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A importância do Trabalho nas Regionais

REGIONAIS 2011

Criado em 1997 para incentivar, integrar, motivar a atualização, trocar experiências e promover o aperfeiçoamento dos profissionais do setor em tecnologia de televisão, o evento regional da SET acontece uma vez por ano em cada uma das cinco regiões – Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro Oeste. Em 30 edições somam-se 300 palestras e cerca de 3 mil participantes. São dois dias de evento que reúnem especialistas de empresas, emissoras e academia.

Os trabalhos desenvolvidos pelos integrantes das diretorias regionais é um trabalho de equipe, de parcerias, de busca pelo conhecimento e de respeito aos profissionais que atuam em cada região, principalmente, naquelas que estão longe dos grandes centros. Ao criar os eventos regionais, a SET percebeu que há uma carência de informação fora dos grandes centros e que ela como defensora da engenharia de televisão deveria promover encontros em cada região para sanar dúvidas e promover o desenvolvimento tecnológico pelo Brasil. O exemplo que a iniciativa deu certo é o SET Norte. Pioneiro nos seminários regionais, este ano, fez o seu 13º evento.

Na opinião do diretor da regional SET Nordeste, Luiz Carlos Gurgel, “as cabeças de rede estão todas no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde tudo acontece. Os profissionais das emissoras regionais, principalmente as que estão mais distantes, têm, certamente, mais dificuldade em se manter atualizados. Mesmo com todos os recursos atuais da comunicação, a conversa “olho no olho” com o profissional experiente é insubstituível. Trazer a SET para mais perto das emissoras foi uma decisão muito boa, pois assim podemos ter maior número de profissionais participando do nosso setor”.

As regionais
Cada regional tem suas características, deficiências, pontos positivos, argumentos e soluções diferenciadas para determinadas situações. E o que a SET quer é promover esta troca de informação levando profissionais para disseminar o conhecimento. Os encontros são destinados a engenheiros, técnicos, estudantes e interessados afins. A seguir o cenário de cada regional e a opinião de seus diretores.

À frente do SET Sudeste está o engenheiro Geraldo Cardoso de Melo. Para ele os evendispotos da SET servem para a troca de experiências e atualização tecnológica. Nos eventos ocorridos em sua regional em 2010 e 2011, participaram profissionais de diversas emissoras, estudantes, engenheiros projetistas e funcionários da Anatel. Este ano além do SET Sudeste que aconteceu, em março, existe a perspectiva de realizar um seminário em setembro em parceria com o Senai. Todos os eventos são planejados em conjunto com os membros do comitê SET Sudeste.

Segundo Geraldo, a sua regional atende a quatro estados com 235 estações de Televisão, sendo 100 estações em São Paulo, 93 estações em Minas Gerais, 25 no Rio de Janeiro e 17 no Espírito Santo, incluindo as televisões educativas. O número de retransmissoras é maior. Em São Paulo são 1940, Minas Gerais 1498, Rio de Janeiro 437 e 201 no Espírito Santo. Totalizando 4076 retransmissoras.

Diante destes números e tendo os maiores concentradores de informação, a avaliação de Geraldo sobre a implantação e implementação do sistema de TV digital em sua região é positiva. “As redes comerciais já completaram suas instalações nas capitais. A Rede Globo já conta com algumas emissoras operando com transmissão digital em algumas cidades do interior. As demais redes estão com estudos concluídos, iniciando seus cronogramas de instalação. O próximo passo será as retransmissoras iniciarem o processo, que deverá acontecer primeiramente nas cidades de maior porte”.

Porém mesmo em grandes centros, existem dificuldades para implantação do sistema digital. “A preparação de nova infraestrutura – torre, sistema de energia e abrigos, aterramento são grandes desafios a serem vencidos. Com relação à mão de obra, ele avalia ser boa, pois o segmento de produção já havia migrado para o sistema digital e os profissionais já o tinham assimilado. No segmento de transmissão ela foi suprida pelos profissionais que já atuavam na tecnologia analógica.

Para Geraldo, entre os desafios de sua regional está uma aproximação maior das operadoras de telecomunicações, em especial TV a cabo, e fazer parcerias com escolas de telecomunicações.

