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A Banda Ka é uma tecnologia disruptiva?

Um dos muitos interrogantes e novidades que trouxe o Congresso SET 2013 foi o das chamadas tecnologias disruptivas e o que elas podem fazer nas tecnologias satelitais.

Nº 137 – Outubro 2013

Por Fernando Moura

Reportagem

Apalavra disrupção quer dizer, segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: “ato ou efeito de romper(-se); ruptura, fratura”. O termo foi apresentado por Lincoln Amazonas Antunes de Oliveira, diretor vice-presidente da Star One, na palestra:“Tendências e inovações das operadoras de satélite para as emissoras brasileiras de TV”, moderada por J. M Cristovam (SET/Unisat).

Gustavo Silbert, presidente da Star One afirma que o novo satélite terá capacidade de receber e transmitir sinais de televisão, rádio, telefonia, Internet e dados para aplicações de entretenimento, telemedicina, tele-educação e negócios..
Para Oliveira, na atualidade “a tendência é uma mudança na TV Tradicional” já que cada vez mais a internet entra na casa das pessoas. “Há uma mudança de comportamento, o que sinaliza para um novo perfil e uma nova gama de aplicações.” Para ele, hoje “devemos falar de vídeo e não mais de TV, porque vídeo é mais amplo que TV pois o negócio é mídia em todo lugar e não apenas TV na sala de visita em casa,” disse Oliveira. “Por isso precisamos tecnologias disruptivas porque deslocam ou rompem a tecnologia existente oferecendo algo inovador, trazendo novos atributos”.

Oliveira afirmou no Congresso SET 2013, que talvez a banda Ka seja uma tecnologia disruptiva porque com ela pode ser utilizada a banda com unidades SNG com veículos pequenos gerando emissão SNG em IP com “transmissão de altas capacidades com custo mais baixo (canais HD e Ultra HD).
Na sequência do Congresso a Revista da SET entrevistou ao diretor executivo da Embratel Empresas e presidente da Star One, Gustavo Silbert para avançar mais no conceito de “disrupção”. Para ele trabalhar com tecnologias disruptivas é fundamental e impreterível nos dias de hoje. A seguir apresentamos alguns trechos da entrevista:

Revista da SET: Que sería uma tecnologia disruptiva?
Gustavo Silbert: Há várias tecnologias consideradas disruptivas. Alguns exemplos: válvulas x transístor; câmera digital; celular; Skype; discos rígidos pequenos; desktops x minis; Notebooks x Desktops; tablets; smartphones.
Pontuamos a possibilidade da Banda Ka vir a ser uma tecnologia disruptiva no ambiente das comunicações por satélite. Com o lançamento do D1, a Embratel, por meio da Star One, terá a oportunidade de verificar de perto esse aspecto em adição às experiências que já estão ocorrendo em algumas partes do mundo.

Revista da SET: Quem poderá usar esta tecnologia disruptiva?
Gustavo Silbert: Em uma das aplicações que estamos desenvolvendo, pretendemos ter estações de Banda Ka de pequeno porte, mas de grande capacidade quando comparadas com as atuais. O D1 poderá transmitir de 34Mbps a 90Mbps para uso em backhaull de celular. Além disso, prevemos o uso de estações tipo SNG em Banda Ka usando IP para contribuição de conteúdo para TV e dispositivos em geral. Cremos que haverá espaço para pontos de presença em Banda Ka em ERBs para desafogar redes de celular (data offload) como é feito hoje com estações WiFi nas grandes cidades. Assim como usar estações em Banda Ka para alimentação de redes WiFi em áreas urbanas. Um ponto interessante a considerar é usar a Banda Ka para tornar os serviços DTH interativos independentemente do uso da rede terrestre (onde elas não estiverem disponíveis).

Revista da SET: Por quê essa preferência da Star One da banda Ka no novo satélite?
Gustavo Silbert: A Embratel/Star One não possui preferência pela Banda Ka no novo satélite, o Star One D1. Ela está sendo implementada ao lado de dois outros payloads, um de Banda C e outro de Banda Ku. No caso específico do D1, a Banda C entra como reposição do Brasilsat B4. A Banda Ku e a Ka entram como expansão de capacidade visando oferecermos novas alternativas ao mercado. A Banda Ka, abre espaço para atendimentos mais inovadores e lançamento de novos produtos.

Revista da SET: Estão chegando os grandes eventos esportivos ao Brasil. A Embratel/Star One pensa que o requerimento de capilaridade de fibra óptica por parte da FIFA e do COI pode limitar a expansão das empresas de satélite?
Gustavo Silbert: Os requisitos de capilaridade de fibra óptica não deverão limitar a oferta de serviços de satélite, pelo contrário. Faz parte dos requisitos desses órgãos internacionais a existência de sistemas de contingência que sejam independentes das fibras. Nesse aspecto, o satélite entra como uma solução perfeita dada as suas características de cobertura, capacidade e confiabilidade.

Revista da SET: O D1 servirá para a Copa de 2014?
Gustavo Silbert: Não, pois o D1 será lançado em 2016.

Revista da SET: Sendo assim, que plano tem a Embratel/ Star One visando a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016?
Gustavo Silbert: Para 2014, a Embratel/Star One já tem disponível o satélite Star One C3 Rio 2016, o mais novo satélite da frota, lançado no final de 2012. Ele já está à disposição das empresas que desejarem utilizá-lo. Para as Olimpíadas, teremos o Star One C4, que chegará no final de 2014 e o Star One D1, que chegará no início de 2016. O Star One D1 esta sendo construído pela empresa canadense-americana Space Systems Loral e será lançado ao espaço por um foguete da empresa francesa Arianespace. Pesará cerca de 6 toneladas e possui configuração de 28 transponders (receptores e transmissores de sinais) em Banda C, 24 em Banda Ku e cerca de 300 transponders equivalentes de 36 MHz em Banda Ka. www.starone.com.br

Fernando Moura
Revista da SET.