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INTERATIVIDADE A nova fase da TV Digital Brasileira

“Tanto a indústria como os radiodifusores viam a interatividade como importante mas não atraente como negócio”, explica Barbosa para o qual é fundamental que o Estado brasileiro crie ferramentas para inclusão digital

No fim de 2012 a TV Câmara dos Deputados e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) começaram os testes para a implementação da TV Interativa na rede pública de televisão no país em João Pessoa, na Paraíba.

Nº 131 – Março 2013

Da Redação Foto: Divulgação

A etapa de testes, que terminou no final do último mês de março e que foi realizada com 100 beneficiários do plano “Brasil Sem Miséria” e que assistiram, em suas TVs, a primeira exibição de vídeos interativos é um projeto pioneiro que pretende, de forma inédita, analisar a experiência dos telespectadores e dar um impulso na implementação da interatividade através do Ginga no país. Para isso, cada uma das famílias recebeu da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) um set-top box, equipamento que, acoplado à TV, permitiu a interatividade no canal de serviços do Governo Federal por meio do controle remoto. A ideia dos testes é permitir que o telespetador assista a este canal e ao mesmo tempo acesse informações sobre vagas de empregos em João Pessoa, cursos de capacitação, obtenção de documentos, além de serviços (na área de Saúde) e benefícios do Governo Federal, como aposentadoria e dos programas Bolsa Família e Brasil Carinhoso.
Esta ação é de empresas públicas de televisão que querem aproveitar o sinal de TV Digital e com ele levar maior quantidade de conteúdos aos brasileiros, permitir uma maior inclusão digital das famílias de baixa renda e criar as bases da Rede Nacional de Radiodifusão Pública Digital Interativa. Nesta reportagem abordamos ainda outros projetos do gênero implantados no Brasil e como o middleware Ginga está sendo desenvolvido.
O projeto é uma parceria da EBC com a TV Câmara Federal, Prefeitura de João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Católica de Brasília (UCB), ministérios, e empresas privadas como a TOTVS, D-Link, Harris Broadcast, EBCom, EiTV, Dynavideo, OI, Impacto, Mectrônica, entre outras.
O período de testes servirá para que todos os envolvidos no projeto pioneiro testem os impactos desta tecnologia nas condições de vida dessas famílias, avaliando ainda aspectos da transmissão e outras funcionalidades do sistema. Para isso, está sendo realizada uma pesquisa encomendada pela EBC ao Banco Mundial que permitirá ter a primeira análise de audiência da TV Interativa da América Latina.
“Este é um projeto pioneiro, não só pela oportunidade de inclusão digital que estamos dando a 100 famílias brasileiras, mas também porque será o primeiro a ser avaliado pelos consultores do Banco Mundial que realizarão um projeto de mensuração da experiência através do acompanhamento do trabalho, o que permitirá ter pela primeira vez uma ideia do impacto social e uma visão etnográfica real do impacto na recepção da TV Digital na América do Sul”, explicou o superintendente de Suporte e Operações da Empresa Brasil de Comunicações (EBC), André Barbosa em entrevista à Revista da SET.
O projeto foi idealizado pela EBC. “A ideia geral é que a gente possa fazer uma prova de conceito, transmitir o sinal da TV Brasil, distribuir set-top box [conversores] na casa das pessoas, principalmente de baixa renda, que estejam integradas a um dos programas do governo. Para fazer uma medição real se eles vão usar o serviço ou não, se realmente vão saber usar. Com essa medição, mostrar para as autoridades para que se possa fazer disso uma política tão importante de Estado como é o Programa Nacional de Banda Larga”, disse André Barbosa.
Essa ideia tomou forma porque para o superintendente da EBC, as emissoras comerciais ainda não demonstram interesse pela interatividade porque o uso dos aplicativos durante o intervalo da programação poderia prejudicar sua principal fonte de renda: a publicidade. “Tanto a indústria como os radiodifusores viam a interatividade como algo importante, mas não atraente como negócio”, explica Barbosa, para quem é fundamental que o Estado brasileiro crie ferramentas para inclusão digital.
“No Brasil não somos como nos países mais desenvolvidos onde todos os segmentos populacionais tem acesso a internet. Sabemos que muita gente de baixa renda não terá internet de banda larga à disposição nos próximos tempos para puxar vídeo ou informações, por isso é importante nossa participação. Ainda temos uma dicotomia no país porque a interatividade passou a ser discutida nas universidades e o fórum de TV Digital, mas não para os radiodifusores porque eles querem ganhar dinheiro e ainda não encontraram o modelo de negócio para a interatividade”, disse o superintendente da EBC.
“As emissoras comerciais não têm ainda uma fórmula perfeita de sobrevivência do modelo comercial atual com o modelo interativo porque um compete com o outro”, diz. Por isso, na sua avaliação, a TV Pública, que não depende de patrocínios, pode assumir o pioneirismo na introdução desse modelo no país. Assim, o projeto, e basicamente os seus resultados, pretendem atrair as TVs Comerciais para a interatividade criando um novo modelo publicitário. A sugestão também será levada ao governo pela EBC.

