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COM O ADVENTO SEGUNDA TELA NASCE O CONCEITO TELEPARTICIPANTE

INTERATIVIDADE

 

Segunda Tela é o nome ao qual as emis-soras tem dado ao hábito dos “teles-pectadores” de navegarem na internet utilizando tablets, smartphones ou até mesmo notebooks, enquanto assistem televisão.

Uma recente pesquisa, conduzida pela con-sultoria Nielsen e encomendada pela Cable & Telecommunications Association de Marke-ting (CTAM), apresentou importantes dados a respeito disso.

A pesquisa revela insights valiosos sobre como as pessoas estão usando aplicativos de vídeo e como eles complementam seu comportamento de assistir TV. Os resultados são animadores, incluindo a descoberta de que os consumido-res estão abertos para anúncios em aplicativos em troca de conteúdo grátis ou um menor custo do serviço e mostram-se, ainda mais receptivos para anúncios em aplicativos para tablets, desde que os mesmos sejam grátis.

Segundo a pesquisa, cerca de 85 por cento dos usuários de tablets dizem que estão vendo a mesma quantia ou mais da progra-mação da TV desde que começaram a usar apps (aplicativos) de vídeo. Na verdade, para muitos, tem aumentado o número de espectadores de TV. Quase metade, 46 por cento dos usuários de apps de vídeo dizem estar mais envolvidos com os programas ou redes associadas com as aplicações de vídeo depois de acessá-los. E 35 por cen-to dos entrevistados para o relatório dizem que usam seus dispositivos para visitar o website enquanto estão navegando com seus tablets ou dispositivos móveis.

Desse ponto, podemos levantar a seguinte questão: Usar dispositivos móveis tira a aten-ção da audiência do programa de TV? O estu-do realizado pela CTAM descobriu que muito pelo contrário, isso tem aumentado ainda mais o envolvimento dos consumidores com a programação.

Daí começam a surgir novos aplicativos chamados de “Sync-to-TV” apps . A sincro-nização para TV refere-se a um aplicativo desenvolvido para a segunda tela (neste caso um tablet ou iPad 2) que reconhece um programa transmitido através de um aparelho de TV e lança módulos interativos na segunda tela correspondente com a pro-gramação. (veja a figura 1)

Os consumidores relatam que a experiência de sincronização para TV torna-os mais pro-pensos a prestar maior atenção ao programa, aumentando assim o seu envolvimento com o conteúdo ou com a publicidade, o que os mantêm sintonizados por mais tempo no mesmo canal.

A ideia de sincronismo entre a programa-ção é a segunda tela faz toda a diferença para o telespectador, pois o mesmo não precisa ir a um determinado site ou buscar por conteúdo extra. Esse conteúdo pratica-mente “cai no seu colo”, transformando a experiência de ver televisão em uma ativi-dade ainda mais envolvente.

Voltando um pouco ao assunto de segunda tela, muitos dirão que isso não implica que o conteúdo consumido pelos usuários sem-pre estará relacionado entre as telas (por exemplo, um membro da família pode estar usando o Facebook ou o Twitter para fins completamente alheios ao programa da TV). Porém, pensar nesses termos é talvez, limi-tar a real extensão que o advento da segunda tela pode trazer para o panorama Broadcaster e com isso perder o quadro muito mais am-plo em torno das oportunidades que se abrem de mídia social ( ou da chamada Social TV), criando experiências mais uniformes de mídia conectada, e como estes fluxos podem se expandir para além dos limites do sofá dos telespectadores.

Dessa forma podemos pensar na “segunda tela” como um dispositivo muito mais capaz de encontrar e gerenciar mídias de conteúdo do que é a TV, devido a alguns fatores como: É portátil, é customizável, e o mais importante de todos, é fácil de usar.

A tabela abaixo ilustra onde os usuários de Vídeo Apps mais utilizam seus dispositivos.

O número de entrevistados foi da ordem de 1.460, estudo realizado pela CTAM entre 17 a 19 de Maio de 2011.

Um exemplo disso foi dado pelo canal Fox, que lançou um aplicativo que sincroniza TV e tablets (no caso, o iPad2). O aplicativo foi desenvolvido para ser utilizado enquanto se assiste à série Bones. A ideia é que o con-teúdo do iPad seja sincronizado com o que é exibido na TV em “tempo real”, e exiba in-formações adicionais, que complementem o seriado. Durante o programa, é possível ain-da conversar com outras pessoas que estão assistindo ao seriado, checar a biografia dos personagens e ler pistas que ajudam a des-vendar os casos da série.

Ao ver aplicativos desse tipo é impossível não pensar que finalmente o paradigma do telespectador está sendo quebrado. Uma das principais características da TV Digital Inte-rativa é as possibilidades de interação com os quais os telespectador se depara e geram uma quebra do fluxo contínuo da programa-ção de TV. Essa quebra de fluxo contínuo está mais próxima da linguagem multimídia do que propriamente da forma de se ver TV, pois ela insere elementos de hipertexto, com links e associações. Isso muda substancial-mente a forma como o telespectador está acostumado a se relacionar com a TV e gera nele a necessidade de “aprender” uma nova forma de assistir TV. Com isso a TV Digital Interativa gera uma mudança cultural que vai muito além da mudança tecnológica, trazen-do à tona novos modos de pensar, agir e sen-tir para dentro da experiência de assistir TV.

