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NAB2009 – Uma Feira carregada de expectativas

NAB 2009

UMA FEIRA CARREGADA DE EXPECTATIVAS

A Feira da NAB 2009, realizada em Las Vegas (Nevada, Estados Unidos), sempre em abril, é a maior do setor em todo o mundo. A grave crise que abala a economia e as finanças mundiais certamente se fará sentir no evento, que não deverá receber a mesma quantidade de visitantes de anos anteriores e tampouco de expositores.

Caso que acomete inclusive a delegação brasileira, tradicionalmente a maior entre as estrangeiras. Pelos cálculos da SET e da Brasiluza, a operadora de turismo parceira da entidade, este ano ela será menor do que a do ano passado, quando 1.400 participantes ligados à radiodifusão nacional compareceram aos salões americanos.

Todavia, a SET não é a única entidade que organiza delegações no país para a ida a Las Vegas. A Associação das Emissoras de Rádio do Paraná (Aerp), a Associação Mineira das Emissoras de Rádio e Televisão (Amirt), a Associação das Emissoras de São Paulo (AESP), entre outras, também terão suas delegações. Isso sem falar dos profissionais e emissoras que fazem seus próprios grupos.

“Pelo que sei, todo o espaço destinado aos estandes foi vendido”, diz Carlos Fructuoso, diretor da Linear Equipamentos Eletrônicos. Ainda assim se espera que alguns dos estandes não sejam ocupados por quem reservou. “Já há notícias dando conta de que algumas empresas grandes, do segmento de pós-produção, não vão comparecer”, contrapõe Dante Conti, diretor de Indústria da SET e presidente da Transtel, fabricante de antenas.

Mas isso, com certeza, não será suficiente para deslustrar a Feira. Conti lembra que já existe um movimento de fusão entre as grandes empresas internacionais. “Elas driblam os problemas trazidos pela crise via fusões e incorporações. Está havendo muito movimento nesse sentido”. Assim, poderão desaparecer empresas, mas não as marcas ou os produtos.

Este é o cenário. Ocorre que, nos Estados Unidos, está previsto, para junho, o apagão definitivo do sistema analógico. Lá existe uma corrida em cima da agenda de desligamento. Por isso muitas estações só agora estão comprando equipamentos digitais. “É a rapa do tacho”, constata Conti.

Se esse é mais um ponto a favor dos fabricantes de equipamentos, é bom lembrar que existem outros: nos momentos difíceis da economia é que se facilitam os negócios. O comprador precisa comprar, mas, apertado pela crise, regateia. Nessas ocasiões ele é o “patrão” da negociação. Ao vendedor cabe facilitar, baixar o preço e manter a roda da fortuna girando.

Internacionalização
Na Transtel se pensa que a NAB será importante na conquista de novos clientes. “Queremos efetivar negócios internacionais. “Vamos com um desenho comercial idealizado para este fim”, finaliza Conti.

Concorrente da Transtel, a Ideal Antenas também vai participar da NAB 2009. Mário Evaristo Barroso Vilela, seu presidente, acredita que, independentemente da crise, a NAB terá sucesso, pois é um evento focado em tecnologia e o maior setor afetado na crise foi o automobilístico e não o de radiodifusão. “Com certeza existem grandes oportunidades de negócios”, diz Vilela.

A Ideal participa para fazer contatos com clientes do Brasil e América Latina e fechar propostas que estão em aberto. A NAB de 2008 trouxe um resultado muito positivo para a empresa, já que houve a oportunidade de conhecer novos clientes e parceiros, além de manter os contatos com os clientes antigos. “Na área de exportação os resultados de 2008, comparados aos de 2007, sofreram um aumento na casa dos 30%“, afirma Vilela.

Por sua vez, a Linear, de acordo com Fructuoso, está tendo, neste ano, as melhores vendas nos Estados Unidos e isso desde quando ela passou a operar no mercado americano, mais de 20 anos atrás. “O quarto prolongamento de vida do sistema analógico, de fevereiro para junho, nos favoreceu, pois trouxe muitos negócios de última hora. Além disso, estamos oferecendo soluções que ninguém mais está oferecendo e vamos aproveitar a NAB para reforçar isso”, afirma.

