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SET E TRINTA analisa o futuro da TV

Nesta segunda parte da cobertura especial  da Revista da SET, destacamos  a relação custo benefício  das transmissões e contribuições ao vivo, o 4K HDR, e as plataformas de encodings  e matrizes IP

por Fernando Moura em Las Vegas e Gabriel Cortez em São Paulo

© Foto: Fernando Moura

Como tem feito nos últimos 26 anos, a SET organizou o SET e Trinta em Las Vegas no último mês de abril, no marco da NAB. Os temas em destaque nesta edição foram o futuro da TV e a situação do espectro, as tentativas da TV aberta para lidar com a mudança na forma de consumir conteúdos audiovisuais e a implantação e consolidação das redes IP.
Desde 1991, o já tradicional evento reúne os broadcasters brasileiros na sala N116 do Pavilhão Norte do Centro de Convenções de Las Vegas. Nesta segunda parte da cobertura especial da Revista da SET, avançamos para os temas mais transcendentes do debate de três interessantes manhãs de networking, e conhecimento para os mais de 300 broadcasters que participaram do encontro.
Carlos Xavier, diretor Geral da Advantech Wireless do Brasil, analisou as “oportunidades de geração de receita oferecendo transmissão sobre VSAT e serviços de internet”. Para ele, é necessário “fazer com que as mídias sejam realmente convergentes em um mercado em crise”. O executivo acredita que a banda é fundamental para a transmissão, mas, seja para “contribuir ou distribuir conteúdo de áudio e vídeo de forma clara e confiável, usando soluções de ponta para aplicações de transmissão fixas e móveis, é fundamental otimizar as atuais circunstâncias de baixa demanda, oferecendo novos serviços com a mesma banda contratada e com os mesmos veículos já existentes”.

Carlos Xavier (Advantech Wireless) disse no SET e TRINTA que os sinais são fundamentais

Com a convergência de mídias, o palestrante afirma que os operadores de redes de distribuição e de contribuição de vídeo se encontram cada vez mais em uma situação de exploração de redes de pequena escala, com veículos remotos e com locais de contribuição e pontos de distribuição. “Esses sites têm demandas variadas de requisitos de banda e conectividade para gerenciamento e planejamento remotos. Normalmente, estas redes evoluem a partir de redes de difusão com uma pequena escala de sobreposição de dados para monitoramento e controle. Neste cenário, faz sentido que essas redes sejam operadas por um operador de serviço que normalmente oferece conexão com a internet, usando os recentes avanços em VSAT”.
A combinação do VSAT com a internet oferece capacidade de transmissão até 4K com resolução em UHD. O palestrante descreveu soluções de rede de satélites que combinam eficientemente operações de transmissão de dados para otimizar os recursos de satélites, aumentando a robustez da rede e criando oportunidades de receita adicional e economia de custos.

Sidnei Brito (SDB/Harmonic) explicou aos presentes no SET
e TRINTA que uma máquina virtual é um software que emula a parte física de um computador em outra aplicação de software

“Em momentos de crise é que se destacam as empresas inovadoras, contidas em gastos de CAPEX e OPEX e as soluções inteligentes para otimização de recursos. Algumas inovações significativas incluem disponibilizar material para transmissão 4K/8K antes dos concorrentes – time-to -Market e a necessidade de contratar excesso de banda não utilizada após o evento ou em off-peak hours. Por isso, a nossa solução seria utilizar os veículos SNG para Cellular backhaul em locais de eventos onde as comunicações estarão inevitavelmente congestionadas ou não haja acesso à internet Wi-Fi”, detalhou.
Outra solução mostrada por Xavier foi como poupar recursos e multas para permitir manter um evento ao vivo e gerar custos elevados de banda nem sempre utilizada. Ele argumenta que isso pode ser melhorado com “amplificadores GaN que permitem alta potência de transmissão com menor consumo e tamanho, favorecendo as antenas de menor diâmetro”. Em termos de inovação, o xecutivo afirma que os pontos fortes passam pela utilização da tecnologia GaN de segunda geração; ASAT II (VSAT) – comutação dinâmica inteligente entre esquemas de acesso múltiplo que trabalham com Dynamic Multiservice & Multi-Waveform VSAT System; e mediante redes de microondas terrestres”.
A palestra “Novas plataformas de Encoding: Bare Metal, Software Base Encoding e Virtualização”, proferida por Sidnei Brito, diretor Comercial da SDB Multimídia (Platinum Partner da Harmonic no Brasil), esclareceu dúvidas sobre as novas tecnologias com as quais a companhia vem trabalhando e mostrou como elas podem auxiliar o broadcaster a reduzir custos de distribuição do sinal HD e melhorar a cobertura do sinal ISDB-Tb.
O executivo explicou que o Bare Metal funciona como o HD de um computador. “Uma instalação Bare Metal, resumidamente, é quando instalamos a aplicação diretamente no hard disk do computador, onde já existe um sistema operacional e utilizamos os recursos disponibilizados por este sistema para executar a aplicação em questão”.
Brito mostrou, ainda, que uma máquina virtual “é um software que emula a parte física de um computador em outra aplicação de software, permitindo a instalação de outro sistema operacional com recursos necessários para a execução de determinadas aplicações”. A Máquina Virtual é criada através de um sistema chamado HYPERVISOR que é um software que permite a criação de máquinas virtuais interagindo com o sistema operacional instalado no computador para alocação de recursos individualizados para cada máquina virtual, por exemplo: número de cores de processamento, quantidade de memória, capacidade de disco e número de portas de rede.

O 4K na casa dos brasileiros
O SET e TRINTA 2017 contou com duas excelentes palestras sobre 4K a partir de perspectivas distintas: a da transmissão satelital e seus suportes e a da qualidade que o HDR pode agregar à indústria audiovisual.