Neste sentido ao modificarmos a cultura do telespectador (em função também da nova linguagem de produção do conteúdo áudio visual), também estaremos gerando mudan-ças na maneira de como as pessoas adqui-rem conhecimento e na forma como enten-dem o mundo a sua volta. Estaremos por fim, vendo o nascimento de um novo conceito. O conceito do Teleparticipante.

Até hoje o conceito de telespectador é o de um sujeito passivo diante da programação. Através dos recursos interativos, da segunda tela, da possibilidade de personalização da grade de programação, de gerar conteúdo e etc., nasce o Teleparticipante, este é o novo conceito de público que passaremos a lidar.

E quem é o Teleparticipante? O Teleparticipante não precisa ser um hea-vy user em informática, ou coisa do gênero. Ele é o telespectador trazido para dentro da TV digital convidado por interfaces gráficas amigáveis e aplicativos mnemônicos e auto-explicativos que abrem uma gama de facili-dades ainda não experimentadas. O Telepar-ticipante poderá manipular informações ao longo da exibição do programa ou responder a estímulos do apresentador de um progra-ma de auditório, ou enviar questões para um talk show.

As opções de interação aparecem na tela por meio de “ícones”, em seus dispositivos móveis, que podem ser acionados sem a necessidade do controle remoto. Os botões abrem as camadas interativas e permitem a navegação dentro dessas camadas. Para isso, os recursos interativos devem ser tão inteligentes e amigáveis o quanto possível para atrair novos clientes e fidelizar os que estão na base. A simples bandeira de inte-ratividade, ou da segunda tela, sem um real propósito, e mais ainda, sem uma bom mo-delo de negócio atrelado a ela, não resultará em receita instantânea mas sim na fuga dela.

O uso racional e criativo da interatividade é que tornará o diferencial estratégico entre as empresas; mostrando que a união entre usabilidade e interface gráficas amigáveis começam muito antes do usuário apertar o botão “power” de sua TV ou Tablet.

É importante lançarmos um olhar agora para o universo da publicidade e vermos que até agora no mundo inteiro (apesar de diversas tentativas) não há realmente um só anúncio de TV Interativa que seja atraente o suficiente para convencer os anunciantes, analistas fi-nanceiros e, claro, os próprios consumidores de perder seu “precioso tempo” pressionan-do ícones para ver mais detalhes de um pro-duto. Isso porque o consumidor sempre esta-rá mais apto a desfrutar de sua programação sem interrupções em sua “primeira tela”, e responderá as chamadas de “segunda tela” que lhes pareçam mais sensatas.

Se seguirmos este pressuposto, então vere-mos que o futuro da publicidade interativa deve estar de alguma maneira atrelado aos anúncios que utilizam-se dos artifícios de sincronização com os dispositivos de segun-da tela. A grande sacada aqui é fazer com que o anúncio se conecte com o consumidor através dos dispositivos móveis, enquanto esse está sendo veiculado na primeira tela.

Imagine um anúncio de carro que inicialize um app em um tablet, quando este estiver sendo veiculado na primeira tela. E esse app lhe traga informações extras sobre o produto anunciado.

Esse é um tipo de conexão que não é fá-cil de conseguir, pois devemos reconhecer que de fato o interesse dos consumidores em tornarem-se ativos e envolver-se com os comerciais é baixo. Mesmo porque a hora do “comercial” é um momento de grande distração, onde as pessoas apro-veitam para sair da sala e fazer outras coisas. Mas acredita-se que com a prolife-ração dos dispositivos de segunda tela, as probabilidades de engajamento do público alvo com seu produto aumentarão, consi-deravelmente, se os dispositivos estiverem sincronizados. Mais do que nunca a máxima de conhecer o comportamento do consumi- dor será uma verdade, pois transformará de-safios (distração) em oportunidades.

Quando os anunciantes forem capazes de con-siderar os tipos de distração que estão levando seus usuários para longe do campo de visão da TV descobrirão que os mesmos dispositivos responsáveis por essa distração são na verdade o veículo que lhes trará toda a atenção de volta, através do sincronismo de mídias tornando-os um veículo de publicidade ainda melhor.

Asincronização entre dispositivos móveis (segunda tela) e a TV permitirá à publici-dade uma variedade de novas direções. Direções essas, que hoje ainda não sabe-mos quais são, pois tanto desenvolvedo-res quanto usuários estão engatinhando nesse novo universo de oportunidades. Mas não se enganem, é preciso que to-dos estejam preparados para o Advento da Segunda Tela e de seu melhor usuário: o Teleparticipante!

Bibliografia: – http://itvt.com/story/8188/moment-time-business-case-single-and-multi-screen-interactivity-tv-tomorrow-show-2011 –

 

Tom Jones é consultor para a Tecsys do Brasil, membro do FORUM SBTVD e Membro da Diretoria de Ensino da SET . E-mail: tvdigi-talbr@gmail .com