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SET debate em Las Vegas as tendências do mercado audiovisual

© Foto: Francisco Machado Filho

Entre os dias 24 e 26 de abril de 2017, a SET realizou, em Las Vegas, Estados Unidos, a 26ª edição do SET E TRINTA, seminário sobre tecnologias nas áreas de engenharia de comunicações, broadcast e novas mídias. O tradicional seminário contou com a presença de mais de 320 participantes

por Fernando Moura* e Francisco Machado Filho** em Las Vegas e Gabriel Cortez em São Paulo

O futuro da TV e a situação do espectro radiofônico – cada dia mais ameaçado pelo avanço das operadoras de telecomunicações – foram alguns dos temas mais abordados no evento. As tentativas dos canais de TV aberta para lidar com a mudança na forma de consumir conteúdos audiovisuais e a implantação e consolidação de redes IP também receberam atenção dos palestrantes.

Liliana Nakonechnyj, presidente da SET realizou a abertura do SET e TRINTA em Las Vegas © Foto: Fernando Moura

O encontro reuniu os broadcasters brasileiros na sala N116 do Pavilhão Norte do Centro de Convenções de Las Vegas. Os executivos começam a chegar ao evento por volta das 6h30 para desfrutar do convívio do café da manhã preparado pela SET e das palestras começam por volta das 7h, estendendo-se até às 9H, horário de abertura da feira. Como de costume, a Revista da SET acompanhou de perto as discussões e traz aos leitores o que de mais importante foi dito nos três dias de evento.

André Altieri (Cisco) explicou os conceitos de IP Fabric para “Media Production” com múltiplas aplicações para Live Broadcasting, e o OMD (Open Media Distribution)

A abertura do SET e TRINTA em Las Vegas foi realizada pela presidente da SET Liliana Nakonechnyj. Ela afirmou que a entidade trabalha pensando no futuro da radiodifusão e lembrou que o SET e TRINTA é um dos momentos principais deste trabalho. “Aqui, discutimos os principais pontos da radiodifusão brasileira e mundial e debatemos as tecnologias do audiovisual. A ideia é ampliar cada vez mais o nosso leque de conhecimentos para podermos incluir em nossos estudos todos os tipos de mídia que estão surgindo.”
A presidente incentivou os associados a trazerem representantes de todas as plataformas à SET para analisar o futuro da radiodifusão. “Um dos nossos principais objetivos é aproximar os radiodifusores das produtoras de conteúdo. Elas estão se multiplicando em nosso país.
É importante que consigamos atender a todos os integrantes do mercado na SET, sejam eles da radiodifusão, produtores de conteúdo ou das novas mídias.”

No fim de um dos Fóruns de Tecnologia do SET e TRINTA 2017 conversa animada entre os três últimos presidentes da SET e os membros do painel. Da esquerda à direita: Liliana Nakonechnyj, presidente da SET; Olímpio José Franco, superintendente da SET; Al Kovalick, fundador da Media Systems Consulting; Bill Hayes, presidente do IEEE-BTS; e Fernando Bittencourt, diretor da Área Internacional da SET © Foto: Fernando Moura

Mais de 300 broadcasters brasileiros participaram do SET e TRINTA 2017 © Foto: Francisco Machado Filho

Transformações na indústria e mudança de hábito dos consumidores marcam palestras de abertura

Rodrigo Campos (Eutelsat) apresentou dados sobre migração digital no mundo afirmando que “está progredindo rapidamente” e que “o satélite pode alimentar repetidoras de TV Digital, reforçadores de sinal, usuários residenciais e Headends de PayTV” Fonte: Eutelsat

Para Diego Julidori (Equinix) o próximo estágio da indústria de mídia e entretenimento é claramente alcançar a transformação digital © Foto: Fernando Moura

André Altieri, Sennior Account Manager da Cisco no Brasil, afirmou que as novas mídias trouxeram desafios e preocupações aos broadcasters e ressaltou a necessidade de a indústria desenvolver novas técnicas de codificação de vídeo aliadas às fontes de captação e produção em IP.
“O mercado de mídia se modifica com a adoção do IP e da cloud, com os novos modelos de consumo e com as aplicações OTT. Isso faz com que os radiodifusores precisem antever as mudanças e trabalhem prevendo o consumo de vídeo por streaming”, sinalizou Altieri.
Outra mudança drástica, segundo ele, é a transmissão tradicional indo para a distribuição por IP com cada vez maior predominância do IP na contribuição. “Há dois anos já falamos no SET e TRINTA sobre redes IP e, hoje, a aposta da Cisco é fazer redes IP em emissoras. O nosso desafio é avançar com a aceleração da produção de mídia, com a distribuição primária em IP e com a adoção de sistemas seguros onde a criação, o processamento, o delivery e o storage não corram riscos. As emissoras estão cada vez mais na Internet e é preciso proteger os conteúdos”, salientou.
“O desafio passa pela utilização do Adaptive Bit Rate (ABR) em Unicast, porque o ABR sempre força um maior consumo de banda, por isso é preciso medir a qualidade da experiência”, disse, anunciando em seguida que a empresa lançou um novo conceito para ABR na NAB.
“Conseguimos mABR – multicast ABR, ainda temos o Smart ABR medindo a qualidade da experiência, o que faz que o consumo de banda possa ser melhorado na rede”, porque “tudo está migrando para estruturas virtualizadas se aproximando cada vez mais dos usuários e gerando uma melhor experiência”.
Outro dos pontos analisados por Altieri foi o IP Fabric para “Media Production” com múltiplas aplicações para Live Broadcasting, e o OMD (Open Media Distribution).
Diego Julidori, gerente de produtos e inteligência de mercado da Equinix, em seu primeiro ano no SET e TRINTA, afirmou que o próximo estágio da indústria de mídia e entretenimento é claramente como alcançar a transformação digital que toma conta do mundo atual. “Encurtar as distâncias de modo que os conteúdos criados e distribuídos estejam próximos e em um lugar onde os clientes e usuários possam acessar de forma fácil se torna crítico para o sucesso da indústria de mídia e entretenimento.”
O executivo analisou o tráfego de acesso à internet na América Latina e disse que o uso de banda a partir de celulares é o que mais vai aumentar até 2020. “Desse tráfego, mais de 80% será vídeo e 90% das interações será em algum tipo de tela”. Além disso, Julidori acredita que as empresas de radiodifusão precisam se adaptar “à nova geração e aos novos hábitos de consumo, com um crescimento de demanda de até 22% de tráfego de vídeo por ano, com + 194 EB por mês (NR: Existe uma ordem de crescimento depois dos Terabytes. O EiB (Exbibytes 2e60) e (Exabyte EB 10e18), ou cinco milhões de anos de vídeo. Por isso, precisamos pelo menos 5 vezes mais espaço de armazenamento para dados até 2020”, acrescentou.
Para Julidori as empresas de radiodifusão precisam se adaptar “à nova geração e aos hábitos de consumo que têm com um crescimento de demanda de até 22% de trafego de vídeo por ano, com +194EB por mês ou cinco (5) milhões de anos de vídeo. Precisamos pelo menos quintuplicar o espaço de armazenamento para dados até 2020”, o que obriga uma mudança drástica, segundo ele, porque “a tecnologia e as despesas não acompanham a velocidade do crescimento”.
“Temos de adaptar a indústria a este novo formato. Esta adaptação deve ser flexível, ágil com otimização de custos, escalável para poder atender as demandas, temos de continuar deixando accessível o conteúdo, e por isso, afirmamos que não há como sobreviver de forma isolada. Chegamos a um ponto onde a interconexão é fundamental para aproveitar o melhor de cada empresa diminuindo as distância entre as empresas para que elas compartilhem o melhor que cada uma possui. Assim, sem interconexão não será possível sobreviver, uma interconexão que constrói e reforça os ecossistemas”, sentenciou o executivo da Equinix que pela primeira vez participou do SET e TRINTA.
No fechamento da palestra, Julidori disse que é necessário criar um “novo workflow que traga o ecossistema de produção para o digital onde tudo seja feito dentro de um data center desde o ingest até o delivery de conteúdo e playout de conteúdo”.

