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Gerenciando recursos em ambiente IP

CONVERGÊNCIA
Gerenciando recursos em ambiente IP
O painel sobre Gerenciamento de Recursos em ambiente IP foi coordenado por Luiz Godoy, SET/Verint, e contou com a participação de Antonio Celso, IBM; Marcelo Euler, Harris do Brasil e Cícero Assis, Videodata. O uso de redes corporativas para distribuição e contribuição de material broadcast tem sido um tema muito abordado.
O uso da rede corporativa para distribuição e contribuição de material será uma necessidade devido a convergência do mundo digital. Uma hora ou outra será obrigatório o uso de recursos que já existem para distribuição de dados e, fatalmente, telefonia e dados corporativos vão passar por esse processo.
O maior problema é a característica específica exigida pelo material de vídeo que requer muita banda. Para o vídeo é necessária uma garantia de serviço para evitar que exista sobrecarga do sistema.
Para a implementação, alguns passos precisam ser seguidos. O primeiro é levantar os recursos disponíveis da rede, capacidade de recurso dos roteadores, a confiabilidade da rede, entre outros. Uma rede que usa TCP, por exemplo, protocolo baseado em conexão, checa estabilidade da rede, envia o pacote, verifica se ele chegou e, em caso de perda, o pacote é reenviado. É importante também levantar as características principais dos materiais a serem transportados em rede (taxa de compressão, recursos da recuperação e outros); a banda máxima suportável, se ela rede em regime sustentável. É preciso cuidado para que a rede não fique sobrecarregada.
A confiabilidade da rede está diretamente ligada ao tipo de protocolo usado para as aplicações de vídeo, normalmente, RTP que é uma variante do protocolo DP. Ele não é um protocolo fim a fim, ou seja, ele não verifica se o pacote foi entregue integralmente ou não. Os marcadores TOS não são usados na rede IP. A melhor maneira de evitar um jitter em uma rede IP é fazer uma excelente política de tipo de serviço, fazendo com que os roteadores sejam marcados de maneira coerente.
A rede orientada pela conexão é similar a uma chamada telefônica. Essa rede usa como mídia E3 ou E1 ou STM1. Essa rede não tem problema de recurso e não tem jitter, normalmente é usada em backbone. O grande desafio é reduzir custos. Toda empresa busca reduzir custos e aumentar a utilização de recursos, aumentar níveis de serviço, gerenciamento de riscos, parte de segurança da rede. Essa é a dor de cabeça de qualquer gestor de tecnologia em qualquer empresa. Manter o parque de TI é muito caro, a manutenção dos softwares também e isso consome os recursos de TI, sobrando pouco para fazer investimentos.
Ao transmitir pela Internet, é muito difícil prever quantas pessoas estarão conectadas. Nestes casos, normalmente há duas alternativas: superdimensionar e ter um desperdício de recursos ou subdimensionar e rezar para nada acontecer porque senão vai frustrar os usuários, deixar muita gente de fora. Gerenciar isso é muito difícil. A tecnologia para gerenciar isso é extremamente complexa. A sugestão é usar pools. Locar pools sob demanda aumenta a produtividade e reduz a complexidade no gerenciamento.
Outro fator importante é ver o meio físico em que os dados serão armazenados. Em broadcast, os dados são bem pesados e, por isso, precisam ser bem dimensionados e é preciso analisar se o transporte está dentro do planejado. Outra coisa é a definição de IP que precisa ter uma tabela. E assim vai para outros equipamentos.
Na rede fiber channel é possível encontrar problemas de arquivamento digital, principalmente relacionados ao dimensionamento da rede ou configuração de fluxo de trabalho. É preciso verificar se a rede está correta e se tem banda suficiente. Se não houver, o que fazer? É necessário ajustar a configuração de rede ou não. É preciso priorizar o que é importante e gerenciar o fluxo.
No caso do broadcast, é preciso priorizar a velocidade de transferência em detrimento da área de storage.

Cinema digital: intermediaçao digital
Celso Araújo, SET/TV Globo, foi o mediador do debate que discutiu o Cinema Digital: Intermediação Digital. O painel foi dividido em dois blocos e discutiu a indústria do mercado em movimento e suas soluções e as empresas de serviços no Brasil. Participaram Miguel Rodriguez, Autodesk, Marcelo Siqueira, Casablanca/Teleimage, Flavio Longoni, Cis Brasil, Estefano Dehó, Estúdios Mega, Stepahn Kramper, Arri, Kanato Yoshida, Sony e Jochen Zell, Thomson.
Toda produção envolve três processos: captura (pode ser feito com uma câmera de cinema, TV), a pós-produção e transmissão. Tem duas formas de fazer cinema digital: com scanner ou telecine. O scanner é mais lento, porém o resultado possui uma resolução bem melhor. O telecine é mais usado para produção de comerciais.

