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Novas tecnologias na recepção digital

COBERTURA CONGRESSO SET 2012

Por Chrystianne Rocha

O grande evento de tecnologia – Congres-so da SET e feira Broadcasting & Cable – destinado ao setor da radiodifusão veio com diversas propostas de implementação de novas tecnologias, inclusive na recepção digital, para criar debates.

Aprofundando nas técnicas de recepção digital, várias áreas foram abordadas. Desde equipamentos profissionais e estudos realizados por centros de pesquisas no país até os usuários finais. Porém, as grandes novidades estiveram centradas nos consumidores.

No tocante às emissoras, a novidade é um codificador e decodificador em um mesmo aparelho. Em uma mesma linha de equipamentos se pode utilizá-lo, por exemplo, em um jogo de futebol, onde o sinal captado pela câmera é enviado ao codificador e respeitando todas as etapas de transmissão é enviado por satélite e recebido pela estação de difusão, podendo ser retransmitido pelo mesmo equipamento. Ele trabalha com múltiplos formatos de vídeo como MPEG-1, AAC, HE-AAC que são distribuídos no máximo em 16 canais sincronizados como MPTS (Multiple Program Transport Stream) habilitados na saída da interface ASI. Pode-se aplicar o formato 3D na distribuição do vídeo e enviar múltiplos programas. Visando a segurança, ele apresenta uma robusta codificação com a correção de erro. Para transmitir vídeos em HD ele utiliza redes IP ou link de satélite.

Com relação aos consumidores, há algum tempo no mercado, mas que foi apresentado este ano na feira, é um receptor portátil para celulares e tablets. Ele é leve e pequeno facilitando o transporte, onde o foco é a praticidade e a fácil locomoção, sendo compatível com os sistemas de TV digital aberta japonês e brasileiro. A instalação do software é rápida e fácil, realizada em alguns segundos. A interface é de fácil compreensão, uma das características que apresenta é a visualização da programação com data e horário do que será exibido no canal selecionado e suporta até 50 horas de gravação da programação. Os canais detectados são de acordo com a região e disponibilidade do sinal. Ele tem a própria bateria, evitando assim descarregar mais rápido o dispositivo móvel. Há duas formas de carregamento da bateria, uma é pelo próprio carregador e a outra é pelo cabo USB no computador. Visando a interatividade, se o dispositivo tiver conexão com a internet o usuário pode assistir a programação fornecida pelas emissoras e navegar pela internet ao mesmo tempo.

Para o mesmo público, foram expostas várias adaptações de set-top boxes. Uma delas já está sendo aplicada no Japão, pela Pixela Corporation. Sua viabilidade é receber o sinal digital via satélite compatível com os sistemas ISDB-T, DVB-S/C por uma antena, porém, diferente dos set-top boxes convencionais, ele não se aplica somente às TV’s e sim a desktops, notebooks, dispositivos com plataforma IOS e portáteis. Para tal, ele não tem cabo de conexão e sim uma conexão sem fio. Ele visa decifrar a criptografia MULTI2 e transformar os vídeos no formato MPEG-2 para H.264 com poucas perdas, para ser enviado aos respectivos dispositivos. Para acesso indoor, a rede utilizada é o WiFi IEEE 802.11b/g, mas para uma comunicação externa, caso o utilizador queira acessá-lo a uma certa distância, as opções são por rede WiFi, 3G ou LTE, assistindo assim, a sua programação como se estivesse a poucos metros do receptor. A empresa, porém, não especifica qual é a distância limite que se deve ter para que a recepção seja de qualidade.

Uma das pesquisas do laboratório da Fujitsu é um código enviado com determinada programação da emissora, no qual não afeta a qualidade do vídeo e nem do áudio. Esse código só é detectado quando o telespectador, tendo um aplicativo em seu celular, tirar uma foto com distância mais ou menos de dois metros do televisor. Ao tirar a foto aparece na tela do celular a mensagem correspondente ao código decifrado. Ele pode ser válido na compra de um produto com direito a determinada promoção ou premiar quem assiste ao programa, ou seja, as aplicações são inúmeras. Essa tecnologia está prevista para entrar no mercado somente em 2013.

