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Investimento em conteúdos de qualidade e foco em credibilidade são estratégias de combate às fake news que podem aumentar a audiência, indicam especialistas

SET Centro-Oeste 2017

por Gabriel Cortez e Fernando Moura

O painel “Novas mídias x Fake News: o que fazer?”, contextualizou o fenômeno das notícias falsas e elencou formas de combatê-las. O moderador da sessão e representante da ABERT, Paulo Henrique Balduíno, introduziu as apresentações lembrando de uma pesquisa da Universidade de Stanford segundo a qual 82% dos estudantes de escola média nos Estados Unidos não conseguiam diferenciar uma matéria com identificação de patrocinador, ou mesmo falsa, de uma matéria real.

No período do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, três em cada cinco das notícias mais compartilhadas no Facebook eram fake, segundo levantamento do grupo de pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à informação da Universidade de São Paulo (USP). “As notícias falsas estão mudando o mundo, alterando os comportamentos e os destinos da sociedade, como ocorreu nas eleições americanas e no Brexit. Como lidar com isso? E como evita-las nas próximas eleições brasileiras? O painel pretende mostrar o que está sendo feito no mundo para combater esse problema”, introduziu Balduíno.

“É preciso resgatar os principais atributos do jornalismo profissional, como a apuração e o compromisso com a verdade, o rigor técnico e os princípios éticos, a checagem e a re-checagem de dados e uma melhor capacitação das equipes”, afirmou Patrícia Blanco

A presidente executiva do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, lembrou que o termo “pós- verdade” foi eleito a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário de Oxford. “É uma prática conhecida há séculos mas que se potencializou neste ambiente de convergência de mídias e de intensa utilização e disseminação de informações falsas via redes sociais. Pós-verdade é quando as crenças e ideologias superam os fatos. Temos conteúdos que são retirados de contexto, são adulterados. Pode ser uma manipulação da opinião púbica, uma velha mentira de ‘roupa nova’, uma nova forma de narrativa que privilegie um tema de interesse, sem mostrar diferentes ângulos. O problema é que as pessoas não checam a informação que recebem. Simplesmente compartilham”, argumentou.

A educação para a mídia é a principal estratégia de combate às notícias falsas, na opinião de Patrícia, além das agências de fact checking como a Lupa, o Aos Fatos e a Agência Pública, todas brasileiras, ou a International Fact Checking Network, organização internacional que reúne mais de 120 entidades de checagem de fatos. “É preciso, ainda, resgatar os principais atributos do jornalismo profissional, como a apuração e o compromisso com a verdade, o rigor técnico e os princípios éticos, a checagem e a rechecagem de dados e uma melhor capacitação das equipes. Temos que assegurar a liberdade com responsabilidade e nunca abrir mão da qualidade. Quanto mais ampla for a liberdade de expressão e a credibilidade do jornalismo, mais forte será o combate às fake news“, concluiu. As notícias falsas podem ser veiculadas por má fé ou para gerar engajamento e lucros com publicidade, ressaltou Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

Na opinião de Ricardo Pedreira (ANJ), “Cabe aos produtores de jornal, emissoras de televisão e demais produtores investirem em produção de conteúdo de qualidade e de credibilidade”

“Como, na internet, a audiência gera dinheiro, as pessoas buscam anabolizar os seus cliques com fake news. Na China, por exemplo, existem ‘fazendas de likes’, em que milhares de celulares são colocados em máquinas para curtir sem parar determinadas publicações. No Brasil, um site como o Pensa Brasil, sediado em Poços de Caldas, chegou a faturar R$ 150 mil reais por mês com publicidade programática.” As empresas de mídia, segundo o executivo, estão preocupadas com este cenário e não querem que suas marcas se liguem a essas questões que ferem a liberdade e os direitos fundamentais. “Cabe aos produtores de jornal, emissoras de televisão e demais produtores investirem em produção de conteúdo de qualidade e de credibilidade”, argumentou.