• PT
  • EN
  • ES

O futuro do espectro: A luta entre broadcast e banda larga móvel

No mundo inteiro, as faixas de frequência ocupadas pela TV aberta são as mais cobiçadas.  Uma nova rodada crucial de discussão sobre o futuro desse espectro ocorrerá em Genebra, no final deste ano.  Estará a TV terrestre  fadada a morrer? se perguntaram os especialistas combinados por Liliana Nakonechnyj no Congresso SET

 

O futuro do espectro: A luta entre broadcast e banda larga móvel

As Hot Session organizadas nos últimos Congresso SET marcam o futuro e presente da radiodifusão brasileira e mundial. A sessão desta quarta-feira (26) debateu o futuro do espectro e o desejo voraz nas operadoras de telecomunicações para obter mais espectro para oferecer aos seus usuários banda larga móvel.

David Wood (EBU)

Na sessão David Wood (EBU) se perguntou na palestra, “Can Broadcast Spectrum be saved?” e  afirmou existe uma pressão enorme para transferir cada dia mais espectro para os serviços de banda larga. “Nós não achamos que tenha de ser prejudicado o serviço de TV em troca do avanço do broadband. Somos tendenciosos porque acreditamos que o serviço de TV é fundamental, tanto que o serviço público de TV não pode deixar de existir.”

Ele disse que a TV Digital Terrestre (TDT) é a principal plataforma europeia de TV chegando a mais de 95% da população pelo que é fundamental discutir o futuro da banda de UHF, e alertar que as principais discussões da indústria e dos governos devem ter o uso do espectro e como ele será gerenciado.

Wood ainda se referiu as interferências da banda de 700 MHz que tem a ver com interferências cumulativa e não individuais, por isso, temos claro que “a discussão passa por definir que a interferência no sinal de TV Digital deve ser pensada segundo a quantidade de dispositivos móveis, e não de forma individual”.

O executivo e pesquisador europeu disse no Congresso da SET que os próximos tempos serão fundamentais para a radiodifusão porque se os serviços de broadband avançarem para a faixa de 490-694 MHz, a vida da TV aberta corre sérios riscos. “A situação é seria, mas vale a pena salvar os serviços de radiodifusão em detrimento dos serviços de broadband”.

Jerald Fritz (One Media)

Jerald Fritz (One Media) trouxe a visão norte-americana do espectro. Ele que participou ativamente do processo de modernização dos serviços broadcast nos Estados Unidos na FCC (Federal Communications Commission), disse que estamos em uma etapa de mudanças no espectro. Há 20 anos a indústria do broadband “não existia, hoje parece um adolescente voraz que ataca todos os espaços que existem como necessário. Todos os novos usos do espectro acontecem se as solicitações deste são autorizadas pelo Estado, por este motivo é fundamental que os Estados planejem devidamente o espectro e tenham noção do futuro”.

Fritz afirmou que o desafio da radiodifusão é fazer que os governos definam que serviço é mais valioso. “Ninguém pode definir isso, só o governo. Eles tem de entender que um é um serviço de radiodifusão gratuito para muitos é mais ou menos importante que um serviço interativo broadband individual. A decisão deve ser governamental e de longo prazo.”

Ele finalizou a sua palestra afirmando que “as emissoras do mundo precisam manter os espaços que hoje tem e se bem é importante compartilhar o espaço com o broadband, “é necessário ficar ligado porque o desejo voraz sobre o espectro é grande”.

Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV Globo)

Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV Globo) na sua palestra “O futuro do espectro de radiodifusão” foi clara e contundente. Ela alertou aos presentes afirmando que “o processo de desligamento analógico coloca em xeque a radiodifusão, porque não estamos só passando do analógico ao digital, senão também remanejando os canais para dar espaço ao serviço de 4G no país.”

“Nos aqui no Brasil defendemos a radiodifusão, em troca, países da região como Estados Unidos, Canada, México e Colômbia, estão a favor de espectro total para a banda larga móvel. Assim, em novembro se discutirá o futuro da radiodifusão na região em um contexto que marca que o UHF tem problemas porque de alguma forma o espectro esta subutilizado, porque a demanda é superestimada, sobre valorização dos benefícios, incerteza regulatória que reduz investimentos na TV; interferência.”

Ana Eliza se mostrou preocupada com o futuro do espectro na região destacando que tudo será definido até o final do ano quando será discutido o que “ficará para espectro e o que passará a ser utilizado para banda larga móvel. Hoje não esta definido o que acontecerá e qual será o futuro da TV porque nos acreditamos que faixa não pode ser compartilhada e de esta forma obrigar as pessoas a escolher entre a banda larga móvel e o serviço de radiodifusão aberta.”

Assim, ela disse que se mudam as regras do jogo, a radiodifusão brasileira corre riscos, como por exemplo as emissoras alocadas em regiões fronteiriças que haverá um “possível impacto externo na forma de interferência” pelo que “precisamos de uma agenda forte e propositiva sobre a evolução tecnológica da TV, porque o futuro do espectro e o futuro da TV se confundem”.

A 27ª edição do Congresso da SET acontece de 23 a 27 de agosto de 2015 no Expo Center Norte, em São Paulo. Este é o Congresso mais importante das áreas de engenharias e novas mídias da América Latina reunindo especialistas dos Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina, para debater e analisar a situação atual e as principais tendências em produção, transmissão e distribuição e contribuição de TV. Na edição deste ano o foco passa pelo desligamento analógico da TV e os temas relacionados com esta transição.

SET Expo 2015

A feira se realizada de terça-feira, 25 de agosto até quinta-feira, 27 de agosto. Este ano, o SET EXPO, Feira de Equipamentos, Tecnologia e Serviços aplicados aos Mercados de Broadcasting, Telecomunicações e Mídias Convergentes espera um público de mais de 15 mil visitantes entre profissionais, empresários e executivos do mercado de produção e distribuição de conteúdo eletrônico de multimídia, incluindo TV aberta e por assinatura, rádio, internet, indústria, produção e telecomunicações.

Mais de 200 expositores, representando mais de 400 marcas nacionais e internacionais vindos de países como Estados Unidos, Canadá, Israel, Coréia, Itália, Espanha, Chile, e muitos outros estarão presentes na edição 2015. Ainda a exposição contará com pavilhões internacionais do Reino Unido, Alemanha, Japão, Argentina e Escandinávia.

Como já é costume, siga a cobertura em tempo real do Congresso e o SET Expo na Revista da SET.

Equipe Revista da SET/ProEx Unesp: Fernando Moura, em São Paulo

Post Tags: