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Desligar ou não a TV analógica em 2015?

© Foto: Redação

O Congresso SET 2013 debateu com rigor o processo de apagão analógico no País e as consequências da migração da TV Analógica para a Digital. Já na cerimônia de abertura, realizada na manhã de 20 de agosto de 2013, ficou claro que os desafios dos broadcasters brasileiros no próximo ano e meio serão muitos devido ao switch-off marcado pelo governo Federal para o início de 2015 em algumas cidades do Brasil. Ainda foram debatidos temas como a licitação da faixa de 700 MHz, as interferências que esta poderia gerar no sinal de TV Digital, a migração da rádio AM para FM, transmissões satelitais, e muitos outros temas nas 45 palestras em mais de 90 horas de debates realizados em São Paulo entre 19 e 22 de agosto passado.

Por Fernando Moura e Francisco Machado Filho

Reportagem

Olímpio Franco, presidente da SET, afirmou que com o desligamento da TV analógica “os canais remanescentes serão prejudicados” e “os one-seg serão perdidos ou desactivados”.

Nos quatro dias de Congresso, o apagão analógico e a transição agora estabelecida para começar no primeiro dia de 2015 estiveram presentes em quase todas as salas destinadas às palestras e em conversas nos corredores do Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.
Com um total de 1270 participantes, a maioria brasileiros, mas com uma interessante presença estrangeira, da qual cabe destacar o Keynote Gordon H. Smith, presidente e CEO da NAB e uma interessante comitiva vinda do Japão – basicamente engenheiros da NHK, emissora estatal nipônica – o Congresso da SET mostrou mais uma vez que é o maior fórum tecnológico do País, e que continua a ser um momento de reflexão e questionamento da situação atual e o futuro da TV no Brasil.
De fato, na edição de 2013 do Congresso SET, os broadcasters brasileiros estiveram, segundo vários consultados pela reportagem da Revista da SET, frente a uma das maiores mudanças tecnológicas da TV no País, uma mudança sem voltas e na qual, como muito coincidem em dizer, não há como falhar, já que no sinal de TV Digital “temos uma imagem excelente ou simplesmente negro”, como disse um dos palestrantes.
Das autoridades do Governo Federal que também estiveram presentes, soube-se que até o final de outubro de 2103, já com a realização de audiência pública, estará definido o cronograma de desligamento analógico no País e quais serão as primeiras cidades a serem apagadas, porque o Governo teria previsto realizar o leilão da faixa de 700 MHz já em abril ou maio de 2014.

Abertura do maior fórum tecnológico do País

No fim da ceremônia de abertura do Congresso SET 2013, Nelson Faria, vice-presidente da SET; Gordon H. Smith, presidente e CEO da NAB; e Olímpio Franco, presidente da SET conversaram longamente sobre o futuro da TV.

Na cerimônia de abertura, o primeiro presidente da instituição, Adilson Pontes Malta, foi peremptório e claro: “Precisamos de alguém mais interessante do que nós para afrontar essas mudanças”. A abertura contou ainda com o Keynote Gordon H. Smith, presidente e CEO da NAB. Os representantes das outras entidades do setor falaram sobre o apagão e as suas possíveis consequências. Com uma cerimônia com sala cheia transmitida pela primeira vez ao vivo via satélite para todo o mundo (ver texto abaixo), Olímpio José Franco, presidente da SET, mostrou preocupação com o cronograma de apagão analógico recentemente anunciado pelo Governo Federal e reforçou que é necessário realizar maiores estudos e pesquisas sobre as possíveis interferências graves na recepção de LTE e saber como serão replanejados os canais no País.

“Estamos caminhando para perder 18 canais com a realocação da TV para os canais que vão do 14 ao 51. Essa redução exige um reestudo do plano de canalização”, disse Franco. E agregou que “os canais remanescentes serão prejudicados” e “os one-seg serão perdidos ou desativados”.
Para Olímpio Franco, é preciso saber como resolver este problema porque o uso de filtros não resolverá o problema da interferência. “Como resolver esse problema? Preocupa-nos a falta de planejamento. Esperamos sensatez, apoio e respeito dos órgãos reguladores para com o nosso setor”, afirmou.

Adilson Pontes Malta disse aos presentes que é fundamental renovar a SET e as suas estruturas para enfrentar a mudança tecnológica. “A SET fez muito pela televisão brasileira e os seus profissionais, mas fez isso com o sacrifício e sacerdócio dos seus presidentes.”
“A televisão da era da SET era um produto de radiodifusão. Hoje isso mudou, o vídeo está por toda a parte, até nas revistas imprensas (…) Os receptores inteligentes são uma realidade (…) Estamos diante de um jovem e desconcertante mundo da comunicação”, disse Adilson Pontes Malta, e agregou: “precisamos de alguém mais interessante do que nós” para afrontar essas mudanças”.

Adilson Pontes Malta, primeiro presidente da entidade alertou na ceremônia de abertura do Congresso SET 2013 que é preciso “mudar” e ter novos elementos na entidade.

