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20 ANOS CONTRIBUINDO PARA O PROGRESSO DA RADIODIFUSÃO

ESPECIAL
20 ANOS CONTRIBUINDO PARA O PROGRESSO  DA  RADIODIFUSÃO
REPRESENTANDO OS INTERESSES DA RADIODIFUSÃO BRASILEIRA DESDE SUA FUNDAÇÃO, A SET ALCANÇOU O RESPEITO E O PRESTÍGIO NECESSÁRIOS PARA SER CONSIDERADA A MAIS REPRESENTATIVA ENTIDADE DE ENGENHARIA DE TELEVISÃO DO BRASIL.
Da Redação
Em 1988, quando foi fundada a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET (o primeiro fórum brasileiro para discussões das tecnologias aplicadas ao conteúdo televisivo) o mercado mundial de telecomunicação passava por profundas modificações. No Brasil, estas mudanças foram particularmente acentuadas, por conta da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, que decretava o fim da censura nos rádios, TVs, teatros, jornais, além de assegurar plenos direitos à União de explorar diretamente, ou mediante concessão a empresas sob controle estatal, os serviços de telecomunicações.
A SET, que já vinha acompanhando ativamente a evolução das pesquisas de tecnologia de televisão desde sua fundação, chegando a propor alterações da norma PAL-M à Secretaria de Comunicações do Ministério da Infra-Estrutura e também sistemas de codificação de sinais de televisão para o uso no serviço de TV a cabo na cidade de São Paulo, une-se, em 1994, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), passando a analisar e propor sugestões para viabilizar a transmissão digital no Brasil, através do Grupo ABERT/SET.
A partir daí, a SET ficou conhecida como ferramenta indispensável para a defesa dos interesses do modelo de televisão brasileiro, por respeitar o tamanho, a topografia e a demografia do Brasil, além de entender a necessidade de sistemas avançados de transmissão via satélite ou distribuição de sinais de televisão capazes de integrar as vastas regiões de população dispersa, tão características deste país.
Com a assinatura da Lei Geral de Telecomunicações, em 1997, que culminou com o fim do monopólio estatal e a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para regulamentar os serviços de telecomunicação, a radiodifusão deixou de ser um serviço de telecomunicações, para se transformar num serviço independente.
A SET, por sua vez, através de engenheiros, técnicos e inúmeros profissionais responsáveis pelo alto nível da televisão brasileira, passou a colaborar para o aperfeiçoamento do profissional de televisão e para o suporte técnico ao mercado em processos decisórios, na padronização e elaboração de normas e na adoção de sistemas, além de adequar seu escopo para atender tecnologias emergentes do mercado. Tudo isso foi muito importante para a inclusão do Brasil na área do desenvolvimento tecnológico, já que a SET começou a oferecer subsídios a cientistas e engenheiros brasileiros, para a realização de pesquisas fundamentais ao desenvolvimento de soluções e inovações tecnológicas.
Ao longo desses 20 anos, a SET já realizou 92 eventos, entre nacionais e internacionais, todos com sucesso de público, o que demonstra a representatividade alcançada pela instituição. Ao todo, já passaram pela SET aproximadamente 2.832 sócios, provenientes das cinco regiões do Brasil. Hoje, no entanto, a entidade é composta por 611 sócios ativos, que contribuem para o desenvolvimento dos Seminários Regionais e do Congresso SET, conferindo-lhes muito mais qualidade e adequação para cada região do país.
A SET segue firme no propósito de atender às expectativas da sociedade em relação à televisão, tendo em vista a infinidade de aplicações que ainda serão oferecidas, em função da evolução dos softwares e da capacidade de processamento dos microprocessadores. No entanto, está atenta à preservação das conquistas já alcançadas pela indústria de rádio e televisão e, também, a suas ações no mercado, a fim de abrir oportunidades para outros setores, tais como empresas de telecomunicações, software, Internet e serviços eletrônicos.
ENTREVISTA
A EXPERIÊNCIA PARTICIPATIVA DO PRECURSOR DA SET

Dono de um idealismo ímpar e reconhecida competência, Adilson Pontes Malta, criador do Projac – Centro de Produções da Globo, foi o fundador e primeiro Presidente da SET, no período de 1988-1992, dando início ao que hoje pode ser considerado como o mais conceituado órgão associativo da radiodifusão brasileira.