Mais de 300 broadcasters brasileiros e latino-americanos participaram do SET e TRINTA 2017

Na palestra “O tempo é agora: 4K UHD”, Jurandir Pitsch, Vice-Presidente de Vendas para América Latina da SES, explicou que a multinacional está pronta para colocar o seu primeiro satélite 4K HDR na Europa de forma experimental. O executivo ponderou que o avanço no mundo do satélite é grande e lembrou que 14 operadoras de satélite já estão distribuindo canais 4K com mais de 78 milhões de receptores UHD nos lares.
“Até 2025, acreditamos que 30% das casas já terão capacidade de recepção de sinal UHD”, projeta. Em sua opinião, a Copa do Mundo na Rússia e os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 serão um “importante disparador de consumo de TVs UHD”, por isso, as previsões de mercado para 4K UHD na América do Norte e na América Latina “são boas. E o satélite pode acelerar a adoção da tecnologia 4K, fornecendo uma solução de ponto a ponto para distribuição por cabo, bem como através da tecnologia Direct Home”.
“Hoje, existem 18 plataformas com ofertas de pacotes UHD de canais lineares, com mais de 2 milhões de assinantes no mundo. Na América do Norte, a plataforma UHD da SES trabalha com um programa UHD Trial e, na América Latina, temos 4 canais UHD via satélite, apenas também nos satélites da SES, com um potencial de mais de sete milhões de possíveis assinantes. A nossa ideia é acelerar a adoção da tecnologia”, ressaltou. O executivo frisou ainda que a previsão no Brasil é que 51% dos televisores vendidos sejam 4K em 2020, “o que nos dá boas perspectivas de adoção da tecnologia no país”.

O 4K e o High Dynamic Range

Erick Soares (Sony) apresentou as possibilidades de uso do HDR na produção ao vivo e na pós-produção

Na sequência da comunicação de Pitsch, Erick Soares, engenheiro de Suporte a Vendas da Sony Brasil, avançou com a palestra “High Dynamic Range: Tecnologia e aplicações”, apresentando uma abordagem sobre as últimas tendências de padronizações e possibilidades de uso da tecnologia HDR, tanto para produção HD quanto para 4K. O executivo apresentou também as possibilidades de uso do HDR na produção ao vivo e na pós-produção.
Soares afirmou que o o HDR tem a ver como HDR tem a ver coma faixa de luz e contou que “a Sony, como HDR, quer aproveitarao máximo a faixa dinâmica que o próprioolho humano pode perceber mediante a utilização da faixa extensa.O SDR vem do início da TV com uma curva Gamma para telas de tela curva. Hoje, com o HDR, passamos a ter uma capacidade de display das telas com maior luminosidade. Assim, o HDR oferece a possibilidade de manter a faixa dinâmica em toda a  Outro dos temas abordados por Soares foram as diferenças entre o 4K/HDR e o HD/HDR após a publicação da resolução Rec.2020 e da Rec.709. O palestrante lembrou que houve mudanças de resolução de imagem e alterações no volume que “nos permitem extrapolar a gama de cor,cadeia de produção de vídeo, e ter a cadeia como um todo”.
Outro dos temas abordados por Soares foram as diferenças entre o 4K/HDR e o HD/HDR após a publicação da resolução Rec.2020 e da Rec.709. O palestrante lembrou que houve mudanças de resolução de imagem e alterações no volume que “nos permitem extrapolar a gama de cor, o espaço de cor e os seus quatro vetores, os quais são decisivos e se relacionam ao Sensor R-range, OETF Characer, o Color Space e Bit depth Rec. Format”. Outra diferença está na padronização das curvas de transferência utilizadas, que são hoje a PQ em ST.2084 e a HLG (Hybrid Log Gamma: Bt.2020). “A Sony trabalha com a S-Log cm, um range dinâmico de Rec.2020 que pode ser convertida a PQ ou HLG na hora de entregar o conteúdo”, explicou.

4K e Jogos Olímpicos em 8K

Noriaki Ugo (Panasonic) explicou como o LSSIEL (Sensor Único
de Grande Tamanho com Lente de Expansão Interna) pode ajudar na produção de externa

Noriaki Ugo, gerente de produtos da Panasonic, apresentou uma abordagem técnica para sistemas de vídeo avançados 4K/8K. Ele abordou temas como o LSSIEL (em português, Sensor Único de Grande Tamanho com Lente de Expansão Interna), tecnologia para tornar acessível as câmeras 4K; e o modelo conceitual do sistema de produção baseado em IP com tecnologias abertas para SDR/HDR em operação híbrida.
Ugo mostrou, ainda, os preparativos da Panasonic para a produção dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, que serão transmitidos em 8K. O palestrante explicou como já é possível realizar operação multi-câmera em 8K com o Multi Camera Operation Support System, o Emcoss, que trabalha com um novo algoritmo De-Bayer e avança para o ROI (Wide Angle Distortion Intelligent Correction), o qual permite a correção inteligente de sinais 8K mediante a utilização de um software de Auto Tracking.
Outro dos destaques da Panasonic foi a solução para estúdio em 4K com tecnologia 4K/HDR (HLG) BT.2020 mediante uma conexão IP com um novo switcher que trabalha a 12SDI com uma operação híbrida de HDR (HLG) e SDR que permite ter uma variação de ganho, um ajuste de Area Gamma e adicionar Knee para HLG, todo “uma discussão que decorre no Japão tentando chegar a melhor forma de gravação em estúdio”, “funcionando sobre um sistema de IP com distribuição de sinal SDI com Software Defined Network (SDN)”.