Fechou a cerimônia Gordon H. Smith, presidente e CEO da NAB, que refletiu sobre a função das emissoras de TV aberta no mundo e sua importância no trabalho diário contribuindo para democratização dos conteúdos. Ele abordou também como estas podem ajudar na “ liberdade imprensa” dos países.
O ex-senador americano apresentou um Keynote onde partilhou esforços da NAB através dos Estados Unidos para garantir que estações de rádio e televisão completem suas missões de preservar valores críticos que são o fundamento dos ideais da democracia. Ele também abordou como avançar com a tecnologia de broadcast e promover os interesses das estações nas questões políticas como leilões de espectro, e o suporte às estações com o compromisso de ser seus olhos e ouvidos.

Participaram da sessão de abertura representantes de várias associações do setor, dentre elas a secretária interina de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patrícia Ávila; o presidente da Anatel, João Batista Rezende; o presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), Oscar Simões; o presidente da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel), Luiz Cláudio Costa; o vice-presidente da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo (Aesp), João Monteiro Neto; e em representação da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o conselheiro da entidade, Alexandre Jobim.
Destes, o mais categórico foi Luiz Claúdio Costa, da Abratel, que disse aos presentes: “Temos o anúncio da antecipação do switch-off para 2015. Estamos preparados? Os testes realizados pela SET apontam problemas e os da a Anatel ainda não são conhecidos. E a população, está bem informada? Tem condições de receber o sinal digital? Precisamos ficar atentos. Enquanto as respostas a essas questões não forem “sim”, não poderemos estar tranquilos”, disse na cerimônia.

A secretária interina de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patrícia Ávila afirmou que é necessário realizar o apagão analógico e que “em parceria com outras instituições públicas”, o governo vai “testar o comportamento da faixa de VHF Alto (canais 7 a 13) nas transmissões digitais de TV”.

“O ideal é não desligar nada em 2015”
A frase foi proferida pela secretária interina de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patrícia Ávila que participou de vários painéis e palestras durante o Congresso SET 2013, para quem o desligamento total da TV analógica em 2018 é uma incógnita, já que disse não ter “nem ideia” se será possível. “Pode ser que se prorrogue, será outro governo, outro ministério”.
Segundo Ávila, o Governo Federal vai manter o cronograma gradual de desligamento da TV analógica, mas está trabalhando para reduzir o número de cidades afetadas em 2015, que chegariam a 724 municípios.

No painel “switch-off analógico, implantação TVD”, discutiu o desligamento do sinal analógico e os seus desafios.

Em um desses painéis, moderado por Tereza Mondino (SET/ TM Consultoria), Patrícia Ávila junto com representantes da Anatel mostraram no Congresso da SET 2013 as últimas alterações regulatórias publicadas e ainda as que estão sendo preparadas para breve visando o apagão analógico confirmado pelo Governo Federal para 1º de janeiro de 2015.
Segundo explicou Patrícia Ávila, “há condições de diminuir o número de cidades. Se um radiodifusor trocar de lugar, será muito melhor porque não precisa desligar agora, podemos esperar aumentar o número de receptores, por exemplo”, disse. Ela afirmou que ainda não está definido o cronograma final de desligamento e se este acabará em 2018, como representantes do Ministério disseram no fim de julho de 2013.
“O Ministério das Comunicações e a Anatel estão trabalhando internamente para reduzir o número de cidades o máximo possível, de modo que o impacto causado, pelos custos envolvidos, seja o menor possível”, explicou Ávila.
Patrícia disse que neste momento o governo realiza “testes em VHF alto” em parceria com outras instituições públicas, “testando o comportamento da faixa de VHF Alto (canais 7 a 13) nas transmissões digitais de TV”.
Segundo ela, estes testes serão conduzidos e seus resultados sistematizados até o primeiro semestre de 2014. “Se a faixa apresentar comportamento adequado ela poderá ser utilizada para a execução do serviço de radiodifusão de sons e imagens em tecnologia digital”.
Para a secretária, é possível promover uma transição tranquila e segura tanto para o telespectador quanto para o radiodifusor. “Faremos o apagão apenas nos locais em que seja realmente necessário. Precisamos de um prazo maior para que todos possam se programar”, destacou, observando que a meta do governo é que todos os brasileiros possam ter acesso ao sinal digital até o fim de 2018.
Nessa palestra, Regina Cunha, da Anatel, explicou a “realocação de canais da faixa de 700 MHz” que tem como objetivo “direcionar adequadamente os trabalhos e evitar solicitações de radiodifusores para alterações de características técnicas não relacionadas ao processo de replanejamento”.
Ela explicou que em uma primeira instância se tinha estabelecido como meta o desligamento de 885 municípios, mas que estudos posteriores chegaram à conclusão que estes deveriam ser apenas 724 municípios.
Para isso, está em curso a Consulta Pública nº 35, de 15 de agosto de 2013, a qual “submete a contribuições e comentários públicos, 38 (trinta e oito) exclusões de canais no PBTV, 190 (cento e noventa) exclusões de canais no PBRTV, 72 (setenta e duas) inclusões e 189 (cento e oitenta e nove) alterações de canais no PBTVD e 2 (duas) alterações de canais do PBTVA”.
Segundo Regina Cunha, “as alterações ora propostas são referentes à Região Metropolitana da cidade de São Paulo e às regiões de Campinas e Sorocaba, e têm por objetivo principal o atendimento ao disposto no Artigo 2º da Portaria MC n.º 14, de 6 de fevereiro de 2013, publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 7 subsequente, que estabelece diretrizes para a aceleração do acesso ao Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre – SBTVD- -T e para a ampliação da disponibilidade de espectro de radiofrequência para atendimento dos objetivos do Programa Nacional de Banda Larga – PNBL. A efetivação das alterações propostas deverão seguir o cronograma a ser definido posteriormente pelo Ministério das Comunicações, conforme estabelecido no Decreto n.º 8.061/2013”.
Também participou da palestra Hélio Godoy de Avellar, da Anatel, que explicou aos presentes o “Acordo de Cooperação Técnica n.º 02/2012” pelo qual o Ministério das Comunicações delegou “competência à Anatel para a prática dos atos necessários à análise de processos técnicos de engenharia nos procedimentos de pós-outorga dos serviços de radiodifusão”.
No painel “switch-off analógico, implantação TVD” se discutiu o desligamento do sinal analógico e os desafios para que ele seja executado de forma satisfatória e sem grandes problemas. Para o moderador da palestra, Ivan Miranda (SET/RPC TV), “a TV Digital é uma realidade para o Brasil. Definimos um padrão que figura entre os melhores do mundo, sendo inclusive adotado pela grande maioria dos países na América Latina. Agora temos o desafio de implementar toda a malha de distribuição de sinal digital no país e seus serviços complementares (SARC e Ancilares)”.