Como surgiu a idéia de fundar a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET?
A SET foi criada em 1988, mas a idéia era antiga. O mercado brasileiro de equipamentos de televisão era pequeno e o nosso padrão de produção e transmissão era o PAL-M. Nos anos 70 e 80 fui associado e membro ativo das SMPTE e NAB e não encontrava espaço para discutir os problemas da televisão do nosso país. Em 1986, eu percebi que continuar produzindo televisão em PAL-M seria um problema que a cada ano se agravaria. Os equipamentos com processamento digital eram lançados em NTSC e PAL quase simultaneamente. Os fabricantes só atendiam ao nosso mercado depois da pós-venda para os clientes norte-americanos e europeus. Fabricar para o Brasil era mais caro e muitos fabricantes não tinham o menor interesse pelo nosso mercado. Alguns suprimiam certas funções existentes nas versões NTSC e PAL. Com o Projac em andamento, conclui que não teria cabimento investir em produção no padrão brasileiro de televisão. E havia espaço para trabalhar pela adoção do padrão NTSC em produção e exibição, deixando a conversão para PAL-M na entrada dos transmissores. Para isso, era preciso que nos representasse a engenharia da televisão brasileira. Assim nasceu a SET, com a ajuda de vários companheiros, entre eles dois anônimos: Jaime de Barros Filho e Anna Lúcia Gomes Nunes, que fizeram uma imersão nos aspectos legais, organizacionais e procedimentos que possibilitaram a formalização da SET como entidade legalmente estabelecida, além de dar suporte aos eventos da entidade em minhas duas gestões.

Qual era o objetivo inicial da entidade?
A mudança para o NTSC foi o motivador para criação da SET, mas não era o objetivo da entidade. O objetivo era o de estreitar as relações entre engenheiros, técnicos e fabricantes de equipamentos para desenvolver o intercâmbio de idéias entre redes, emissoras, produtoras independentes, com o apoio dos empresários da indústria de televisão no Brasil.

Em sua opinião, esse objetivo foi alcançado?
Quem acompanhou os trabalhos da SET nesses 20 anos, com as suas atividades agregadoras e a sua participação na escolha e implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital no Brasil, sabe que esse objetivo foi alcançado com muito sucesso.

Em que questões a SET avançou durante a sua gestão?
O início foi muito difícil. A SET foi criada numa cerimônia realizada no Hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, com o apoio e a presença do ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, o que nos passou um sentimento de que tudo seria fácil e não foi. O regime militar tinha acabado havia menos de três anos e a sua sombra pairava sobre todos os espaços. Permaneciam as reservas de mercados e o monopólio das telecomunicações. A Embratel atuava como um poder paralelo, fiscalizando e coordenando as telecomunicações. A burocracia para importar equipamentos que não fossem PAL-M dificultava a transição. Para validar e dar respaldo a nossa Associação assinamos o primeiro convênio de cooperação com a SMPTE. Com poucos recursos e cerca de 300 associados conseguimos caminhar e vencer as resistências para ter equipamentos de primeira geração em NTSC nas emissoras e produtoras brasileiras. Simultaneamente, como não havia Internet, lançamos o Informativo SET, depois a Revista da SET; criamos eventos bienais como Congresso-Feira e Seminário. Desenvolvemos um programa para incentivar a visita anual de associados e de outros brasileiros à NAB, lançando o evento SET e Trinta. Fica sempre a sensação de que realizamos pouco, mas a SET até hoje tem poucos colaboradores em tempo integral. A maioria dos integrantes das diretorias divide as suas atividades profissionais dedicando algum tempo à SET.

