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Faturamento da TV por Assinatura ainda acima da TV aberta

Faturamento da TV por Assinatura ainda acima da TV aberta

A ABTA 2013 deixou claro que a TV por Assinatura continua crescendo no País não só em termos de assinantes, mas também em receita. Os preços das Assinaturas estão abaixo da média, colocando-se como a 16ª mais cara do mundo, e a base de domicílios chega aos 17 milhões, o que atingiria cerca de 55 milhões de telespectadores. A entidade pede igualdade regulatória para todos os serviços de TV paga no País.

Nº 135 – Agosto 2013

Por Fernando Moura

REPORTAGEM

A21ª edição da Feira e Congresso ABTA 2013, principal evento de TV por Assinatura, mídia eletrônica e telecomunicações da América Latina se realizou entre 6 e 8 de agosto no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O evento organizado pela Associação Brasilei

A ministra da Cultura, Marta Suplicy encerrou o painel de abertura da ABTA 2013 afirmando que os brasileiros cada dia querem melhor conteúdo e produção audiovisual local. Segundo o “Estudo de Preços de TV por Assinatura”, elaborado pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para a ABTA,

ra de Televisão por Assinatura (ABTA) dividiu-se em feira e congresso e reuniu os principais líderes da indústria para debater com especialistas, analistas e autoridades temas relevantes para o setor.
Segundo os organizadores, esta edição da Feira e Congresso ABTA 2013 “ocorre em um momento em que o mercado convergente de TV por Assinatura, banda larga e telefonia, consolidou um ciclo vitorioso de crescimento impulsionado pela oferta combinada de serviços, pela competição e pela inovação”.
Em um estudo apresentado pela ABTA na coletiva de imprensa realizada em São Paulo, na última terça-feira, 30 de julho, a entidade afirma que o Brasil encerrou 2012 como o sétimo maior mercado de TV paga do mundo, com mais de 17 milhões de residências com TV por Assinatura, mais de seis milhões de clientes de banda larga e cerca de cinco milhões de clientes de voz.

esta edição da Feira e Congresso ocorreu “no momento em que o Brasil consolida- -se como um dos maiores mercados de TV paga do mundo e o mercado já conta com um novo marco legal, novos players na distribuição, novos provedores de conteúdo e se prepara para um novo ciclo de expansão”.
O estudo realizado nos meses de abril e maio de 2013 englobando um conjunto de 47 Países, que representam mais de 90% do PIB mundial verificou, segundo Oscar Vicente Simões de Oliveira, presidente-executivo da entidade, que “o preço por canal no Brasil encontra- -se ao redor da média mundial” assumindo como comparativo de preços o índice Big Mac (BMI) publicado pela revista norte-americana The Economist.

Para o presidente da Anatel, João Rezende a simplificação dos regulamentos para adquisição do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) facilitou muito a criação e desenvolvimentos das empresas do setor.

Assim, segundo Simões, “o preço médio do canal pago no Brasil é de 57 centavos de dólar, o que coloca o País no 16º lugar no ranking de preços de canais pagos de televisão por Assinatura. Este valor encontra-se abaixo do preço mundial de canal pago, que é de 65 centavos de dólar”. Por isso, o estudo da FIPE mostra que o preço de um pacote básico de TV por Assinatura no Brasil é de “23,25 dólares , o que coloca o Brasil na 27ª posição entre os 49 Países analisados neste estudo. O preço médio neste grupo de Países foi de 27,43 dólares”.
Nas conclusões do estudo da FIPE, às quais a Revista da SET teve acesso, afirma que “os resultados obtidos lançam uma nova luz sobre as razões do recente aumento no número de consumidores de televisão por Assinatura no Brasil. Este crescimento não foi fruto exclusivamente do aumento de renda da população, mas também do preço do serviço manter-se em níveis inferiores aos observados em um grande número de Países. Considerando ainda que o serviço da televisão por Assinatura não é regulado em preços no Brasil, os resultados obtidos aqui mostram que o mercado brasileiro de televisão por Assinatura consegue disciplinar seus preços através da competição”.
Na coletiva ainda foram destacados os resultados da pesquisa “Curva de valor percebido pelo assinante de TV por Assinatura”. Segundo explicaram os responsáveis da ABTA, “os resultados deste conjunto de índices foram muito coerentes e consistentes. A TV por Assinatura possuída é avaliada positivamente, obtendo um índice ao redor de 8 seja qual for o parâmetro avaliado”, mas para Oscar Simões é preciso continuar melhorando, já que a expectativa dos clientes “é maior do que a média” porque “no geral, a nota para o assinante está acima da satisfação. Pode ser que não esteja satisfeito em algum atributo, mas de uma maneira geral, a avaliação é alta”.

Nas conclusões do estudo da FIPE, às quais a Revista da SET teve acesso, afirma que “os resultados obtidos lançam uma nova luz sobre as razões do recente aumento no número de consumidores de televisão por Assinatura no Brasil. Este crescimento não foi fruto exclusivamente do aumento de renda da população, mas também do preço do serviço manter-se em níveis inferiores aos observados em um grande número de Países. Considerando ainda que o serviço da televisão por Assinatura não é regulado em preços no Brasil, os resultados obtidos aqui mostram que o mercado brasileiro de televisão por Assinatura consegue disciplinar seus preços através da competição”.
Na coletiva ainda foram destacados os resultados da pesquisa “Curva de valor percebido pelo assinante de TV por Assinatura”. Segundo explicaram

Para Oscar Simões, presidente da ABTA é importante remarcar que o mercado de TV por Assinatura já atinge mais de 55 milhões de pessoas com conteúdo diversificado, segmentado, com alto grau de engajamento e formatos inovadores.

ABTA 2013
O painel de abertura da ABTA 2013 intitulado “Um novo ciclo de crescimento”, realizado na tarde de terça-feira, 6 de agosto, teve as participações, como palestrantes, do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, da ministra da Cultura, Marta Suplicy (foi a primeira vez que um ministro da cultura participa do evento) e do presidente-executivo da ABTA, Oscar Vicente Simões de Oliveira. Também participaram do painel, como convidados, o presidente da Anatel, João Rezende, e o diretor presidente da Ancine, Manoel Rangel.
Na abertura, Oscar Simões reafirmou que é preciso ter isonomia regulatória e é preciso ter claro que o setor sofre com as pressões de custo, que ainda podem ser influenciadas pela possibilidade de aumento da alíquota do ICMS incidente sobre o serviço, além da falta de isonomia regulatória por parte do governo Federal. Para Simões, o crescimento do setor não está em questão, o que se questiona é a forma de crescimento e o aparecimento de outros fornecedores de conteúdos, desta vez através de plataformas na Internet que não pagam os mesmos impostos que as empresas de TV por Assinatura. “Precisamos adequações no marco regulatório que não atingem empresas que oferecem novas formas de consumo e que estão radicadas fora do País. É fundamental que todos, parlamentares, governo, entidades reguladoras, enfim, todos os envolvidos no setor compreendam o momento que estamos vivendo e se mantenham firmes em manter o desenvolvimento da indústria em beneficio da nossa sociedade”.
Dos discursos de abertura, o mais eloquente foi o de Manoel Rangel, que reafirmou a importância do setor de TV por Assinatura como mercado estratégico para a questão de conteúdos no Brasil. “A TV por Assinatura foi pioneira na aproximação com os produtores independentes e é o lugar onde se encontra o melhor da produção feita no País. Precisamos dar acesso a cada vez mais e mais brasileiros”.

Para Rangel, um dos objetivos do governo é que até 2017 “o Brasil tenha pelo menos 50% dos domicilios com serviço de TV por Assinatura, esse é um desafio para todos nós e especialmente para vocês que são os executivos do mercado de televisão por Assinatura. Este é o ambiente que o mercado de produção brasileira precisa para ter força e ocupar seu verdadeiro lugar no setor”.
O diretor-presidente afirmou ainda que está ciente e se preparando para os desafios que o setor encontrará pela frente a partir de setembro, quando a Lei 12.485/11, a Lei da TV Paga, entra em vigência plena. “Já tivemos um salto extraordinário na presença de conteúdo e de canais brasileiros. Este ano entram em vigência plena as obrigações da lei. Nós, da ANCINE e do Ministério da Cultura, estamos nos esforçando para responder às necessidades de desenvolvimento do mercado com instrumentos diversificados, que deem conta de todos os desafios, da capacitação de profissionais ao fortalecimento das empresas brasileiras”

Manoel Rangel, presidente da Ancine explicou como passado mais de um ano da entrada em vigor das normas trazidas pela Lei do SeAC, e com quase R$ 1 bilhão previsto no Fundo Setorial do Audiovisual, a indústria de conteúdos nacionais pode se desenvolver é preciso continuar crescendo e se expandindo.

O presidente da Anatel, João Rezende, se mostrou solidário com as preocupações do líder da ABTA e assinalou que é preciso, por parte dos fornecedores de TV por Assinatura, aproveitar as facilidades que a entidade regulatória ofereceu ao setor nos últimos tempos. Ainda, afirmou que a proposta de Resolução Conjunta da Anatel e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para disciplinar o compartilhamento de postes entre prestadoras de serviços de telecomunicações e distribuidoras de energia eléctrica “será muito importante para o setor. Esperamos que em um prazo de dois ou três anos possamos resolver definitivamente a disputa por espaço que tanto dificulta o trabalho das empresas”.
Para Resende, é importante entender que o crescimento da TV por Assinatura se deve, entre muitas coisas, pelo acesso da classe “C” a este tipo de serviço. “As empresas precisam estar muito focadas no atendimento deste público que pela primeira vez está experimentando o serviço, o que é uma mudança muito grande de paradigma cultural, mas também é um público que está aprendendo agora a trabalhar com esse tipo de serviço. Por isso as empresas têm de tratar com muito carinho esses novos clientes para que eles não se frustrem com a sua primeira Assinatura de TV a cabo”.
Paulo Bernado, ministro das Comunicações, falou sobre o projeto de desoneração de redes de comunicação que pode gerar investimentos de mais de 3 bilhões de reais ao setor. Explicou que a concorrência é um assunto complexo porque “as TVs por internet não têm hoje qualquer tipo de regulação no País. “Assina-se, paga-se com cartão [de crédito] internacional e esse dinheiro vai todo para fora. De certa forma, para esse segmento nós somos um paraíso fiscal”, declarou o ministro. No fechamento do painel, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou que é preciso criar uma “imagem do Brasil” e esta pode ser construída com uma maior produção audiovisual como foi feita nos Estados Unidos pela indústria de Hollywood.
Para isso, explicou Marta, continuarão os incentivos da Ancine em prol da produção nacional. Ela disse que o governo avalia a hipótese de no futuro o vale-cultura pode contemplar a TV por Assinatura. Isso porque, segundo a ministra, a regulamentação do benefício deve ser periódica e então, numa “nova leva”, pode ser incluída.

Aumento do Faturamento
Segundo dados da ABTA, anunciados em coletiva de imprensa, a projeção de faturamento operacional bruto do setor é de R$ 28 bilhões este ano, sendo que em 2012 alcançou os R$ 23,8 bilhões. Isso representaria, se as estimativas de Simões se concretizarem, uma alta de quase 18% no setor. Este faturamento viria da junção de receita com TV paga, internet, telefonia e publicidade.

Os palestrantes ouvem atentamente o discurso de Manoel Rangel, diretor da Ancine, para o qual o governo se esta “esforçando para responder às necessidades de desenvolvimento do mercado com instrumentos diversificados, que deem conta de todos os desafios, da capacitação de profissionais ao fortalecimento das empresas brasileiras”.

Segundo os responsáveis da ABTA, a TV paga está presente em todos os municípios por meio do DTH e as redes de cabo e fibra se expandem para cada vez mais cidades do País.

Para Simões, “apesar do contexto macroeconômico que estamos inseridos, com um ritmo de crescimento mais lento, ainda temos um espaço de crescimento constante”. Ele reforçou que no primeiro trimestre de 2013 o faturamento do setor foi de R$ 6,5 bilhões, uma alta de 15,7% sobre o mesmo período do ano passado, o que é um cenário diferente do que está acontecendo em outros setores comerciais no Brasil

Isonomia regulatória
Tanto na coletiva de imprensa de apresentação do evento como na sessão de abertura da ABTA 2013, Oscar Simões se queixou das diferenças entre os distintos prestadores de serviços de TV, principalmente dos novos serviços realizados via Internet que entraram no mercado brasileiro nos últimos tempos. Basicamente, a queixa é contra a Netflix, “um serviço TV por Internet, com mais de 36 milhões de assinantes em 40 Países, assistindo a mais de um bilhão de horas de filmes, séries de TV e produções originais por mês”, como explica o portal da empresa norte-americana.
“Não tenho como competir com quem não paga impostos no Brasil e não tem as mesmas obrigações em termos de regulação. Sabemos que há novos modelos de negócio sendo desenvolvidos. Não estou pedindo proteção para a TV paga tradicional, mas tratamento isonômico”, disse Oliviera aos jornalistas na coletiva prévia ao evento.
Para Simões, é urgente ampliar o diálogo com o legislativo e órgãos reguladores para tentar garantir a igualdade na aplicação da lei a todos os serviços de TV paga.

A Feira
Nesta edição da feira participaram mais de 120 empresas com estandes instalados em uma área de exposição de 10.000 m². Dos expositores, quase metade das empresas são internacionais, sendo estas fornecedoras de equipamentos e programadoras interessadas no mercado brasileiro.
Até o fechamento desta edição ainda não havia números exatos, mas os responsáveis da ABTA acreditam que contou com cerca de oito mil visitantes. Estiveram presentes em São Paulo delegações de Países como Alemanha, França, Estados Unidos, China (Taiwan), Coréia, Japão, Inglaterra, Espanha, México e Peru. Na próxima edição da Revista da SET, mais informações sobre a ABTA 2013.

