobre os tamanhos de arquivos utilizados nos protocolos NAS, DAS e SCAN e sua integração, diminuem consideravelmente o tamanho e a velocidade de transporte dos arquivos nas redes.
Ao término da sessão, Sônia Reese (Avid) apresentou o case do canal Fox Sport para a copa do mundo de 2014. A Avid utiliza uma única plataforma para seus produtos Mediacentral/ UX. Um sistema que realiza uma pré-busca automatizada nos ativos não importando o conteúdo, seja áudio, vídeo ou jornalismo. A pré-busca é a que facilita a comunicação com os diferentes pedidos dentro das emissoras permitindo um gerenciamento em ambiente ponta-a-ponta, edição na nuvem e a distribuição para diferentes meios.
Outro tema interessante foi o que debateu o vídeo on-line nos dispositivos móveis. As dificuldades de ter conteúdo audiovisual nos celulares e tablets desafiam os canais por melhor qualidade e mais agilidade na transmissão na palestra “Internet: mercado de vídeos on-line”, moderada por Marcelo Azambuja (SET/ Globo.com).
A entrega de vídeo nos dispositivos móveis foi um dos temas abordados durante o painel que trouxe profissionais do Terra.com.br, da Globo.
com, do Youtube e da SambaTech. Com o intuito de promover um debate em torno da logística de entrega do conteúdo, os palestrantes se basearam em dados coletados pelas empresas, como tráfego, números de acesso e avaliação de experiências para apontar possíveis caminhos no mercado de vídeos on-line.
Werner Michels do Portal Terra trouxe para o painel as experiências da empresa para auxiliar na construção de um desenho sobre o futuro dessa modalidade de distribuição de conteúdo audiovisual. Segundo ele, a transmissão de vídeos pela internet evoluiu bastante, no entanto assistir vídeo nos dispositivos móveis através da rede 3G é o grande desafio dos desenvolvedores. “Nós não temos controle sobre a área de tecnologia das operadoras de internet móveis, e a eficiência desse serviço influência diretamente na experiência que o usuário vai ter ao assistir o vídeo”, destacou.
Consciente dessa limitação, Michels contou que ele é franco com o contratante, “é importante alinhar as expectativas do dono do conteúdo com a realidade, a primeira ligação que ele receber de alguém dizendo que não está vendo a transmissão, certamente vai ficar insatisfeito com o seu serviço” explicou ao se referir aos provedores.
De acordo com dados apresentados nesse painel, especialistas afirmam que haverá um crescimento de 70% no tráfego de dados da rede móvel até 2018. A velocidade média no Brasil é de 2,6 Mbps.
Rafael Pereira (Globo.com) apresentou um case sobre a transmissão da Copa do Mundo realizada pelo portal. Para mostrar o crescimento na demanda pelos jogos via internet ele trouxe números para um comparativo com as transmissões anteriores.
De acordo com os dados do próprio portal, 44 mil internautas assistiram a primeira transmissão da Copa pela internet feita em 2006. Neste experimento, eles utilizam o Windows Media como player e dispararam de seus servidores 7.8 Gbps em imagens distribuídas. A velocidade de acesso média naquela época para o usuário final era de 420 kbps.
Na Copa seguinte (2010) os números mostram um vertiginoso crescimento pela busca do conteúdo da Globo on-line durante os jogos. Com player otimizado, o streaming agora em flash atraiu 285 mil usuários simultâneos, o que representa um crescimento de quase 600%. Na seguinte edição da competição o número de pessoas que assistiu os jogos pela internet quase que dobrou. Foi registrado um total de 490 mil acessos.
No entanto, a estrutura preparada pela equipe técnica foi para suportar 1 milhão de acessos simultâneos, o que indica que ficou muito abaixo do esperado. Mesmo assim, Rafael Pereira disse que faz uma avaliação positiva da transmissão, “estávamos preparados para um milhão de acessos, caso isso ocorresse”, enfatizou.

