• PT
  • EN
  • ES

Prazos para o switch-off analógico no país preocupam radiodifusores

Em sessão repleta de indagações, a discussão girou em torno da dificuldade de trabalhar com todas as etapas de transição e de comunicar essas mudanças tecnológicas a população brasileira

O desligamento analógico começa em abril de 2016.

A palestra “Switch-off analógico: como operacionalizar o desligamento”, moderada por Ivan Miranda (SET/RPCTV) fechou o segundo dia da 26ª edição do Congresso SET, realizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET).

A palestra começou com uma apresentação mais sistemática do decreto e das portarias do Ministério das Comunicações que regulamentam o processo de transição da TV analógica para a TV Digital (DTV), além da licitação da faixa de 700 MHz, para o sinal de DTV, publicado em 21 de agosto de 2014, por parte de Marconi Thomaz de Souza Maya, representante da ANATEL.

Ponto a ponto, Maya falou das leis e regulamentações, e apresentou dados recentes do Sistema de Controle de Radiodifusão (SRD) sobre a situação dos canais que estão no processo para a transição. Segundo os dados, de 21 de agosto de 2014, 3.543 emissoras já estão licenciados para transmitir em sinal digital e só dependem delas mesmas para começarem a transmissão.

David Britto, conselheiro deliberativo do Fórum SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre/TOTVS), entrou logo em seguida com considerações do Fórum sobre a publicação do edital, com críticas e sugestões para possíveis melhorias no edital.

Ele enfatizou o papel do fórum SBTVD como regulador do processo de desligamento do sinal analógico nas mais diversas formas. Para realizar a análise, o Fórum estabeleceu algumas premissas básicas essenciais para a transição de sinal analógico para o digital de forma eficiente e levantou alguns pontos que, segundo eles, o edital não abordou.

Diante de toda a discussão sobre a situação do leilão da faixa de 700 MHz e da transição para DTV, Maurício Magalhães, da Agência Tudo, apresentou, de uma forma incisiva e preocupante, o panorama de como o processo de divulgação deveria acontecer em um país de dimensões continentais como o Brasil.

Para Magalhães “é impossível essa história dar certo, porque esse assunto não está completamente claro para nenhuma empresa hoje. Os termos são muito difíceis e complexos e é necessário um esforço grande para fazer com que tudo dê certo. É necessário educar toda a população para o que está por vir. As empresas deveriam envolver muitas outras empresas e começar logo esse processo, e num projeto mais completo de comunicação em geral e não só de publicidade, como é previsto no edital”.

Para fechar a discussão, o CMO do IBOPE Media, Antonio Wanderley, trouxe a discussão de métricas para a aferição de informação absorvida pela população e também ressaltou a importância da população ter conhecimento sobre o que está acontecendo: “Nós podemos falar de toda tecnologia, mas se não convencermos a população do papel dela nesse processo, de ela agir para realizar essa mudança, não haverá nenhum resultado.”

A discussão seguiu com diversas participações da plateia sobre a representatividade do Fórum SBTVD em todo esse processo.

O Congresso terá 44 sessões e 220 palestrantes distribuídos em 4 auditórios simultâneos, em um fórum que congrega um grupo seleto de mais de 1.600 profissionais que discutem as questões mais relevantes do setor intensamente durante um período de 4 dias.

O evento reúne de 24 a 27 de agosto de 2014 no Pavilhão Azul do Centro de Convenções e Exposições Expo Center Norte em São Paulo, especialistas do Brasil, Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina, que discutem os principais aspectos da produção, transmissão e distribuição em TV, além de temas relacionados a vídeo, cinema, rádio e internet. Entre os temas destacados está o switch-off da TV, as interações entre TV e Internet, os desenvolvimentos tecnológicos da Copa do Mundo e muitíssimos outros temas de atualidade da indústria.

* Por Gustavo Zuccherato, aluno da UNESP