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Discurso de abertura do Ministro Paulo Bernardo acalma setor

Com a presença ilustre do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a edição Sul do SET Regional abordou temas como 700 MHz, loudness e as reações causadas no mercado pelo impacto da chegada da TV Digital.

Nº 133 – Maio/Junho 2013

Por Alexandre Minghini

NOTÍCIAS

Com uma mesa composta pelo reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, o presidente da SET, Olímpio José Franco, o diretor de engenharia da RPC TV, Ivan Miranda, o presidente da Abert, Daniel Slaviero e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o SET Regional edição Sul, reuniu diversos profissionais do setor e teve como tema principal dentre os discursos das autoridades, a preocupação a cerca dos estudos sobre a faixa de 700 MHz. Por sua vez, Paulo Bernardo tratou de parabenizar a iniciativa do encontro e acalmar os presentes quanto ao papel e responsabilidades do governo, frente as necessidades para evitar atrasos e fazer o switch-off sem grandes obstáculos.
Com a sala do auditório I, do bloco vermelho, da Universidade Positivo lotada, o reitor José Pio Martins agradeceu a presença de todos e realizou a abertura do evento. Na sequência foi a vez do presidente da SET apresentar a entidade aos presentes e dar início ao tema mais comentado do evento, as últimas notícias a respeito das pesquisas que estão sendo realizadas em relação a interferência das faixas de 700 MHz.

Em sua fala, na abertura do evento, o ministro falou da importância da TV Digital estar em 100% das residências que possuem um aparelho de televisão. “É evidente e nós concordamos que não pode haver problema nem interferência para o espectador que receberá este sinal”, disse. Perguntado pela nossa equipe sobre às informações desencontradas envolvendo as emissoras que poderão transmitir dentro dos 700 MHz – principalmente o caso das TVs Legislativas – o ministro disse que toda emissora que já esteja com sua outorga aprovada, terá seu espaço no espectro garantido e descartou de vez a ideia de VHF Alta. “Essa história que as TVs Legislativas seriam migradas para o VHF Alta é um boato, não sei quem começou com isso, mas é um boato tal qual o fim do Bolsa Família”, completou Paulo Bernardo.
Para fechar sua participação na abertura do SET Regional, edição Sul, o ministro Paulo Bernardo confirmou que o desligamento terá início em 2015 e se estenderá até 2018, em escala. “Será melhor para todos que as emissoras possam fazer aos poucos o desligamento total de seu sinal. Aliás, caberá aos broadcastes decidiremse irão desligar de uma vez o sinal analógico ou manter os dois em funcionamento por um tempo, para depois finalizar a migração”, explicou.

Marconi Maya, da Anatel, apresentou a agenda do Conselho de Rádio Digital e o cronograma de desligamento do sinal analógico, e disse que “tudo já foi replanejado e reestruturado”. Em tempo, Marconi fez questão de destacar a parceria com SET e Ministério, que atualmente, tem facilitado e acelerado os processos ao final de cada reunião. “Hoje, a Anatel e a SET trazem junto o Ministério das Comunicações a cada encontro de decisões, para ter uma resolução mais acelerada dos temas colocados em pauta, tal qual o caso de uma prefeitura que poderá, ou não continuar com um canal exclusivo, ou se vai passar para uma rede SFN, etc”, explicou o representante da Anatel.
Vale lembrar que na manhã do primeiro dia do evento, a palestra de Vanessa Souza, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Hitachi Kokusai Linear, falou sobre a escolha dos dois pontos a se instalar os retransmissores e sugeriu a utilização de MFN em um primeiro momento, seguindo da substituição por SFN aos poucos.