Trace um panorama do cenário do setor de broadcasting atual e o cenário apresentado no início da atuação da SET, em 1988.
O cenário atual é muito mais complicado que o de 1988. A televisão digital levou muito tempo para ser lançada e ainda não se viabilizou economicamente. Em 1979 já existiam protótipos no formato 16:9 com uma imagem de qualidade superior ao NTSC. Com essa demora, apareceram novas tecnologias e mídias que disputam o tempo do telespectador e as verbas publicitárias com a televisão aberta, único tipo de TV existente no Brasil em 1988. Esse é um tema extremamente complexo, face às incertezas deste momento, onde a oferta de produtos audiovisuais se amplia astronomicamente e os meios de distribuição também. Esses cenários não podem ser comparados.

Onde se concentram os principais problemas enfrentados pelos broadcasters atualmente?
Não vejo nenhum problema grave com a tecnologia ou suporte operacional. O SBTVD tem algum desenvolvimento a ser complementado, mas isso é só trabalho. As incertezas quanto ao retorno dos investimentos em TV digital são enormes e podem ser resumidas na seguinte pergunta: Quem paga a conta até que ela se equilibre? Os empresários de radiodifusão ficam tentados e muitos já saíram na frente com elevados investimentos, sem a certeza de quando terão, pelo menos, uma operação lucrativa em médio prazo. Como tudo depende dos mercados de audiência e publicidade, temos que esperar para ver o interesse da população em instalar antenas, adquirir os set-top boxes e/ou receptores modernos. Os números das vendas até agora não são animadores para quem quer investir numa nova planta digital ou anunciar em veículos que usam essa tecnologia. Do lançamento no dia 2 de dezembro de 2007 até agora, foram vendidos pouco mais de 10 mil set-top boxes na região metropolitana de São Paulo. Com esse número, ou qualquer outro que não seja expressivo, os anunciantes e as agências não terão interesse em investir nos canais digitais. A televisão digital é inevitável. É o progresso. Vai demorar a ter um número de telespectadores que suporte os seus investimentos e custos operacionais. Vai se consolidar ao longo de alguns anos. Os mercados de audiência e publicidade vão estabelecer a velocidade da transição. Isso deixa os broadcasters numa situação incômoda para decidir como, quando e quanto investir na televisão digital.

Sendo um profissional atuante em consultoria de televisão e outras mídias, o modelo de serviços de radiodifusão que existe hoje é adequado para a exploração do sistema digital?
Em minha opinião, não há o que adaptar ou adequar. A televisão aberta brasileira está envelhecida e repetitiva. Apenas mantém uma aparência de modernidade alavancada por uma parafernália de efeitos digitais e precisa de inovação, de conteúdo. Tem uma enorme vantagem por ser a mídia de maior potencial para distribuir as suas programações, mas exagera na centralização das suas produções e concentração de anunciantes nacionais, restringindo o crescimento das verbas publicitárias. As grandes redes estrangulam as emissoras afiliadas, limitando os horários das programações regionais e locais, ignorando o enorme potencial de jovens talentosos disponíveis no mercado por todo o país. Os negócios de sucesso do futuro serão construídos por quem inovar. Os provedores de serviços de assinaturas estão crescendo em audiência e em diversidade, com produtos extremamente atrativos. Canais como o GNT da NET, se estivessem na televisão aberta, teriam significantes índices de audiência. Tem muita gente achando que a interatividade será a grande solução, mas é preciso ser cauteloso. Mesmo que o SBTVD esteja totalmente desenvolvido para as aplicações com interatividade, ainda será preciso talento, criatividade, competência e pesados investimentos para inserí-las com sucesso. Estamos falando de milhões de telespectadores interagindo com a TV do futuro.