Com um total de 1270 participantes o Congresso da SET mostrou mais uma vez que é o maior fórum tecnológico do Brasil na área de rádio e televisão.

Para Miranda, “o cenário é desafiador, com um horizonte curto, onde grandes investimentos e readequação de infraestrutura serão necessários. O telespectador precisará ser informado e adquirir novos receptores. Como orquestrar toda essa rápida migração?”.
Na mesa, a principal preocupação dos palestrantes foi a necessidade de garantir que o desligamento do sinal aberto não signifique que parte da população fique sem recepção de TV aberta nas suas residências.
No entanto, segundo os palestrantes, as mudanças devem ser positivas para o mercado. “A TV Digital vem para dar uma sacudida no mercado e aumentar a audiência”, afirmou David Britto, coordenador do Módulo de Mercado do Fórum SBTVD.

Pilotos para apagão
João Paulo de Andrade, representante do Ministério das Comunicações, explicou no painel “switch-off analógico, implantação TVD” a necessidade da realização de pilotos em cidades de médio porte, com o objetivo de monitorar a recepção da TV digital e da percepção e acesso dos usuários em diferentes realidades socioeconômicas e localizações geográficas.
Ele também falou das políticas públicas a serem implantadas, da mudança do cronograma (que adiantou o desligamento para janeiro de 2015 e deu mais tempo para que ele seja concluído) e sobre a possibilidade de que as radiodifusoras ajudem a complementar o trabalho do governo.

O que fazer antes de apagar?
Muito se debateu sobre o que fazer antes do Governo Federal apagar definitivamente o sinal analógico nas primeiras cidades do país no primeiro dia de janeiro de 2015. Nesse sentido, Paulo Ricardo Balduíno trouxe ao Congresso SET uma série de indicações que a ABERT considera necessárias antes do começo do apagão. Antes disso, Balduíno alertou aos presentes que o maior desafio dos broadcasters brasileiros será “implantar mais de 100 RTV’s novas por mês para cumprir o cronograma de 2015”.
Para Balduíno, é preciso que existam condições de cobertura, recepção, comunicação por parte do Governo para iniciar o desligamento e essas são soluções de “governança”. No que diz respeito à cobertura, o representante da ABERT disse que é preciso “pelo menos garantir que as geradoras e retransmissoras do serviço de radiodifusão estejam aptas a operar (aspectos legal e técnico); garantir a produção de equipamentos de transmissão do sinal digital; e garantir isenção fiscal para equipamentos importados destinados a produção de conteúdo HDTV, de alta qualidade, visto sua complementaridade a cobertura digital.”
Para recepção, segundo o responsável da ABERT, o governo deve “garantir”, entre outras coisas, “a produção de televisores e conversores; desonerar televisores de até 26/28 polegadas; acompanhar os canais de venda de televisores e conversores; e criar programas que disponibilizem conversores a população carente”.
Finalmente, na área de comunicação, segundo Balduíno é impreterível que o Governo Federal desenvolva uma “campanha de comunicação efetiva, atingindo todos os públicos interessados; customizar a mensagem de acordo com o foco e grau de compreensão de cada público; estruturar mecanismos de atendimento; e o público preparar para eventos que gerem picos de informação e atendimento”.
David Britto, disse que o Fórum SBTVD tem como “premissa básica” que “ desligar a TV analógica não pode significar privar a população de ver TV. Portanto, para que a TV analógica possa ser desligada em qualquer cidade é preciso que as estações de TV previamente existentes estejam transmitindo TV digital, a população esteja a par da transição e esteja comprovadamente equipada para ver TV digital”.

David Britto explicou que o Fórum SBTVD tem como “premissa básica” que “desligar a TV analógica não pode significar privar a população de ver TV.

