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Entrevista – Daniela Souza

Do sonho adolescente em fazer filosofia à opção por ser administradora de empresas foi um passo que a diretora de eventos da SET, Daniela Souza, decidiu dar logo que começou a trabalhar, em 1989, na JRR, empresa que representava um fabricante de geradores de caracteres e processadores de áudio e vídeo. Entrou como estagiária, mas em pouco tempo já estava na área comercial. “Foi quando percebi que meu caminho não era o mundo acadêmico”, conta ela, que partiu para o curso de administração. Em 1994, abriu sua própria empresa a AD Vídeo Tech (hoje em dia AD Digital) e enveredou mais profundamente por esse segmento ao fazer pós-graduação em redes de computadores. À frente da diretoria de eventos, há um ano, Daniela faz uma avaliação positiva das atividades de sua área, mas sabe que ainda há muito por fazer, como implantar sistemas de avaliação. “Já implementamos em alguns eventos regionais, porém devemos tratar esse assunto com mais profundidade, porque será muito útil para dar direcionamento. Essa relação entre SET e público precisa ser mais próxima”. Para 2010, estuda a realização de novos eventos, como um regional no Rio de Janeiro, um internacional latino-americano e a implantação de uma TV corporativa no congresso. Acompanhe.

Como você entrou para o mundo da tecnologia e da radiodifusão?
Na adolescência meu sonho era fazer filosofia. Comecei a trabalhar em 1989 na JRR, uma empresa de representação de um fabricante brasileiro de geradores de caracteres, genlocks e processadores de áudio e vídeo. Entrei para um estágio e acabei indo para a área de treinamento e instalação dessas tecnologias em pequenos clientes. Na seqüência, fui para a área comercial. Foi quando percebi que meu caminho não era o mundo acadêmico e parti para fazer administração de empresas. Em 1994, fundei a AD Vídeo Tech, quando resolvi fazer uma pós-graduação na área de redes de computadores. Não era como hoje que existe realmente a convergência entre tecnologia da informação e o mundo da TV, mais foi quando surgiram os primeiros sistemas de edição não linear. Abri a AD Vídeo Tech com objetivo de montar plataformas de menor custo e massificar a edição não linear. E hoje com a AD Digital, somos uma empresa integradora de sistemas com foco no mercado de broadcast.

Como foi sua chegada à diretoria de eventos e como avalia a missão nesse cargo?
Foi um convite maravilhoso feito pela Liliana. Há dois anos, na última gestão do Roberto Franco, já fazia parte do comitê do Fernando Pelégio, que era diretor de eventos. E comecei a ter uma participação mais efetiva. Foi quando surgiu o convite. É uma coisa nova para mim, porque assumi logo após o congresso do ano passado. Essa área tem um suporte incrível da diretoria e de toda a secretaria da SET, a Anna Lucia, Daniel e os diretores mais veteranos, como Munhoz e Olimpio. Esse congresso de 2009 foi um marco para entender o que é a diretoria de eventos da SET e como conduzir a partir de agora. Minha missão a cada ano será aperfeiçoar o que tem sido feito, tentar trazer novas ferramentas de trabalho, não só as ferramentas práticas, mas por exemplo algum instrumento de avaliação. Já implementamos em alguns eventos regionais, porém devemos tratar esse assunto com mais profundidade, porque será muito útil para dar direcionamento. Essa relação entre SET e público precisa ser mais próxima. A secretaria da SET tem tanto trabalho para colocar no ar um evento que detalhes importantes para a continuidade e melhoria deles podem acabar passando desapercebidos. Outro objetivo da diretoria e da presidência é de que a SET deve intensificar o processo de formação do nosso público, por exemplo, com os cursos à distância. Nos eventos regionais, que duram dois dias, aproveitamos metade do segundo dia para um curso de formação. E por fim para tentar interpretar e viabilizar as sugestões das demais diretorias da SET, precisamos ter uma comunicação um pouco mais estreita.

Que tipos de exigências são necessárias para tocar adiante o projeto da área de eventos?
O grande desafio de todos da diretoria é conciliar as atividade profissionais com as atividades da SET. Não é tão simples, ainda mais quando temos grandes eventos como o Congresso e o SET e Trinta, da NAB. As reuniões periódicas estabelecidas pela Liliana são fundamentais e têm seu cronograma cumprido desde o ano passado. No nosso caso temos uma reunião prévia do comitê. Nem sempre se consegue ser tão ativo quanto todos os diretores precisam ser por conta de outros tantos compromissos profissionais. Por ser um trabalho voluntário, às vezes é necessário resolver alguma coisa sem a participação de todos. No que se refere a projetos, penso que o ideal seria realizar reuniões periódicas com o comitê e durante os encontros oficiais de diretoria compartilhar as experiências com os demais, bem como criar um espécie de chat para os membros postarem suas sugestões e fomentar discussões pertinentes ao mercado.