Cenário digital positivo
Com a confirmação da mudança no calendário de desligamento do sinal analógico, anunciada pelo ministro e pelo secretário Genildo Lins, começou-se a vislumbrar um momento bem mais positivo no que tange a transição do sinal digital. Em diversos momentos nas falas dos oradores que assumiam o púlpito, foi possível sanar algumas dúvidas e apagar algumas incertezas, não só por todo esclarecimento, mas devido a apresentação de um cenário muito mais favorável a calma e ao estudo do que ao impulso e ao interesse comercial.
Quanto a data do switch-off, Paulo Bernardo disse que se pretende flexibilizar e transformar o período para o desligamento, em um calendário plurianual. “Começaremos em 2015 e vamos prolongar conforme as regiões do país até o final de 2018. Além disso, nós estamos autorizando a possibilidade de não termos o simulcast. Alguns veículos poderão fazer a transição direta para o digital”, explicou o ministro.
Outra informação que também contribuiu para o otimismo dos presentes foi a resolução do problema encontrado na região de Campinas (SP) – um dos piores cenários para se ajustar as faixas cedidas para TV Digital, em todo Brasil – o secretário Genildo Lins informou que tirando Limeira, que ainda deverá passar por um reajuste de potência, a região de Campinas está toda resolvida. “Couberam todos os canais na região mais crítica do país, hoje sabemos que será possível alocar os canais do 14 ao 52”, explicou Lins.

Um caminho sem interferências
“O governo não irá colocar as emissoras públicas em outra faixa”, prometeu o ministro Paulo Bernardo. Com esta frase o dia começou positivo e o tema das interferências foi sendo aos poucos amenizado pelos profissionais que passavam pelo púlpito.

A interferência na faixa dos 700 MHz foi relembrada e debatida por diversas oportunidades durante o evento e todos os caminhos pareciam apontar para uma “luz no fim do espectro”.
Em seu estudo baseado no que vem fazendo o ITU, Francisco Peres, engenheiro da TV Globo, falou sobre a importância da colocação de filtros para não só garantir a transmissão do sinal digital, mas também para proteger as faixas externas. “Uma das visões do grupo de radiodifusão do ITU é que o uso dos filtros são sim muito importantes como medida de mitigação de interferência, mas que para os 700 MHz é importante trabalhar, também, nas emissões fora da faixa do LTE”, explicou Peres.

Na apresentação do Prof. Dr. Gunnar Bedicks, da Universidade Mackenzie pode-se ter um pouco dos detalhes do real cenário do que precisará ser feito para o controle das interferências. E isso é muito positivo. Segundo Bedicks, as avaliações que foram possíveis ser feitas, até agora, dentro de laboratório (devido a uma questão de potência) mostraram resultados bem claros para as medidas de segurança que deverão ser tomadas. O professor revelou que os testes deverão estar 100% concluídos, ainda em outubro deste ano. Após a sinalização positiva dos representantes do governo, Gunnar comentou que a mitigação dos problemas de interferência envolvem muito mais a engenharia que apenas uma lei ou norma. “Quando olhamos a proposta aonde a banda de LTE vai ser alocada, nós percebemos que a banda está dentro da canalização até o canal 69. Com isso é preciso entender que toda esta energia estará dentro dos televisores. Não é uma portaria que irá resolver o problema dos receptores atuais que funcionam com seu filtro aberto até o canal 69. Assim, seja qual for a decisão, até que se determine que a fabricação dos televisores sejam abertos até o canal 51, será preciso se atentar para a energia que está sendo enviada, por um dispositivo, do LTE, ou de um dispositivo móvel, ou qualquer outro aparelho, para dentro do nosso televisor”, explicou.
Para identificar os limites de potência e banda de guarda para uma convivência harmoniosa, o professor doutor que está a frente dos estudos realizados pela Universidade Mackenzie, exemplificou duas possibilidades de interferência de LTE nos aparelhos digitais: Saturação e interferência externa. Quanto ao primeiro problema, Gunnar explicou que o sinal da estação radio base vai ser tão forte que entrará no amplificador do sintonizador causando a saturação. “Você não precisa estar sintonizado no determinado canal, a própria energia de transmissão vai elevar tão alto a recepção que causará a saturação e nada mais vai ser recebido. Este é o primeiro ponto que estamos pesquisando no laboratório. Estamos investigando o limite dessa potência para que isso não ocorra”, detalhou. O outro ponto abordado, foi a interferência causada por equipamentos do usuário. “Devices podem provocar interferência de canal adjacente. Isto pode acontecer porque o celular estará perto dos televisores e a interferência de canal adjacente pode acontecer, bloqueando o sinal da TV”, finalizou.
Por fim, Gunnar explicou como estão testando o tamanho de interferência gerado em função a distância do canal adjacente. “Vamos testar originalmente com 5 MHz e depois com 10 MHz e, então, iremos identificar as interferências existentes dentro disso. Primeiro fizemos todas as caracterizações de sistemas de recepção em televisores e agora pretendemos efetivar este trabalho até meados de julho e assim termos os primeiros resultados com a parte do downlink. Só depois é que faremos a parte do uplink”, finalizou o professor.