A transmissão e distribuição da TV paga foi tema de concorrida sessão que ainda tratou das possibilidades de interatividade via aplicativos para TV paga

Para atrair a audiência do público, Pereira destaca que não é necessário oferecer apenas a transmissão on-line. Várias ferramentas que estavam disponíveis apenas na versão on-line, algumas somente para assinantes da Globo.com, foram incorporadas no portal durante a cobertura da Copa.
Além de poder rever os lances na hora que quisesse sem sair da transmissão ao vivo, o internauta também podia escolher o melhor ângulo para apreciar a jogada.
E para endossar ainda mais o assunto de vídeo via internet, a representante do maior portal de audiovisual na rede, trouxe para o painel diferentes estratégias adotadas pelo Youtube para fidelizar o internauta.
Responsável pelas parcerias estratégicas do portal de vídeos do Google, Sandra Jimenez destacou que é preciso muito mais que oferecer conteúdo bom e de qualidade para garantir o sucesso de um canal, “é preciso criar fãs. Quando o internauta se torna fã, ele quer muito mais que assistir, ele quer participar, quer criar a versão dele, quer divulgar para que amigos dele também assistam, é isso que mantém a audiência”, exemplificou.
Sandra ainda apresentou importantes dados que ratificam o que ela afirmou durante sua palestra. Segundo ela, exemplo disso são os canais dos humoristas brasileiros “Porta dos Fundos”. “Na segunda-feira, às 11 horas da manhã, quando o pessoal vai subir o vídeo, o canal deles tem o mesmo número de acesso naquele horário que o resto da semana.
Isso demonstra a fidelização do usuário e a criação de uma rede de fãs. Eles ficam esperando para poder participar, compartilhar, interagir”.
Com relação a mobilidade dos vídeos exibidos na internet, Sandra apresentou um número que demonstra que a cada quatro vídeos assistidos no “Youtube” um deles é acessado de dispositivo móvel. “Em cada uma das telas o usuário consome conteúdo diferente. Enquanto está assistindo a novela, está respondendo as mensagens no celular e verificando os e-mails no tablet” explicou.
Rodrigo Paolucci (CEO da SambaTech), destacou as facilidades de consumo e produção de audiovisual via internet. “O antigo consumidor de conteúdo era passivo, agora ele além de ativo quer produzir o seu conteúdo também, o que tem provocado um caos nas plataformas”, argumentou.
Uma pesquisa que ele apresentou no painel, mostrou que 70% dos vídeos disponíveis na internet foram visualizados por menos de 500 vezes, o que, segundo o profissional, representa que não obtiveram a audiência desejada pelos produtores.
“É preciso estar preparado para atender a demanda e produzir vídeos multiplataformas para valorizar seu produto. O usuário está cada vez mais selecionando aquilo que é relevante para ele, e o produtor precisa construir essa base de conteúdo relevante também”.
De acordo com Paolucci, em grande parte desses 70% dos vídeos que não obtiveram a audiência desejada, quem começa a assistir o conteúdo sai do canal nos primeiros 20 segundos depois de apertar o play. Para ele, o planejamento e distribuição do conteúdo é fundamental para atingir o público desejado, e obter sucesso na produção. “O conteúdo pode ser rei, mas a distribuição é a rainha”, finalizou.

