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O rádio e a preservação do seu conteúdo

SET SUL 2017

Painel abordou o conceito de “rádio híbrido” e indicou as opções para o setor frente ao processo de migração

Moderado por Eduardo Cappia (SET) e com palestras de André Cintra (ABERT) e Roberto Lang (AERP), o painel “Preservação do conteúdo do rádio” abordou vertentes de modificação do perfil de recepção a que está submetido o rádio, visando a preservação do caráter insubstituível de comunicação de massa. Assim, o painel tratou o “radio híbrido” que nos smartphones fazem o chaveamento automático entre a recepção AR do FM e o aplicativo via dados (streaming), com diferentes bases de sincronismo em referência, e sua regulação.
Cappia afirmou que o radio é o meio que têm mais possibilidades de migração, porque “apenas utiliza a audição”. A palestra começou com alguns aspectos do desligamento do Onda Media (OM) que são parte do processo de “estabelecimento de devolução do canal de OM com a migração de 530 emissoras de FM e 116 emissoras no AR”. Para o engenheiro da SET é “urgente realizar o planejamento dos canais da faixa estendida FM de 76 a 88 MHz para acomodar os mais de 300 canais de FM que irão ser alocados nas regiões metropolitanas nacionais”.
Outro dos temas abordados por Cappia foi o congestionamento espectral, tanto em Curitiba com uma análise realizada no dia 4 de junho de 2017, quanto em São Paulo no dia 6 de maio, onde “o cenário é de congestionamento espectral. Migramos e não temos canais para todos. Sobra a faixa estendida com os canais 5 e 6”. O detalhe, afirmou Cappia, “é que passamos de um produto AM para um FM. O novo produto deve ter novos parâmetros para serem monitorados, porque agora temos de medir novos desvios”.
Para ele o rádio tem dois cenários futuros, o smartphone e os veículos. “Nós temos de habilitar o rádio no celular. A solução é o rádio híbrido, que pode ser ouvido no celular tanto pelo ar como por dados. Quando é por dados, tem como principais vantagens a duração da bateria e a falta de saturação. O rádio tradicional está em declínio”, finalizou Cappia.
André Cintra apresentou os resultados da migração AM/FM na região sul do país e destacou as implicações das primeiras emissoras em operação, descrevendo o perfil de implantação das mesmas, suas dificuldades e perspectivas. O representante da ABERT lembrou que 1.442 emissoras já pediram migração, das quais 1.006 estão incluídas. Outras 346 solicitações são inviáveis, segundo ele, porque “nos estudos percebemos que mesmo com um canal com a menor potência possível não é viável colocá-los no ar”.
Falando de faixa estendida, algumas capitais estaduais estão com problema de colocar emissoras na faixa estendida. “Algumas emissoras estão aceitando a redução de potência para poder ficar dentro da faixa”, disse. Uma das conclusões de Cintra é que no fim do processo não haverá nenhuma possibilidade “de aumentar a potência. Não há como aumentar, não temos espectro para isso”, concluiu.
Finalmente, Roberto Lang analisou o panorama da rádio e o que acontece com as emissoras que assinaram o contrato de migração. “As emissoras que migraram tiveram problemas de documentação pelos contratos sociais de outorga com mudança de donos. Outro problema no Estado do Paraná foi à cercania da fronteira. Tivemos problemas técnicos na hora da instalação das antenas e transmissores com alterações de coordenadas. Outro problema gravíssimo que não tínhamos é o problema dos aeródromos. Agora, precisamos da anuência dos aeroportos”, acrescentou.
No fim da palestra, ficou claro que a migração é uma questão tecnológica, mas que a AM como consumo cultural continua sendo importante e tem a ver com o consumo de conteúdo. É impreterível que o celular possa ter um chip integrado para assim avançar para um rádio híbrido.