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Desafios e oportunidades para a televisão

Mais uma vez as perspectivas sobre o futuro da televisão foram pauta no painel de tecnologia do SET e Trinta, encontro da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão realizado durante a NAB 2014. Neste terceiro e último dia, o debate, coordenado por Liliana Nakonechnyj, abordou a evolução do padrão ATSC, as estatísticas da Segunda Tela e as problemáticas do espectro ao redor do mundo.

Quem abriu o painel foi Rich Chernok, engenheiro da Triveni Digital e principal responsável pelos grupos de estudo do ATSC 3.0. “Estamos buscando criar um padrão que seja configurável, escalonável, eficiente, interoperável e adaptável”, começou o especialista.

A apresentação de Chernok trouxe então todas as premissas que se está levando em conta para os debates da renovação do padrão. Dentre eles estão uma maior capacidade de tráfego de dados, um PHY mais poderoso e robusto, flexibilidade de uso do espectro, suporte para UHDTV, suporte para dispositivos móveis, broadcast híbrido (radiodifusão e banda larga integrados) e áudio imersivo.

De acordo com Chernok, três principais pontos têm sido os guias dos grupos de estudo. O pesquisador afirmou que, não basta se preocupar com a tecnologia, mas também garantir que o modelo de negócio do broadcast continue viável e que o espectro da televisão continue protegido. “Nossos pilares são a especificação técnica, o ponto de vista do negócio da televisão e o aspecto regulatório do espectro”, afirmou.

Com relação às novidades que o sistema deve apresentar, o que chama a atenção é a inclusão do IP também como plataforma de entrega. “O ATSC 3.0 será o primeiro padrão de TV Digital totalmente híbrido”, afirmou Chernok. Além deste destaque, o pesquisador mostrou que o objetivo do sistema é ser UHD e HD, mas que as ferramentas para transmissão em 8K estarão lá e que, além dos televisores convencionais, os dispositivos móveis estão sendo levados em grande consideração.

Por fim, Chernok falou do áudio que deve permear o sistema. “Teremos ferramentas como controle de diálogo, possibilidade de faixas alternativas, serviços de assistência, idiomas extras, faixas para comentários, música ou efeitos diferenciados, etc”, contou.

Dados da segunda tela
Em seguida quem tomou o microfone foi Chuck Parker, presidente da Second Screen Society. Em sua apresentação, Parker trouxe diversos dados estatísticos e exemplos de cases e experiências que revelam o crescimento e importância que as aplicações de segunda tela tem tomado dentro do setor broadcast.

“Segunda Tela é sobre a geração dos Millennials (pessoas nascidas na virada do milênio), que é quem está trazendo uma enorme transformação comportamental na forma de consumir mídia”, começou Parker. Com isso em mente, diversas empresas tem apostado em modelos de publicidade para segunda tela com o intuito de emplacar marcas na mente da geração em formação.

Em seguida, Parker trouxe uma série de estatísticas interessantes sobre o comportamento de consumo do conteúdo em Segunda Tela. De acordo com o presidente, hoje cerca de 40% dos vídeos do Youtube são assistidos em plataforma Mobile, o que é uma grande quantidade se levamos em conta que só nos Estados Unidos cerca de 46 bilhões de vídeos foram acessados em 2013.

“O Audiovisual em Mobile é um mercado crescente. 65% dos proprietários de tablet passam mais de uma hora por dia vendo vídeos em seus dispositivos”, explicou. E não é só no consumo de conteúdo que os números estão crescendo. De acordo com Parker, até 2016 a receita de publicidade dentro de dispositivos de segunda tela deve crescer quase 40%, alcançando uma receita de US$ 10 bilhões somente nos EUA.

Contraste broadcast
Após os debates sobre segunda tela, Simon Fell tomou a palavra para gerar quase um choque ideológico. Isso porque o representante do EBU fez uma apresentação para mostrar que o broadcast continua sendo a forma mais relevante de consumir conteúdo audiovisual, independente das novas tecnologias, e que por isso sua reserva de espectro RF deve ser protegida.

“Já que estamos falando de estatísticas aqui, eu também trouxe umas. Um estudo que realizamos prevê que até 2020 cerca de 80% do conteúdo audiovisual ainda será consumido de forma linear pela televisão”, começou o Fell. De acordo com o especialista, hoje na europa, 46% das pessoas consomem televisão por recepção terrestre, o que totalizam 275 milhões de habitantes. “Por isso que qualquer decisão relativa ao espectro precisa ser muito bem pensada”, explicou.

Rich Chernok

Fell se referia às recentes políticas de cessão de faixas de espectro para serviços de internet móvel, que têm ganhado força em todo o mundo. “É preciso lembrar que o sucesso de novas formas de comunicação, como a Segunda Tela, estão totalmente ligadas à existência de transmissão linear ao vivo”, afirmou.

Outro ponto tocado por Fell foi a real necessidade que as empresas de telecomunicação têm de mais espectro. “Um estudo recente do EC (European Commission), mostrou que 71% dos dados acessados por dispositivos móveis acontecem por redes Wifi. Será que é preciso mesmo de tanta banda quanto as teles solicitam?”, questionou.

O especialista destacou ainda a questão da qualidade. De acordo com Fell, a existência de um serviço de TV aberta de qualidade, força os serviços pagos a serem ainda melhores, sem a TV aberta esta “concorrência” deixaria de existir. “Há ainda a questão do preço versus banda. Hoje em Las Vegas um pacote com 4 Gb de internet 4G custa 70 dólares. Um conteúdo HD do Netflix consome cerca de 2.4 Gb por hora. Há um grave problema de eficiência aqui”, concluiu.

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