Existe algum ponto da radiodifusão que ainda precisa evoluir, apesar de toda tecnologia alcançada?
Há espaço para evoluir nos conteúdos, programações e na publicidade, que continua vendendo comerciais de 30 segundos, mas parece que ninguém quer correr grandes riscos. Na engenharia é preciso considerar que não completamos ainda o ciclo da moderna fase de armazenamento de dados. A cada ano a indústria de equipamentos dá um passo, mas o armazenamento de dados em estado sólido ainda está limitado à captação de sons e imagens. Componentes eletrônicos da era da nanotecnologia começam a ser usados nos equipamentos de televisão. A integração das bases de conhecimento dos engenheiros de televisão e de TI ainda está no meio do caminho e precisa ser completada. Em resumo, estamos em mais uma fase de transição tecnológica e quem comprou ou está comprando equipamentos deve levar em conta que estes poderão estar desatualizados antes que os negócios em TV digital se transformem em empreendimentos rentáveis.

Quais são seus prognósticos para o futuro da radiodifusão?
No Brasil, onde a base de assinantes da TV paga é pequena e as telefônicas ainda estão testando os seus protótipos de negócios audiovisuais, a televisão aberta navega em céu de brigadeiro. Isso é preocupante, porque muitos podem achar que está bom assim e as mudanças significativas podem ser adiadas. A inovação, o talento e a criatividade podem permanecer em segundo plano.

A HISTÓRIA DA SET CONTADA POR SEUS PRESIDENTES
ACOMPANHE A EVOLUÇÃO DA SET, A PARTIR DOS DEPOIMENTOS DOS SÓCIOS QUE ESTIVERAM À FRENTE DA INSTITUIÇÃO NESTES 20 ANOS.
Da Redação

Carlos Capellão
Gestão 1992-1994

O tempo realmente passa numa velocidade incrível. Lembro-me bem do dia em que o meu grande amigo Adilson Pontes Malta me chamou para falar da idéia da fundação da SET e para me convidar para a primeira Diretoria Técnica da Sociedade. Para mim, aquilo foi uma grande honra e uma responsabilidade tremenda.
Os primeiros eventos foram duríssimos, pois não havia recursos, nem a cultura de participação deste tipo de sociedade. Ainda por cima, a Sociedade ainda não era suficientemente conhecida e prestigiada para estimular as pessoas a participarem mais ativamente. Eram os tempos do telex, com  uma infinidade de convites sendo enviados e nem sempre muitas propostas recebidas. Nesta época, o Jayme de Barros dividia comigo a organização dos Congressos e Seminários.
Em seguida, tive a honra de ocupar a presidência da SET e posteriormente outras diretorias, ininterruptamente, desde a fundação até hoje.
Posso afirmar que a SET foi uma grande e bem-sucedida idéia. Para mim tem sido um fórum para o desenvolvimento profissional, uma grande ferramenta para a aproximação de profissionais, para a fomentação do networking e, acima de tudo, uma catalisadora de amizades e coleguismo.
Fico muito feliz de ver a SET completando 20 anos vigorosa, ativa e prestigiada. Que nos próximos vinte ela consiga angariar muitos novos e jovens profissionais. Que a SET se aprimore cada vez mais como uma defensora da ética, do interesse público e da boa Engenharia – esta nobre ciência e arte de promover o bem-estar humano, através do desenvolvimento tecnológico. Por último, que seja sempre um ambiente agradável para seus associados, uma fonte de atividades prazerosas e frutíferas para todos nós.
Feliz Aniversário!