Normas mais rígidas
Sem entrar muito em detalhes, o secretário desconsiderou o dado apresentado pelos japoneses – 30 MHz – e confirmou que “as emissoras e retransmissoras queestão licenciadas, hoje, serão alocadas no espectro que está destinado para a TV Digital”, e o ministro ainda completou dizendo que “se for necessário nós iremos aumentar a faixa de UHF destinada a elas”. Um dos pontos importantes do que foi comentado pelo representante do governo, foi a rigidez com que as emissoras serão fiscalizadas. “O governo está apertando as normas e irá fiscalizar e punir quem não andar na linha e já temos o primeiro caso de uma TV Comunitária que por vezes reproduziu anúncios publicitários, atualmente… Lacrada”, falou o secretário.
O secretário comentou que todos os interessados serão convocados para entrarem com pedido para que seja regularizado e, então, serem retiradas as sanções antigas de cada projeto. “Temos um plano para desburocratizar os processos de outorga dos projetos protocolados. No caso de emissoras clandestinas, teremos força tarefa para tratar município por município para acelerar o processo de outorga. Essas sedes de ação da força tarefa serão montados nas capitais de cada estado”, explicou.

O secretário aproveitou para dar um puxão de orelha de forma branda e discreta. “85% dos projetos que nós analisamos estão errados. Cabe a vocês engenheiros apresentarem o projeto de maneira certa para que o projeto possa estar 100% regularizado”, finalizou.

Bolsa TV Digital
Aguinaldo Silva, da TPV-Tech, alertou para a importância de se pensar na substituição dos aparelhos de televisão, pois segundo disse Genildo Lins e depois mais tarde o próprio ministro confirmou para nossa equipe, que há uma ideia de se criar um incentivo que beneficiará a venda de novos equipamentos (televisores ou set-top- -box) para concluir esta reposição facilitando a sintonização da TV Digital. “Não há nenhuma definição ainda, mas existe uma proposta para desonerar aparelhos de recepção para que o telespectador possa ter acesso à TV Digital dentro do período que antecede o switch- -off”, disse o ministro.
Para Aguinaldo existe um gap considerável entre o que pretende o governo com o início das vendas de televisores preparados para sintonização da TV Digital e com o volume real que a indústria brasileira conseguirá produzir. Inclusive, foi dito no encontro regional que uma “Bolsa TV Digital”, poderá ser criada, onde o cidadão de baixa renda terá direito a receber um valor para ser destinado a compra de televisores ou set-top- -box. “Será que até 2018 conseguirá a indústria fabricar tantos televisores que se pretende vender?”, completou.
“Em 2012 no Brasil todos os televisores produzidos deveriam ser built-in. Nós temos um legado de televisores instalados hoje, de cerca de 60 milhões de unidades sem ser built-in integrado. Com este número me resta fazer duas perguntas: Em quanto tempo conseguiremos fazer a substituição completa destes equipamentos mais antigos, já que o mercado de set-top-box não vingou? E para onde irão os televisores velhos, existe um projeto, ou pensamento para destinação deste lixo sólido?”, exclamou o representante da TPV-Tech, que também é membro do Fórum SBTVD.

