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IBC e SET reúnem broadcasters latino-americanos em Amsterdã

Nº 147 – Dez/Jan 2015

por Fernando Moura, em Amsterdã

REPORTAGEM

Mais de uma centena de broadcasters brasileiros e latino-americanos participaram de uma sessão que abordou o futuro do setor, as novas tecnologias 4K e 8K e a tendência da indústria para soluções baseadas em estruturas IP.

Peter Owen, IBC Council, acredita que o mercado latino-americano vive um momento importantíssimo com a migração para o digital e por isso é essencial que a indústria acompanhe seu desenvolvimento fornecendo produtos e soluções acordes as suas necessidades


A
Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) realizou em associação com o International Broadcasting Convention (IBC) a sessão “What was hot at IBC2014”, na tarde do passado 15 de setembro, em Amsterdã, Holanda.
O evento moderado por Peter Owen, presidente do IBC Council, e co-presidida por Nelson Faria Jr (SET) tentou desvendar quais são os principais desafios dos broadcasters latino-americanos e quais as mudanças tecnológicas que estes precisam desenvolver para acompanhar os tempos.
Na abertura do evento, Olímpio José Franco, presidente da SET, disse aos presentes que cada dia se torna mais importante estar ao corrente do que há de novo na industria e isso, tem de ser olhado sob o ponto de vista da América Latina. Para ele é necessário discutir “os assuntos de impacto mundial no setor, como as questões relacionadas ao espectro de radiofrequência, o desenvolvimento dos formatos 4K e 8K para a TV e a utilização de tecnologias de vídeo sobre IP”.
Em formato de talk show a sessão teve como palestrantes Peter Fannon, Vice-presidente da Panasonic Corporation dos Estados Unidos; John Ive, diretor de Desenvolvimento de Negócios & Tecnologia da International Association of Broadcasting Manufacturers (IABM); e o consultor e escritor Dick Hobbs.

O presidente da SET, Olímpio Franco houve atentamente as palavras de John Ive (IABM) quem afirma que o futuro está na introdução de estruturas IP nas emissoras de TV

Após a abertura do evento realizada por Franco, Nelson Faria disse aos presentes que as tecnologias 4K já são uma realidade da indústria, tanto que já foram implementadas na TV Globo durante a última Copa do Mundo com produções ao vivo e que nelas foram, ainda utilizadas soluções IP, nomeadamente como foi levado o sinal do Estádio do Maracanã até a sede da TV Globo no Jardim Botânico e como assim foram realizados os três jogos em 4K durante o mundial.
“As contribuições via IP são uma realidade, na Copa deu certo” porque “a transmissão via IP hoje é uma das poucas soluções que temos para poder transmitir sinal 4K”, afirmou.
Falando da Copa do Mundo, Faria explicou que nas produções surgiram alguns problemas de foco nas câmeras e disse que “muitas coisas acontecem, sobretudo quando falamos de produções ao vivo” esses “são os desafios do pioneirismo”.
Ele explicou que na realização de ficção da Globo já se produz novelas em 4K, mas que o problema continua sendo a transmissão desses conteúdos e como transporta-los, e que as objetivas “ainda são muito caras para ser utilizadas neste tipo de produções”.
Outro dos temas destacados por Faria foram as tecnologias que utilizam o streaming e com ele as soluções de análises de vídeo que “tanto se viram na edição 2014 do IBC”. Peter Owen, IBC Council, disse que estamos em uma época de gerar novas oportunidades para o mercado, e “precisamos aproveitá-las. O negócio está mudando, precisamos ver o que fazer e como adaptar-nos as mudanças”.
Para Owen a diferença das predições mais apocalípticas, o “broadcast não morreu, está mudando e se transformando para tecnologias como o IP” e para novas formas de “captação como o 4K que mudam a percepção das produções e o olhar do telespectador”. Para ele temos de pensar “o 4K como uma nova forma de produção”, mas uma “produção difícil de ser feita porque precisa de grandes sensores” e com eles “necessitamos de novas formas de produção audiovisual”.

De izq. à dir: Nelson Faria Jr (SET), Peter Owen (IBC) e Olímpio Franco (SET). Os diretivos da SET e o IBC ficaram muito satisfeitos com o desenvolvimento da sessão no IBC e já planejam novas parcerias entre as duas entidades

A seguir os palestrantes convidados discutiram a tecnologia 4K e a sua viabilidade económica e tecnológica no mundo ficando claro que é necessário, primeiramente, determinar o padrão de definição.
Peter Fannon, Vice-presidente da Panasonic Corporation dos Estados Unidos, fez uma apresentação divertida e questionadora. Para ele, estamos em um momento de novas oportunidades onde o broadcaster precisa de novas soluções, e onde o “4K é uma oportunidade. Precisamos usar 4K, mas temos claro que isso será para una transição”, porque as pessoas “cada vez exigem mais qualidade de imagem”.

O executivo disse que estamos em um momento no qual se discute o vídeo Everywhere, mas muitos dos consumidores estão interessados na qualidade e a distribuição pelo que este conceito se torna difícil. Fannon afirma que é preciso definir o “range dinâmico como fazer que ele seja totalmente estável”. Sabemos que “o 4K é uma bela experiência para grandes aparelhos de TV, mas é difícil de utilizar e apreciar em pequenos monitores como os de telefones celulares” onde hoje “as pessoas assistem”.
Agora “o que vemos é video Everywhere, os consumidores querem estar conectados e nós como indústria temos de ver como se produzem esses conteúdos. Por isso as diferentes telas e sistemas de entrega dependem do conteúdo”.
John Ive, diretor de vendas de desenvolvimento de negócios e tecnologia de IABM afirma que a entidade “estuda mercados, e a indústria com os seus principais comportamentos”.
Ele diz que 46% dos europeus entrevistados entre 13-34 anos já utiliza tecnologias disruptivas com a utilização de novas tecnologias da comunicação. “Isso porque estamos caminhando para uma grande virada, que será a utilização de novas plataformas para ver TV” e tudo isso é possível pela “introdução de tecnologias IP”.

“O cloud há 3 anos não era possível, hoje é parte da realidade, disse. “Estamos em uma época de mudanças, com grandes companhias que querem ter direitos no mercado da mídia” e avançar para este tipo de serviços.
Para encerrar a sessão, Peter Owen disse aos presentes que é muito importante o que esta passando na indústria porque não há muito tempo falar de IP era um sonho e hoje “todo o mundo esta usando ou planeja faze-lo”.
A conferência pode ter sido um prelúdio do que poderá vir a ser o IBC Content Everywhere LATAM, que se estima seja realizado em 2015 na cidade de São Paulo. Este evento faria parte do IBC Content Everywhere Europe, o primeiro da série de eventos globais sobre tecnologias de mídia digitais destinadas aos principais usuários dos mercados emergentes de maior potencial que começou em 2014 durante a edição do IBC.