Fernando Moura
Revista da SET.


PAULO BERNARDO

Governo defende pagamento de taxas a empresas que distribuem filmes e conteúdos da TV pela internet

Nº 135 – Agosto 2013

Com Agência Brasil

REPORTAGEM

A chegada de novos serviços ao setor e o descontentamento pela falta de isonomia regulatória dos provedores de TV por Assinatura fez com que o governo considere a modificação do sistema regulatório. À saída do painel de abertura da ABTA 2013, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, voltou a defender, em uma improvisada coletiva de impresa, a regulamentação dos meios de comunicação no País, dentre eles os do setor de mídia digital. Aos jornalistas, o ministro ressaltou que esta regulamentação dos meios de comunicação não prevê a regulação de conteúdo. “Não estamos falando de regulação de conteúdo. Não vamos fazer a regulação da mídia, especificamente de rádio e TV, para regular e instruir no conteúdo do que é veiculado”, disse.

O painel de abertura da ABTA 2013, contou com a presença destacada do ministro das Comunicações Paulo Bernardo, e da ministra da Cultura, Marta Suplicy

Como explicado na reportagem, a ABTA reclama que o governo seja “isonômico” na regulação porque “para que a indústria brasileira de TV por Assinatura possa continuar levando cultura, informação e entretenimento para cada vez mais lares, ela não pode carregar um peso que não existe para os novos formatos de entrega. Precisamos do apoio de todos, em especial dos legisladores, para que as condições de competição sejam isonômicas. Para isso, não pode haver dois pesos e duas medidas”, disse Simões.
Ao referir-se aos questionamentos do presidente da ABTA, Bernardo disse que “o que o setor está argumentando é que temos uma prestação de serviços por empresas instaladas aqui, no Brasil, sobre a qual incidem ônus, taxas de tributação e obrigação de ter conteúdo nacional, e eles reclamam de um serviço prestado diretamente pela internet que não tem as mesmas condições: não tem a obrigação de colocar produção nacional e não pagam imposto”, disse o ministro. Na coletiva, Paulo Bernardo reconheceu que as TVs por internet não têm hoje qualquer tipo de regulação no País. “Assina-se, paga-se com cartão [de crédito] internacional e esse dinheiro vai todo para fora. De certa forma, para este segmento nós somos um paraíso fiscal”, declarou o ministro.
Para Bernardo é preciso criar uma lei que regule os conteúdos das novas plataformas que oferecem serviços de filmes e séries na internet já que isso não esta previsto na Constituição. Assim, a regulação se daria na questão de produção regional. “Tem que regular a questão de produção regional, cota de produção independente, de propagandas nocivas à saúde. Se vocês lembram bem, quando fizemos a lei que trata da TV por Assinatura já foi incluído lá a cota de produção nacional, a cota de produção independente. E não houve nada de absurdo nisso”, explicou. “Não vamos dizer qual vai ser o conteúdo. Vamos dizer que deve ter produção regional e nacional”, completou o ministro.
Outro político que defendeu a regulação foi o presidente da Anatel, João Rezende, para quem é preciso regular o novo setor. “Temos que nos sentar com a Receita Federal, os ministérios e a Anatel para fazer uma definição sobre isso. Evidentemente temos que pesar as questões jurídicas e regulamentais”.
O presidente da Agência reguladora explicou aos jornalistas que esse tipo de distribuição de conteúdo a partir de outros Países (no caso, a TV pela internet) não é regulada pela Anatel. “Internet é serviço de valor adicionado e isso não está na égide da regulação da Anatel. Esse é um debate que está acontecendo no marco civil. Regulamos redes, mas não regulamos internet. Se o marco civil mudar essa discussão pode ser que a Anatel possa discutir isso”, explicou.
Entretanto, a Netflix anunciou que na sexta-feira, 9 de agosto, um título inédito entra no catálogo brasileiro, “A Toca”, do canal Parafernalha, uma nova e exclusiva série de esquetes de comédia produzida por Felipe Neto e sua equipe, criadores do popular canal do Youtube “Não faz sentido”.
“Apresentações brasileiras de comédia se mostraram populares entre os usuários desde que lançamos o serviço”, disse Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix. “Estamos muito felizes em continuar apoiando os talentos brasileiros ao lançar em primeira mão ‘A Toca’ para os nossos usuários assistirem quando e onde quiserem”, completou.