Conteúdo como bússola
A edição Sul deste SET Regional provou que realmente o mercado deve olhar com mais atenção ao conteúdo. Com uma simples frase, Sonia Reese, arquiteta de soluções da Avid, fez com que os presentes entendessem o porquê de se olhar com mais atenção ao que se é produzido diariamente, dentro da emissora. “Hoje, o espectador escolhe a aventura que vai curtir”, assim Reese resumiu o comportamento do novo espectador.
A palavra que ganhou força devido ao maior portal de relacionamentos da atualidade, nos permite perceber que a audiência está no interesse particular de cada um.

E estes novos “consumidores” não estão mais sentados no banco de casa esperando o horário da programa preferido. Eles buscam em seus novos “aparelhos sociais” o conteúdo, a todo momento.
A representante da Avid apresentou um dado interessante, onde “75% dos executivos de mídia acreditam que a distribuição para outras telas é fundamental para captura de novas oportunidades de crescimento”. Neste ponto, uma boa infraestrutura de Media Asset Management (MAM) permite o gerenciamento do ciclo de vida do arquivo como um todo.
Na fala de João Paulo Quérette, da Imagenharia, o significado técnico de um ativo de mídia é mais que um clipe original. “À essência do ativo é adicionado a versão em baixa resolução, metadados, um thumbnail (imagem de visualização e identificação), além de qualquer notificação extra e essa somatória de informação em um único arquivo pode ser chamado de ativo de mídia”, explicou.

Reese alertou, ainda, para a preocupação que os profissionais das emissoras devem ter quanto ao gerenciamento do arquivo e do ciclo de vida da mídia. “Gerenciar o conteúdo gerado na produção irá torná-lo um ativo de mídia da empresa, não apenas um arquivo”, disse. Renan Cizauskas, da Harris, em sua apresentação também defendeu os investimentos em gerenciamento da base de dados. “Investindo em MAM/PAM é possível se atingir uma redução de custos de 40%”, comentou.
Para João Paulo, uma das principais funções de um software de MAM é permitir um gerenciamento de todas essas informações abstraindo que elas são arquivos separados e mostrando isso tudo ao usuário como um ativo. “Todo software MAM, normalmente, faz catalogação e pesquisa, mas atualmente se espera muito mais. Eles devem catalogar, pesquisar, ter arquitetura cliente servidor (permitindo o acesso ao banco de dados através de diversas máquinas e ao mesmo tempo), eles devem ter um certo controle sobre as unidades de armazenamento, permitindo que os operadores visualizem os arquivos por completo, além de criar automações baseadas nas regras de negócio da empresa”, resumiu o diretor da Imagenharia.

Após ter enfrentado 16 horas de viagem e um aeroporto fechado, Silvino Almeida, da Tektronix, alertou sobre a monitoração deste conteúdo, pois a garantia da qualidade da entrega desta produção pode ser um fator vital para o negócio da emissora, contribuindo assim, para a vitalidade da audiência. Silvino lembrou que o novo espectador vive um ambiente paradoxal entre o conteúdo rápido e semiprofissional e as grandes produções construídas em alta definição. “Da mesma forma que a nova geração de espectadores está acostumada a pequenos formatos e qualidade baixa em vídeos de 30 segundos da internet, eles exigem imagens HD, som 5.1 e efeitos de última geração nas grandes produções que vão para o cinema e televisão”, explicou.
E como falou Erick Soares, da Sony, ainda são poucas as câmeras que capturam em 4K real (4:4:4), mas o Ultra HD já está sendo explorado por diversas empresas de conteúdo e “muito em breve será sim uma realidade”. O engenheiro ainda lembrou que as redes IP que podem acelerar o processo da chegada das produções de alta qualidade ao workflow das emissoras e por consequência às casas, já vêm sendo utilizadas.

