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Livro: Televisão Digital Terrestre – sistemas, padrões e modelos

 

(Esq. à Dir) Patrick Leblanc produtor de cinema; Zita Carvalhosa, produtora de cinema; professor Almir Almas; Eduardo Morettin, professor de cinema da ECA/USP e Renato Cruz (ao fundo), jornalista do jornal O Estado de São Paulo.

Foi apresentado em São Paulo o primeiro livro sobre TV Digital do professor Almir Almas (ECA/USP). O texto baseado na tese de doutoramento do investigador tenta descrever o caminho que levou ao Brasil a adotar o padrão ISDB-Tb e com ele, como funciona o sistema, e o modelo. Almas ainda tenta vislumbrar o futuro da TV Digital questionando como continuar com o processo de implantação do sistema no país

Nº 139 – Dez 2013 e Jan 2014

Por Fernando Moura © Foto: Redação

Reportagem

O professor Almir Almas sendo entrevistado pela Revista da SET durante o lançamento do seu livro: Televisão Digital Terrestre – sistemas, padrões e modelos.

Na quarta-feira, 27 de novembro de 2013 foi apresentado na Livraria do Espaço Itaú de Cinema da capital paulista o livro “Televisão Digital Terrestre – sistemas, padrões e modelos” do professor Almir Almas (ECA/USP) e membro da Diretoria da SET / Comitê Editorial: 2010/2014.
O livro se baseia na tese de doutoramento do Professor Almir Almas, realizada no marco do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).
Segundo o professor, a implantação da TV Digital representou um momento histórico para o Brasil. Além de estudar, testar e desenvolver tecnologias, posteriormente exportadas para mais de 20 países, o país mostrou uma forma única de se organizar. Os consórcios da TV Digital, que juntaram 79 instituições de ensino e pesquisa e mais de 1.200 pesquisadores, formaram uma rede de pensamento científico e tecnológico único em nossa história.
No prologo do livro, Valdecir Becker, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Núcleo de Pesquisa e Extensão LAVID/UFPB afirma que “durante três anos, em um incessante período de discussão e estudo, envolvendo os maiores pesquisadores da engenharia, informática e eletrônica do país, a academia brasileira respirou TV Digital. A ideia inicial, da adoção plena de um sistema estrangeiro, foi aos poucos abandonada. A opção pelo desenvolvimento de tecnologias nacionais, e a adaptação das existentes no exterior, foi se mostrando a melhor solução”.
Desta forma, segundo Becker, vice-diretor editorial da Revista da SET “o livro apresenta tecnicamente a TV Digital, sua história e o paradigma da alta definição (…) Além disso, agrega uma visão econômica da cadeia de valor, as linguagens de produção e consumo, focadas na interatividade e na proposta de um programa-piloto em TV Digital interativa, fechando, assim, o ciclo comercial, tecnológico, social e comunicacional da TV Digital.

Para Becker, “o estudo de Almir Almas é uma visão abrangente do desafio que foi a definição do SBTVD e do acerto nas escolhas tecnológicas, especialmente da alta definição e do H.264”.
Para a professora, Rachel Zuanon — Coordenadora, pesquisadora e docente do Doutorado e Mestrado em Design, da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), encarregada de outro dos texto de contra-capa — o livro é uma “contribuição ímpar à pesquisa sobre o Sistema Brasileiro de TV Digital” já que “esta publicação se revela mais que mapeamento histórico daquele momento, testemunho peculiar deste contexto nos âmbitos sócio-político-econômico e tecnológico vivido e vivenciado por Almir Almas”.

Segundo ela, o autor, “com precisão esclarece as diferenças conceituais entre modelo, sistema e padrão, e aplica este entendimento ao cenário internacional. Sua investigação se amplia e ganha contornos culturais e estéticos com a leitura semiótica do programa televisivo japonês Hiroshigue wo Tabisuru, produzido pela NHK, que transbordam no desenvolvimento do programa- piloto em televisão digital interativa, Universo Modelizante – SHUNGA”.

Almir Almas e a sua filha Ana Rosa na apresentação do seu livro na Livraria do Espaço Itaú de Cinema da capital paulista.

