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Novo acordo de cooperação com engenheiros japoneses

Neste editorial para a Revista da SET, quero falar um pouco sobre como foi este primeiro semestre de 2019 para a SET e sobre o SET EXPO. Há um ano, uma revolução começou na nossa entidade. Elegemos o primeiro Conselho Deliberativo da SET, inaugurando uma nova governança, mais moderna e flexível, do qual tive a honra de ser eleito como primeiro presidente.
Em janeiro, estabelecemos vários objetivos, entre eles o de consolidar a independência financeira da SET, fomentar as nossas parcerias nacionais e internacionais e promover oportunidades para todos os atores da nossa cadeia produtiva. É impressionante constatar o grande desenvolvimento tecnológico da indústria ao longo dos anos e o enorme ciclo de expansão que se coloca à nossa frente com o desenvolvimento de tecnologias fantásticas.
Sinto-me privilegiado em dizer que vivemos um momento único e pleno que exige de nós o esforço de nos adaptarmos a essas mudanças de modo a enxergar nelas as oportunidades de negócios que gerem muita riqueza e prosperidade a todos.
Como o maior fórum do Brasil, a SET lidera esse processo, apontando os caminhos e oferecendo o espaço onde essas oportunidades são aperfeiçoadas, congregando profissionais, entidades, universidades, empresas e agências governamentais para que todos busquem as melhores soluções, troquem experiências e elevem o nível dos serviços disponíveis ao consumidor, não importando onde ele está e qual dispositivo ele usa.
Neste Congresso do SET EXPO 2019, teremos mais de 50 painéis e 200 palestras de alto nível, com as presenças de lideranças que estão à frente dessas mudanças, experimentando, criando e fazendo a diferença. O setor de radiodifusão tem importância fundamental na sociedade brasileira. Ao contrário de outros países, no Brasil a TV aberta prevalece sobre outros modelos de transmissão. Temos um sistema regulatório moderno e que transmite segurança jurídica para o setor. Por isso, vejo com muita tranquilidade a entrada dos novos players. Diferente do que muitos pregam, ela não fará com que o modelo linear desapareça. Pelo contrário, percebo um espaço fértil para convergência e uma convivência muito boa entre os modelos. Disse isso após o final do NAB Show 2019 e repito agora: estamos vivendo uma época do “e”, e não do “ou”. Traduzindo: a cada dia que passa, vamos agregar mais para manter a sustentabilidade do setor.
Neste semestre que passou estruturamos os Comitês e alguns Grupos de Trabalho da nova governança da SET. Os grupos de trabalho sobre Inteligência Artificial, TV 3.0, Infraestrutura IP e Blockchain vão muito além da engenharia de televisão, pela qual tradicionalmente nossa entidade é reconhecida.
Da mesma forma, as mídias tradicionais continuam a impor a sua força. Como é o caso do Rádio, que está se reinventando de tal maneira, que a SET organizou um dia inteiro dedicado a ele: o SET Rádio. Serão quatro painéis e uma sala inteira dedicada somente a este assunto. No caso da TV, a disputa entre a nova geração de tecnologias de TV digital – a Next Gen TV – coloca a SET de novo como um ator central neste desenvolvimento em parceria com o Fórum SBTVD e com o Projeto UHD Brasil. Ressalto também as presenças de representantes do ISDB-T, do ATSC 3.0 e do DVB. A evolução dos padrões de TV aberta no mundo se destaca por tecnologias híbridas: ar e web. No NAB Show, em abril, tivemos produtivos encontros com entidades internacionais como o Ultra HD Forum. Também estreitamos nossos laços com o IBC e com a própria NAB. Lembro que, no IBC, a SET tem uma cadeira permanente em seu Conselho Consultivo. Em maio, realizei uma viagem especial ao Japão, onde mantive contato com os nossos principais parceiros do Ministério das Comunicações japonês, Arib, Dibeg, NHK e ITE. Trago a feliz notícia que oficializamos um acordo de cooperação com esta tradicional associação de engenheiros japoneses que visa benefícios mútuos para os seus respectivos associados.
Também anuncio uma parceria inédita com a SMPTE, a mais importante associação de engenheiros de televisão do mundo. No âmbito nacional, consolidamos as nossas relações com a ABERT e com a Abratel.
No Brasil, ainda no primeiro semestre, realizamos dois seminários regionais. Após sete anos, o SET Sudeste voltou à Belo Horizonte em um evento que foi muito comentado. E Curitiba sediou com brilhantismo o SET Sul.
Assim como temos ótimas oportunidades com tecnologias fantásticas (como o streaming adaptativo, o HDR, o áudio imersivo, entre outras), temos também os desafios de convivência de espectro (entre 5G e satélites, por exemplo). E precisamos levar em conta o risco do modelo de custeio de TV aberta gratuita em cidades pequenas deixar de atender as classes D e E. Após o SET EXPO, teremos ainda uma agenda cheia de atividades que incluem mais três seminários regionais e a participação em importantes eventos internacionais, como a Caper Show, na Argentina, e o InterBEE, no Japão, o Expotech Peru, o Broadcast Índia e o Broadcast México. Por tudo isso, acredito que vivemos um momento brilhante para a SET.

Ótima leitura!

Carlos Fini
Presidente da SET