Fernando Bittencourt
Gestão 1994-1996

Durante o período em que fui presidente da SET, a principal atividade foi, sem dúvida, a formação do grupo de trabalho para o estudo da TV digital em conjunto com a ABERT.
O grupo ABERT/SET foi criado com o objetivo de definir qual a melhor tecnologia para a TV digital brasileira. Poucos sabem, mas chegamos a contribuir, junto com algumas emissoras americanas e empresas européias, no desenvolvimento de um modulador COFDM em 6 Mhz, para ser testado nos Estados Unidos. Nossa intenção era que o Grand Alliance, entidade responsável pela decisão americana, substituísse a modulação VSB pela COFDM, já entendida, naquela época, como mais robusta e adequada para a transmissão de TV aberta. Enviamos um de nossos engenheiros a Europa para auxiliar no desenvolvimento do modulador e eu, pessoalmente, fui aos EUA alguma vezes para participar de reuniões sobre o tema. Infelizmente, devido a pressões do FCC, já não havia mais tempo para qualquer alteração no padrão ATSC.
O grupo ABERT/SET aprofundou os estudos e pesquisas e publicou mais tarde, em 2000, o primeiro relatório comparando o desempenho entre os três sistemas de TV digital existentes: o europeu, o americano e o japonês. Também iniciávamos, naquela época, dentro do grupo ABERT/SET, um trabalho de canalização junto ao CPqD, que mais tarde se consagrou, na Anatel, como referência para toda a canalização de TV digital no Brasil. Este grupo continua o trabalho até hoje.
Foi um período em que a tecnologia digital estava entrando forte na operação das emissoras de TV. Nossos Congressos e encontros tinham o tema digitalização como novidades. Lembro-me que fiz a abertura de um de nossos Congressos no Rio de Janeiro com o título “pensar digital“, onde eu chamava a atenção sobre uma nova cultura que iniciava nas nossas vidas.
Nossos SET e Trinta na NAB tornaram-se famosos pela repercussão mundial dos trabalhos do grupo ABERT/SET.
Foi um período muito rico da SET e eu me orgulho de ter participado dele.

Memória SET

Solenidade de inauguração e posse da primeira diretoria da SET,
em março de 88, que contou com a presença do então ministro
das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães
(primeiro da direita para esquerda).

José Munhoz
Gestão 1996-1998

Na esfera executiva, promovemos o desmembramento da Diretoria Regional Norte-Nordeste, em Diretoria Regional Norte e Diretoria Regional Nordeste, passando a atender mais especificamente às necessidades de cada região.
Realizamos o 1º Seminário na Regional Sul, em Porto Alegre, e procuramos consolidar, no Calendário de Eventos da SET, os Seminários Regionais.
Desenvolvemos um projeto de teleconferências por satélite, interativo, onde especialistas da SET apresentavam temas de grande interesse tecnológico para os associados, com discussões interativas em tempo real.
O tema TV digital tornou-se pauta obrigatória nos encontros promovidos pela SET, resultando no fortalecimento dos Grupos Técnicos constituídos para as conseqüentes demandas.
O evento SET e Trinta passou a ser realizado, em 1997, nas dependências do Hotel Las Vegas Hilton, contíguo ao Pavilhão das Exposições da NAB – National Association of Broadcasters.
Realizamos a primeira demonstração de TV digital, em Brasília, às comissões técnicas e lideranças políticas da Câmara dos Deputados.
Durante minha gestão, demos início aos entendimentos com a Universidade Mackenzie, proposto e conduzido, preliminarmente, pelo diretor da SET e professor do Mackenzie, Eduardo Bicudo, consolidado na gestão posterior (Olímpio Franco) e que resultou no Convênio SET-Mackenzie. Este convênio produziu o maior acervo do conhecimento sobre TV digital.

Memória SET

Roberto Franco e Romeu Cerqueira Leite posam orgulhosos exibindo o livro ata, que registra a primeira assembléia geral de constituição da SET (ver detalhe) realizada em 25 de março de 1988, na cidade do Rio de Janeiro.

