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SET e TRINTA: Emissoras brasileiras avançam para soluções de TV híbrida

NAB 2019

O novo formato do tradicional evento da SET, em Las Vegas, acabou com uma descontraída, mas muito produtiva conversa dos responsáveis das principais emissoras do País que afirmaram que o futuro  da TV passa por soluções híbridas e uma aposta forte  no novo DTV Play

por Fernando Gaio e Fernando Moura, em Las Vegas

Em um mercado em convergência e com a indústria 4.0 avançando a passos largos, a indústria audiovisual passa por uma mudança sem precedentes, por este motivo e para analisar como viram a edição 2019 da NAB os principais executivos brasileiros, a SET fechou o SET e Trinta com a palestra “Destaques da NAB: o olhar convergente da engenharia brasileira”, moderado por Fernando Carlos Moura, editor-chefe da Revista da SET.
A palestra contou com a presença de Gilvani Moletta (TV Cultura), Jose Chaves (BAND), José Marcelo Amaral (Record), Paulo Castro (Globo) e Raimundo Lima (SBT). Para os engenheiros brasileiros é um fato que as estruturas estão tornando-se mais abertas, as soluções proprietárias começam a deixar de fazer sentido em alguns pontos da cadeia produtiva, e as soluções com plataformas customizáveis parecem ser a solução em um mundo IP com migrações constantes e procuras de padrões que criem padrões nos fluxos de trabalho, por isso, é preciso mudar o olhar sobre a indústria e adaptar-se aos novos tempos.
A Inteligência Artificial (IA) foi um dos principais temas, começou com o moderador lançando um vídeo da TV estatal chinesa que criou um avatar para produzir e lançar notícias no seu portal. Nesse sentido, Barros disse que a mudança é inevitável, e a IA já faz parte das cadeias produtivas das emissoras, tanto de produção e engenharia como de jornalismo, mesmo assim, “a automação precisa ser abastecida por homens, a partir da inteligência humana. De todas formas, a automação em jornalismo, por exemplo, é um fenômeno difícil de entender não só do ponto de vista da produção, mas também da recepção. Estamos frente a uma geração de jovens que não se importa com a forma que as notícias são produzidas e como são colocadas no ar. O consumo mudou e se há quem consume produtos automatizados, precisamos nos adaptar a isso. Está claro que onde há repetição a máquina vai atuar, mas o diferencial vai estar onde há sentimento”.
Jose Marcelo Amaral afirmou que a paixão na TV continua, mas o desafio passa por “todos os dias ter fluxos mais inteligentes e com mais interação. Não há segredos, temos que seguir esse caminho que é atendido com a IA e o machine learning que estão destinados a atender esse objetivo. A capacidade das máquinas de interpretar é grande e elas nos podem ajudar a avançar e melhorar a produção e analisar mais volume de dados (…) mas se não aplicarmos a IA nos processos internos vamos ficar para trás. Nesta feira vimos várias soluções que substituem o trabalho manual e repetitivo e nos permite otimizar processo”.
Nesse sentido, Gilvani Moleta disse que “a TV Cultura teve um ganho enorme com a inclusão da IA na catalogação do acervo que estava na memória das pessoas. Com a IA tivemos a transcrição inteira dos textos, reconhecimento de algumas imagens e criar uma timeline do conteúdo”. Para o engenheiro a inclusão tem de ser feita com moderação e nos lugares e funcionalidades necessárias, o que Chaves reforçou afirmando que “a IA é importante em funções repetitivas e mecânicas”. Afirmação que para Paulo Castro está certa. “É inexorável que estas tecnologias avancem. Se o trabalho é feito melhor por uma máquina, isso quer dizer que ele é desumano e não deveria ser feito por humanos. Nós temos de estar lá para fazer outras coisas. Vivemos uma nova renascença com a velocidade das transformações tecnológicas e estamos adaptando a isso”.

Mais de três centenas de broadcasters brasileiros participaram da edição 2019 do SET e Trinta em Las Vegas

Nesse contexto afirmar que o hardware está perdendo espaço para o software já não é uma tendência, mas sim uma realidade que avança para a integração total dos ecossistemas e para a interligação de pessoas e máquinas com a confluência da inteligência artificial e a aprendizagem da máquina, ou computação cognitiva. A convergência de mídias é uma realidade e não pode ser ignorada.
O engenheiro da Globo disse que em tempos de mudanças tão profundas já não há engenharia diferenciada de TI. “Nos apegamos a imagens, a ideias, a trabalhos e rótulos. O que é televisão? Uma caixa com um CRP encima, isso acabou. A TV vai acabar? Isso é TI? É, não é! Tudo muda com a revolução 4.0. Mistura-se tudo. O que não muda é a escala em termos econômicos e a de TI é maior, por isso, se considera que a engenheira de TV está migrando para TI (…) Vivemos em uma época de convergência de tecnologias que se combinam (…) e precisamos aproveitá-las da melhor maneira”.
TV Híbrida
Os radiodifusores concordam que o Ginga foi desenhado para ser interativo e que fosse compatível com todos os tipos de televisores, mas agora estamos um passo a frente. “Talvez a primeira geração de interatividade não tenha tido sucesso por caso de uso. Por falta de equipamentos”, disse Castro.
O novo DTV Play foi desenhado para o público de hoje, por isso Castro afirmou que a Globo apostou neste novo sistema já que permite fazer comutações de broadcast para o o broadband de forma transparente. “Está no ar uma sinal HD por ar, vai entrar uma série que é 4K, e como
o telespectador não quer saber se é broadcast ou broadband, o televisor faz a comutação para 4K e ele passa a assistir em 4K. Quando acabar a programação nesta qualidade, volta para o HD”. Isso não só para a programação, mas também para a publicidade. “Porque assistir comercial de fraldas se o espectador não tem criança em casa?”, questionou o executivo. “O que precisamos agora é encontrar o modelo de negócio e equipamentos que sejam compatíveis com esta tecnologia (…) já que estas são ferramentas de uma próxima geração de televisores que trouxemos para ser utilizados hoje”.

Mais uma vez os profissionais brasileiros se juntaram pouco antes das 7 da manhã, na sala da SET, para iniciar os trabalhos do SET e Trinta

Amaral, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre disse, em Las Vegas, que o Fórum SBTVD quer “ver acontecer a interatividade o mais rápido possível. Esperamos este ano avançar com os fabricantes para termos um compromisso conjunto com os radiodifusores para termos casos de uso, testar. Fazer uma suíte de uso. Nós radiodifusores temos de nos comprometer a avançar com a interatividade para que os fabricantes até o fim de 2019 embarquem o perfil D do Ginga nos novos aparelhos de TV”.