Gráficos usados em tempo real nas coberturas jornalísticas
O uso e a manipulação de objetos criados através da realidade aumentada durante as transmissões ao vivo, foram debatidas na palestra “Avanços Tecnológicos na Produção e Jornalismo”, moderada por José Dias (TV Globo).
Eduardo Mancz (VizRT), apresentou as novidades no setor de processamento gráfico na produção audiovisual. “Em termo de tecnologia (de captação) não houve muita mudança, o que mudou foi a capacidade de processamento” destacou ele.
O palestrante apresentou diversos trabalhos feitos para clientes da VizRT na criação de cenografia digital, e projeções de elementos de realidade aumentada em tempo real.
Mancz também mostrou um projeto desenvolvido para a BBC (British Broadcasting Corporation), para ser usado na cobertura de eleições.
O vídeo exibido mostrou os estúdios da emissora onde os âncoras utilizam espaços criados com realidade aumentada. Os elementos virtuais apresentam maior integração com os apresentadores que agora conseguem não apenas apresentar dados, exemplificar informações, mas também manipulam objetos de realidade aumentada.
O palestrante da Orad, Luis Pinievsky, deu continuidade ao assunto sobre os efeitos visuais utilizados no jornalismo. Pinievsky apresentou trabalhos desenvolvidos pela empresa e explicou de maneira resumida o processo de criação dos produtos. Além disso, ele também ressaltou como é feito o controle de luz, câmeras, chroma key, e todos os recortes para que o efeito visual seja percebido como se fosse um objeto real presente no estúdio.
“A tecnologia permite melhorar o conteúdo, criar um impacto maior na história e fazer uma ligação entre conteúdo e emitente,” destacou ao ressaltar que os efeitos visuais auxiliam na melhor leitura da narrativa.
Na fase final de sua fala, Pinievsky apresentou os equipamentos de hardware e os softwares utilizados pela multinacional para obter os resultados mostrados na palestra.
Para apresentar as últimas novidades no mundo da tecnologia de captação de imagens, Neil Ugo (Panasonic) apresentou a Varicam 35, equipamento que grava em 4k. Além disso, a tecnologia proporciona uma nova experiência não só na captação, mas também no processamento, edição e até finalização da imagem. Através de um armazenamento na nuvem, o sistema live streaming, disponibilizado pela empresa, possibilita que da redação o material seja editado e posteriormente transmitido. Isso só é possível graças ao sistema de compressão que viabiliza um fluxo rápido na edição e só depois o material pronto para ir ao ar é baixado na sua qualidade máxima.
Ugo também apresentou as possibilidades de monitoramento em tempo real do resultado da captação de imagens. “São monitores e tablets de 20 polegadas em 4K que podem ser levados para as gravações externas”.
Do outro lado, a empresa Sony trouxe seu mais novo lançamento no mercado do audiovisual. O representante da marca, Hugo Gaggioni, apresentou “a PMW-F65 4K System – única câmera que capta imagens em 8K disponível no mercado”.
Gaggioni também apresentou um trabalho desenvolvido pela marca durante a Copa do Mundo no Brasil.
A Sony produziu 3 jogos do mundial com a tecnologia 4K e transmitiu o sinal para Londres. A exibição ocorreu em um cinema e somente jornalistas convidados, de diversas partes da Europa participaram. Ele ressaltou que tanto a tecnologia 4K, quanto a 8K possibilitam a abertura de janelas, expandido o conteúdo no monitor de vídeo sem perder a qualidade dos pixels. “Isso está sendo usado para rever lances polêmicos, já que é possível aproximar oito vezes mais sem perder a qualidade”.
Quem finalizou a palestra foi o representante da Nvidia, empresa que fabrica placas de processamento de dados, utilizadas na criação e renderização de imagens. Michael Kaplan destacou que conforme a tecnologia avança, mais realistas ficam as histórias contadas, seja no entretenimento ou no jornalismo.
Acessibilidade na TV Brasileira A acessibilidade no mercado de broadcast, sem dúvida, perpassa por uma discussão sobre a legislação que a regulamenta. Para isso, Cristiano Reis Lobato Flores, diretor jurídico e institucional da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), abriu a discussão no Congresso SET 2014 sobre a legislação vigente para recursos de acessibilidade.
Há quatro mecanismos de acessibilidade regulamentados hoje: A dublagem, janela de libras, legenda oculta (ou Closed Caption – CC) e a audiodescrição.
A dublagem já é algo constantemente usado no meio, da forma que tem que ser usada. A janela de libras é exigida apenas em programas institucionais e política e é responsabilidade somente da transmissão do material e não da produção.
Os pontos que mais causam polêmica são os relacionados ao Closed Caption. “Enquanto a legenda descreve simplesmente as falas, o closed caption descreve um conteúdo muito maior, como sons ambiente e música de fundo”, explica Tiago Ribeiro de Lacerda, da EITV, que também apresentou os padrões existentes no mundo e no Brasil.
“Aqui há muita dúvida sobre o cumprimento das exigências”, pontuou Flores. Segundo a legislação atual, são exigidas 16 horas de programação diária com legenda oculta, com 98% de acerto nas legendas e 4 segundos de atraso sobre o som real na programação ao vivo e 100% de acerto e nenhum atraso em programas gravados. No entanto, “há incoerências normativas das diretrizes de legenda oculta”, aponta Flores.
O primeira delas é a respeito das exigências que, baseados em experiências internacionais, é uma exigência irreal. Para Ricardo Fontenelle, da TV Globo, “100% de acerto é algo impossível de ser atingido”, porque a norma não considera o que é um programa gravado. “Se um programa é gravado meia hora antes da transmissão, por exemplo, é tecnicamente impossível inserir um closed caption 100% preciso nesse pouco tempo”, explica.