Operador de Rede Este teste faz parte do projeto “Operador de Rede”, uma plataforma comum de transmissão do sinal digital e interativo, que pretende oferecer às emissoras públicas a possibilidade de transmitirem seus canais de TV Digital em todo o país por meio de uma infraestrutura unificada. Os canais distribuídos por ela devem funcionar em multiprogramação, difundir conteúdos em alta definição para terminais fixos, móveis ou portáteis, e propiciar interatividade.
O operador único viabilizará a migração dos sinais das emissoras públicas do padrão analógico para o digital, alcançando todas as capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes. Isso representa um sinal com maior qualidade e a custo inferior para as emissoras do campo público, atendendo a 63% da população brasileira.

O governo estima que este Operador de Rede possibilitará estender a rede pública para o serviço de multiprogramação, aumentando o número de players na TV Digital. Ainda, o sistema de compartilhamento de conteúdo digital baseado na infraestrutura de rede nacional vai permitir, segundo fontes governamentais, que a TV Digital não seja só uma melhoria na imagem recebida, senão também que possa brindar aos espectadores interatividade e com ela, inclusão social, inclusão digital.

Lançamento dos testes
O lançamento oficial dos testes foi realizado no dia 14 de dezembro de 2012, após a inauguração da TV digital da Câmara de João Pessoa, no Plenário Senador Humberto Lucena, na Câmara Municipal da cidade. Nesse dia, o diretor-presidente da EBC, Nelson Breve, afirmou que o projeto é de grande importância, uma vez que permitirá o teste em campo de aplicativos da TV Pública Digital que estabelecerão uma janela de diálogos entre a sociedade e o Estado. “Se conseguirmos mostrar que com as novas tecnologias a vida dessas pessoas vai melhorar, para que elas possam exercer melhor sua cidadania e ter mais acesso aos serviços públicos e aos seus direitos, isso vai fazer com que a gente sensibilize o governo para ter um projeto que faça com que essas famílias tenham acesso mais rápido à TV Pública Digital”.
Em comunicado, a EBC afirma que este “primeiro projeto de interatividade social na TV Aberta pretende ampliar e fortalecer o sistema público de comunicação e radiodifusão do Brasil para universalizar o acesso da população a serviços de inclusão social e cidadania”.
Segundo a EBC, os primeiros brasileiros a acessar a nova plataforma digital no dia 14 de dezembro de 2012 formam os membros da família de Adair Ferreira. “Adorei ter participado de tudo. Já aprendi a usar (o aparelho) e sei como é que mexe”, disse Dona Adair, ao se referir ao set-top box. Assim, o canal interativo de serviços da EBC, com transmissão digital, está disponibilizado para 100 famílias dos bairros de Mandacaru, Cristo e Colinas do Sul, em João Pessoa, porque, explica Barbosa, a cidade tinha as condições para a realização dos testes. Segundo o superintendente da EBC, grandes capitais do país foram pensadas para ser o teste, mas foi decidido João Pessoa porque oferecia condições para a implantação.
Segundo Barbosa, o teste foi realizado na cidade porque é uma cidade pequena e plana sem grandes diferenças topográficas, o que facilitava a emissão do sinal de TV Digital. Isso foi possível graças à parceria da EBC com a Câmara dos Deputados de João Pessoa, com a qual se realizou um acordo para utilização do site da câmara dos vereadores e a utilização do canal 61, que se juntou à engenharia da EBC e contou com o aporte das empresas parceiras do projeto.
João Pessoa é um dos principais polos de investigação em TV Digital do país. “O Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a PUC/RIO são, a meu ver, os pais do Ginga. O Lavid nos permitiu inovar em interatividade porque no Estado estamos pensando a interatividade com perfil A, o que permite introduzir aplicativos para a tela que permitam enviar vídeos em uma outra linguagem e para isso precisamos criar nomenclaturas que ainda não foram criadas. Elas estão na premissa da norma ISDB-Tb, porém não temos isso aplicado e escrito para ser aprovados”, comentou à SET André Barbosa.