A regional norte é dirigida pelo engenheiro Nivelle Daou Junior e o SET Norte é o único evento periódico e certo na região voltado à atualização e reciclagem dos profissionais da área, tanto para os engenheiros de radiodifusão como para os profissionais das indústrias que se situam na zona franca de Manaus. “Nós temos o compromisso de trazer todos os avanços e apresentar as novas tecnologias de TV aberta, TV paga, vídeo na internet, dispositivos móveis, e muito outros temas. A cada ano, o SET Norte busca apresentar palestras tanto de interesse geral como temas próprios para a realidade regional”, afirma.

Além das palestras das empresas e acadêmicos, no evento do SET Norte é possível conferir os trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos centros de pesquisas que existem em Manaus – Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Pólo Industrial de Manaus (CT-PIM), Instituto Nokia, Instituto Paulo Feitoza e Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi Amazônia). Estes centros executam, pesquisam e desenvolvem projetos na área de TV digital. “Nós tínhamos aqui, o Genius Instituto de Tecnologia, embora tenha tido importante papel nesse contexto, não existe mais”.

“Apesar de ter cursos de engenharia nas universidades Federal do Amazonas (UFAM) e Estadual do Amazonas (UEA), nenhum deles é voltado para TV digital. As informações chegam através de cursos de especialização e extensão. Em junho foi concluído um curso desenvolvido pelo convênio feito entre a Fundação Rede Amazônica, FUCAPI, CT-PIM e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). Esta por sua vez referência em formação de profissionais na área de engenharia e Rádio Frequência. A idea da parceria com o Inatel é para que a região tenha a oportunidade de conviver e se desenvolver com a expertise dos professores da instituição. Nivelle considera que um número razoável de engenheiros está se especializando em TV digital na região norte, porém ainda não é suficiente para a demanda”.

Na região norte concentram-se os estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá. Para continuar a atender aos profissionais deste mercado, Nivelle espera que a SET continue apoiando e facilitando as informações com o envio de palestrantes aos seminários regionais, os quais têm tido um papel fundamental no aperfeiçoamento dos profissionais da área.

O diretor da regional SET Nordeste, Luiz Carlos Gurgel, comemora o sucesso dos eventos de 2010 e 2011. “O de 2010 foi um grande encontro que surpreendeu a todos pelo número de participantes. Eu acredito que o maior ganho é termos profissionais mais preparados para atendermos melhor aos nossos telespectadores”. Os resultados de 2011 não foram diferentes e tiveram o saldo positivo.

Para se ter um panorama da região, a equipe da regional nordeste desenvolveu um cadastro com todos os responsáveis técnicos das emissoras da região. “Através deste registro é possível interagir com estes profissionais e ter uma programação de palestras perfeitamente sintonizada com as necessidades da região o que, geralmente, é um pouco diferente das necessidades das emissoras do Rio de Janeiro e São Paulo”, comenta Gurgel. Atualmente, a digitalização das transmissões é o foco da regional norte, pois ainda é grande o número de geradoras que só agora está iniciando o processo. Para àquelas que já digitalizaram suas transmissões, o foco é preparar-se para as produções em HDTV, até porque as emissoras do nordeste têm, em suas grades, uma grande quantidade de programas locais.

Na opinião de Gurgel a maior dificuldade para a implantação do sistema digital é o valor elevado do investimento e o grande desafio é descobrir como ganhar dinheiro a partir desse investimento. Com relação à mão de obra existe pouca oferta de emprego e poucos profissionais. Com isso, quando surge a oportunidade para se contratar alguém, é comum ir atrás de um profissional de outra emissora.

Os trabalhos na região ainda são muitos – interatividade, loudness, muitiprogramação, modelo de negócios – por isso Luiz Carlos espera que a SET consiga ser mais atuante na região, promovendo mais curso em parceria com entidades educacionais da regional. “Com os eventos anuais regionais, a SET já deu o primeiro passo, mas gostaríamos que ela tivesse presente o ano todo”.