Complementando esta informação, Daniela Souza, da AD Digital, falou exatamente da importância de encaramos o mundo do file-base como um caminho sem volta, até porque se torna facilmente possível a utilização do file-base para se distribuir para diversas plataformas e em diferentes formatos.
O problema surge a medida que a emissora passa a ter um volume de trabalho maior, sendo que o orçamento publicitário se mantém. Talvez por isso, algumas estratégias de expansão para estes novos formatos ainda não se intensificaram. Mas, também na fala da diretora da AD Digital, encontra-se a necessidade de rentabilização. “É preciso utilizar a tecnologia como um meio de rentabilizar e não apenas como um fim dentro de um ambiente de produção”, comentou e completou dizendo que “só jogar o arquivo na internet não gera receita. Independentemente do que a gente tenha de parafernália técnica pra fazer a gestão do conteúdo, publicação e etc, a nossa orientação tem que estar sempre voltada para o business layer”, finalizou.

Ambiente otimizado
Foi interessante para os profissionais que vieram conferir o SET Regional Sul, a ideia de otimização que se mostrou sempre presente no discurso dos representantes do mercado.

Economia de energia, melhora do fluxo de trabalho e a simples implementação de um pensamento inovador têm impulsionado melhorias nas emissoras e foram citadas por alguns palestrantes do encontro.
O que dizer da palestra apresentada por Nelson Faria, da TV Globo? Com o tema inovação, Nelson revelou detalhes do projeto i9 da emissora que trabalha, que nada mais é que um baú de ideias que precisa ser preenchido constantemente e convida a todos – realmente todos – os funcionários a participar.
O i9 (alusão ao verbo inovar) além de promover a chegada de grandes soluções tecnológicas que incrementam a produção, incentiva pequenos gestos transformando- os em grandes atitudes. Atualmente, a emissora possui uma grande comunidade voluntária que pensa em inovação para melhorar a produtividade e qualidade na TV, gerar aprendizado contínuo para a cultura de inovação através de conceitos e métodos num espaço de trocas. O projeto cresceu de tal forma que uma feira de exposições foi criada para apresentar as ideias inovadoras a funcionários, familiares e convidados.
O i9 busca promover a integração, motivação, disseminação de novas ideias, o desenvolvimentos de novos processos, novas tecnologias e ferramentas aplicadas. Segundo Nelson Faria em diversas frentes já foi possível observar um número real de economia, seja em energia, tempo e obviamente de dinheiro. E economia, ou rentabilidade agregada, foi um tema abordado por Fabrizio Reis, coordenador técnico da Screen Service do Brasil. Em sua palestra sobre transmissores digitais de baixo consumo de energia, Reis lembrou que os gastos com energia representam um grande desafio para uma emissora e, por conta disso, os equipamentos de alta eficiência e baixo consumo energético têm tido uma procura muito maior nos últimos anos. “Devido a menor emissão de calor que os transmissores de alta eficiência possuem, por utilizarem refrigeração a água, a escolha destes equipamentos está cada vez maior entre as emissoras do mercado. Menos calor, significa menor consumo de energia pelo ar condicionado”, explicou. Renan Cizauskas, arquiteto de sistemas da Harris, contou que atualmente existem diferentes equipes da empresa trabalhando em prol do desafio que é integrar todo mundo dentro de uma emissora. “Manter processos manuais repetitivos sob a demanda de um operador manual é um risco que se corre e existe uma margem de erro alta”, contou.
Cizauskas explicou que um sistema de gerenciamento de mídia para trazer velocidade ao workflow da emissora precisa de “uma interface de usuário simples, única e moderna, isto evita que você precise treinar e capacitar um operador para cada função”. E neste ponto a palavra mais interessante que marcou a apresentação de Renan Cizauskas foi mobilidade. Segundo o engenheiro, hoje o profissional pode iniciar processos ou gerenciar funções da mídia de fora da emissora. “Dentro do conceito de mobilidade, atualmente é possível de fora da emissora editar o conteúdo em campo e efetuar ações em diversos formatos a partir de um celular. Neste ponto justifica-se a importância de se trabalhar com metadados”, explicou. Rafael Defaveri, da CIS Group, falou sobre a importância de se entender cada ferramenta de um fluxo de trabalho, para daí então partir para as implementações de cada “peça” deste processo. “Nenhum fabricante é melhor em tudo. Quando você junta todas as peças de um sistema só alguns pontos acabam por ficar falhos”, disse. Defaveri contou que, atualmente, o broadcaster não fica mais amarrado à apenas um fabricante, que é no conjunto que se identifica a melhor solução e a melhor forma de aplicar melhorias à todo workflow. “Partindo do ingest ao playout é possível combinar soluções de diferentes empresas, para atingir o resultado perfeito”, sugeriu.