Olímpio José Franco
Gestão 1998-2002

Eu e alguns colegas sócios da SMPTE tomamos a iniciativa, lá pelo início dos anos 80, de criar uma Section no Brasil. Não tivemos sucesso. Naquele tempo, como ainda hoje, a SMPTE tem poucos sócios no Brasil.
Algum tempo depois, recebo ligação telefônica do Adilson Pontes Malta, convidando-me para fazer parte da criação de uma sociedade brasileira de engenharia de televisão. Este convite vinha de encontro a nossa pretensão inicial. Sei do esforço e dedicação realizados para a sociedade nascer bem concebida em seus alcances e propósitos.
Tive o prazer de fazer parte da primeira diretoria e também da solenidade inaugural da SET, na qual tivemos a presença do ministro das Comunicações, num hotel da zona sul na cidade do Rio de Janeiro.
Nestes 20 últimos anos, fiz parte da diretoria da SET, exercendo funções várias, mas, na essência, sempre  ajudando-a em suas atividades principais, buscando atender aos anseios dos seus sócios e empenhando no seu crescimento. Tem sido gratificante fazer parte desta comunidade.
Como presidente em duas gestões, realizei algumas reestruturações na SET, visando sua modernização e atualização de sua infra-estrutura, além da criação das diretorias regionais e respectivos eventos anuais. Firmamos convênio com a ABERT, o Ministério das Comunicações/CPQD e a Rede de Emissoras de TV, visando os testes de TV digital em conjunto com a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os resultados destes trabalhos de testes, documentos produzidos, conhecimentos adquiridos e repercussões alcançadas, foram de enorme valia para a nossa SET, para seus membros, para a comunidade do setor e para o próprio Brasil.
Com a decisão da escolha do padrão de TV digital para o Brasil, podemos afirmar com segurança que a SET teve e tem um papel muito importante neste item, com definições de características, participação ativa na introdução e implantação.
Tudo isto foi conquistado com muito trabalho, dedicação e empenho de cada um dos seus sócios e colaboradores.
Posso dizer, com sinceridade, que a SET hoje possui um nome muito respeitado nacional e internacionalmente.
Não cessam novos desafios pela frente, devido ao dinamismo da tecnologia, que nos força a atualizar conhecimentos a cada momento.

Roberto Franco
Gestão 2002-2008

A SET é uma sociedade ímpar, porque demonstra que a diversidade de idéias pode convergir em prol de um objetivo comum, da melhor solução, do benefício do todo.
É inquestionável o valor da sua participação nas discussões para o desenvolvimento e adoção de novas tecnologias relativas à produção, agregação e distribuição do conteúdo eletrônico, cabendo destacar sua atuação no processo de definição e implantação da TV digital.
Também é nítido o prestígio internacional alcançado através do reconhecimento de entidades como a NAB (National Association of Broadcasters), o SMPTE (Society of Motion Picture and Television Engineers), o EBU (European Broadcast Union), a ARIB (Association of Radio Industries and Businesses), o ATSC (Advanced Television Systems Committee), o DVB (Digital Video Broadcasting), dentre outras, fruto do seu trabalho, da sua postura e de suas relevantes contribuições.
Tenho a satisfação de ver realizado o antigo desejo de aproximar a SET da academia e do pesquisador brasileiro, através da criação do circuito Acadêmico-Científico em nosso Congresso, e da criação de mais uma publicação, a Revista de Radiodifusão que, com a conquista do ISSN (International Standard Serial Number), tornou nosso Congresso reconhecido internacionalmente.
Nenhum desses 20 anos de existência da SET passou em branco, basta revermos os temas abordados por nossa Revista. Em nenhum ano a SET deixou de realizar pelo menos um seminário, um congresso. Nossa missão de gerar e distribuir conhecimento vem sendo cumprida a cada dia com maior intensidade.
Com o esforço de todos, concretizamos muitos sonhos, realizamos relevantes trabalhos, produzimos resultados.
Mas, o sonho não acabou. Ainda podemos sonhar.
Olhar para trás e ver os 20 anos que se passaram é, sem dúvida, motivo de grande alegria. Mas prefiro olhar, confiante e seguro, para os próximos 20 anos que virão e saber que construiremos uma sociedade ainda melhor.

