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Cenário da Radiodifusão Sonora

Nesse ano de 2009, o tema Rádio Digital no Congresso da SET buscou trazer informações complementares para análise das propostas de digitalização do Rádio brasileiro. Quando se caminha para uma definição do padrão a ser adotado no Brasil, informação sobre a transmissão digital sem componente analógica merece um destaque para que possamos conhecer o comportamento quanto a cobertura e desempenho digital de uma transmissão IBOC.
O engenheiro Marco Tulio Nascimento, do Sistema Globo de Rádio, apresentou a experiência realizada pela CBN, na cidade de São Paulo, e acompanhada por representantes do Ministério das Comunicações e Anatel, bem como pela própria Aberto. O teste consistia na transmissão durante a madrugada apenas do sinal digital da emissora e na observação, em trajetos pré-determinados, dos locais conhecidos por difícil recepção de sinal quer seja analógico ou digital.
Foi feito um comparativo entre o sinal digital gerado pela emissora, o sinal digital na saída do transmissor, a recepção híbrida (sinal analógico e digital presentes) e a recepção apenas digital. Os trajetos foram os mesmos para os dois casos. Foram dois dias de observação e procurou-se verificar o alcance da recepção desde distâncias cerca de 100 quilômetros até distâncias maiores como, por exemplo, a constatação da recepção do sinal digital na cidade do Rio de Janeiro. A experiência foi muito importante, pois o sinal digital mostrou-se robusto o suficiente para ser recebido na cidade do Rio de Janeiro.

Sistemas irradiantes
A segunda apresentação tratou das soluções para sistemas irradiantes que transmitem sinal digital em FM, apresentada pelo engenheiro Dante Conti. As informações para sistemas duais, que usam interleaving, polarização cruzada, torres separadas, mesma torre com separação de antenas e outras configurações possíveis, detalhando as vantagens de cada solução, bem como as suas dificuldades.
Na parte da tarde tivemos a apresentação sobre Infraestrutura Crítica para a Radiodifusão, esse tema foi motivado por discussões internacionais que são feitas a partir de outros setores que já estão desenvolvendo sistema de proteção contra abalos causados pela natureza, bem como seu impacto social, econômico e político. Setores como os de telecomunicações, energia elétrica entre outros, já começaram a estabelecer mecanismos de proteção em casos de toda a estrutura, seja ela básica ou existente, ser afetada por fenômenos naturais, ou causados pelo homem por diversas maneiras.
A radiodifusão tem feito uma grande cobertura desses eventos quando acontecem em outros setores da sociedade, mas precisa levantar os pontos importantes de seu setor que também podem ser afetados por condições adversas da natureza ou mesmo causados pelo homem. Esse tema foi abordado pela dra. Regina Maria de Felice, da Anatel, às propostas já discutidas e apresentadas em fóruns internacionais para o setor de telecomunicações. A partir daí abre-se a possibilidade de serem estabelecidos parâmetros similares para a radiodifusão a fim de iniciar o mesmo procedimento para a radiodifusão.

Novo modelo
Por fim, o último tema estava relacionado à discussão de um novo modelo de negócio para o Rádio, após a digitalização, embora possa ser empregado na transmissão analógica também. O TMC (Traffic Message Channel – Canal de Mensagem de Trânsito) que por meio do RDS pode ser um importante aliado na informação de trânsito em ambiente com dificuldades de deslocamento, como acontece nos grandes centros.
O RDS-TMC é uma transmissão digital que pode ser incorporada tanto a uma transmissão analógica quanto a uma transmissão digital. O painel contou com representante da Anatel, engenheiro Egon Gutierrez e o engenheiro Rubens Pedroso, da Positron – PST. O tema despertou grande interesse também, pois se trata de uma novidade que surge no momento em que a tecnologia analógica começa a ser substituída pela tecnologia digital. A Norma Técnica que está sendo elaborada será uma Norma ABNT e possivelmente a Anatel fará referência em Normas de Serviço da Agência. Na elaboração da Norma Técnica, que é dividida em quatro grupos de normas, participam representantes dos setores automotivo, radiodifusão, fabricantes de receptores e fabricantes de dispositivos móveis que possam oferecer o serviço TMC. Espera-se concluir a Norma Técnica num prazo de 01 ano, quando então será apresentada no plenário da ABNT para aprovação e em outros fóruns governamentais.

*Ronald é diretor de rádio da SET e assessor técnico da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) (ronald@set.com.br)

Revista da SET – ANO XXI – N.109 – 2009