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MIGRAÇÃO TECNOLÓGICA

RÁDIO DIGITAL
MIGRAÇÃO TECNOLÓGICA
Testes do comportamento do IBOC em cidades brasileiras
Ronald Barbosa – Consultor Técnico – ABERT e Diretor de Rádio – SET

O RÁDIO, o maior veículo de comunicação social que existe no país, é o único que ainda tem como tecnologia de transmissão a analógica, ficando assim em desvantagens com as outras mídias, tanto na questão de proporcionar melhor qualidade na recepção de seus sinais, como nas aplicações que a tecnologia digital permite agregar ao serviço.
Com um veículo de tão forte penetração, com 200 milhões de receptores em todo o país, e ao mesmo tempo considerando o parque instalado das emissoras, sejam elas comerciais, educativas ou comunitárias, a análise e o estudo para a migração da tecnologia atual para a digital têm que ser cautelosos, com passos firmes e seguros.
Por esse motivo, a ABERT junto com as emissoras de rádio, vem estudando há cerca 20 anos, os padrões existentes de Rádio digital, bem como promovendo em seus congressos e eventos, demonstrações dos sistemas, como o Eureka-147 no congresso que ocorreu em Foz do Iguaçu no ano de 1998.
Durante esse tempo, surgiram evoluções tecnológicas e como não poderia de deixar de acontecer, para o Rádio digital também. Assim sempre se buscou um padrão que pudesse permitir a migração tranqüila e suave tanto para as emissoras como para o público ouvinte.
Dentre os padrões recomendados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), o padrão americano mostrou ser teoricamente o que mais se adequa ao ponto fundamental, de suave impacto para as emissoras brasileiras, com soluções que não criariam necessidades extras no planejamento de canais, continuando com as atuais posições de sintonia, não tendo necessidade de uma nova freqüência e mantendo a identidade para o seu público ouvinte.
A tecnologia IBOC (In Band On Channel) , como o próprio nome diz, foi desenvolvida para a migração de sistemas, sem necessidade de novo planejamento de canais, utilizando os já existentes nos planos de distribuição para os serviços de radiodifusão sonora em FM ou OM, protegendo os canais adjacentes superior e inferior, uma vez que o sinal digital estaria confinado na máscara de transmissão analógica.
Com esse incentivo tecnológico – de possibilitar a mesma freqüência e ter a possibilidade de ganhos de qualidade – diversas emissoras, num esforço de trazer essa nova tecnologia, solicitaram a Anatel e ao Ministério das Comunicações autorização para executarem testes com o sistema desenvolvido pela empresa IBiquity, o único que utiliza a tecnologia IBOC.
A ABERT, que vinha estudando esses padrões e entendendo esse esforço das emissoras, decidiu promover um único grupo de teste, buscando parceria com o Instituto Presbiteriano Mackenzie e também o acompanhamento dos trabalhos pelo Ministério das Comunicações e pela Anatel.
O objetivo era levantar dados técnicos referentes ao comportamento das recepções dos sinais digitais, comparativamente com os analógicos, originados por estações regularmente em operação, em diversos ambientes e cidades do Brasil, para gerar um relatório base para a decisão do governo quanto ao padrão.
A ABERT contratou o Laboratório da Universidade Presbiteriana Mackenzie, para participar desse trabalho, que iniciou no final de 2007.
Os testes foram planejados para as emissoras de OM nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte e para as emissoras de FM nas cidades de São Paulo e Ribeirão Preto.
Atendendo ainda uma solicitação da Anatel foi instalada uma estação específica de baixa potência, na cidade de Cordeirópolis-SP, próxima a uma estação existente na cidade de Americana-SP, situação da qual se poderia avaliar o desempenho digital e a compatibilidade numa situação de interferência analógica onde as estações envolvidas estariam transmitindo no sistema híbrido analógico-digital.
Para esses testes exclusivos de FM, num determinado período a operação da estação de Cordeirópolis foi feita em baixa potência simulando uma estação classe C e em outro período a operação da estação simulava uma estação de RadCom, chegando a operar com potência muito inferior à potência do RadCom.
Nos testes em campo em geral foram avaliados o conjunto de causas simultâneas que poderiam degradar a recepção do sinal digital ou do analógico, tal como o multipercurso, com isso afetando o resultado do desempenho do sistema.
Além disso, a existência e identificação de ruídos e interferências na área de cobertura das estações sempre foi uma preocupação na avaliação da compatibilidade, quer seja no pareamento da área de cobertura ou na convivência do sinal digital com o seu canal hospedeiro e sobre os canais adjacentes e vice-versa.
Ainda para os estudos de verificação da robustez e qualidade do sinal digital – itens do desempenho – foram percorridos quatro rotas radiais dentro dos limites do contorno protegido teórico analógico de cada estação, além de pontos fixos selecionados em ambientes que poderiam dificultar a recepção do sinal digital e/ou analógico (por ex: linha de alta tensão e passagem por túneis e viadutos).
A ABERT disponibilizou sua viatura, especialmente projetada para testes de rádio digital, utilizadas para as avaliações da recepção tanto em pontos fixos quanto em movimento.
Com esses recursos foi possível obter uma grande quantidade de amostras de pontos com diferentes situações de recepção, possibilitando a elaboração do relatório de testes de forma rico em detalhes e conclusões sobre o comportamento do sinal digital em comparação com o sinal analógico, para cada emissora avaliada em sua área de cobertura.

Nas próximas edições da Revista da SET serão apresentadas alguns procedimentos adotados para a execução dos testes e alguns resultados.