Conforme já foi mencionado, há diversas pesquisas sendo realizadas para melhorar a recuperação digital. Para tanto, foram mostradas duas instituições brasileiras de grande reconhecimento não só na área profissional como também no mundo acadêmico. Elas são o Inatel, Instituto Nacional de Telecomunicações, e a Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Com relação ao Inatel, o gerente de desenvolvimento de hardware, Marcelo Carneiro Paiva, apresentou na área da recuperação do sinal pesquisas com set-top box inicializadas com o sistema europeu DVB-T e dando continuidade com o sistema ISDB-TB com e sem canal de interatividade. Desenvolvem também estudos com o sistema SIRDAI (Sistema de Recepção com Diversidade de Antenas) para recepção de diversos sinais em um mesmo canal, no qual foi apresentada uma placa sintonizadora e repetidores de TV digital.

Relacionado à Universidade Presbiteriana Mackenzie os testes na área de recepção digital são relacionados às interferências e aos parâmetros dos sinais nos sintonizadores. Na palestra realizada pelo professor Gunnar Bedicks Junior em “Técnicas de Recepção do Sinal de TV Digital Terrestre”, foram citados os testes em sintonizadores cantuner, circuitos discretos, e também o silion tuner, circuito integrado, onde se observou que os fabricantes estão muito além das especificações exigidas pela norma. Foi abordada também a importância de minimizar as interferências no canal. Assunto abordado com mais detalhes pelo professor Renato de Mendonça Maroja.

Os canais 12 em VHF e 60 em UHF transmitidos por duas antenas em um dos prédios dentro da própria instituição são somente para uso experimental. Um dos testes realizados foi a recepção do sinal em diversos pontos de São Paulo, cuja avaliação foi caracterizada por distâncias radiais em relação à torre.

Nas medições obtidas foram avaliadas diversas interferências, uma que está em investigação é a interferência causada por sinais FM em sinais digitais. Uma das evidências que traz essa hipótese foi pelo fato de receber os sinais e aplicar diversos tipos de filtros, como trap de FM (mais simplificado), filtro rejeita-faixa de FM e filtro passa-altas. Em alguns casos as interferências continuaram mesmo usando o filtro rejeita-faixa, ao introduzir o filtro passa-alta elas deixaram de existir.

No congresso, foram apresentados também testes de laboratório, tendo como objetivo avaliar os receptores de televisão digital, tanto os comerciais, como set-top boxes e integrados, averiguando se eles estão de acordo com as normas do Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD.

Esses estudos mostram que a TV está hoje a qualquer alcance. Colocar o telespectador em posição ativa, onde as emissoras possam melhorar a qualidade, incluir e/ou retirar programações do ar de acordo com as críticas e sugestões destes, é mais que uma tendência, é questão de sobrevivência no mercado.

Os diversos sistemas de comunicação, tais como TV, internet, dispositivos móveis, computadores em geral estão convergindo para que trabalhem todos juntos. Por isso, terá que fazer uma avaliação de qual modelo se adequa a sua necessidade, para não levar o modelo errado para casa e se frustrar. Essa avaliação, no entanto, não é tão fácil, pois há equipamentos com funções muito similares.

Referências
Folders
Pixela Corporation: PRODIA Wireless STB for TV&Video; Aplicación de TV inalámbrico para Tablet (Japón) Buffalo: DH-ONE/IP – One-seg para iPhone/ iPad/iPod Fujitsu: Information transmission via video data; IP-9610 (Real-Time High Fidelity HDTV Content Transmission)

Sites
http://buffalotechbrasil.web905.uni5.net/ sintonizador-de-tv-digital-para-ipod-ipad–iphone-serie-dh-one-ip-br.html Acessado em 06/09/2012 às 16h31.

Apresentações
Gunnar Bedicks: Técnicas de Recepção do Sinal de TV Digital Terrestre (não disponibilizada no site) Marcelo Paiva: Evolução, Parcerias, Perspectivas de P&D em TV Digital – Inatel (523). Renato Maroja: Pesquisas na Recepção de TV Digital em VHF – Mackenzie(523).

 

Chrystianne é engenheira pesquisadora do laboratório de TV Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie .
E-mail: chrystianne_rocha@hotmail .com