No canal digital da TV da Câmara dos Vereadores, canal 61 “estão sendo transmitidos três subcanais. No 61.1 está sendo transmitida a programação da TV Brasil. O 61.2 esta sendo utilizado para transmissão da programação gerada pela TV da Câmara dos Vereadores de João Pessoa.E, o canal 61.3 está sendo utilizado para transmissão dos vídeos e aplicações do canal de serviços”, explicou à SET Guido Lemos de Souza Filho, coodernador e fundador do Lavid.

Ao sintonizar o canal 61.3, o telespectador recebe um vídeo explicativo que ensina a navegar no canal e mostra as quatro aplicações disponíveis, que tratam dos seguintes temas: documento, capacitação e emprego – desenvolvida pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba); saúde – desenvolvida pela UCB (Universidade Católica de Brasília), benefícios sociais – desenvolvida pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catariana) e gestão de orçamento doméstico – desenvolvida pelo Banco do Brasil. Após o vídeo inicial o telespectador escolhe uma das quatro aplicações e inicia o uso dos aplicativos interativos.
Assim, segundo Lemos de Souza Filho, o requisito fundamental para a elaboração do projeto foi que “a aplicação deveria ser baseada em conteúdo audiovisual e não em textos, uma vez que o público alvo possui pouca escolaridade. Este requisito determinou a forma como as aplicações foram concebidas e implementadas. Após a definição inicial dos requisitos, nós criamos e desenvolvemos a aplicação que aborda os temas documentos, capacitação e emprego. Basicamente, esta aplicação explica aos telespectadores interativos para que servem os principais documentos e como fazer para ter acesso aos órgãos responsáveis por sua expedição. A aplicação de capacitação apresenta as ofertas de cursos oferecidos em locais próximos aos da moradia dos telespectadores e explica como proceder para se matricular nos cursos. Por fim, a aplicação de emprego apresenta as vagas disponíveis e explica o que fazer para tentar conseguir um emprego”.
Além do apoio do Lavid, a Harris Broadcast “cedeu um transmissor de 2 kw, modulador e multiplexer por 6 meses. Os primeiros três serão utilizados pela EBC para os testes e depois ficarão mais três meses para continuar emitindo o sinal do canal 61”, explicou Barbosa. A Mectrônica cedeu a antena de emissão, a empresa de telecomunicações Oi, segundo ele, cedeu pelo período de testes, 100 conexões para ter canal de retorno e testar este canal por meio de celulares “porque essas pessoas de baixos recursos, às vezes, não têm internet, têm só uma TV pequena colorida e às vezes nem têm celulares. Com a Oi conseguimos que as 100 famílias tenham acesso aos celulares e através deles possam receber informações e saber que eles visualizam”, disse.

A Harris incluiu ao projeto um transmissor digital MAXIVA, UAX-2000, de 2 kw de potência, fabricado em Campinas e um sistema NetVx, SELENIO, com codificadores MPEG-4 HD, SD e 1-Seg, além de multiplexer ISDB-Tb. Isso, porque a Harris Broadcast já é parceira de longo prazo da EBC, para qual já forneceu os transmissores de TV Analógicos e Digitais de alta potência de São Paulo, transmissores de Rádio AM e FM em Brasília e Rio de Janeiro e sete controles mestres e centrais técnicas inteiramente HD para Brasília, Rio e São Paulo.