Assim, o coordenador do Módulo de Mercado do Fórum SBTVD afirmou que de parte do governo Federal é necessária a “agilização na autorização de operação”; tem de ser facilitada “a obtenção de licenças – Ministério do Meio Ambiente”; deve existir financiamento para as emissoras e as prefeituras se digitalizarem; e um Call Center para atendimento a população durante e pós- -ASO (Switch-off analógico).
Britto reafirmou que o Estado deve entregar “subsídios para obtenção de conversores à população” e deveria existir uma “redução de carga tributária” na venda de televisores.
Em termos de transmissão, a premissa do Fórum é “incluir o Ginga como requerimento obrigatório nos equipamentos previstos no apagão”, utilizando “o Ginga como ferramenta de inclusão social” promovendo “o conteúdo interativo para que o mesmo ganhe relevância junto à audiência”.
Ainda em termos de radiodifusão, disse Britto, o espectro deve estar livre de interferências garantindo que “as operações de 4G/LTE não privem a população da TV Digital – aberta e gratuita”.

Apagão na Câmara dos deputados
O deputado federal Sandro Alex (PPS-PR) alertou para o fato de que a “única coisa que sabemos com certeza é que o sinal será desligado, todo o resto está em análise ou estudo”. Além da incerteza do acesso da população aos aparelhos e conversores, também foi questionado se o mercado está apto a produzir o número de aparelhos necessários nos poucos meses que faltam para o switch-off.
No Congresso da SET, o deputado disse que se for necessário existe a hipótese de promover um decreto legislativo que suspenda o efeito do decreto que antecipou o switch-off para 2015. “Se constatado prejuízos para a população com o apagão, o decreto legislativo será uma opção”, afirmou.
Para o deputado do Paraná, a “antecipação do switch- -off [para 1º de janeiro de 2015] é só para fazer o leilão da 4G, em detrimento do serviço de televisão. O ‘apagão’ vai ser só nas cidades que interessam às teles”.
Na sequência de sua participação no Congresso da SET, o deputado solicitou uma audiência na Câmara para debater implantação da TV digital, que já foi aprovada mas até o fechamento desta edição não tinha data marcada.
“Como a TV é o meio de comunicação que atende a maior parte da população brasileira, é preciso discutir como se dará essa transição e também a capacidade da indústria nacional de produzir os novos equipamentos para atender o mercado interno”, justificou o parlamentar, ao manifestar preocupação com a data do início das transmissões digitais de rádio e TV no Brasil.

Robustez e acessibilidade na TV Digital
Este painel discutiu alguns aspectos da TV digital que afetam a experiência do telespectador além de terem impactos legais. As recentes avaliações e evoluções da norma entre as emissoras, os trabalhos envolvendo acessibilidade e as soluções envolvendo a plataforma de TV paga.
O moderador da palestra “Melhores práticas na TV Digital. Robustez. Acessibilidade. Qualidade”, Carlos Fini (SET/ RBSTV), trouxe ao Congresso SET 2013 o close caption e outras formas de acessibilidade para uma melhor TV.
Cláudio Borgo, gerente da Net, falou de close caption e como a empresa trabalha neste aspecto. “Para transmitir temos um redende em cada cidade desde onde se emite o close caption. Para isso temos receptores especiais e um modulador que ajuda no processo”.
Para Borgo é fundamental harmonizar as normas de stream MPEG/DVB-C para poder trabalhar com closed Caption. Wagner Medici, diretor da Steno, apresentou as acessibilidades para TV CC (Closed Caption) AD (Audiodescrição), como é no Brasil desde 1997 e como é nos Estados Unidos desde 1980. Para Steno “além de novas ideias (velhas) para gerar receita, como colocar o patrocínio no selo da TV quando inicia o bloco e voltando logo em seguida o selo da TV. O mais importante é que essas novas tecnologias que podem servir para ajudar as pessoas”.
Em termos práticos, falou da TV Texto e a TV Câmara que está em fase de testes. O Rádio texto, para Steno, “é outro conteúdo bem interessante. Há algumas operadoras de telefonia celular interessadas, e provavelmente o pessoal das emissoras de rádio e tevês venham a criar um novo modelo de negócio. E também os deficientes auditivos irão se beneficiar com o Rádio Texto”. Para ele, a acessibilidade através do close caption e o audiotexto “podem gerar receita para sua empresa”.

Sandro Alex disse que a “antecipação do switch-off é só para fazer o leilão da 4G, em detrimento do serviço de televisão. O ‘apagão’ vai ser só nas cidades que interessam às teles”.

Edson Moura (SET/Fórum SBTVD) explicou aos presentes que o Fórum SBTVD está pensando que haverá revisão das normas ABNT NBR 15606-2, ABNT NBR 15606-4 e ABNT NBR 15606-5, informou que há um estudo do pedido de fabricantes de receptores de TV Digital para revisão da ABNT NBR 15604, e que ainda estão em estudo melhorias para a exibição do recurso de Closed Capiton no País.

Arnaldo César, da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP), explicou que a entidade é uma Organização Social que tem o contrato de gestão com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). César explicou o projeto TV INES, que pode ser acessada em multiplataformas, de qualquer local que possua conexão com internet.
Assim, segundo César, o “modelo de TV Aberta com programação diversificada incluindo filmes, desenhos animados, notícias, produções adaptadas para LIBRAS e produções próprias com apresentadores surdos” deve ser incluído na programação para gerar inclusão.

O passo a passo da TV
O painel “Infraestrutura, do modelo à operação” abordou as etapas do processo necessário para se fazer uma transmissão e, neste momento de transição para a TV Digital, teve um grande interesse no Congresso. Os 6 palestrantes convidados falaram das etapas que cada emissora precisa passar para ir ao ar e discutiram novas tendências e tecnologias já utilizadas.