A SET NA VISÃO DE AUTORIDADES
REPRESENTANTES DE INSTITUIÇÕES DO SETOR DE RADIODIFUSÃO COMENTAM A IMPORTÂNCIA DA SET PARA A COMUNICAÇÃO DO BRASIL.
Da Redação

“A SET foi, nestes últimos vinte anos, uma peça fundamental para o Brasil alcançar uma posição de vanguarda na engenharia de televisão e no desenvolvimento tecnológico. A TV digital, livre e gratuita, é apenas uma de suas grandes conquistas. Parabéns pelo trabalho sério e competente.”

Hélio Costa – Senador da República e Ministro de Estado das Comunicações

Ara Apkar Minassian
Superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
As evoluções tecnológicas do século 21 exigem que os profissionais de diferentes mercados se preparem para a Convergência Digital e ninguém tem investido tanto nessa área quanto a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET.
Nesses últimos 20 anos, a SET tem contribuído para os significativos avanços nas áreas de engenharia e afins, participando ativamente para o crescimento do setor de radiodifusão, que hoje pode ser considerado como o serviço de maior índice de universalização, colaborando, ainda, para o reconhecimento do Brasil no cenário internacional, constatado, anualmente, no maior evento promovido pela National Association of Broadcasters – NAB.
Os esforços brasileiros para acompanhar o desenvolvimento das novas tecnologias, que visavam aprimorar a qualidade técnica dos serviços de radiodifusão, tiveram origem com o grupo COMTV (1991–1998), criado e coordenado pelo Ministério das Comunicações e do qual participavam engenheiros de reconhecida competência, englobando especialistas do próprio órgão, das grandes redes de televisão e mesmo autônomos. A maioria desses especialistas na época já era associada à SET e o ideal era um só: a qualidade da imagem e do som levados aos telespectadores e aos ouvintes deste imenso país precisava estar à altura da excelência das programações então veiculadas, que conferiam ao Brasil a reputação de contar com uma das mais apreciadas radiodifusões do mundo.
O setor de radiodifusão está novamente ingressando em uma nova fase – a digitalização, que certamente também não estaria ocorrendo sem as ações pioneiras da SET na difusão, valorização e promoção de aperfeiçoamentos dos conhecimentos técnicos, operacionais e científicos nas diversas áreas de engenharia, onde se processa uma evolução tecnológica que não pode ignorar o fato de que cerca de 90% dos lares nacionais são atendidos pela televisão e pelo rádio.
Aquele impulso inicial dedicado ao estudo da televisão em alta definição e que o Japão buscava implementar teve continuidade na análise pormenorizada das tecnologias digitais, culminando por envolver as principais emissoras no estudo e avaliação dos diversos sistemas de TV digital disponíveis no mundo. Esse amálgama passou a ser conhecido como Grupo ABERT/SET e assumiu a coordenação das atividades das 17 concessionárias do Serviço de Televisão que manifestaram à Anatel, em dezembro de 1998, o interesse na realização de testes, tendo como objetivo a indicação do sistema que, do ponto de vista técnico, melhor serviria ao ideal inicial.
Mesmo os mais otimistas não foram capazes sequer de imaginar que, além da escolha do padrão mais adequado ao modelo de negócios pretendido, o Brasil seria capaz de inovar, introduzindo aperfeiçoamentos inéditos que levaram outras nações muito mais desenvolvidas a reverem os seus caminhos. É com inegável orgulho que o setor observa o prestígio crescente que a SET vem angariando no exterior e o ânimo com que procura disseminar para os brasileiros os conhecimentos atualizados dos mais importantes aspectos da radiodifusão.
A contribuição do corpo técnico da SET, no período de 1999 a 2005, também foi de extrema importância para a Anatel, para o desenvolvimento do Plano Básico de Distribuição de Canais de Televisão Digital – PBTVD. Com mais de 1.900 canais viabilizados, o PBTVD contemplou cerca de 300 localidades brasileiras, incluindo as que possuem pelo menos uma estação geradora em operação, ou, ainda, que contam apenas com estações retransmissoras, mas que apresentam população superior a 100 mil habitantes.
Os estudos que levarão à digitalização das mais de 4.300 emissoras de rádio em funcionamento continuam e, para isso, as ações da SET serão igualmente importantes, pois a revolução digital ainda exige a sua contínua participação.
Pelos desafios vencidos nesses últimos 20 anos, a SET merece da sociedade todo o reconhecimento e respeito pelos trabalhos desenvolvidos.