“O projeto de João Pessoa reforça essa parceria de longo prazo da Harris Broadcast com a EBC e assegurou a interoperabilidade do sistema em testes para uso presente e futuro, contendo diversos aplicativos rodando na Plataforma Ginga sendo multiplexer na Plataforma NetVx. O transmissor em testes mostrou-se de altíssima performance e confiabilidade, já possuindo o selo de Qualidade Total ISO 9001 de fabricação local”, explicou Felipe Luna, diretor da Harris Brasil.
Para Barbosa, o envolvimento da TOTVS foi de fundamental importância porque “compreendendo que seria uma grande oportunidade de exposição e desenvolvimento da interatividade, colocou à nossa disposição vários engenheiros para criar nomenclaturas de software para resolver questões relativas ao Ginga trabalhando em conjunto com as universidades e com elas, desenvolvendo novas nomenclaturas para o sistema”.

AstroTV
Mais de um ano após ter sido lançado o “Portal Interativo” do SBT, do qual a TOTVS foi encarregada de desenvolver, o middleware AstroTV evoluiu muito desde a versão utilizada naquela ocasião. Na época, o middleware era embarcado em TVs e conversores digitais de modo a rodar as aplicações interativas enviadas pelas emissoras de TV. Temos atualmente cerca de 5 milhões de aparelhos comercializados no país com capacidade para rodar a interatividade Ginga.
De fato, em dezembro de 2011 quando foi lançado o primeiro portal com 24 horas de interatividade por dia da TV Aberta brasileira, ele foi desenhado com uma interface que trafegava no Ginga (DTVi) utilizando a plataforma de TV Digital. Nesse momento, a solução completa assemelhava-se a uma plataforma de portal Web, porém formatada para a utilização em TV e funcionava através do StickerCenter, o aplicativo desenvolvido pela TOTVS, para o Portal do SBT, que funcionava na base do Ginga e fazia parte da estrutura do AstroTV.
Logo após o nascimento do AstroTV, como uma implementação comercial da especificação do middleware Ginga, “o produto não parou de evoluir até hoje, tornando-se uma plataforma mais ampla, com uma arquitetura modular para oferecer múltiplas funcionalidades e soluções para receptores de TV Digital”, explicou à Revista da SET David Britto, diretor de TV Digital da TOTVS.
Assim, esse middleware evoluiu para uma plataforma completa de entretenimento em TV Digital composta por vários módulos, entre os que se destacam, segundo Marcelo Amaral, Professional Services – Mídia Digital da TOTVS no Brasil, a implementação do Ginga Full (Ginga-NCL e Ginga-J); “o módulo OTT, que entrega conteúdo de vídeo sob demanda; o módulo híbrido de broadband e broadcast, que harmoniza a entrega de interatividade via sinal de TV e internet; o módulo segunda tela, que permite interação via tablets e smartphones; e o módulo zapper, que agrega funções básicas e avançadas de controle da TV, como Guia de Programação e PVR”.
Os módulos, segundo David Britto, estão interligados entre si, o que permite que, por exemplo, as aplicações Ginga, transmitidas pelo sinal de radiodifusão, possam utilizar as funcionalidades providas por outros módulos. Podem ser escritas aplicações OTT utilizando Ginga-NCL/LUA, Ginga-J ou aplicações híbridas que integram os conceitos de OTT e broadcast. A arquitetura modular permite um grande número de combinações para criar soluções de forma rápida e efetiva.
Segundo Diego Felice, gerente de novas mídias do SBT, o “SBT Portal Interativo está em constante evolução, as últimas evoluções foram a inclusão de um sub-aplicativo (Carrossel [novela infantil da emissora]) e nossa última atualização foi a aposta nas redes sociais, onde incluímos a possibilidade de acompanhar e filtrar entre os perfis oficiais da emissora e de alguns programas no Twitter”.
Isso é possível porque, segundo Britto, o portal interativo do SBT foi desenvolvido em linguagem Java, que utiliza canal de retorno para enviar e receber dados. “A aplicação também permite a atualização de layout a qualquer momento por parte do SBT. As opções de menu são formadas de acordo com a grade de programação da emissora. Por exemplo, durante a novela Carrossel, o menu do portal apresenta a opção do usuário acessar o aplicativo relativo a esse programa. Toda a configuração desse aplicativo é feita através da atualização do DSM-CC [Digital Storage Media Command and Control]. É a sexta parte do conjunto de especificações MPEG-2.Também conhecido como ISO/ IEC 13818-6, padroniza um conjunto de protocolos que fornece funções de controle para o gerenciamento de fluxos de bits MPEG-2]”, explicam Carlos Piccioni e Carlos Montez pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na edição número 89 da Revista da SET.
Para o coordenador do Lavid, o mais importante do projeto foi ter como foco a utilização do conteúdo audiovisual, com necessidade de gravação e atualização dos vídeos gravados nos receptores. “O Ginga-NCL já continha as APIs necessárias para atender os requisitos definidos na concepção do projeto. Porém, foi necessário modificar a implementação da TOTVS utilizada nos testes, que não possuía suporte para as APIs Ginga de gravação e atualização de vídeos”.