Marcelo Amoedo (Intelsat) explicou no SET e TRINTA que a tecnologia de satélite de última geração EpicNG de alta velocidade e os serviços gerenciados podem servir para expandir de forma econômica um canal de cada vez, maximizando o tráfego na largura de banda e otimizando sua rede © Foto: Francisco Machado Filho

A solução é a distribuição via satélite?
Marcelo Amoedo, diretor de vendas da Divisão de Broadcast da Intelsat, afirmou no SET e TRINTA que a distribuição e o consumo de mídia mudaram drasticamente nos últimos anos, com os espectadores agora exigindo conteúdo de qualidade, sem ruídos, a qualquer momento e em qualquer dispositivo. “Para atender às demandas do consumidor de novas mídias, os programadores precisam reavaliar seus modelos tradicionais de produção e distribuição e implantar maneiras mais eficientes, econômicas e confiáveis de fornecer conteúdo”, frisou.

A partir das 6h30 dezenas de broadcasters brasileiros se reúnem para o já conhecido café da manhã do SET e TRINTA para conversar

Isso seria possível, em sua opinião, com a utilização de “uma infraestrutura de rede globalizada com programação de mídia distribuída via satélites da Intelsat com comunidades de vídeo ao redor do mundo. Hoje, o satélite chega a mais de 300 milhões de assinantes no mundo e, na América Latina, a mais de 34 milhões por TV a cabo e mais 28 milhões por DTH. Na região, existem 4 comunidades de distribuição para head-ends de TV a cabo via satélite com flexibilidade, resiliência e escalabilidade, nas quais existem ainda plataformas de MCPC”, lembrou.
Um dos destaques foi o satélite IS-35C da empresa e como este satélite pode ajudar os radiodifusores. Outra novidade foi a tecnologia de satélite de última geração EpicNG de alta velocidade e os serviços gerenciados para expandir de forma econômica um canal de cada vez, maximizando o tráfego na largura de banda e otimizando sua rede para entregar, em qualquer dispositivo, as experiências que seu público exigir.
Amoedo apresentou ainda o IntelsatOne Prism, “um satélite com conectividade simplificada e acesso básico à internet via Prism, um serviço simples de transmissão multimídia ‘triple play’ integrada com acesso para todos os serviços com menos recursos em campo, menor tempo de preparação e previsibilidade e redução de custo com uma conectividade com qualidade para transmissão de vídeo garantida”, finalizou. “É uma tecnologia que está unindo a flexibilidade do mochilink com a segurança do satélite.”

Rodrigo Campos (Eutelsat) afirmou que as principais vantagens das redes de distribuição via satélite são a distribuição com custo-benefício viável; a ampla cobertura; e a independência de infraestrutura e fronteiras © Foto: Francisco Machado Filho

Rodrigo Campos, Diretor Geral da Eutelsat do Brasil, analisou o “impacto positivo da utilização do satélite no processo de switch-off no Brasil” e apresentou “o exemplo da França e suas similaridades com o Brasil”, em palestra na qual afirmou que a migração digital está progredindo rapidamente em todo o mundo e um número crescente de lares está mudando seu modo de recepção de analógico para digital com uma “substituição da TV aberta tradicional para um processo de TDT”.
Para Campos, no Brasil, “a digitalização está criando novas oportunidades para a indústria de radiodifusão, bem como para a economia, trazendo a TV Digital e as inovações de transmissão como HD, ou mesmo Ultra HD, e serviços de TV interativa / híbrida de forma transparente para todo o país”.
O executivo acredita que os desafios passam por: como garantir o switch-off analógico com orçamento limitado e sem aumento de receitas; como alcançar locais de difícil acesso a fim de melhorar a cobertura das redes de TV Digital; e como evitar a “exclusão da TV Digital em 2023, quando o processo acabar, para que não tenhamos apagão nas cidades sem cobertura”. A solução, na opinião de Campos, passa por uma distribuição de TV Digital através de satélites “pela sua rápida implementação, uma relação custo-benefício atraente e uma cobertura ampla com independência de infraestrutura e fronteiras. Além do que, o satélite pode manusear vários formatos: DVB-S/S2 – BTS comprimido”, argumentou.
Para o executivo da Eutelsat a forma de evitar a exclusão pode passar pelo satélite E65WA na posição Orbital 65°W brasileira com “ampla abrangência englobando todas as faixas nas bandas C, Ku e Ka. Esta é posição tradicional e consolidada para aplicações de vídeo no Brasil com excelente visibilidade : elevação superior a 50 graus nas capitais e uma posição estratégica para distribuição de programação nas Américas”.

 

*Fernando Moura é professor Doutor do Curso de Jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo, e Francisco Machado Filho é professor Doutor do Curso de Jornalismo da UNESP em Bauru/SP