As tecnologias de acessibilidade no mercado de broadcast foram debatidas no Congresso SET 2014

Isso acaba levando a um segundo problema que diz respeito as punições.
“A norma não distingue as sanções em quem não cumpre nada das normas de acessibilidade e sobre quem, por diversos motivos, não consegue cumprir as exigências de tempo e acerto”, explica Flores. Levando em conta principalmente esses dois pontos, Flores acredita que é necessário submeter a norma a uma reavaliação para se tornar mais próximo da realidade brasileira.
Fontenelle ainda discutiu os possíveis problemas operacionais para transmissão do Closed Caption e as medidas que a TV Globo tem aplicado para tentar resolver tais situações.
Para começar a discussão, apresentou um vídeo de uma telespectadora muda, falando em linguagem de sinais e falou: “Entenderam tudo que ela disse? Pois é. É exatamente assim que eles se sentem ao assistir uma programação sem legenda oculta”.
“Existem várias formas de se fazer a inserção de Closed Caption. Uma novela, por exemplo, tem a inserção em tempo real porque ela termina de ser editada, em média, quarenta minutos antes da exibição, o que impossibilita a inserção anterior”, esclarece.
Um dos possíveis problemas operacionais enfrentados é sobre a conexão de internet com a empresa de estenotipia – método onde uma pessoa transcreve o closed caption -, para isso “há um monitoramento constante para quando houver alguma queda, acontecer a reconexão o mais rápido possível”, explica Fontenelle.

Carlos Ronconi, da Rede Globo, comparou o áudio profissional a uma baleia durante sua apresentação

A TV Globo também criou um monitor para o operador monitorar se a conexão está correta na veiculação da programação.
Flavia Machado, coordenadora do setor de acessibilidade e multimídia da TV Aparecida, apresentou as experiências da TV com a implantação do setor de acessibilidade na empresa e como ele funciona. Mostrou as formas de treinamento que a equipe passa para oferecer tanto o Closed Captions como a audiodescrição na programação.
Para fechar a discussão, Maurício Santana, da Iguale Comunicação de Acessibilidade, apresentou o Movie- Reading, um aplicativo de audiodescrição e legenda por reconhecimento de áudio e as linhas de trabalho da Iguale, todas voltadas para a comunicação voltada para a acessibilidade de deficientes.
O aplicativo ainda será lançado no Brasil e funciona com a sincronização do áudio dos vídeos com um pacote baixado dentro do aplicativo. Após ocorrer a sincronização de áudio através do celular, o aplicativo exibe as legendas e toca a audiodescrição totalmente sincronizado com o filme.

O uso do áudio profissional na rádio brasileira
A palestra “Áudio profissional e experiência do usuário”, moderada por Marco Túlio (SET/SGR) teve a sua temática voltada para o rádio, discutindo diversos pontos relacionados ao áudio profissional e ao trabalho com ele.
Carlos Ronconi, da Rede Globo, começou o debate de forma bem descontraída e didática, fazendo brincadeiras e comparações do áudio profissional com uma baleia. Para ele ambos são muito pesados e difíceis de transportar, o que, no caso dos áudios de alta resolução, dificulta a transmissão do material nesse cenário de mobilidade. Com a proliferação de áudios comprimidos – como o mp3, ogg, aac, entre outros – que são mais leves e atendem as necessidades do usuário atual, essa situação se agrava. No entanto, Ronconi lembra das diversas aplicações únicas dos áudios de alta resolução, como a mixagem para formatos de cinema, por exemplo.
“Transportar áudio profissional através de uma rede IP é inevitável”, aponta Luiz Fausto S. Brito, também da Rede Globo, que trouxe a discussão sobre a utilização de redes IP no ambiente de produção. “É bastante claro que o mercado de broadcast, do ponto de vista da eletrônica envolvida, vai sendo engolido pelo mercado de Tecnologia da Informação (TI), já que eles estão muito mais desenvolvidos em questões técnicas sobre esse tema e, por ser um campo muito maior e com produção muito maior, acabam barateando o serviço”, assim, atraindo a atenção dos empresários. Por fim, Cauê Frazon, da RBS Rádios, falou sobre o workflow de uma rádio de forma abrangente e geral. Passou por todas as etapas, desde a produção até a transmissão, falando sobre cada etapa desse processo. No fim, concluiu que “o mais importante é termos todo o processo mapeado, para que possamos entender todas as etapas do negócio e flexibilizá-la da melhor maneira possível”.

*Com António Araujo, Lucas Esteves, e Gustavo Zuccherato da Unesp/Bauru