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Entrevista – OLÍMPIO JOSÉ FRANCO

ENTREVISTA

Desafios e oportunidades da TV digital

Olímpio José FrancoOLÍMPIO JOSÉ FRANCO, DIRETOR DE TECNOLOGIA DA SET E DA OLYMPIC ENGENHARIA, EMPRESA QUE JÁ REALIZOU VÁRIOS PROJETOS DE INSTALAÇÃO DE TVS E PRODUTORAS, COMO POR EXEMPLO A IMPLANTAÇÃO DOS SISTEMAS DE ESTÚDIOS E EXIBIÇÃO DAS NOVAS INSTALAÇÕES DA REDE GLOBO DE SÃO PAULO, EM CONJUNTO COM OUTROS PROFISSIONAIS, FALA COM EXCLUSIVIDADE PARA A REVISTA DA SET SOBRE TRANSIÇÃO DIGITAL, MERCADO DE TRABALHO, QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL, TV MÓVEL, VOIP, IPTV, ENTRE OUTROS TEMAS.

 Fale um pouco de sua formação técnica e experiência no setor broadcast.
Cursei de 1966 a 1968 a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa, em Santa Rita do Sapucaí – MG, a primeira Escola Técnica de Eletrônica no Brasil. No ano de 1971 comecei a cursar Engenharia Elétrica – Produção (modalidades Eletrônica e Eletrotécnica) na FEI – Faculdade de Engenharia Industrial, em São Bernardo do Campo. Possuo MBA pela FAAP- Fundação Armando Álvares Penteado.
Trabalhei na TV Cultura por 19 anos e exerci as funções de técnico de laboratório de manutenção, supervisor, chefe de departamento e diretor técnico, função desempenhada por nove anos. Sou professor adjunto para assuntos de tecnologia dos cursos de Rádio e TV, Cinema e Publicidade e Propaganda da FAAP e sócio número 13 da SET, tendo participado em todas as diretorias, desde sua fundação em 1988.

Qual sua visão do setor hoje?
Sem dúvidas vivemos um momento histórico, tanto quanto o da transição de TV em preto e branco para cores, mas agora com muito mais complexidade técnica e operacional. Neste momento, abre-se novamente a oportunidade da TV aberta se modernizar e conquistar audiências das populações mais jovens, que hoje são atraídas pela Internet, pela TV por assinatura e pelos dispositivos portáteis. Com as muitas possibilidades que a TV digital possibilita, muitas oportunidades e desafios surgem para as emissoras e produtoras modernizarem seus sistemas, atualizarem suas equipes e buscarem os meios seguros para a transição. Há um novo mercado a ser explorado, que é o da TV móvel, que não exige sistemas de alta definição e que poderá alcançar audiências antes inatingíveis, que é o público que está fora de casa, ora no trânsito, ora no trabalho, ou mesmo no lazer. Será uma questão de saber explorar este novo mercado. O celular com capacidade de receber TV pelo ar, será o canal mais popular para isto, além de recepções que ainda acontecerão via desktop, laptops, palms e receptores portáteis .

Como você avalia o surgimento de novas tecnologias, VoIP, IPTV?
São novos meios de distribuição de conteúdo aberto e por assinatura. Estas novas tecnologias modernas possibilitam novas oportunidades de negócios. Dependem de meios de conexões por fibra, sistemas sem fios, por pares trançados da telefonia convencional.
Estas talvez sejam as maiores barreiras em nosso País, devido limitações de acessos e a baixa renda da maioria da população brasileira. Mesmo assim é um mercado em crescimento, mas que depende também de produção de conteúdos. Sem eles não irão muito longe, a não ser que venham a compra-los das emissoras comerciais abertas e de produtoras. Conteúdos de grandes eventos patrocinados dependem de retorno de audiência. Ninguém irá alocar grandes somas de recursos em canais de distribuições sem audiência. Quanto ao IPTV, não o vejo como uma ameaça, pois a TV aberta atinge 90% dos lares brasileiros. É muito popular e tem tido sucesso há longo tempo. Veja como foi e está sendo difícil a TV por assinatura chegar a 10% dos lares brasileiros.

Como diretor de tecnologia da SET, como você posiciona os setores de Rádio e TV no Brasil, frente a transição digital?
Vejo como uma oportunidade impar para competir em pé de igualdade com outros concorrentes, que já estão digitais, com tecnologias modernas, como a TV por assinatura, Internet, celular, etc. Esta oportunidade requer preparação e competência para competir e situar no mercado. Quem já faz milagres no mundo analógico, poderá ter mais sucessos com meios mais modernos e eficientes.

Quais os pontos técnicos que os profissionais devem estar atentos, para conduzir a instalação da transmissão digital?
Técnicas similares aplicadas no mundo analógico serão repetidas nas transmissões digitais, logicamente atendendo novos requisitos de banda passante, linearidade, filtro de canal e antenas adequadas.
O coração do sistema de transmissão, além do modulador, ficará com o multiplexer. Ele é quem guiará os parâmetros de programação de vídeo e áudio para o receptor, receberá instruções do sistema de automação da exibição da emissora e executará as mudanças dinâmicas de conteúdos e formatos, que chegarão para os telespectadores.

Como você visualiza o mercado de trabalho, frente a este período de transição?
Como sempre será bom para os que estejam interessados e preparados para estudar, projetar, implantar, ativar, operar e manter novos sistemas. Não devemos esperar grandes milagres, pois os recursos das redes e produtoras atuais são limitados. O processo acontecerá de forma gradativa. Nada de regime turbulento, pois haverá prazos para as emissoras se adequarem.
A atualização técnica será o requisito fundamental para os profissionais da engenharia de Rádio e TV, pois é de enorme importância conhecer os fundamentos utilizados em novas tecnologias. Estes novos conhecimentos em área digital são aplicáveis na modulação, captação, processamento, distribuição, produção, exibição e transmissão dos sistemas de áudio e vídeo.

A utilização de VoIP e de telefonia sobre IP vem crescendo a cada ano. Quais os pontos positivos aplicados, além da redução de custo?
Sem dúvidas compartilhar estruturas existentes conduz para redução de custos. Qualquer sistema que utiliza meios modernos e eficientes, poderá obter sucesso. A questão fundamental é o modelo de negócio que será implementado utilizando destes meios.