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JOGOS DA SUPER-AÇÃO

OLIMPÍADAS
JOGOS DA SUPER-AÇÃO
O imenso esforço de produção das redes de televisão para acompanhar os heróis das Olimpíadas
Da Redação

As oito horas e oito minutos do dia oito de oito de dois mil e oito – bem de acordo com as crenças chinesas –, o mundo viu, boquiaberto pela tecnologia empregada e pelas proezas cometidas a base de som, luz, laser e outros efeitos especiais, a belíssima abertura dos Jogos Olímpicos, transmitida para alguns bilhões de telespectadores. O que ele não viu na ocasião e nos dias que seguiram foi o que aconteceu por trás das câmaras: um imenso esforço de produção de grandes e pequenas redes.
Emissoras de todo o mundo receberam o sinal em alta definição da mesma geradora, a Beijing Olympic Broadcasting (BOB) responsável por produzir a cobertura local e entregar 91 sinais  ao International Broadcasting Center, o IBC. Durante os Jogos, a BOB emitiu um pacote de sinal internacional abrangendo 44 fontes (do próprio BOB).
Mas, como sempre, cada emissora detentora de direitos de transmissão pôde montar a sua infra-estrutura. A Rede Globo, por exemplo, após se preparar durante três anos, ocupou um estúdio de 600 metros quadrados dentro do centro de televisão.
A Globo teve à disposição, neste estúdio, em Pequim, suas próprias ilhas de edição, um set para entrevistas ao vivo e acesso a todos os eventos gerados pelo host broadcaster (o servidor chinês) por meio de um servidor de áudio e vídeo.  As diversas unidades móveis que ela usou foram alugadas junto a produtoras locais.
Com isso, os telespectadores da Globo puderam ver ângulos exclusivos de câmeras  localizadas em pontos diferenciados no Estádio Olímpico, no Cubo d’água (onde aconteceram as provas da natação), nos vôleis de quadra e de praia. Para a cobertura do futebol, a emissora tinha um SNG que permitia entradas ao vivo do hotel e dos treinos da seleção masculina via satélite.
A emissora contou, em Pequim, com 190 pessoas entre técnicos, pessoal de informática, narradores, comentaristas e pessoal de apoio. (A Globo News, a cabo, esteve presente com uma equipe de oito profissionais). Uma equipe de 20 pessoas – entre técnicos e jornalistas – foi escalada especificamente para acompanhar a campanha da seleção olímpica de futebol. Três equipes de reportagem, com cinco ilhas de edição portáteis, cobriram o dia-a-dia do esporte.

Novo estúdio
Já no Brasil, a Rede Globo cons-truiu um cenário onde passou programetes nas madrugadas. No Rio de Janeiro ela também contou com um novo estúdio dotado com um telão de última geração. O equipamento, com touch screen, é sensível aos toques do âncora.
Na Globo, um dos grandes diferenciais, em relação a outras Olimpíadas, foi o enfoque dado à cobertura jornalística. “Desde o início, a TV Globo percebeu que a parte não-esportiva tendia a ser tão importante quanto a de esportes, devido à importância da China – país mais populoso do mundo, que passa por tantas transformações”, disse Luiz Fernando Lima, diretor de esportes da emissora.  A esse respeito, a emissora gravou dezenas de matérias exibidas ao longo da programação normal, diária, e, ainda, no Fantástico.

Submarino
A Band também comprou os direitos de transmissão das Olimpíadas. “Tínhamos mais de 100 pessoas (metade da área técnica e metade da parte de jornalismo) na China”, revela Frederico Nogueira, vice-presidente da Band.
Para manter a programação conforme o previsto, a Band teve de montar, na China, três estúdios diferentes no IBC: um para o Band Sports e dois para a Band propriamente dita. De lá a Band recebia o sinal da CCTV e o mandava para o Brasil por meio da fibra ótica, via meio submarino.  O sinal chegava em HD. “Fizemos uma parceria com a Embratel para usar a fibra óptica por razões de custo e de segurança”, diz Nogueira.

Superlativo
A BBC de Londres montou um aparato ainda maior do que a Globo e Band. Superlativo mesmo: pela primeira vez o orgulho britânico das telecomunicações, além de transmitir tudo em alta definição, apresentou qualidade de som surround 5.1.
Além das 44 fontes comuns a todas as emissoras, a BBC completou sua cobertura com câmeras próprias em posições unilaterais a fim de mostrar atletas do Reino Unido compe-tindo ou um esporte de grande interesse para os britânicos.
O SVE, servidor da BBC, podia armazenar até 1000 horas de conteúdo em HD. A estrutura montada previu também  18 suites de edição do IBC na instalação da BBC em Pequim. Eram 16 as estações de conexão ao BBC Television Center, em Londres. O BBCi podia enviar sete fluxos de vídeo simultâneos de Pequim para Londres.
Não foi só: a BBC, contando com 8 equipes com  câmeras P2, podia marcar presença ao vivo em 14 locais. Para dar conta de todo o volume transmitido, mais de 200 MB/segundo, em fibra óptica, foram utilizados para o transporte de sinais entre Pequim e Londres.
A BBC Pesquisas – o braço comercial de facilidades do grupo –, trabalhando em parceria com a BBC Sport, foi a responsável pela montagem da estrutura necessária à cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim e também dos Jogos Paraolímpicos.
Este braço da BBC juntou-se à Siemens para criar uma multiplataforma de orientação instalada no IBC, localizado no Olympic Green, em Pequim. O principal estúdio da BBC ficou nas proximidades de Ling Long Pagoda e  proporcionou uma visão espetacular do estádio principal (Ninho de Pássaro) e do Olympic Green.
A BBC  transmitiu 300 horas de cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim pelas emissoras BBC, BBC One e BBC Two, acrescido de 2.450 horas pela BBCi.
A diferença de sete fusos horários entre o Reino Unido e a China criou lacunas na grade que foram completadas com interatividade, por meio de banda-larga fluída e conteúdo móvel, tudo destinado a melhorar o acesso dos telespectadores aos Jogos.