Para Nivelle Daou (SET/Rede Amazônica) os desafios de manipulação das altas resoluções como o 4K e o 8K são um dos maiores desafios dos broadcasters brasileiros nos próximos anos.

s etapas discutidas foram: modelo, projeto, gerenciamento de projeto, aplicação de um projeto e produto. Os modelos de operação Localcast, Centralcast e Remotecast foram explicados, bem como as suas vantagens e desvantagens e a infraestrutura que cada um requer. Outro fator importante é a execução do projeto de infraestrutura, que deve dividir em conceitual, pré-projeto e executivo.
Tais etapas, segundo os palestrantes, consideram pontos fundamentais como a percepção das necessidades do cliente, a identificação de problemas e a preocupação com a ergonomia da estrutura e os sistemas de energia. “No nosso negócio, na TV aberta, a energia passou a ser uma neurose. Não pode falhar um instante ou a gente fica fora do ar”, completou o moderador Nivelle Daou (SET/Rede Amazônica).
Os modelos de transmissão em HD e 4K foram os mais comentados. Para Daniele Souza (AD Digital), embora as transformações visem o lado financeiro, a indústria também busca desenvolver tecnologias que buscam o conforto e a imersão do usuário. Luiz Botelho trouxe a realidade das emissoras e falou sobre o redimensionamento dos recursos para o jornalismo ”ao vivo” em HD. Outra questão abordada foi o planejamento da emissora pensando em tecnologias que podem ser aplicadas no futuro. “A questão do planejamento é imprescindível para sabermos lidar com esses 22 canais (de áudio, na transmissão 4K) quando eles caírem no nosso colo”, explicou Daniela.

Fernando Moura
Revista da SET.
Colaboraram nesta reportagem:
Lucas Hidalgo Esteves e
Marcela Elisabete Malossi Antunes

Casablanca Online

Emissão gratuita via satélite da cerimônia de abertura do Congresso SET 2013

Pela primeira vez a Ceremônia de abertura do Congresso SET foi transmitida ao vivo e teve sinal de satélite gratuito para as emissoras transmitir o evento fornecido pela Casablanca Online

O sinal gerado por uma UMHD enviada especialmente para o evento pela Casablanca Online foi fornecido a todas as emissoras do país e do mundo que quisessem gravar ou emitir ao vivo a cerimônia de abertura do maior congresso de Broadcast do Brasil.
Com o intuito de patrocinar e brindar um apoio à internacionalização do Congresso da SET, a Casablanca Online fez a captação, e gerou um sinal que enviou ao seu satélite através de uma DSNG própria para que qualquer emissora que pretendesse registrar esse momento, o pudesse fazer gratuitamente. Assim, pela primeira vez na sua história, a cerimônia de abertura do Congresso organizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão foi transmitida via satélite, ao vivo e sem custos, para os broadcasters que quisessem retransmitir o sinal gerado no Centro de Exposições Imigrantes, sede do evento.
A aquisição de duas unidades móveis por parte da Casablanca Online tinha sido anunciada na última NAB 2013, em Las Vegas. Naquele momento se anunciou que a empresa, em parceria com a NEP, colocaria no mercado brasileiro as BR1 e BR2, ambas UMs de produção em HD.
A UMHD utilizada para a cobertura da cerimônia de abertura foi a BR1, uma OB Van de 12 metros de comprimento, construída, segundo explicaram os responsavéis da empresa no dia da abertura, “do zero” e “pensada nas normas de qualidade exigidas pelos grandes broadcasters brasileiros” porque ela foi desenhada com “um layout diferenciado, único no Brasil, facilitando o trabalho da equipe de direção”, disse Marcio Fachim, responsável técnico da BR1.
Esta UMHD pode ser equipada com até 20 câmeras HD, além de possuir um switcher de produção com 48 entradas – Grass Valley Karrera 2.5 M/E – e três servidores de vídeo – Grass Valley K2 Solo – que permitem fluxos de trabalho digital tapeless. A matriz de vídeo é da Evertz é conta com 160 entradas e 288 saídas. Os multiviewer são também da Evertz como a matriz de áudio com 96×96 analógico, 192 x 192 áudio AES e 2 canais de 3 x 3 MADI Streams permitem ter uma console de 48 faders que garantem capacidade de áudio 5.1. O áudio foi captado com microfones Shotgun Sennheiser ME 66 com wind screens.
Para a realização da cerimômia de abertura foram utilizadas 3 câmeras LDK-8000 da Grass Valley conectadas por triax a UMHD, e um EVS HD modelo LSM XT2 com 6 canais (4 entradas e 2 saídas) para a gravação. Este sistema pode ser utilizado em eventos esportivos para realização de replay e slow motion. A intercomunicação entre o caminhão de externa e os operadores de câmera instalados na Sala 1 do Centro de Exposições Imigrantes foi realizada através de uma matriz Telex ADAM com 96 portas “MCE Controllers per frame”.
A Casablanca Online e a NEP, parceira norte-americana da empresa brasileira, que conta com uma frota de aproximadamente 80 unidades móveis de produção em diversos países, projetaram as duas UMs especificamente para o mercado brasileiro, “respeitando condições específicas regionais da geografia do país e características culturais de nossos profissionais”, disse Marcio Fachim. A empresa é pioneira na implantação e integração das tecnologias HD e 3D. Em mais de uma década de existência realizou milhares de eventos nacionais e internacionais para Broadcasters, como agências de notícias e de eventos, para as quais possui soluções exclusivas. Ainda trabalha com escolas, hospitais e empresas de qualquer segmento que necessitem trocar conteúdo em formato digital porque se a necessidade é produzir e distribuir comunicação, a busca por constante atualização tecnológica que pauta a trajetória da Casablanca Online, oferece as mais avançadas soluções que um evento pode ter.
Com a chegada do BR1 e do BR2, a Casablanca Online passa a oferecer solução Turn-Key para produção de médios e grandes eventos tal como já fez em Fortaleza, durante a Copa das Confederações, em São Paulo com a transmissão da Fórmula Indy e em várias cidades brasileiras com a produção do UFC.
www.nepinc.com
www.casablancaonline.com.br


