• PT
  • EN
  • ES

IMPLANTAÇÃO DE FLUXOS DE TRABALHO EM HD

ALTA DEFINIÇÃO
IMPLANTAÇÃO DE FLUXOS DE TRABALHO EM HD
APESAR DA RESISTÊNCIA DA INDÚSTRIA DO CINEMA NA ADOÇÃO DE HD PARA FLUXOS DE TRABALHO, SUA CHEGADA É TÃO INEVITÁVEL QUANTO O AVANÇO DA TECNOLOGIA. A MUDANÇA DE HÁBITOS É COMPENSADA PELA QUALIDADE E REDUÇÃO DOS CUSTOS.
por Walter Duer – Tradução autorizada da Revista TV&Vídeo

A adoção de fluxos de trabalho baseados em HD aproxima e repercute de maneiras diferentes quando se fala em broadcasting ou cinema. Enquanto para o primeiro é uma necessidade, o segundo vê com receio sua introdução. Tudo mostra que a migração para HD é irreversível devido aos benefícios associados.
Mudanças vêm aí no universo da captura, edição e reprodução de imagens em movimento. Atualmente, só se fala em HD. Mas a diferença é que durante os últimos anos não se fala apenas em HD, mas sua implantação vem sendo feita com mais freqüência. “Foi uma surpresa para nós termos vendido nove sistemas de HDTV em um ano”, afirma Domingo Simonetta, presidente da SVC, distribuidora oficial da Avid na Argentina.
O sistema de composição e edição Nitris tem sido a principal estrela, com oito implementações, enquanto o Media Composer Adrenaline tem tido sucesso. Por isso, as produtoras e emissoras, em maior ou menor escala, fizeram a si mesmos uma pergunta crucial: o que muda no fluxo de trabalho com a introdução do HD? “É uma mudança de conceito”, pontua Simonetta. “Trata-se de uma forma de trabalho muito diferente”, completa Hector Goldin, presidente da Maxim Software, distribuidor da Apple na Argentina, especializado em soluções de vídeo.
O primeiro ponto a analisar para responder esta pergunta, parte da etapa do processo em que se incorporará o HD; é preciso diferenciar as duas indústrias, tanto a de broadcasting quanto a de cinema.
A primeira se vê forçada, de certa maneira, a realizar a mudança. De fato, para as emissoras de televisão, a migração para HD é acima de tudo, um avanço tecnológico. Por isso, não é uma surpresa que estejam trabalhando em sistemas para que o fluxo de trabalho seja HD de ponta-a-ponta, ou seja, desde o momento da captura até a finalização.
Por uma questão de investimentos em equipamentos, muitos têm optado por traçar um sistema combinado, que consiste em fazer a edição offline em SD, através da conversão. As cópias offline se fazem pela duplicação em um downconverter, que passa o material de um deck HD para SD.
De uma maneira ou de outra, as emissoras de televisão precisam definir novos fluxos de trabalho que incorporem HD. Simonetta acredita que os lucros irão recair sob os operadores de cabo (que poderão agregar à sua oferta serviços Premium de alta definição por um pequeno acréscimo na mensalidade) e os fabricantes de televisores (que começaram a renovar sua base instalada de receptores HD). Além disso, como o preço dos televisores HD baixou, tornaram-se produtos de fácil aquisição nos mercados latino-americanos, ampliando as possibilidades da difusão destes receptores, concluiu o diretor da SVC.