Pequenas notáveis
Nos Estados Unidos, não foi só a NBC que tirou proveito comercial das Olimpíadas. Algumas notáveis pequenas estações locais também deram seu jeito. De acordo com o site TV Week.com, entre a horda de jornalistas que cobriu as Olimpíadas, havia pessoas com uma visão diferente sobre este grande evento. Para eles, o noticiário deveria se dividir em várias histórias sobre vizinhos em busca do ouro olímpico.
A WBAL TV acompanhou heróis de seus mercados, tais como os nadadores Michael Phelps e Katie Hoff. A equipe os acompanhou na piscina e na Vila Olímpica. Também a ginástica e outros esportes de outros mercados foram alvo da Hearst-Argile.
Este grupo de emissoras, durante oito meses, treinou uma equipe de nove pessoas, das quais três repórteres, dois produtores e quatro cinegrafistas, a fim de produzir cinco horas diárias de tomadas ao vivo – 90 segundos cada – para os 26 grupos que se interessaram e três estações locais – não apenas as afiliadas da NBC. O time ainda fez blogs e histórias para os websites das estações e histórias para incluir no “O-zone”.
A LIN TV também utilizou uma equipe de seis pessoas para tomadas ao vivo, blogs, notícias diárias e especiais a todas as estações do grupo, que dividem o custo da empresa. “A manutenção do time não é tão cara, e por isto foi mantida a linha filosófica que foca na importância do ângulo local, beneficiando os mercados do grupo”, disse Scott Blumenthal, executivo da LIN.
Marv Danieelski, VP sênior de desenvolvimento integrado para consulta de marca da Frank N. Magid Associateds, considera que promoção “agressiva” e funcional de sites dão bons resultados em eventos como os jogos olímpicos. O da Hearst-Argile WGAL TV, em Lancaster – o 41º maior mercado do país –
superou todos os outros sites das afiliadas da NBC em visitas por páginas durante os Jogos de Turim, disse Danielski.
As Olimpíadas podem adicionar até 30% às receitas anuais de uma estação de TV, dizem as pessoas da indústria familia-rizadas com o ambiente local. Num ano sublinhado por economia em queda e por  notório declínio da principal categoria de publicidade – automóvel –, isso faz a diferença.
A Hearst-Argile disse que esperava fazer melhor do que em 2004, durante a Olimpíada de Atenas, quando faturou cerca de 17,5 milhões de dólares. Kathleen Keele, vice-presidente de vendas da Hearst-Argile, disse que o grupo reservou muitas compras locais das Olimpíadas entre o meio e o final de julho e que “marcaria (reserva) mais ao longo dos Jogos”. A maioria dos negócios viria de anunciantes regulares que as estações convenceram a aumentar os pacotes. (A TV Alterosa, de Belo Horizonte, também enviou uma equipe à China. Todavia, problemas técnicos insolúveis no hotel onde a equipe ficou não permitiram que ela enviasse o material ao Brasil).

Combinador HDTV
As maravilhas vistas na telinha talvez tenham ficado ainda melhores porque a Beijing Olympic Broadcasting, a BOB, contratou a China Central TV, a CCTV, para gerar parte das imagens. Desde antes dos Jogos a CCTV havia instalado um novo sistema de combinadores UHF de HDTV. Com isso, a CCTV, dona da mais alta estrutura vertical de Pequim, ganhou boa reputação e foi selecionada para gerar imagens da Olimpíada 2008.
O combinador permitiu à emissora reunir um canal analógico ao novo canal de esportes HDTV e ao canal digital  em Standard Definition. No sistema adotado, os sinais combinados são transmitidos por meio de uma única antena banda larga – a CCTV já tinha essa antena.
Os combinadores de guia de onda direcional são empregados em banda larga e em entrelaçamento e proporcionam um alto desempenho. Isto permite melhor performance, por exemplo, na combinação de dois canais digitais adjacentes de 10 KW  e um canal analógico de 30 KW. Além disso, o combinador permite também a transmissão da filtragem de máscara,  essencial na transmissão digital.
O combinador de guia de onda direcional é uma solução que também contempla o futuro. Ele foi desenhado para adicionar novos canais e garantir opções na expansão de serviços.