© Foto: Redação

LTE x TV Digital

Estudos ainda irão determinar como será a convivência entre os dois sistemas.

Em uma movimentada sessão no Congresso SET 2013, palestrantes e convidados procuravam responder a uma pergunta que pode parecer simples, mas que representa investimentos vultosos, regulamentação para o setor de telefonia e radiodifusão e prestação de serviço de qualidade para a população: como será a convivência entre as antenas para a recepção da TV digital e da telefonia 4G?
A pergunta, infelizmente, não foi respondida e para acirrar ainda mais o debate, outras perguntas surgiram, também sem resposta. Contudo, ficou claro nas apresentações que a coexistência dos dois sistemas é possível. Para tanto, é preciso realizar testes laboratoriais e de campo em locais representativos da radiodifusão.
O problema é o tempo escasso para se atender ao cronograma do governo Federal, que prevê o início do desligamento do sistema analógico para 1º de janeiro de 2015. Data de interesse para as operadoras de telefonia, que irão utilizar a faixa de frequência de 700 Mhz para serviços 4G. Nesta primeira fase, 724 municípios se enquadrariam no critério do cronograma.
Agnaldo Silva, (SET/ SBTVD), também externa sua preocupação quanto ao início do desligamento do sistema analógico para 2015 devido, principalmente, ao legado de televisores que não serão aptos em receber o sinal digital e à falta de definição em se resolver este problema, ou pela fabricação de novos televisores de baixo custo ou via set-top-box.
Silva acredita ser praticamente impossível atender à demanda criada pelo apagão analógico por essas duas alternativas em um prazo tão curto. Segundo ele, a capacidade produtiva do parque industrial instalado no Brasil não tem condições de fabricar o número necessário de aparelhos que farão parte do legado de televisores incapazes de receber o sinal digital, cerca de 60 milhões, sem contar os demais aparelhos de telas maiores e que já estavam previstos ou mesmo os set-to-box, em apenas dois anos. “Até poderíamos ter, mas os investimentos seriam altos demais e teríamos que começar hoje”, afirmou Silva. A pressa para desligar o sistema analógico geraria dois problemas: primeiro o dos telespectadores, que do dia para a noite ficariam privados de consumir a programação televisiva, teriam motivação suficiente para procurar outras formas de consumo audiovisual em seu antigo aparelho, seja pela TV paga ou pela IPTV. Segundo que sem os devidos testes e regulamentações o sistema LTE poderá causar interferência no sinal da TV Digital. E em se tratando de interferência no sinal digital de televisão o resultado é apenas um: tela preta.
De acordo com Luís Fausto, engenheiro da TV Globo, as interferências no receptor de TV Digital podem ocorrer pelos seguintes motivos: emissão interferente com faixa de frequência superposta ao canal de TV (co-canal); emissão fora de faixa ou espúria do sinal interferente superposta ao canal de TV (faixa adjacente); emissão do sinal interferente ou suas emissões fora de faixa ou espúrias superpostas ao canal simétrico em relação à frequência do oscilador local (frequência imagem); emissão do sinal interferente ou suas emissões fora de faixa ou espúrias superpostas a qualquer parte da faixa de entrada (470-806 MHz) que afetem significativamente o AGC e/ou produzam produtos de intermodulação com nível excessivo (saturação); quando é utilizado um booster na recepção, a amplificação e a faixa de entrada eventualmente maior (por exemplo: VHF + UHF) tornam o sistema ainda mais sensível à saturação.
De acordo com Júlio Omi, Universidade Mackenzie, que também vem realizando testes de interferência, o principal problema seria a potência das ERBs emitindo um sinal forte causando a saturação do sinal de vídeo e prejudicando ou impedindo o aparelho de recebe a transmissão das emissoras de TV, mesmo que ele não esteja sintonizado nos canais que sofrem interferência do LTE. Isto se dá, segundo Omi, porque os receptores de TV Digital possuem um filtro que amplifica a entrada de toda a faixa UHF (470-806 MHz) e a proposta onde a banda de LTE deverá ser alocada interfere nos canais 52 a 69. Além do problema do legado dos aparelhos analógicos citados anteriormente, soma-se a dos aparelhos já produzidos e que captam o sinal digital (45 milhões de unidades) e que já saem de fábrica com filtros de entrada, portanto, sujeitos a interferência.
Segundo Omi, este não é um problema brasileiro. O Reino Unido, a França e o Japão também vêm realizando testes para medir e sanar a interferência causada pelo LTE. No Japão os estudos iniciais apontam que será necessária a implantação de filtros na transmissão do LTE e nos receptores de TV. E propõe que haja uma substituição nas antenas domésticas por antenas de alta performance, o que naquele país pode representar um investimento na ordem dos três bilhões de dólares. No Brasil, as antenas mais comuns possuem baixo ganho e pouca diretividade, o que agrava ainda mais o problema.
Do outro lado desta questão está o interesse das operadoras de telefonia nessa faixa do espectro e a oferta dos serviços 4G. A faixa dos 700 MHz é imprescindível para as operadoras devido ao custo de instalação do sistema por permitir um número menor de antenas, com maior potência de irradiação (até 40 km) do que o sistema 2,5 GHz (6 km). Cálculos demonstram que o custo na faixa dos 700 MHz é cinco vezes menor. Desta forma, para cidade com baixa densidade populacional e na zona rural (rodovias) só é economicamente viável ofertar o LTE na faixa dos 700 MHz. Contribui para a urgência em se regular essa questão a alta demanda por serviços móveis de telefonia.
De acordo com Eduardo Levy, diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), a demanda por banda larga móvel crescerá muito no País e a faixa de 700 MHz é essencial para o atendimento dessa demanda. Atualmente o Brasil conta com 106 milhões de acessos em banda larga e 80% desses acesos são realizados por dispositivos móveis, alcançando 89% ou 3.414 municípios que contam com a cobertura 3G. Em 2017, o vídeo será responsável por 72% do tráfego móvel.
Do lado do governo Federal a promessa é que ninguém ficará sem a programação das emissoras na televisão digital. Para isso a promessa é que o regulamento seja aprovado até setembro/outubro de 2013. A Consulta Pública do edital de licitação do 700 MHz deve ser publicada até o final do ano e o leilão deve ocorrer ainda no primeiro semestre de 2014.
Outra questão prática que o governo Federal está estudando para não privar parte da população ao acesso à programação televisiva é a possibilidade de subsidiar a compra de decodificadores para a população de baixa renda. Gordon Smith, presidente da NAB, afirmou durante o Congresso da SET 2013 que nos Estados Unidos essa prática foi realizada. O set-to-box foi comercializado por cinco dólares e o subsídio custou ao governo americano mais de 3 bilhões de dólares.
Ocorrido o leilão da faixa dos 700 MHz surge a dúvida sobre o uso da faixa de 2,5 GHz que também é destinada aos serviços 4G e o temor de que essa faixa fique esvaziada caso as operadoras de telefonia prefiram adotar somente a faixa de 700 MHz. Contudo, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não vê essa possibilidade, pois a faixa de 2.5 GHz foi licitada em junho de 2012 com metas estabelecidas e que deverão ser cumpridas independentemente da licitação de outras faixas de radiofrequência.