Broadcasting X Cinema
A indústria do cinema, diferente do broadcasting, impõe mais obstáculos para incluir HD em seus fluxos de trabalho. “Para a televisão, o HD é apenas um sistema de maior resolução, já para o cinema significa mudanças em todas as estruturas. Na realidade, a película ainda é melhor que HD, mesmo que ele signifique mais economia”, afirma Simonetta. Ele lembra que a resistência não está relacionada tanto com a qualidade dos produtos, mas pelos históricos costumes do trabalho.
E não se trata apenas de costumes: o mundo do cinema investiu muito em tecnologias anteriores, assim como em pessoas com muita experiência. Neste segmento, o mais comum é um esquema de captura em película, passagem para HD na pós-produção e saída também em película. “Quanto a qualidade, não se pode dizer que seja perfeito, mas sim que é muito melhor”, assegura Goldin. Este método, portanto, pode constituir uma interessante porta de entrada para que os participantes da indústria do cinema rompam mitos e provem tudo o que o HD oferece. “Decididamente, o esquema de película-HD-película é uma boa maneira de introduzir HD entre as produtoras cinematográficas e, de fato, muitos estão fazendo isso.”
Uma alternativa pela qual a indústria do cinema pode chegar a adotar HD na América Latina é o custo. A relação de custos de produção entre um sistema e outro é de 10 para 1, estima Simonetta. “Estamos na primeira geração de HD, e deve acontecer uma forte briga e uma grande resistência. Já está por vir uma segunda geração, a luta será mais fraca e quando chegar uma terceira geração, ela adotará o HD como se nunca tivesse existido outra alternativa.”, descreve o presidente da SVC.
“É preciso incorporar câmeras, lentes, editores e até uma nova forma de trabalhar, mas tudo isso acontecerá pouco a pouco, à medida que o usuário final detecte que os custos estão baixando ao mesmo tempo em que se incrementa a qualidade”, conclui o executivo.

Benefícios associados
Os benefícios associados ao mundo HD são muitos, embora todos tenham influência nos custos. O armazenamento compartilhado, por exemplo, está se tornando um conceito cada vez mais importante. A habilidade de ter múltiplos editores em grupos de trabalho que compartilham o mesmo material pode aumentar a velocidade do processo de trabalho significativamente.
Se bem que não está relacionado diretamente com HD (serve também para SD e, praticamente, todas as grandes empresas já os tem implementado para seus sistemas de computadores), o certo é que se trata da maneira mais natural de trabalhar com HD.
O uso de metadados é outro ponto-chave. Os metadados são informações que documentam as mudanças feitas ao longo do trabalho, os efeitos que foram aplicados e qualquer outro tipo de dado de suas características. No passado, tudo era feito manualmente, mas com a utilização correta dos metadados, é possível diminuir o tempo de trabalho e aumentar consideravelmente os controles.
As possibilidades de distribuição também mudam e melhoram. “Se eu tenho uma rede de salas de cinemas, não necessito transportar materiais a mão ou fazer motociclistas correrem com os rolos pelas ruas, com todos os riscos que isto implica. Simplesmente, solicito ao meu distribuidor que suba o conteúdo ao satélite e faço o download, através de uma senha, para utilizá-los em minhas salas. Isto é, pode-se evitar por completo o movimento físico do material”, assegura Simonetta. Entre os benefícios é preciso mencionar a qualidade. “Muitos canais e produtoras vão implementar HD só porque está na moda, mas a verdade é que quando um começa a ver coisas em HD, entende a diferença da TV comum, por exemplo. É como ouvir um concerto em cassete ou CD”.
Outro ponto a ser levado em conta na hora de incorporar HD ao fluxo de trabalho é a compressão. “O tamanho do material é muito grande, o que torna praticamente impossível manejá-lo sem compressão, independente do orçamento disponível para a aquisição”, indica Goldin. Simonetta concorda com esta idéia. “Se é factível trabalhar em todo o processo com HD sem comprimi-lo, a verdade é que não é prático”, confessa. Os sistemas de compressão estão cada vez melhores: “Fizemos uma demonstração com uma tela dividida, em que mostramos simultaneamente o HD comprimido e sem comprimir. Era muito difícil detectar a diferença”, relata Simonetta.
Os formatos de compressão usados são DVCPro HD, da Panasonic, e HDV da Sony. Mas não são os únicos: a Technicolor trabalha com um formato próprio, enquanto a Apple lançou seu AIC. A chegada do HD é irreversível, assim como a televisão deixou de ser preto e branco para ser em cores, assim como as câmeras de tubo cederam seu lugar para as câmeras SD. A tecnologia avança e quem não quiser perder o trem terá que avançar com ela. Será preciso mudar todo o fluxo de trabalho para obter êxito.