Para Zuanon, o livro é importante porque aparece “em um momento em que questões relacionadas à hibridização das linguagens audiovisuais e digital sequer eram cogitadas, Almir desponta e aponta inquietações que ainda perduram em desassossego”.
O livro do professor Almir Almas é uma publicação da Alameda Casa Editorial, com o apoio do: Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA/USP, Escola de Comunicações e Artes da USP, Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP e CAPES. A Revista da SET esteve na apresentação e a seguir mostra os principais trechos da entrevista realizada a Almir Almas:
Revista da SET : Há condições reais para o Switch-off em 2015 no Brasil?
Professor Almir Almas: Não, nem em 2018 há condições de termos um Switch-off completo até essa data porque ainda temos um legado analógico maior do que os mais otimistas imaginavam que teríamos há 10 anos. Penso que o governo vai ter que prorrogar o prazo e para que as emissoras possam fazer um apagão real e com condições para toda a população ter acesso ao sinal digital deverá haver uma política governamental de apoio a compras de equipamentos e troca do legado analógico que hoje existe nas emissoras brasileiras.

Revista da SET : Isso tem a ver com o modelo de negócio da TV brasileira?
Professor Almir Almas: Não é questão de modelo. Independente do modelo de televisão brasileiro que é diferente aos que existem na América Latina, uma mudança radical como esta não é possível se não houver um incentivo governamental. Não tem a ver com o nosso modelo, tem a ver com que é muito complicado, ao que há que somar o tamanho do país e com ele a quantidade de aparelhos e equipamentos que tem de ser trocados. Ou seja, não é questão de modelo, é necessário ter algum programa governamental porque por si só o mercado não se regula ou não da conta de uma mudança tão radical.

 

Revista da SET : Então, a mudança é de que fatores?
Professor Almir Almas: É uma questão de sistema. Um conjunto que implica questões tecnológicas, questões de modelo de TV, e a questão económica, política e social dos atores existentes nesse sistema. Nos temos mais de 90% de televisores com acesso a TV aberta no país, nos temos em volta de 60% de aparelhos de TV de 20 polegadas. Temos redes privadas, públicas. Precisamos pensar no conjunto e como esses atores se vão juntar para formar o todo que seria a mudança para a TV Digital.

Revista da SET : Esse todo está pensado na política pública?
Professor Almir Almas: Não, a política no pensou no sistema como um todo, no conjunto. O livro mostra como foram feitas as pesquisas sobre os aspectos tecnológicos que foram estudados para a implantação da TV Digital. Discutimos muito as questões de padrão, mas foi muito pouco discutido o conjunto do sistema. Como ele funciona porque não só a padronização dita o sistema. Ela é importantíssima para que o sistema funcione pelo lado da engenharia, mas ele tem de funcionar por todos os outros lados.

Revista da SET : Se o professor tivesse que fazer uma avaliação do processo de implantação da TV Digital no país, que diria?
Professor Almir Almas: Primeiro que foi um momento muito importante para o Brasil. Muito importante para as pesquisas de ciências e tecnologia no país já que pela primeira vez eu vi reunir uma quantidade importantíssima de pesquisadores, pensadores de universidades, empresas e órgãos públicos pensando algo juntos. Isso ninguém pode tirarmos, e é muito bom. Mas, eu sinto que agora poderíamos continuar com esse caminho para definir e estudar os outros passos necessários para implantar o sistema de TV Digital no país, como por exemplo, discutir linguagem, discutir o outro lado da questão televisiva já que esta tem uma linguagem de produção e uma linguagem de uso. Precisamos pensar que vamos colocar dentro da parafernália tecnológica que foi escolhida para o Brasil, que para mim foi a melhor possível.

Almir Alams

Almir Almas
É Doutor e Mestre em Comunicação e Semiótica, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). É Professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (CTR/ECA/USP), desde 2002.
É Cineasta, Videoartista, Produtor, Professor e Pesquisador. Pesquisa Televisão Digital, interatividade, vídeo, cinema, cinema expandido, Vjing/live-image, arte eletrônica e cultura japonesa. Dirigiu e apresentou BoTuPlaY, programa de Web TV, na emissora de WEB TV allTV – http://www.alltv.com.br, em 2007.
É membro do Grupo Assessor Técnico para a Implantação do IPTV USP (GAT IPTV). Com bolsa da AOTS/ABK e do MITI/Governo do Japão, atuou em Produção Televisiva na Terebi Shin Hiroshima, em Hiroshima, Japão (1993/1994). Foi bolsista da Fundação Japão em estudo de pós-graduação, em Osaka, Japão, (1999). É membro do Comitê Editorial da Diretoria da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), gestão 2010-2012.