© Foto: Redação Os palestrantes tranquilizaram a plateia afirmando que o Brasil esta preparado e terá condições de realizar a cobertura da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Transmissão via satélite em 4K na Copa de 2014

O Brasil está preparado e terá condições de realizar a cobertura da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, e não só, segundo os palestrantes do Congr esso SET 2013, o mercado está preparado para emitir jogos em 4K na Copa de 2014.

A palestra “Tendências e inovações das operadoras de satélite para as emissoras brasileiras de TV”, moderada por J. M Cristovam (SET/Unisat), contou com a presença de sete palestrantes que explicaram como está o mercado brasileiro de satélites.
Jurandir Pistch, da SES, disse aos presentes que a empresa já trabalha com “um canal permanente em 4K aberto, hoje o problema é que faltam conteúdos”. Ainda, “o lançamento da SES-6 entrou em operação em julho com 76 transponderes para o Brasil autorizados pela Anatel para atender à demanda”, afirmou Pistch. “Este satélite aumentou 5 vezes a nossa capacidade em termos de cobertura na região”, continuou ele.
Um tema que todos os palestrantes abordaram foram as mudanças nos hábitos das pessoas que criaram mudanças no padrão de como as pessoas assistem TV, já que, segundo eles, cada vez mais são utilizados novos sistemas e plataformas que permitem assistir TV, por isso a “SES patrocinou o desenvolvimento do padrão que transforma o sinal que vem do satélite em IP para ser distribuído, é um protocolo e um chip-set que funciona como um servidor que permite que os usuários possam receber de 4 a 8 sinais sem codificação em aparelhos móveis”, disse Jurandir Pistch.
Rodrigo Campos, diretor de vendas da Intelsat Brasil, disse ao público presente que já foram realizadas satisfatoriamente provas de transmissão de vídeo via satélite, com tecnologia 4k de Ultra Alta Definição (Ultra High Definition – UHD) de ponta a ponta para a Turner Broadcasting, em Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos.
A parceria da Intelsat S.A. e Ericsson permitiu a realização da primeira transmissão em UHD através de satélite “demonstrando que a rede de comunicação via satélite pode realizar as transmissões, com a nova geração tecnológica, assim que os operadores estiverem prontos para ela”, disse Campos.
Segundo ele, durante a demonstração, o satélite Intelsat Galaxy 13 transmitiu o sinal a 4:2:2 10-bit, 4k UHD, a 60 quadros por segundo, “proporcionando uma nova experiência visual. O vídeo na velocidade 100 Mbps foi enviado, codificado e decodificado em tempo real pela Ericsson, utilizando os codificadores AVP 2000 e RX8200, receptores capazes de operar em 4k UHD. A Newtec forneceu os equipamentos de modulação, com Tecnologia Clean Channel, a Turner Broadcasting forneceu a antena de recepção para realizar o down-link”.