Formada pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a regional SET Sul, na opinião de seu diretor, Fernando Ferreira, tem uma excelente mão de obra, porém, é possível que ainda seja pouco o número de profissionais para atender a quantidade trabalho que tem pela frente. Por isso é muito importante trabalhar para treinar mais pessoas, não só na área de televisão, mas também de empresas, como por exemplo, as de instalações. “Penso que a SET deva continuar com os eventos regionais porque eles são muito positivos”, fala.

No evento realizado em maio, uma inovação. O SET Sul pode ser transmitido ao vivo e com um recurso que foi superior àquele que mostra apenas o apresentador. “O evento foi transmitido para outros estados e telespectadores que quisessem fazer perguntas também podiam participar. Qualquer emissora de televisão ou afiliada que tivesse uma repercussão do satélite utilizado para transmissão poderia assistir no seu televisor o evento em um determinado canal digital. Era necessário ter uma antena parabólica e um receptor digital, porque a transmissão foi feita num transponder digital”, explica Fernando.

“Nós acompanhamos os outros eventos regionais e procurarmos repetir os acertos e evitar os erros, sempre trocando informações. Nos eventos que fizemos tivemos uma aceitação muito boa. Na avaliação que realizamos sobre o evento, retorno foi muito bom, principalmente, com relação a aplicabilidade. Os participantes sentem que os assuntos são pertinentes e que nos eventos eles têm respostas. Entre os temas abordados estava o áudio 5.1 canais apresentado pelo engenheiro Rodrigo Meirelles da Rede Globo. Tivemos a participação do vice-diretor de interatividade da SET, Carlos Fini, falando sobre TVs conectadas. A regional precisa sempre levar a informação para o seu associado. Por isso, é feita uma pesquisa na nossa regional para saber qual a necessidade das profissionais do setor. E é com base nesta pesquisa que procuramos trazer especialistas para nosso evento regional”.

De acordo com Fernando, as emissoras nas capitais da região sul já implantaram o sistema de TV digital. Agora, começam os trabalhos no interior. “Eu acredito que nos próximos três anos, em função dos eventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas -, boa parte dos estados já estará coberta pelo novo sistema. Porém não é fácil implantar e no momento, os custos ainda são altos, mas com a massificação espero que este cenário mude e as coisas fiquem mais acessíveis. E as dificuldades de implantação são as mesmas em todos os lugares, entre elas, está a infraestrutura. Nós temos aqui uma antena e queremos colocar a segunda antena digital”.

Para o diretor da SET Centro Oeste, Emerson Weirich, os eventos são únicos e muito importantes pois são voltados para um público muito qualificado do mercado de radiodifusão. Este ano ainda não aconteceu a reunião anual, porém, o evento de 2010, que aconteceu em novembro, em Brasília, foi um sucesso, com mais de 200 inscritos para assistir a 18 palestrantes. O evento de 2011 está programado para acontecer em outubro.

Segundo Emerson, na sua região além das redes de emissoras comerciais, existem as emissoras públicas federais. Ambos os segmentos têm o mesmo desafio de digitalizar as estruturas internas de estúdio e digitalizar as estruturas de transmissão. Enquanto que a maioria das empresas já está com o transmissor digital principal instalado, em Brasília estas instalações devem ser transferidas para novo local, pois aguardam a finalização da nova torre de TV digital da cidade que será compartilhada por todas emissoras. O passo seguinte será a instalação de gap fillers e transmissores em SFN (Rede de Frequência Única). A expansão da cobertura do sinal digital continua sendo de grande interesse das emissoras, pois ainda é um desafio tecnológico que os engenheiros estão vivenciando nos projetos e no campo.

Se considerar todo trabalho que ainda há pela frente, na opinião de Emerson, a mão de obra da sua regional é carente de cursos de qualificação local para as áreas de radiodifusão. “É por isso que os eventos da SET são fundamentais pois não existem outros eventos técnicos da área de radiodifusão com a mesma qualidade, perfil, com palestrantes de fabricantes ou instituições de pesquisa. Outro ponto importante é que a participação dos associados da SET nos eventos contribui para o intercâmbio técnico com profissionais de outras empresas deste mercado e para a integração com fornecedores” ressalta Emerson.

Gilmara é editora da Revista da SET. E-mail: gilmara@gelinska.com