Daniel Pimentel Slaviero
Presidente da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão)
A ABERT congratula a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) pelos seus 20 anos de atividade. A SET é uma entidade que nesse período construiu um significativo respaldo junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, à sociedade e aos Fóruns internacionais.
Esta posição é fruto de um grande trabalho desenvolvido durante estas duas décadas, como: a realização de seminários e congressos e também da participação ativa em eventos internacionais como a NAB. O envolvimento em debates técnicos com o Governo Federal também respalda a importância da SET para o desenvolvimento da Radiodifusão.
A ABERT sente-se honrada em ser parceira da SET em diversas ações na defesa dos objetivos comuns da Radiodifusão brasileira. Podemos citar o grupo ABERT/SET, que promoveu estudos e testes para a definição do padrão da TV digital no Brasil. Formado em 2003, o grupo iniciou os trabalhos que resultaram na definição do padrão nipo-brasileiro (SBTVD). Este é o fato mais decisivo dos últimos anos, pois o SBTVD preserva e valoriza a televisão livre, aberta e gratuita.
Outro exemplo de parceria bem-sucedida é o trabalho desenvolvido pelo grupo ABERT/SET de Rádio Digital, atualmente em curso, que servirá como base para a definição do padrão de Rádio.

Edilberto de Paula Ribeiro
Presidente da AESP (Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo)
É como grande satisfação que celebramos os 20 anos de fundação da SET. Uma entidade que ao longo de duas décadas teve importância fundamental para a expansão, estudo e aperfeiçoamento dos conhecimentos técnicos, operacionais e científicos no setor de rádio e TV no Brasil. Posso afirmar que em vários momentos de consolidação ou tomada de algum posicionamento em relação aos novos sistemas, sobretudo o digital, tivemos o acompanhamento e a opinião técnica sempre consistente dos profissionais que fazem parte dessa entidade. A SET reúne, acima de tudo, estudiosos, pesquisadores comprometidos com o desenvolvimento e a modernidade na área das comunicações e se tornou um espaço importante nas discussões sobre tecnologia do nosso setor. Mais importante ainda, é a maneira com que a entidade tem se desdobrado em expandir, ampliar e divulgar seu conhecimento através dos diversos congressos e seminários realizados pelo Brasil afora. Além disso, a SET incentiva a troca de informações entre os profissionais do setor, seja com os seminários de tecnologia em Broadcasting ou nas parcerias com associações tecnológicas nacionais e internacionais. Tudo isso faz com que a entidade seja considerada uma das mais importantes e respeitadas no campo de pesquisas tecnológicas em nosso setor. Parabenizo ao presidente Roberto Franco e a todos os diretores e funcionários que durante todos esses anos têm trabalhado para tornar a entidade cada vez mais forte e engajada nos estudos que visam promover a modernidade para nossa área. A AESP e toda sua diretoria visualizam na SET uma parceira eficiente, transparente e de credibilidade. Desejamos que esta entidade se fortaleça sempre e que continue sendo uma marca de grande importância e respeito na comunicação brasileira.