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IV Congresso de Rádio e Televisão do Rio de Janeiro e do Espírito Santo

RÁDIO DIGITAL

O IV Congresso de Rádio e Televisão do Rio de Janeiro e do Espírito Santo realizado pela Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado do Rio de Janeiro (AERJ) nos trouxe algumas reflexões sobre tecnologia e, particularmente, sobre o Rádio digital.

Melhor lugar não poderia haver, pois para se discutir questões de futuro do Rádio, a cidade se torna a mais atrativa uma vez que lá é o berço do Rádio no Brasil, a despeito de opiniões sobre o Clube de Rádio no Recife. A escolha do local nunca interferirá no prazer que é discutir o Rádio, mas na cidade que nos deu o Rádio pela primeira vez, o prazer é maior. A começar pela cidade do Rio de Janeiro, o prazer de estar lá discutindo tecnologia para o rádio e vendo pessoas que vivem o rádio diariamente com a esperança de integrá-lo rápida e definitivamente em ambiente convergente foi emocionante.

Dois outros congressos foram realizados recentemente, o Congresso Gaúcho e o Congresso Paranaense.

Em ambos, a agenda propugnava também sobre Rádio. Mas foi no Rio que observamos o cuidado por esse meio que motiva todos nós, a começar pelo Museu do Rádio Roberto Marinho, ali se tem a realimentação necessária para continuar prosseguindo.

O evento terminou com uma justa homenagem ao comentarista da palavra fácil, Luiz Mendes, que faleceu recentemente. O tema do IV Congresso nos conduz a uma reflexão sobre os passos que precisam ser dados para que tenhamos um Rádio com a qualidade digital e livre de interferências prejudiciais.

Um ano se passou e parece que alguns testes já foram realizados no Rio para emissoras de baixa potência. Tudo está na base do “parece”, está difícil encontrar um caminho que nos dê segurança do que está ocorrendo.

Estamos como num avião cujo piloto estava pronto para aterrissar, de repente resolveu arremeter e fazer curva de retorno com raio de 2000 km. Seguramente, terá que aterrissar em pelo menos dois outros aeroportos, para reabastecimento, antes de retornar à posição que estava, mas os passageiros ficaram imóveis.

Está nos parecendo que a imobilidade tem se tornado sinônimo de segurança. Perdemos o caminho e alegamos que precisamos criar maturidade, o padrão a ser escolhido precisa estar maduro e o Rádio num lugar seguro. “Melhor a viagem que nos faz vulnerável do que a segurança que nos rouba o caminho“. É preciso ousar. O Rádio ousa por si só.

Já fizemos todas as medidas? Já temos um relatório? Já comparamos os sistemas? Haverá alguma decisão? Mais um ano se vai. O Natal chegou. É tempo de alegria e de esquecer o que passou. No próximo ano teremos novidades.

Após tanta discussão durante o ano, a diretoria de tecnologia da Abert, juntamente com as diretorias técnicas das Associações de Emissoras de Rádio e Televisão, busca criar uma agenda para o Rádio e numa reunião na sede da AESP, um dos pontos sensíveis, tratados, foi sobre o uso da internet pelas emissoras de Rádio.

Outro ponto importante tratado foi quanto ao nível de interferência que os serviços de radiodifusão sofrem no país, particularmente a intermodulação que é um mal que aflige os grandes centros e a certificação de receptores de Rádio.

Em relação ao tema da internet, o potencial de informação online via sites de relacionamentos, para aferição de audiência e outras informações, é algo que permitirá o público ter uma significativa interatividade com a emissora.

O telefone fixo foi e é um importante meio de interação entre o público e a emissora, mas mesmo com o uso do telefone não é possível fazer uma interação nos moldes da internet, pois o acesso era individual e não se tinha idéia se uma programação estava realmente atingindo um grande público. Tornava-se um ponto pacífico, pois, se alguém estava falando ao telefone com o estúdio não só estava ouvindo a programação, como também, estava participando, mas a audiência dependia de informações de outras empresas.

Alguns profissionais dedicados ao Twitter, aos sites sociais em geral, seriam boas aquisições para um novo contato das emissoras com seu público. Por outro lado, esses mesmos profissionais poderiam ter uma audiência paralela às emissoras, com um público atento a suas questões e respondendo diretamente a eles sobre algum detalhe de programação.

Nesse caso, a internet tem um potencial avassalador, pois se criam grupos, tribos e comunidades que ninguém imagina onde possa chegar.

É como uma estrada sem sinalização. A internet pode criar uma série de soluções não previstas e sem nenhuma restrição. Talvez fosse o caso de se pensar que é uma nova forma de comunicação ou, como dizem alguns, um novo jeito de concessão sem faixa de atribuição para produzir programação.

Mas se as emissoras souberem tirar proveito disso e souberem incluir o Rádio nessa nova linguagem, todo o setor será beneficiado.

Lembrando o IV Congresso da AERJ, ele soube explorar bem essa discussão com o apresentador do programa “Hoje em dia RJ”, Fábio Ramalho da Rede Record.