Ao se converter uma imagem analógica para o digital é importante atentar o tamanho dessa imagem, 2k, 4k ou HD, embora existam fornecedores que trabalhem com formatos maiores. Esses aspectos que batem de frente com mundo digital, no qual existem contrastes muito grandes. Existem, por exemplo, lentes contrapostas com o mundo digital. A revelação, outro exemplo, não existe no mundo digital.
Um fator de difícil gerenciamento são as mídias (4k, 2k). O arquivo não pode ficar pesado. O mundo digital se baseia muito no TI.
As questões principais que devem ser consideradas são as ferramentas, interface com o usuário e como o usuário interage com a TV digital. Dentro destas etapas, deve-se sempre pensar no fator de gerenciamento e calibração, pois é preciso adaptar as cores, por exemplo, adaptá-las ao monitor que é linear. O formato DPX (digital Moving-Picture Exchange) é muito rico porque o próprio usuário pode acrescentar as informações que deseja.
A primeira produção digital feita no Brasil foi o filme “Auto da Compadecida”. Foram seis filmes rodados em HD. Neste ano, o filme “A Casa de Areia” e o mexicano “Rosário Tirreras” foram feitos em 2k. No Brasil, o HD é uma realidade. O filme “A Casa de Areia” foi um case muito interessante, pois foi um desafio, em termos financeiros e da exigência dos fotógrafos. O filme foi feito em super 35 e foi transformado em anamórficos. O processo digital ganha quando consegue tirar os espaços óticos. O filme foi escaneado em 2k.
Sessão Especial
Quem participou do SET 2005 pôde acompanhar as discussões sobre TV digital e conhecer a qualidade do cinema digital. Foi montada uma sala equipada com um projetor digital de última geração 4K, servidor de vídeo HD, sistema de áudio dolby para 5.1 e tela de projeção de 170″ em aspecto 16:9. Os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as possibilidades desse tipo de transmissão e constatar, durante os três dias do evento, a qualidade da exibição. A demonstração foi feita com tecnologia de Intermediação Digital e Hight Definition. Foram exibidos trechos de produções brasileiras, como o filme “A Casa de Areia” e também imagens de jogos de futebol captados em sistema digital.

A solução de HD acabou por ser a mais viável. O trabalho em dados foi abandonado pela dificuldade. Já os filmes de restauração são mais fáceis porque já estão montados. O 4k é uma realidade que está começando. O espaço e o tempo que 4k ocupa é muito grande.
A grande dificuldade da intermediação digital é amarrar todos os processos. Não é mais barato trabalhar com intermediação digital. Mas a qualidade é melhor. A intermediação digital nada mais é que os aperfeiçoamentos das técnicas de vídeo e de TV aplicadas ao cinema. Hoje existe uma clara influência da linguagem da TV e do vídeo na linguagem do cinema.
A intermediação digital não é uma coisa muito nova, pois os efeitos especiais já eram produzidos digitalmente e transferidos para a película. O que mudou foi o enfoque sobre o uso deste processo o que permite formatos alternativos de vídeo. Isso pode gerar maior demanda para esse mercado áudio visual. Hoje, pequenas produtoras que adotaram o formato digital como forma de viabilizar processos.
Os sistemas de pós-produção digital são todos desktop cujas operações são, relativamente simples, quando comparadas com os equipamentos industriais para pós-produção do cinema. São ferramentas mais simples de serem aprendidas É preciso que exista um movimento de instrução para os técnicos. Hoje o que mudou foi o enfoque sobre o uso deste processo o que permite o uso de material de vídeo, como as câmeras vipes, formatos alternativos de vídeo. Isso pode gerar demanda para o mercado audiovisual.O futuro do Home Entertainment
No painel O Futuro do Home Entertainment foi discutido como será a TV na casa do usuário digital; como é a infra-estrutura que tem a ver com IP e vai suportar o delivery do home entertainment e como gerenciar a estrutura já que que os investimentos são muito altos. Participaram da discussão Antônio Maia, SET/Globo; David Gonzáles, Intel, Jim Beveridge, Microsoft.
Banda larga, redes de IP já são commodities no mercado, os custos ainda não são os melhores, mas no futuro, com a massificação isso vai proporcionar um menor custo e a possibilidade de consumir outros conteúdos. Com a convergência e a capacidade dos processadores surge um conjunto de aplliance que vão estar combinando para proporcionar melhor entretenimento na residência do usuário.
O desenho animado Jetsons mostra, desde 1972, quando foi lançado, como será a casa digital. Algumas coisas já foram conseguidas, mas outras estão longe de acontecer.
Foi pensado que na casa digital o que importa é o conteúdo, em que se pode assisti-lo na hora em que quiser. Algumas empresas já prometem fazer filmes e passar direto pela Internet, sem passar por cinemas ou vídeos. Mas para isso a produtora precisa ter meios rápidos e seguros para transmiti-lo. O entretenimento das casas digitais vai estar em volta dos PCs que passam a ser o aparelho mais inteligente da casa e, para isso, ele pede mudanças. Maior capacidade de armazenamento, melhores conexões de interoperabilidade, flexibilidade, mas ainda com desafios para resolver. Os PCs precisam atender diversas mídias de forma simultânea, precisam ser mais fáceis de usar, ninguém quer ter uma tela azul na tela de sua TV, isso tem que mudar.
Os conteúdos têm crescido bastante na Internet. Custo de produção na Internet é muito mais barato e tem crescido no mundo dos negócios. No final do próximo ano, todos verão que será um absurdo comprar um PC sem controle remoto. Muitos vão querer assistir a copa do mundo pela Internet.