Uma delas é de flash cut: nos Estados Unidos uma emissora pode optar por, numa determinada data, anoitecer analógica e acordar digital. “Nós vendemos a solução por US$15.000 enquanto a concorrência a oferece por US$60.000. Normalmente o radiodifusor fica em dúvida, pois pensa se podemos ou não entregar. Então temos uma segunda versão de vendas: são US$ 30.000 depois de instalado. E com isso estamos vendendo bastante”.

Américas
A Linear também espera fechar muitos negócios na NAB porque, nas Américas, a empresa tem trabalhado em conjunto com o governo brasileiro na divulgação do ISDB-TB em vários países. “Temos um conhecimento acumulado muito grande sobre os radiodifusores da região. Vamos entabular negociações que resultarão, mais adiante, em novas vendas”, diz Fructuoso.

Quem também tem uma “excelente” expectativa de concretização de negócios é a AD Digital. De acordo com Daniela Souza, diretora de eventos da SET e da empresa, o mais importante é consolidar a decisão dos clientes sobre os projetos apresentados durante 2008 com previsão de fechamento em 2009, “pois a NAB é uma grande vitrine e oportunidade para que nossos clientes troquem experiências com profissionais de outros países, tenham contato direto com os fabricantes e confirmem sua decisão tecnológica neste momento de transição”.

A NAB de 2008 trouxe muita visibilidade à AD Digital e, principalmente, o reforço de imagem da empresa perante os fabricantes que representa. “Quanto a contratos, fechamos vários projetos em 2008 com um índice 80% superior a 2007”, diz Daniela. Por esta razão, a empresa continua com uma expectativa muito positiva para 2009 e os próximos anos.

Daniela espera encontrar na NAB novas tecnologias de infraestrutura para ambientes de TI baseadas em IP (tráfego de dados), tecnologias intermediárias para compatibilização dos diversos formatos e codecs existentes, aplicações voltadas para a mobilidade e novos softwares de gerenciamento de mídias.

Já a STB – Superior Technologies in Broadcast, concorrente da Linear, “vai à NAB a fim de demonstrar nossos equipamentos para ISDB-TB”, diz Armando Lemes, presidente da STB.

Brilho
Lemes acredita que a feira não terá o mesmo sucesso dos últimos anos. “O próprio Pavilhão Brasileiro não terá o mesmo brilho, pois as empresas estão evitando levar produtos que requeiram uma logística de exportação e importação cara”, diz ele.

A STB não espera fechar negócios durante a Feira, pois ela é um termômetro para vendas futuras. Mesmo assim ele comparecerá. “Vamos para difundir nossa tecnologia e fazer contato com parceiros de soluções na área de codificadores. Marcar presença é muito importante, mesmo com a crise. É mais comum ser visitado pelos nossos empresários em Las Vegas do que no Brasil”, ensina Lemes.

Na NAB 2008, a STB colheu bons resultados. “Foi pela Feira que iniciamos nossas exportações para o Paraguai e o México”, lembra Lemes. “Em 2007, nosso primeiro ano, comparecemos mais como aprendizes. Os valores dos nossos negócios ainda são baixos, mas continuamos recebendo pedidos de compra. Acredito fechar o ano de 2009 com uns US$ 500.000 exportados”.

Júlio Prado, da Screen Service do Brasil, outra fabricante de transmissores e equipamentos para televisão, enxerga bons negócios à frente. “Eu sou extremamente positivista. Acho que crise é realmente uma oportunidade. Quanto menos pessoas forem à Feira, melhor”.

É uma maneira singular de ver as coisas. “Com menos gente circulando, maior se tornará a probabilidade de fechar negócios, já que sobrará tempo para conversar”, explica Prado. É que, em anos anteriores, com muita gente circulando para apenas ver as novidades e fazer contatos, os expositores acabavam tendo muito pouco tempo para conversar e demonstrar corretamente o produto. Neste ano, não. Espera-se que quem for à Feira, em geral, estará lá para comprar. Prado diz que, pelo número de propostas que já tem na rua, a NAB deste ano será ótima. “Marquei encontro com vários clientes brasileiros”.