Quase um ano e meio depois do seu lançamento, o balanço do SBT sobre a recepção do Portal Interativo é positivo. Felice explica: “Ainda não estamos com métricas para os aplicativos de TV Digital, estamos testando uma possibilidade que é a do retorno pela internet, mas ainda existem fatores não controlados, como a TV deverá estar conectada para a recuperação dessa informação. Mas as informações que recebemos por e-mail, por telefonemas dizem que o portal ajuda no dia-a-dia, pois exibimos notícias de ultima hora, previsão do tempo e o que irá acontecer nas próximas atrações da programação”.
Para o gerente de novas mídias do SBT, o projeto da EBC “foi uma iniciativa muito interessante para verificar o retorno da população com a interatividade. Hoje nosso projeto é complementar e tornar interativo o conteúdo da emissora, com notícias, bastidores, fique por dentro, fotos, promoções, previsão do tempo, rede social, loja e interação direta com enquetes e quiz. Nosso portal é praticamente todo offline, mas também temos conteúdo que necessitam de canal de retorno como nas enquetes e na rede social. Já o aplicativo SBT Vídeos é totalmente baseado no canal de retorno, pois é necessário para reprodução de conteúdo “VOD”, os programas que o público perdeu e podem ser revistos no momento que desejar na TV,” e “é transmitido pelo AstroTV, que foi atualizado para uma melhora na resolução do conteúdo e adequação da marca”.

D-Link
Segundo os responsáveis da TOTVS, a empresa investe para criar soluções inovadoras utilizando a tecnologia de middleware Ginga. “Ao longo de 2012, desenvolvemos uma solução inteiramente baseada no padrão Ginga, que permite a aplicativos interativos comunicarem-se com dispositivos de segunda tela (tablets e smartphones) e disponibilizarem de forma sincronizada com a programação, conteúdo interativo (páginas HTML e clipes de áudio e vídeo, etc) transmitidas no próprio sinal de radiodifusão ou pela Internet”, explicou Britto à Revista da SET.

Essa solução foi apresentada na IBC 2012, no paper “Using the Ginga standard for the evolution of multiscreen TV”, e segundo o diretor de TV Digital da TOTVS“ supera outras de mercado por dar total controle para a emissora, que se torna a única responsável pela transmissão do conteúdo segunda tela, sem depender de nenhum provedor de serviço”.
Para o projeto da EBC foi utilizado o conversor digital DTB-331 da D-Link. Este receptor é o que vem sendo usado nos testes da EBC em João Pessoa, explica Amaral. E reforça: “a TOTVS trouxe a D-Link para o projeto e contribuiu com seu know-how fazendo os ajustes necessários para viabilizar o conceito de interatividade planejado pela EBC, que envolvia o uso de vídeos explicativos que incentivassem e facilitassem o uso da interatividade pela população de baixa renda”.
Amaral afirma que “os fabricantes podem optar por embarcar um ou mais módulos em seus produtos. Hoje a D-Link oferece ao mercado um conversor digital que conta com uma implementação completa do AstroTV, com todos os módulos disponíveis. Outros fabricantes optaram apenas pelo módulo de interatividade Ginga do AstroTV. Já a SHARP incluiu também, em alguns modelos de sua linha de TVs AQUOS, o módulo de loja de aplicativos”. Ainda, reforça Britto, “a TOTVS é a responsável pelo software do receptor e pela integração e homologação do conteúdo feito pelas universidades para geração do produto final”.

