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Novo SET e Trinta é mais dinâmico e agrada público

Tradicional seminário da entidade estreou um novo formato com sessões temáticas e novo horário

por Tainara Rebelo*, em Las Vegas

Desde o ano passado, quando a edição de 2017 foi finalizada, as equipes da SET se empenharam em desenvolver um novo formato que agradasse mais e que fizesse da programação um atrativo mais dinâmico para o público brasileiro presente no evento.

“Enfrentamos ainda um período de muitas dificuldades políticas e financeiras no Brasil, mas o público aumentou em cerca de 30% em relação ao ano passado e as discussões foram mais engajadas que nas edições anteriores”, comentou o superintendente da SET, Olímpio José Franco.

Neste ano, o evento voltou ao horário original das 7h30 e terminou às 9h (com exceção da segunda-feira, 9 de abril, quando o encerramento se deu às 10h), não conflitando com a abertura da NABshow e propiciando melhor integração entre os painéis.

Outra mudança foi em relação aos painéis: dividiu-se o período em dois assuntos por dia e, dentro deles, painéis que se integravam e ofereciam tempo para perguntas e respostas. O novo formato agradou e o resultado foi casa cheia durante os três dias de evento. ”Certamente temos mais alterações para serem feitas para o próximo ano. Os participantes podem aguardar que a nossa intenção é melhorar a cada ano”, ressaltou Franco.

Reprodução de parte da apresentação no SET e Trinta de Lisa Cosimi, chefe de relações externas de HBS

HDR maior desfio da transmissão de Rússia 2018
Com o trabalho de liderar uma equipe de 700 a 3 mil pessoas a cada quatro anos, Lisa Cosimi, chefe de relações externas de HBS, expôs no SET e Trinta, quais são os principais desafios em broadcast na hora de se fazer a transmissão da Copa do Mundo. “Esta será a primeira Copa praticamente 100% em HDR, então temos um grande desafio pela frente”, anunciou.

“Em relação aos jogos que aconteceram no Brasil, acredito que a maior dificuldade para enfrentarmos será em relação ao clima, que é completamente diferente. Na parte técnica, com certeza será a transmissão em HDR. Esse, sem dúvidas é um desafio que esperamos vencer com maestria”, revelou em entrevista à Revista da SET.

O desafio é que o broadcast envolve muita experiência para construir redes de transmissão na esfera pública, mobile, internet, TV paga, TV aberta, cabo, satélite, telefone. “Com o HDR temos uma exigência técnica a mais, tanto na produção como na transmissão, mas estamos recrutando a melhor equipe possível para que ocorra tudo tranquilamente. Errar não é uma opção”, afirmou.

A HBS é a empresa contratada para fazer a transmissão não apenas da Copa do Mundo, mas de todos os eventos esportivos da FIFA e outros, como a Copa do Mundo de Futebol Feminino e a de Rugby.

Além do staff fixo, cerca de 70 pessoas, são feitas contratações locais (chegando a até 3 mil pessoas) para executar o trabalho em cada evento, “até porque não conhecemos o país como as pessoas que moram lá, então precisamos delas com a linguagem e localização de possíveis interesses para o evento”. Estas pessoas são previamente selecionadas pela HBS e têm como função serem as melhores no que fazem dentro do país no qual o evento ocorre. São profissionais, estudantes e mão de obra física. No caso dos estudantes, é aplicado o “Legacy Program”, que realiza uma troca de experiências (currículo – prática), na construção da rede de transmissão do evento.

Um dos próximos desafios é a inovação: para a Copa do Mundo da FIFA é que “tentamos inovar o máximo possível. Teremos algumas coisas, como UHD e HDR, que estamos estudando desde 2015”. Questionada pela plateia sobre qual o maior desafio e transformação já enfrentados na transmissão, Lise afirmou que “o formato 16:9. Definitivamente, e agora o HDR”, afirma.

Painel da 4ª Revolução Industrial

Nova Revolução Industrial
O que vem ser a 4ª Revolução Industrial? O termo foi cunhado pelo diretor do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em 2014. Na época, o executivo explicou ter sentido o impacto da disrupção pelo qual passamos agora. “Assim como nas Revoluções Industriais antigas, quando surgiram as maquinas a vapor, a eletricidade, computadores, computadores pessoais, e depois a chegada da internet, vem agora a quarta revolução industrial, que são várias tecnologias em diferentes graus de maturidade, combinadas para surgirem novos produtos e serviços”, explicou Luciano Possani, diretor de Inovação da Globosat, moderador do painel “A 4ª Revolução Industrial e a Transformação Digital”.

De acordo com Possani, o escopo a ser trabalhado é a hibridação de várias tecnologias como não tinha se visto até então (Inteligência Artificial, VOT, impressora 3D, nano e biotecnologia) suportada pela terceira revolução, que era do mundo físico no digital. “Só que na hora que fica digital, a gente transforma a maneira que a gente processa. Digitalizamos o mundo e isso se aplica também a produtos e negócios, dai estamos vendo essa aceleração no surgimento de novas tecnologias, a 4ª Revolução Industrial”, explicou.

Conforme dados apresentados, no início da primeira década do século XXI, nos Estados Unidos, 41% da indústria de bens de consumo que estavam bem no mercado sucumbiram, e a previsão é que mais metade das existentes terão o mesmo destino nos próximos 10 anos. “E no Brasil? Nós temos o nosso cenário específico. Temos algumas deficiências, mas também temos oportunidades. O povo abraça tecnologia e inovação com um mercado enorme, mas tem muita coisa a ser feita ainda. Com tudo isso acontecendo, tem um cenário distópico do “Exterminador do Futuro”, com as maquinas dominando e destruindo tudo, que pede espaço para o “Homem de Ferro”, com máquina e homem juntos. É a tecnologia empoderando o ser humano e fazendo com que ele produza mais e melhor”, argumentou.

Mike Chapman, líder de estratégia global da M & E, Accenture, questiona em que nível essas mudanças deverão acontecer. “Essas empresas vão competir em experiência ou conteúdo? Onde coloco o meu investimento? Como penso nesse universo para achar o local correto para investir? Em que plataforma? E, por fim, o que vai crescer e o que vai morrer?”.

Chapman explicou que estamos vendo um mercado que não consegue mais vender, e ao mesmo tempo, empresas novas chegam atendendo a muitos clientes diferentes. Um mundo novo e novas experiências baseadas por práticas de consumo e serviços focados no consumidor, no qual a Netflix é um dos melhores exemplos. “A usabilidade da plataforma foi totalmente inovadora. A apresentação de conteúdo, a maneira de procurar por conteúdo. E eles ainda disponibilizam um recurso para mostrar outros títulos parecidos com o que você está assistindo. Isso é um belo benchmarketing”, exemplificou.

Para o representante da Cisco, Fábio Souza, o tema é a automação. “Quando você pode automatizar esse processo de atendimento, a automação evolui para entender o cliente e acaba resultando novas oportunidades de negócio. A discussão da indústria 4.0 acontece em todas as vertentes e está só começando, tem muito para evoluir”, afirmou, evangelista de negócios em vídeo da Cisco Systems.

“Você não precisa ser a Netflix, mas pode aprender com ela. Temos que ficar alerta e temos que ficar atentos. Temos muita solução e muitas conversas para deixar tudo conectado e com segurança. Tragam os vendors para essa discussão e abracem-na. Mas, além disso, revisem todos os seus processos, que vocês irão encontrar onde colocar a automação. Para quem não começou, esta na hora. Para quem já começou, parabéns”, pontua.