Esfera de influência Em 2009, ele espera ainda fazer negócios com geradoras das Américas e da África. Também as da Ásia estão na mira. “Não em vendas. A Ásia está na esfera de influência da matriz”, explica. “Mas nós fazemos um produto multimode, isto é, que serve para todos os sistemas de TV digital. Por isso, o transmissor que a matriz vender à Ásia, dependendo de custos de momento, poderá ser feito no Brasil”.

Posição parecida com a de Prado tem Claudio Fraga, da Oreon Broadcast Comercial Ltda.. Fraga acha que dificilmente os americanos irão comparecer em igual número ao das NABs anteriores. “Com isso, a Feira será de maior proveito para os visitantes, que poderão se aproximar mais das novas tecnologias e serão melhor atendidos”.

Porém, apesar da crise, ele acredita que o evento terá o mesmo sucesso de 2008. “Esse ano, para a Oreon, será muito importante, pois estamos indo à NAB com alguns projetos prontos, aguardando análise final de produtos, a ser feita in loco, pelos clientes. Esperamos resultados até melhores do que as últimas feiras”.

A Oreon espera por lançamentos de câmeras HD, versão estúdio, de custo intermediário, permitindo que as emissoras pequenas, produtoras de vídeo e unidades móveis possam se atualizar com investimento de acordo com seus orçamentos. “Temos também interesse de conhecer soluções mais eficientes para WEB TV”, diz Fraga.

Atrações no SET e Trinta
A SET promoverá, nos dias 20, 21 e 22 de abril, o Encontro SET e Trinta 2009. Este networking brasileiro já virou uma tradição, pois é realizado em Las Vegas desde 1991. Nos três dias, o local do encontro, que vai das 7 às 9 horas, é na Sala Brasileira do Las Vegas Convention Center (LVCC), o centro de convenções de Las Vegas. Ele inicia com um café da manhã para os inscritos, logo seguido por palestras e demonstrações a cargo de convidados muito bem selecionados. Segundo Olímpio José Franco, vice-presidente da SET, na NAB a entidade procura para conversas, primordialmente, talentos de outros países a fim de ter informações novas para o público brasileiro. “O SET e Trinta é, para a SET, também um momento único: é um evento nosso na casa deles e isso permite que possamos convidar para o nosso evento personalidades que teriam muita dificuldade de encontrar uma agenda para vir ao Brasil”, diz Raymundo Costa Pinto Barros, diretor de tecnologia da SET. Ainda de acordo com Barros, o Broadcast Engineering Conference terá uma apresentação específica de um dos sócios da SET, de uma emissora brasileira que já opera na TV Digital, e ainda apresentará a questão da portabilidade e da mobilidade no ambiente urbano. “É um paper que foi apresentado e aceito pela NAB”, diz Barros. “Outro ponto fundamental para que possamos promover a SET e o ISDB-TB na NAB é a presença de radiodifusores latinoamericanos que estão considerando seriamente a adoção do padrão, como Argentina e Peru”.

Já a Tecsys, fabricante de moduladores, multiplexadores e outros produtos eletrônicos, segundo Rodolfo Vidal, diretor de tecnologia, marcará presença na NAB 2009 apresentando novos produtos, “além da evolução dos produtos tradicionais de nossa linha”.

Baseada na própria experiência, a Tecsys não espera fechar novos negócios durante a NAB 2009. “Os negócios são fechados posteriormente à Feira, visto que dependem de projeto e outras variáveis”, afirma Vidal, que mantém expectativa positiva.

A empresa sempre esteve aberta às parcerias com empresas – brasileiras ou estrangeiras – visando não só a comercialização de produtos, mas também a evolução tecnológica dos produtos brasileiros. “Acima de tudo, esperamos encontrar na NAB os profissionais brasileiros”, diz Vidal. A Tecsys também marcará presença no SET e Trinta com uma apresentação de novas tecnologias desenvolvidas pela empresa na área de modulação digital e transmissão DVB-S2.

Freios
Se, de maneira geral, os produtores de equipamentos mais caros estão otimistas com a NAB 2009, os de mais baratos – mas nem por isso dispensáveis -, também têm boa expectativa em relação à Feira. Ailton Mattedi, da Mattedi, fabricante de gruas, tripés, travellings e outros equipamentos para TV, afirma que vai à Feira, mas não para expor. “Sou visitante constante há 10 anos”.