Resultados do projeto
Segundo Guido Lemos de Souza Filho, após a implementação das aplicações e das modificações no Ginga para poder enviar áudio e vídeo, foram realizados testes nos laboratórios das universidades, da EBC e da TOTVS. Após os testes foi planejada e executada a etapa de configuração e instalação dos receptores e dos equipamentos transmissores. Com o sinal no ar, os pesquisadores contratados pelo Banco Mundial, foram a campo realizar uma pesquisa que visa medir os possíveis impactos sociais e econômicos do projeto, contando também com o apoio dos voluntários da UFPB e das assistentes sociais da prefeitura de João Pessoa. “Estamos agora na fase de processamento dos dados levantados nas pesquisas para entender com mais precisão o impacto do projeto. Estes dados serão revelados ao país no próximo dia 23 de abril de 2013, em Brasília”, comentou Lemos.

Guido Lemos, afirmou à Revista da SET que as pesquisas realizadas “para avaliar os resultados” e entrevistas realizadas com as famílias que participaram do projeto trará “depoimentos emocionantes que atestam que o projeto é viável, o público tem plenas condições de utilizar aplicativos interativos Ginga e estes aplicativos podem melhorar sua vida facilitando o acesso a informações e serviços públicos”.
Nesse sentido, André Barbosa espera bons resultados quando o grupo de consultores do Banco Mundial entregue os resultados no fim de abril de 2013 e que com estes se dê um impulso as TVs Privadas do país para que estas invistam em interatividade.

Ginga-J
Vale lembrar aqui que o Ginga é uma especificação composta por dois ambientes de execução de conteúdo interativo, o Ginga-NCL e o Ginga-J. Cada um tem as suas particularidades. Para David Britto, “ambos ambientes estão integrados e são complementares. Para o desenvolvedor de aplicações Ginga, a escolha de um ou outro deve estar baseada nas características técnicas do projeto”. A incorporação dos dois ambientes de execução na especificação Ginga foi aprovada por consenso pelo Conselho Diretivo do Fórum de TV Digital, composto por representantes das indústrias de recepção, radiodifusão, software, transmissão e as universidades em 2010.

Assim, o Ginga é uma especificação que prevê o uso da tecnologia Java desde a sua aprovação em 2009, uma das diferenças com os desenvolvimentos de TV Digital em outros países de América Latina. Britto explica que o Ginga-J adota a linguagem Java e está baseado nas especificações de API elaboradas pelo Java Community Process(JCP): CDC 1.1, FP 1.1, PBP 1.1, JavaTV 1.1, SATSA, JCE 1.0, JSSE 1.1. Além destas especificações, o Ginga-J inclui a especificação JavaDTV 1.3, elaborada pela Sun Microsystems junto com o Fórum SBTVD, publicada como a norma ABNT NBR 15606-6 e a própria especificação Ginga-J, publicada como a norma ABNT NBR 15606-4 e o seu respectivo guia de operações, publicado como a norma ABNT NBR 15606-8.
Neste sentido, a Oracle também está trabalhando e desenvolvendo soluções para a TV Digital, já que considera, segundo expressou em comunicado, que após a definição do padrão brasileiro de TV Digital em 2009, a televisão digital pôde se tornar mais interativa por adotar o padrão DTVi para o middleware, desenvolvido com a tecnologia Java, que é utilizada por mais de 130 mil desenvolvedores no Brasil, aptos a criar aplicativos para atender às demanda de emissoras e retransmissoras de TV, produtoras de conteúdo e anunciantes.

