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CAMINHO DO RÁDIO DIGITAL – PARTE 1

RÁDIO DIGITAL
CAMINHO DO RÁDIO DIGITAL – PARTE 1
Por Djalma Ferreira

A Associação Brasileira das Emissoras de Radio e Televisão – ABERT, vem estimulando a adoção de um padrão de transmissão digital para o rádio, incentivando emissoras a iniciarem experiências com o sistema IBOC, desenvolvido pela Ibiquity,  tanto para a faixa de FM, como para a faixa de Onda Média (AM).
Estas experiências envolvem um investimento bastante elevado para cada emissora, na compra de equipamentos e adaptação de suas instalações, a fim de que sejam satisfeitas as exigências mais rígidas da nova tecnologia.
Até agora os órgãos do governo não se pronunciaram oficialmente, não demonstrando tendência a favor ou contra qualquer dos padrões disponíveis ou em desenvolvimento. Existe, portanto, o risco da escolha de padrão diferente do que está atualmente em experiência nas rádios.
Assim, cabe à ABERT, órgão de defesa dos interesses da radiodifusão privada, a iniciativa de traçar um caminho viável para o procedimento de seleção do padrão que seja aceitável pela maior parte dos personagens influentes nesta escolha.
Para melhor orientar a direção desta rota, o marco de referência é o árduo caminho percorrido pela televisão, cheio de embaraços e dificuldades, até chegar ao final feliz (e tardio) da seleção do sistema ISDB, com a anuência de um Ministro das Comunicações sensível aos problemas da radiodifusão privada.
No caso da televisão, a odisséia começou com a iniciativa da ABERT e da SET de elaborar um estudo comparativo, de natureza técnica, sobre os padrões disponíveis no mundo. O trabalho foi coordenado pela coligação ABERT/SET e a conclusão favorável ao sistema do Japão foi aceita, praticamente sem restrições, pela indústria da radiodifusão.
A escolha do padrão (ou padrões) de transmissão digital para a radiodifusão sonora é mais simples. No caso do FM, só há um padrão em existência que garanta a utilização da mesma faixa atual. A alternativa indesejável – e talvez impossível – seria a criação de outra faixa para migrar as estações hoje em funcionamento na faixa de FM e OM.
Este padrão já está em uso abundante nos Estados Unidos e está em vias de ser aceito em diversos outros países. Sua adequação técnica está plenamente comprovada na prática.
No caso do rádio em Onda Média, cuja necessidade de melhorar a qualidade do serviço é a mais premente, não existe solução perfeita. O sistema IBOC proposto pela Ibiquity tem restrições, principalmente na transmissão noturna, ainda não aprovada nem mesmo nos Estados Unidos. A alternativa indesejável seria a de aguardar uma eventual conclusão do sistema em desenvolvimento pela DRM, cujo desempenho ainda não pode ser avaliado, por falta de informações e equipamentos.
Desta forma, parece que o caminho assinalado pela ABERT é o mais conveniente para permitir que o rádio possa, o mais cedo possível, competir em qualidade com as outras fontes de programação sonora já oferecidas ao público em tecnologia digital.  Para o FM é a única solução à vista. Para a Onda Media, mesmo não sendo uma solução perfeita, é a única disponível. Mesmo assim, é prevista uma  considerável melhora na qualidade do serviço, ainda que as restrições ao serviço noturno possam exigir pesquisas mais profundas.
Na realidade, o grande problema da onda média está nas características intrínsecas da faixa. Ela é cada vez mais ruidosa, em virtude da falta de controle na geração de ruídos por parte de aparelhos e circuitos elétricos domésticos,    industriais, automotivos, etc. A propagação pela superfície do solo torna-se cada vez mais problemática em virtude da concretização e asfaltamento das grandes cidades, reduzindo drasticamente a condutividade do solo. Além disso, a propagação noturna é inconstante, dependendo de diversos fenômenos atmosféricos e astronômicos.
Aceitas estas premissas, é necessário planejar o procedimento para garantir que o caminho do rádio seja mais suave que o percorrido pela televisão até a seleção final do padrão.

Continua na próxima edição.