Mattedi é outro a acreditar que a NAB deste ano vai gerar menos negócios. “A maioria das estações de TV já deu uma pisadinha no freio”, justifica. “Mas, isso não quer dizer que o mercado vá parar”.

O empresário vai até Las Vegas para prospectar negócios. “Tenho algumas conversas agendadas”, revela. “Uma delas é com um grupo da África, de Angola. Já vendi alguns equipamentos anteriormente e quero reforçar essa relação. Assim, eles passariam a ser nossos representantes para a África. A idéia é essa”.

Claro que ele também dará uma olhada nas novidades do ramo. Nas últimas duas edições Mattedi não viu nenhuma grande. “Eu tenho pesquisado nos sites das empresas do setor e, a menos que elas não queiram que seus novos produtos sejam vistos antes da Feira, não haverá também neste ano. Mas, independentemente disso, é sempre bom mostrarmos a cara: os clientes do Brasil ficam satisfeitos quando nos vêem na Feira, pois sabem que estamos buscando as novas tecnologias“.

Mais uma empresa brasileira que estará na NAB 2009: a Line UP, de São Paulo. “Apesar da crise, vale a pena participar. A TV brasileira está implantando as transmissões digitais e isso já é um grande motivo”, diz Nilson Fujisawa, diretor da Line UP.

A esperança de Fujisawa, que deseja encontrar produtos e serviços novos na área de Mobile TV e Digital Signage, é concretizar negócios, entabulados anteriormente, durante a feira. A NAB do ano passado foi excelente para a empresa. “Fechamos mais negócios do que 2007, um mínimo de 50% a mais, eu calculo. Esperamos menos para este ano, mas estamos confiantes em novos negócios”.

Quem for à NAB irá encontrar representantes da Cadena. “Demonstraremos nosso sistema Cadena Mídia em integração com o Google Radio Automation, sistema de automação de rádio”, diz Caroline Sasse, diretora da Cadena.

Carolina acredita que a Feira terá, sim, o mesmo sucesso de anos anteriores. “Pensamos que o momento é excelente para investimentos, justamente devido à crescente necessidade das empresas em geral em reduzir custos desnecessários e otimizar seus processos para garantir maior margem de ganhos”.

Google
Daí sua expectativa de que a NAB gere novos negócios, principalmente porque a Cadena está introduzindo no mercado brasileiro o Google Radio Automation, “um produto inovador”, que integra-se totalmente ao sistema de gerenciamento.

Há pelo menos uma empresa que participará da NAB pela primeira vez. É a TQTVD, que estará no estande do Fórum SBTVD/Sindvel. “Iremos demonstrar o AstroTV e aplicativos interativos que exploram o potencial da plataforma brasileira”, diz David Britto, diretor da TQTVD e de interatividade da SET. “Estamos visando o mercado latino-americano e países que ainda não se decidiram pelo padrão de TV digital”.

Além do objetivo institucional, a TQTVD espera realizar uma agenda de reuniões com fabricantes de STB/chipsets, além de contato com radiodifusores americanos. “Também espero encontrar ferramentas de autoria para Blu-ray BD-J”, diz Britto.

Mesmo quem não vai expor, ou ter estande, espera tirar proveito. É o caso da Videocom Brasil, que explora serviços de satélite através de teleportos no Rio e Porto Alegre. “Eu vou à NAB pela Videocom para descobrir possíveis clientes e parcerias entre os expositores e nos eventos”, diz Assis Brasil, diretor da Videocom.

Por fim, vale lembrar do Pavilhão Brasileira na NAB. Na verdade, esse pavilhão está dividido em dois. Um ocupa espaço no Radio Hall, que contempla as empresas de rádio, e outro no Central Hall, onde se concentram as atenções em TV, telemetria e multimídia. O pavilhão é mantido pelo Governo brasileiro, via Agência de Promoção das Exportações (Apex), que tem um convênio com o Sindicato das Indústrias do Vale da Eletrônica (Sindvel). “O Sindvel vai levar 20 empresas à NAB deste ano contra 14 do ano passado”, diz Carlos Henrique Ferreira, gerente do Projeto Setorial Integrado de Eletroeletrônicos (PSI) e também do Sindvel. “É claro que esperamos um aumento nas vendas geradas a partir da NAB”.

Revista da SET – ed. 106