Dimas Oliveira, consultor sênior de Vendas da Oracle do Brasil, pensa que o Ginga-J tem vingado no país e hoje “temos milhares de televisões já disponíveis no mercado com a tecnologia. Nos últimos dois anos, as TVs já têm sido produzidas com o middleware Ginga e, de agora em diante, a maioria das TVs já sairão de fábrica com a tecnologia da TV Digital incorporada, oferecendo ao consumidor mais interatividade. Para identificar se um aparelho inclui essa tecnologia, basta procurar o logo de DTVi”.
A Oracle pensa que os desenvolvedores Java podem criar os mais diversos aplicativos interativos, seja para transmissão de conhecimento, conscientização, educação, cultura, lazer, comércio, etc. Para isso, os fabricantes de equipamentos de televisão e de set-top box têm apenas que incluir em seus produtos o middleware interativo DTVi, que roda em máquina virtual Java Oracle JVM, cujo padrão de qualidade se diferencia pela flexibilidade, robustez, certificação e padronização, garantindo a continuidade da oferta e que o mercado não sofra fragmentação.
De fato, para Dimas Oliveira, todo programador Java possui uma curva de aprendizado de 3% a 8% da nova tecnologia Ginga-J. Não se trata de um novo Java, nem de um novo conceito de adoção da tecnologia. Os desenvolvedores Java podem criar os mais diversos aplicativos interativos para o Ginga-J, seja para transmissão de conhecimento, conscientização, educação, cultura, lazer, comércio, ou outro.
Assim, segundo Dimas Oliveira, o Ginga-J é uma tecnologia usada por muitas emissoras líderes no país e também está presente em diversos modelos de TVs fabricadas desde 2010. “Existem hoje milhões de TVs vendidas no mercado com Ginga completo, que compreende o Ginga-J e o Ginga-NCL. Ginga-NCL é o subsistema Ginga que promove uma infraestrutura de execução para aplicativos declarativos escritos na linguagem NCL (Nested Context Language). A utilização do Ginga-J, além de ter importância pela interatividade que viabiliza com outros aplicativos e dispositivos por ser baseada na plataforma Java, também representa um novo segmento de mercado de trabalho para a grande comunidade de desenvolvedores de Java”.
Para o porta-voz da Oracle, com o Ginga-J já é possivel enviar conteúdo em conjunto com as imagens e áudio. “O que mudará é que os televisores receberão áudio, vídeo e aplicativos interativos. A tendência é que, com o tempo, todos os canais da TV Aberta forneçam o conteúdo em formato digital e com interatividade. Um exemplo de como funcionará a tecnologia são as funcionalidades da TV a Cabo, que oferece por meio de uma tecla do controle remoto, informações sobre o programa que o telespectador está interessado”.

TV Gazeta
Finalmente, outra emissora que está investindo em interatividade é a TV Gazeta de São Paulo. Para isso, desde 2009 a engenharia da emissora desenvolveu aplicativos para uso da TV interativa. Esses aplicativos tinham diferentes funções, desde detectar qual o programa preferido do público, verificar as opiniões do público sobre a Copa de 2010 e sobre a ‘Corrida de São Silvestre’ em 2012.
Atualmente, segundo explicou Paula Hernandes Barrozo, assessora de imprensa da TV Gazeta à Revista da SET, “a emissora trabalha com um aplicativo que permite a visualização da previsão do tempo em São Paulo e em outras capitais do país. Qualquer TV ou set-top box com Ginga NCL pode acessar essas informações sobre a previsão do tempo”.
Para isso, a emissora utiliza uma solução da Show Case Pro, com linguagem NCL-Lua. Este recebe a informação da agência meteorológica em tempo real realizando a atualização dos gráficos que são introduzidos no workflow de transmissão da emissora paulista e são transmitidos através do seu canal de interatividade.

Com Agência Brasil
www.ebc.com.br
www.set.com.br/artigos/ed89/ed89_destaque.htm
www.lavid.ufpb.br
http://forumsbtvd.org.br
www.telemidia.puc-rio.br
www.tvgazeta.com.br
www.sbt.com.br
www.sbt.com.br/sbtvideos