Aproveitando o gancho, outro grande debate foi trazido por Carlos Townsend e Ruy Jobim, revolucionários da formatação das Rádios FM’s na década de 1980 quando recriaram juntamente com uma equipe famosa com Eládio Sandoval, Mansur e outros, a Rádio Cidade do Rio de Janeiro. Eles trouxeram uma discussão sobre novas mídias.

Nesse mesmo painel discutiu-se a oferta de serviços de áudio e vídeo numa transmissão banda larga, com apresentação de dois vídeos. Um sobre TV Conectada e o outro vídeo sobre a futura oferta de serviços que estará disponível em um veículo automotivo.

Discutiu-se também o possível caminho a ser seguido pelas emissoras de Rádio no cenário nacional e mundial, incluindo o acesso à informação através da internet e respondendo à pergunta: O Mercado aproveita o melhor do Rádio?

Um dos pontos que precisa ser mencionado não é a oferta de serviço pelas novas mídias, mas a necessidade de espectro para que essa possibilidade se torne viável a um custo baixo. O Rádio continua sendo a melhor forma de atingir milhões de pessoas sem necessidade de espectro adicional e o IV Congresso da AERJ soube valorizar esse debate.

Voltando à reunião na AESP, alguns deveres de casa precisam ser feitos e nunca foram realizados. É o caso da interferência e da certificação. Por exemplo, o Rádio AM que muitos insistem em dizer que tem uma solução para ele, passando-o para uma faixa nova, extensão da FM, ainda continuará resistindo a todo ataque destrutivo por muitos anos. Mas algumas providências poderiam ajudar na grande questão da faixa ruidosa.

Os produtos de mercado, que geram radiofrequências prejudicando a recepção AM e que nunca passaram por um processo de certificação para fins de homologação, deveriam ser vistos pelo governo com alguma atenção. A compatibilidade eletromagnética bem trabalhada no país só melhorará a convivência entre serviços. É necessário que haja um esforço político para que sejam criados laboratórios capazes de avaliá-la à luz dos produtos que são oferecidos à sociedade.

Em recente seminário em Brasília promovido pela Anatel foi reapresentada a questão da certificação de aparelhos receptores de Rádio, pois tem sido um grave prejuízo na recepção do AM.

Muitos alegam que não tem jeito, mas discordo, tem jeito sim, pois com um trabalho sério de compatibilidade eletromagnética ainda será possível ouvir melhor o som das nossas rádios.

A interferência e o ruído a cada dia aumentam no país, principalmente, nos grandes centros. Interferência causada por intermodulação, seja na transmissão ou na recepção, é um problema atual. No caso do radiodifusor, o custo para a solução do problema é extremamente elevado.

Diversos produtos são colocados no mercado tanto na área de Tecnologia da Informação (TI), quanto em outras áreas tais como: na área de máquinas e motores, na área de tecnologia empregando o Power Line Communication (PLC), o Smart Grid que está vindo através do carro elétrico num futuro muito próximo e as contínuas transmissões clandestinas na faixa de FM são fortes motivos para um maior cuidado pelas autoridades e mesmo pelos radiodifusores.

Não existe cuidado necessário com o nível de interferência e ruído que as nossas cidades têm vivenciado. Cada tecnologia e cada produto que são introduzidos no mercado precisam ter sua compatibilidade eletromagnética muito bem avaliada, pois do contrário estaremos operando os nossos serviços em verdadeiros campos minados.

A discussão tecnológica tem tomado toda a Ronald é diretor de rádio da SET e diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). email: ronald@set.com.br atenção do público, mas os problemas históricos de interferência continuam e não se vê nenhuma ação para inibi-las, de forma a facilitar a entrada de novas mídias nesse cenário de convergência que vivemos.

Essas ações protegeriam a raiz dos serviços de radiodifusão que são as suas transmissões para não afetar toda a cadeia de comunicação até a recepção. Isso causa um enorme impacto social, uma vez que a cada mês milhares de pessoas migram para outras mídias por causa da má recepção dos sinais das rádios, quer sejam em AM ou FM.

Outro importante fator é que a interatividade plena está se tornando um elemento de complementaridade dos serviços. Como trabalhar a interatividade, seja plena ou não, se o serviço está todo comprometido por causa da interferência? Nenhuma tecnologia faz mágica. Nessa cadeia de valor, do estúdio ao receptor, a compatibilidade eletromagnética se faz necessária para melhor desempenho de todo sistema. Vamos trabalhar nessa agenda, discutindo tecnologias e qualidade dos serviços.

Tenham todos um ótimo final de ano e um ano novo próspero e cheio de realizações. Salve 2012! O ano que o Rádio Brasileiro fará 90 anos.

Tenho certeza que a contribuição do Rádio ajudará o Brasil cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, haja vista que ele está em 87,4% dos lares brasileiros, nenhum outro veículo de comunicação tem uma posição tão invejável.

Até breve.

Ronald é diretor de rádio da SET e diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). email: ronald@set.com.br