O diretor Editorial da SET e de Tecnologia e Operações do SBT, Raimundo Lima, afirmou que o desafio é muito grande e que cada empresa vai encontrar a sua maneira enfrentar, e que qualquer revolução digital dentro da empresa começa pelo quadro de profissionais. “Se não nos importarmos em trazer esse comportamento digital para dentro da empresa, não adianta ter as ferramentas para implementar. E se não lidarmos com esse planejamento, vamos ser atropelados pela 4ª revolução industrial”, enfatizou.

Painel de Satélites – SET e Trinta, NAB Show 2018

Painel de satélites traz lançamentos e luz para a tecnologia
“O satélite vai morrer? Não vai. Sem duvida é o meio mais barato, abrangente e eficiente de fazer distribuição de conteúdo banda larga por meio de estrutura ponto-multiponto”, garantiu, em Las Vegas, Frederico Rehme, diretor de ensino da SET e moderador do painel: “Satélites, o mundo visto de cima” que reuniu empresas e profissionais que trabalham com satélites para elencarem as soluções encontradas para que o sistema continue funcionando em meio à evolução tecnológica atual.

“Uma das coisas mais importantes a serem destacadas é o papel do satélite nessa nova fase da indústria no broadcast. Esse cenário deixa cada vez mais relevante o papel do satélite como fornecedor de capacidade, se acrescido com a nova função de oferecer serviços. A gente tem trabalhado desenvolvendo soluções para algumas emissoras que estão enfrentando dificuldades em fazer o switch-off, fragmentando assim as suas audiências”, explicou Cristi Damian, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Advantech Wireless Technologies. “Conhecendo as demandas desta necessidade vamos ter como resolver”, finalizou.

Dados apresentados pela Eutelsat apontam que, de todas as mudanças que atuais do mercado, com o advento do OTT, o satélite é a comunicação imbatível para distribuição pontomultiponto. “Se tem um canal em um ponto central e precisa distribuir para diversos outros e depois replicar em outros pontos terrestres, use o satélite. É econômico, e eficiente. O desafio, entretanto, é transmitir maior quantidade de informação (taxa de Mbps) em uma nova banda, em MHz”, ponderou Marcelo de Amoedo, diretor de Vendas e Broadcast Services da Região Sul na Intelsat.

Dentre os principais desafios em unificar a tecnologia, Amoedo citou um estudo de caso no qual foi preciso adaptar o uso de banda dos satélites pra a transmissão de eventos esportivos europeus aqui no Brasil. “Como a maior parte de eventos esportivos na Europa e no cone sul são banda KU e no Brasil são de banda C, na maioria das vezes, emissoras aqui não tem antena para fazer essa transmissão e precisam contratar outro link para transmitir no satélite local. Agora tem um novo satélite que transmite em C-HTS de alta capacidade, o IS-29, primeiro satélite HTS com transmissão cruzada. Ele pode subir pra banda KU sem precisar fazer turnaround”, explicou.

Jurandir Pitsch, VP de Vendas e Desenvolvimento de Mercado da SES Video América Latina, apresentou um ecossistema para transmissão de canal UHD, desenvolvido primeiramente nos Estados Unidos, e agora possível pela inauguração do teleporto da empresa em Hortolândia, interior de São Paulo. “São dois satélites transmitindo quatro (4) canais, em setembro de 2018, haverá mais canais”, explicou. Hoje sabemos que a Oi TV. De acordo com o palestrante, são dois canais comerciais e dois de promoção, sendo um deles da NASA, e um da SES. “São ótimos para geradores de conteúdo em 4k”, garante.

Outra tecnologia é o VOD Everywhere. “Muitos lares no Brasil não têm internet a ponto de não poder transmitir um “Netflix” em casa. Criamos tecnologia fim a fim onde subimos e descemos o sinal em casa, oferecendo um sistema VOD completo, com porta para sistema ao vivo”. Este recurso foi lançado no IBC em 2017 e agora no NAB Show é inaugurada a possibilidade multitela, “até cinco conteúdos simultâneos”, finalizou.