Para Lincoln Amazonas Oliveira da Star One, “a tendência a uma mudança na TV Tradicional”, agora “devemos falar de vídeo e não mais de TV”.

Para Lincoln Amazonas Oliveira da Star One, “a tendência a uma mudança na TV Tradicional”, agora “devemos falar de vídeo e não mais de TV”.

Assim, no teste preliminar entre a Newtec e as transmissões via satélite da PSSO Global Services “foi alcançado 140 Mbps no transponder de 36 MHz do Galaxy 13 para a antena de 4,6 metros”, disse o representante da Intelsat.
Para Lincoln Amazonas Oliveira, da Star One, “a tendência é uma mudança na TV Tradicional” já que cada vez mais a internet entra na casa das pessoas. “Há uma mudança de comportamento, o que sinaliza para um novo perfil e uma nova gama de aplicações.”
“Devemos falar de vídeo e não mais de TV, porque vídeo é mais amplo que TV pois o negócio é mídia em todo lugar e não apenas TV na sala de visita em casa,” disse Oliveira. “Por isso precisamos tecnologias disruptivas porque deslocam ou rompem a tecnologia existente oferecendo algo inovador, trazendo novos atributos”. Talvez a banda Ka seja uma tecnologia disruptiva porque com ela pode ser utilizada a banda com unidades SNG com veículos pequenos gerando emissão SNG em IP com “transmissão de altas capacidades com custo mais baixo (canais HD e Ultra HD), explicou Oliveira.
Edson Meira, da Telesat, explicou o funcionamento dos satélites em Banda KU que são utilizados para distribuição de TV regional, ensino à distância e TVs corporativas. Ele explicou que o satélite Anik G1 poderá ser utilizado no Brasil em Banda C com um patamar máximo de frequência de 45 dBW. Bernardo Schneiderman, da Inmarsat, explicou o sistema GX Global em banda Ka que permitirá em 2015 ter uma cobertura mundial. Um dos aspectos interessante da palestra foi a amostra de um equipamento simples que permite emitir via satélite desde situações de guerra onde não é possível levar uma DSNG ou SNG.
No fim, Sergey Tsekmistrov, da RSCC (Russian Satelite Communications Company), apresentou a empresa recém-chegada ao Brasil, a empresa pública russa de satélites criada pelo governo daquele país em 1967. Hoje a empresa atende 410 canais de TV com um serviço global em 35 países do mundo através de 300 transponderes em operação em 11 satélites GEO na órbita de 14 W até 140 E. Para Sergey, um dos objetivos da empresa é ter cobertura em Banda Ku através do satélite Express-AM8 da América, incluindo o Brasil, para desta forma cobrir o mercado brasileiro.

Tutorial de sobre Satelites
Na palestra “Tutorial, análises do enlace e novas tecnologias para transmissão de TV via satélite” moderada por J. M Cristovam (SET/Unisat) foram apresentados os conceitos técnicos envolvidos em um enlace satélital para transmissão de TV Digital em diferentes resoluções.
Cristovam trouxe ao Congresso SET 2013 os padrões de transmissão de TV Digital via Satélite, conceitos técnicos e custos típicos envolvidos para contribuição e distribuição de conteúdos audiovisuais, fazendo maior ênfase nas novas tecnologias utilizadas para aumento da eficiência espectral e consequente redução de banda associada ao conteúdo transmitido. Ainda foram discutidas as alternativas e cenários para decisão das emissoras, entre economizar nas operações do dia-a-dia ou aproveitar a oportunidade e migrar de vez para ao Full-HD sem grande aumento de custos.
Cristiano Benzi (Eutelsat) explicou os ensaios mais recentes e experiências inovadoras de transmissão de TV de Próxima Geração. Abordou os estudos em TV UltraHD com a primeira transmissão efetuada na Europa de TV 8K “SuperHivision” via satélite em colaboração com a NHK, BBC, EBU e RAI e do Canal de Demonstração de TV 4K hoje no ar via satélite Eutelsat 10A.
Ainda abordou o uso de Banda Ka para aplicações profissionais de TV e de consumo de vídeo. No fim, introduziu os presentes sobre o NewsSpotter, o sistema inédito, leve e full-IP que segundo ele “está revolucionando a área de SNG em Banda Ka na Europa”. BartVan Utterbeeck (Newtec) explicou como o consórcio DVB está em vias de definir um novo padrão mais avançado para estender o atual padrão DVB-S2, com previsão de publicação ainda em 2013. Como com novas ordens de modulação são obtidos mais bits/símbolo, e especialmente como com uso de filtros avançados é possível promover um aumento da eficiência espectral, trazendo assim novas perspectivas para as emissoras de TV tanto em externas com contribuição, como na distribuição, interiorização da TV Digital e nas transmissões de TV de nova geração.