Reta final para o Loudness
Neste ano entram em vigor as sanções com relação às exigências no que diz respeito as medições de Loudness e no Set Regional, edição Sul, pudemos conferir algumas especificações acerca do tema e ainda conhecer opiniões e soluções a respeito.
Em tom de crítica, Marc Judor, da Jünger Audio, opinou negativamente quanto às altas multas e sansões estabelecidas até aqui. “É uma das sanções mais duras do mundo. A rigidez das penalizações pode deixar uma emissora fora do ar por 90 dias, se fizerem isso, podem matar a emissora”, comentou. O mesmo foi compartilhado – de forma mais amena – por Marconi Maya, da Anatel. Judor explicou como será feita a medição no Brasil e comentou sobre a divisão de blocos.
Armando Ishimaru, da Leader Instruments, alertou para a necessidade do “enriquecimento da produção final do áudio no Brasil”. Ishimaru falou sobre a posição da ITU e explicou sobre a intensidade média subjetiva de áudio que irá servir para a fiscalização (-23 LFKS).
Não só na fala do representante da Leader, mas também na apresentação de Gilbert Felix, da Opic Telecom, foi comentado a importância de se aplicar já na produção os cuidados necessários com o controle do áudio. “Se as produtoras de conteúdo já enviarem o produto final dentro dos limites exigidos, nós corremos o risco de que um processador distorça o conteúdo final”, disse Felix.
Para Armando uma boa solução imediata seria aplicar um conversor no playout e investir na orientação de se produzir dentro da norma.

Um país com céu estrelado
O setor está muito mais desenvolvido hoje com a interação e chegada de ferramentas de TI. Em sua apresentação, por exemplo, Rodrigo Ramponi, da Telesat, mostrou como ferramentas como o Google Earth, por exemplo, já são utilizadas para gerar informação precisa e dados cada vez mais exatos a respeito da área de cobertura a ser contratada. Ramponi ainda deu foco no ANIK G1, novo satélite de sua frota que atende os mercados do Brasil e América Latina em Banda Ku e Banda C. Finalizou com características técnicas do ANIK G1 e estudos de caso para contribuição e distribuição de TV.
Em seu tempo, o diretor da Unisat, J. R. Cristóvam iniciou expondo a evolução dos padrões DVB-S, DVB- -S2 e as novas tecnologias utilizadas para aumento da eficiência espectral e consequente redução de banda necessária de transponder, associada ao conteúdo transmitido. Explicou também as propostas apresentadas para um novo padrão de transmissão, vantagens e desvantagens. Os conceitos técnicos de análise, cálculos e dimensionamento de enlaces foram sumarizados e enfatizados como de suma importância nos estudos de viabilidade técnico-econômica.

O diretor ainda apresentou alternativas, cenários e custos típicos envolvidos para contribuição e distribuição de TV Digital via Satélite. Finalizou sua palestra motivando a audiência para efetuar o máximo de estudos e simulações possíveis com link budgets antes da decisão final entre economia mensal com aluguel de segmento espacial ou de aproveitamento da oportunidade para migrar de vez para o Full-HD, opção que considerou bem relevante. Na apresentação de André Luis Malvão, da StarOne, o destaque fica por conta da “nova estrela no céu”. Malvão informou detalhes do seu novo satélite Star One C3, características técnicas, coberturas em Banda C e Ku e respectivos sistemas avançados de monitoração de comunicações disponíveis. Finalizou dando mais ênfase ainda sobre os pontos que considera de vantagens da Star One na América Latina.

Alexandre Minghini
Redação Revista da SET
alexandre.minghini@set.org.br