 Casa cheia no Café da Manhã do SET e Trinta, como cada ano os broadcasters brasileiros se reúnem entorno a um café antes do inicio dos trabalhos

Inovação visando o conteúdo
O SET e Trinta analisou as principais inovações em produtos para o setor audiovisual e a sua relação custo/benefício para o áudio, vídeo e mundo digital. “Toda essa mudança é positiva para a qualidade de áudio e imagem, mas trouxe impacto direto para o microfone sem fio. Uma das soluções é usar esse espectro de forma mais eficiente, como modulação digital para sistemas sem fio, aumentando a densidade do espectro disponível”, afirmou Fernando Fortes, especialista sênior de Desenvolvimento de Mercado Pró-Áudio da Shure no Brasil.

O microfone sem fio precisou encontrar soluções com o desligamento da TV analógica. Com a implantação dos canais digitais, o espectro ficou “contaminado” e, recentemente, em 2018, há poucos canais livres. “Os de UHF estão com a TV digital. A faixa de 698 a 806 Mega ficou para os novos sistemas 4G, proibida para microfonões sem fio. Isso provocou mudanças para quem tem sistemas operando nessa faixa”, explicou.

A indústria do conteúdo descobriu novas maneiras de se beneficiar com o advento do OTT. “Como profissional de uma empresa de provedor de solução, defendo que a internet possibilita melhor feedback sobre o comportamento do consumidor, o que no broadcast não é tão fácil de se fazer”, comenta Gustavo Dutra, diretor de vendas em OTT Market da MX1 (SES), na América Latina. Ele explica que, hoje, os novos produtores de conteúdo em OTT saíram da máxima de apenas um sinal no ponto, no qual todos assistem ao mesmo conteúdo no mesmo local, para uma produção orientada multitela, com opções on demand personalizadas.

“Nesta fase, cria-se uma fidelidade maior e, a partir dessa precisão, aparece o dinheiro. O anunciante reserva uma parte da verba do anúncio para fazer um direcionamento cirúrgico da sua propaganda, totalmente direcionada a partir do gosto do consumidor”, detalha. A partir daí, cria-se uma face para o investimento, onde a customização da produção é a chave. “Na Netflix, por exemplo, você escolhe o perfil e, baseado em dados e metadados do OTT sobre o seu comportamento, a plataforma cria um perfil personalizado pra você”. Dados apresentados por Dutra mostram que, no último ano, os dois maiores players de OTT investiram mais de U$ 10bi em conteúdo próprio. “Hoje a Netflix é a terceira em conteúdo mais visto, ficando atrás apenas da FOX e Disney. Ou seja, o conteúdo voltou a ser o Rei com o mercado”, afirma.

Na parte de vídeo, o representante da Sony analisou de padrões em HDR para produções ao vivo, apresentando um pouco sobre o que está acontecendo no mundo em produção e captação. O destaque foi para um recurso que permite criações simultâneas em HDR e SDR ao vivo, proporcionando percepção de qualidade significativa. “O benefício desse sistema, é que a captação do vídeo ao vivo (recepção e transmissão) permitem que entreguemos a mesma qualidade do HDR, sem perder conteúdo durante a codificação e decodificação. Você não precisa fazer nada para garantir a qualidade, é um conversor universal que transmite na mesma qualidade em casa”, explicou Hugo Gaggioni, Chief Technology Officer, Sony Professional Solutions Americas.

“Todos os profissionais do mercado audiovisual devem estar atentos às inovações tecnológicas, mas principalmente às movimentações do mercado. A evolução da produção de conteúdo HDR, a continuidade e eficiência dos sistemas de captação de áudio digital e também a preocupação com a distribuição do conteúdo para qualquer dispositivo/plataforma devem estar na lista de prioridade das empresas relacionadas ao mercado audiovisual” pontuou o co-moderador do painel, Alexandre Sano, vice-diretor de Eventos da SET e gerente de Engenharia do SBT.

*Edição de Fernando Moura