Infra-estrutura de redes para a próxima geração
Antonio Maia, SET/Globo.com, fez a mediação do painel Infra-estrutura de Redes para a Próxima Geração que teve a participação de Ronaldo Varela, Telefônica; Renato Abreu, Embratel e Rodrigo Linhares, Cisco.
A oferta de serviço de vídeo sobre IP é inevitável, apesar de ainda existirem algumas barreiras tecnológicas e de regulamentação. Existe demanda de mercado para este serviço. O desafio para a indústria e os provedores de TV sobre IP é o desenvolvimento de conteúdo de qualidade a preço competitivo. A Telefônica, por exemplo, oferece o serviço de TV sobre IP comercialmente na Espanha com o nome de Imagenio. A expectativa é de que até o final desse ano, a empresa atinja 200 mil usuários.
Sempre que se fala em rede IP ou multimídia existe a preocupação com a qualidade do serviço e a segurança. Isso porque aplicações multimídia exigem maior banda da rede, controle do jitter e seqüenciamento de pacotes que normalmente ficam a cargo da aplicação e segurança, porque a rede IP é o local preferido dos hackers.
A receita da área de telefonia cai em todo o mundo. No mercado europeu, o número de linhas de telefone fixo registra queda de 3% ao ano aproximadamente. As operadoras buscam novos focos de receita. Uma alternativa é oferecer serviços mais interativos de multimídia. Atualmente, existem cerca de 170 milhões de assinantes de banda larga no mundo, não apenas ADSL, mas de outras tecnologias de banda larga como cabo e wireless. A previsão é que, em 2009, os usuários de banda larga ultrapassem 300 milhões. Só o vídeo sobre banda larga deve atingir cerca de 20 milhões em todo o mundo no final de 2008. Isso acontece, entre outros fatores, porque a tecnologia IP surge como o elemento possibilitador da distribuição desse serviço de uma forma mais acessível ao mercado consumidor. Estudos mostram que quanto mais uma empresa empacota seus serviços, mais lealdade ela consegue do cliente final e isso motiva as operadoras a agruparem diferentes tipos de serviços (TV, telefonia, Internet, etc.) em um pacote único. A idéia final é poder permitir que o cliente escolha se ele quer assistir a um filme no celular, na TV ou no computador, usando o acesso a cabo, uma rede IP ou ADSL.
O IP, originalmente criado para o mundo da Internet, para trocas de e-mail e acesso a Web, evoluiu bastante nos últimos anos e hoje permite o transporte de multimídia com qualidade. Devem ser considerados também outros avanços nas tecnologias como a criação do ADSL-2 e o VDSL. A evolução não deve ser vista apenas com relação ao vídeo, mas também com a capacidade de convergir cada vez mais diferentes formas de comunicação através de uma única plataforma ou interação do usuário com a rede ou com outro usuário.
Na prática, o que acontece é que todos esses novos avanços influenciam não apenas o segmento de TV, mas sim todo um conjunto de aplicações que vão desde o entretenimento, comunicação, personal computing, monitoração remota, etc., tudo com o nome de triple play.