Quais são as novidades que a SET está preparando na sua área?
A SET tem dois grandes eventos – Congresso e o SET e Trinta – e cinco eventos regionais. Uma cidade que há muitos anos não recebe um evento nosso é o Rio de Janeiro. Já existe o estudo para viabilizar a cidade no calendário. E estamos pensando em planejar um evento internacional com foco na comunidade latino-americana. Porque principalmente com a adoção do padrão nipo-brasileiro de TV digital por vários países da região – Peru, Argentina, Chile, e conversas com Venezuela e Cuba – a SET vai ter um papel muito importante no processo de comunicação e estreitamente entre nossa indústria e nossos profissionais com estes mercados.

Como avalia a resposta do público do setor aos eventos da SET?
A cada ano tem sido mais positiva. Fizemos uma avaliação do SET Sudeste. Basicamente, avaliamos espaço físico, carga horária, qualidade do conteúdo e dos palestrantes etc. Percebo que é muito mais positiva do que negativa. Às vezes, há reclamação de que o palestrante estava lendo um catálogo em vez de trazer um conteúdo mais pertinente ao público, como por exemplo, sua experiência na implantação da TV digital, tendências tecnológicas e estudos de caso. Nos eventos regionais, dependemos de fabricantes ou representantes de algumas marcas e também de profissionais ligados a emissoras locais, que acabam falando sempre sob o ponto de vista de sua própria experiência. Equacionar todos os interesses não é simples. Como se trata de um mercado comercial, estamos controlando melhor o profissional que está se apresentando, pedindo menos ênfase na questão comercial. Temos avançado positivamente, com o contínuo apoio de nossos parceiros, que vêm se adaptando às nossas solicitações em relação aos conteúdos das apresentações.

E quais são as maiores dificuldades na realização de um evento de forma geral?
Como falei na resposta anterior, está relacionado à formação da grade. Temos a cada evento procurado focar em temas e palestras menos comerciais, com uma análise precisa para aprovação do conteúdo. Todavia, nem sempre conseguimos. Quanto ao Congresso da SET, precisamos melhorar nossa comunicação visual e comunicação mais online com o mercado por meio de nosso site. Olímpio e Raymundo, que são responsáveis pelo programa ficam malucos porque são muitos papers para serem analisados. Além disso, muitos mandam em cima da hora. Chegamos a atualizar palestras pouco antes de sua realização. No IBC, aproveitei para tirar fotos das salas do congresso, do material de comunicação para ter referência internacional. Precisamos também fazer um planejamento muito antecipado. Não no que depende da organização da SET, que tem eventos programados até 2010, mas na dependência do mercado. Como avaliar quem pode quem não pode, temas etc.

Qual a sua opinião sobre o SET 2009 e B&C 2009? Quais os ganhos com relação ao ano passado?
Criamos um dia a mais de congresso. E a grade foi pensada para que houvesse segmentação. O primeiro dia foi bem técnico e na sexta reservamos espaço para os trabalhos acadêmicos, o retorno foi muito positivo, muito melhor que no ano passado. Nossa diretoria de marketing aproveitou algumas sessões para realizar uma pesquisa de satisfação, e tivemos um feedback surpreendente. Outro fato que chamou atenção foi a presença da comunidade latino-americana. Diretores e representantes de muitas empresas estiveram na feira, o que demonstra a importância do Brasil neste atual cenário econômico e importância de nosso evento como referência. Como feira, 2008 foi o melhor ano da história do setor. Em 2009, como o primeiro semestre não existiu, a expectativa era baixa, mas o volume de pessoas, e o nível de profissionais, de gestores de tecnologia presente foi incrível. Estamos em 70%. Por ter sido meu primeiro ano, aprendi muito antes, durante e depois com os feedbacks recebidos pelos mais veteranos da diretoria. Já temos uma reunião agendada na próxima semana para discutir vários aspectos de patrocínio e inovações para o congresso em 2010, inclusive com a expectativa de implementarmos uma TV Corporativa. Para finalizar, é importante agradecer o apoio dado ao me trabalho, de toda a diretoria da SET, funcionários, parceiros e da presidente Liliana, que com sua vasta experiência de mercado tem contribuído muito para nosso aprendizado e melhoria constante.

*Roberto é editor da Revista da SET

Revista da SET – ANO XXI – N.109 – 2009